Teste: Volvo ES90 é sedã elétrico com som de cinema e que purifica o ar


“O próximo lançamento do mercado automotivo brasileiro será um SUV”. Se essa sentença fosse uma aposta na Mega-Sena da virada, a probabilidade de alguém ficar milionário seria deveras alta. Mas quem fizer esta aposta agora vai se dar mal, porque (ainda bem) o Volvo ES90 é uma bem-vinda exceção à regra.
O sedã elétrico executivo está sendo lançado no Brasil mais precisamente no Festival Interlagos 2026. O preço ainda não foi revelado, mas Autoesporte já teve o primeiro contato com o modelo e pode afirmar que ele deve custar um pouco mais barato do que o EX90, seu irmão de plataforma. Ou seja, por volta de R$ 800 mil. Ele será comercializado em versão única, Twin Motor Performance, a mais potente da gama.
Em nosso teste o Volvo ES90 apresentou autonomia real de aproximadamente 400 km
Renato Durães/Autoesporte
É claro que a expectativa da marca sueca não é fazer um grande volume de vendas com o ES90. Apenas pequenos lotes com algumas dezenas de unidades devem ser oferecidos em nosso mercado, com foco em executivos que não abrem mão da tradição de um sedã para viajar confortável no banco do passageiro, mas que também querem experimentar todas as novidades de um carro elétrico.
E o ES90 é um daqueles elétricos típicos da escola chinesa, cheios de truques. Afinal, a Volvo pertence hoje à gigante Geely e o ES90 compartilha diversos itens com outros carros do grupo, especialmente da Zeekr. Os retrovisores externos, por exemplo, são idênticos.
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Para começar, não há uma chave convencional. As portas se destrancam ao encostarmos um cartão NFC no sensor da maçaneta do motorista ou quando cadastramos uma chave virtual na carteira digital de um celular Samsung ou Apple. Neste caso, basta aproximar o próprio smartphone do sensor, mesmo com a tela bloqueada. Um recurdo muito prático, embora tenha falhado algumas vezes durante nosso teste. Não fez mal: o ES90 também destrava as portas pelo aplicativo da Volvo. Ufa.
Volvo ES90 traz rodas aro 22
Renato Durães/Autoesporte
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Outro truque interessante é o ar-condicionado digital de nada menos que quatro zonas, dotado de um filtro que purifica o ar antes de circulá-lo na cabine. O teto panorâmico tem o mesmo controle variável de opacidade visto em modelos de marcas rivais, como BMW e Porsche. Já o banco traseiro reclina o encosto lombar e vira quase uma poltrona de classe executiva, com direito a mesa de refeição.
Mas o que merece destaque mesmo é o sistema de som, assinado pela Bowers & Wilkins, com 25 alto-falantes – inclusive embutidos nos encostos de cabeça dianteiros –, possui múltiplas regulagens com efeito 3D por meio de um recurso na central multimídia chamado “Abbey Road”. Sim, é o famoso estúdio dos álbuns dos Beatles. Por meio dele, o condutor ou passageiro escolhe em quais pontos da cabine o som se concentra, ou seleciona a função “anfiteatro”, que otimiza o áudio por toda a cabine com uma qualidade altíssima.
Volvo ES90 tem acabamento interno refinado e som de cinema
Volvo/Divulgação
A suspensão com molas pneumáticas permite rebaixar ou aumentar a altura do solo em até 4,8 cm, a fim de facilitar o acesso de passageiros ou o manejo de objetos no porta-malas quando o ES90 está parado. Em movimento, o ajuste possibilita melhorar a aerodinâmica na estrada ou aumentar os ângulos de transposição na cidade.
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As peculiaridades continuam com a tampa do porta-malas, que se estende até o vidro traseiro, como em um cupê ou fastback. A abertura elétrica pode ser feita pela chave, por botão na própria tampa ou um sensor de proximidade dos pés no para-choque. Aliás, o bagageiro comporta 464 litros, além de 27 l extras no compartimento frontal sob o capô.
Como quase tudo é superlativo no Volvo ES90, os faróis de LED fazem um jogo de luzes quando você destrava o carro. As dimensões também são enormes: 5 metros de comprimento, 1,94 m de largura e longuíssimos 3,10 m de entre-eixos, sendo 1,55m de altura. Para ornar com este tamanho todo, as rodas não poderiam ser menores do que 22 polegadas.
Volvo ES90 tem suspensão pneumática que permite ajustar a altura do sedã em relação ao solo
Renato Durães/Autoesporte
Não precisamos dizer o quão o ES90 é espaçoso com todo esse porte, permitindo que passageiros adultos viagem no banco de trás praticamente deitados. Nada mais executivo. O padrão de acabamento também encanta e, aqui, percebemos novamente a influência chinesa, com o uso de materiais de alto padrão e muito bem encaixados, mas sem exageros. Ainda bem.
Assim, o ES90 tem um ambiente interno com couro claro e microperfurado dos bancos. Já os revestimentos de painel, console central e guarnições das portas laterais são quase todos macios ao toque e em cor cinza, com alguns elementos que imitam metal ou madeira clara.
Em outra solução à chinesa, a central multimídia estilo tablet de 14,5 polegadas concentra praticamente todos os comandos do veículo, desde os ajustes dos retrovisores até o ar-condicionado. Ter alguns botões físicos à disposição faz falta, certamente, mas pelo menos o sistema funciona com ótima resolução e velocidade.
Volvo ES90 tem lanternas em formato de C
Renato Durães/Autoesporte
Como não poderia deixar de ser, há Android Auto e Apple CarPlay sem fio, mas o sistema de entretenimento do ES90 traz internet 5G e aplicativos integrados, como Spotify e Google. Ou seja, é possível logar em sua conta do Google na central e sincronizar o uso de streaming de música ou um mapa GPS, como Waze ou Google Maps, sem precisar encostar no smartphone e gastar sua bateria ou plano de dados. Ótimo, porque estranhamente o ES90 não oferece carregador por indução.
De fato, há muita coisa para explorar no Volvo ES90 mesmo sem dirigi-lo. Aliás, o elétrico sequer precisa de botão de partida: basta colocar a alavanca de câmbio em D com o cartão NFC ou o celular a bordo para iniciar a condução. Quando ela começa, o sedã surpreende ainda mais.
São dois motores elétricos, um dianteiro de 299 cv e 39,7 kgfm e outro traseiro de 381 cv e 48,9 kgfm. No total, temos 680 cv de potência e 88,7 kgfm de torque combinados, o que leva o ES90 de 0 a 100 km/h em meros 4 segundos, apesar de pesar 2.610 kg.
Volvo ES90 tem espaço enorme para os ocupantes do banco traseiro
Volvo/Divulgação
Uma curiosidade é que o motor dianteiro é assíncrono, sem ímãs permanentes. Além de mais barata para produzir e manter, esta solução torna o desacoplamento mais fácil quando o motor em questão não está em uso, sem depender de uma engrenagem para isso. Ou seja, o Volvo ES90 tem tração integral, mas ela é prioritariamente traseira.
Todo este combo poderia dar a entender que o elétrico entrega um comportamento esportivo por essência, mas não é o caso. É óbvio que as arrancadas e retomadas são muito vigorosas, mas, se o motorista mantiver um pé pacato sobre o acelerador, terá à mão um carro elétrico suave e agradável de dirigir.
O silêncio a bordo e o comportamento macio da suspensão pneumática, mesmo sem permitir que a carroceria pendule demais, tanto lateral quanto longitudinalmente, contribuem para isso. A plataforma com baterias integradas ao chassi no assoalho, o que reduz o centro de gravidade, explicam esse comportamento.
Em resumo, o ES90 é um carro com excelente equilíbrio entre rigidez e conforto, e que ainda permite ao motorista regular, na central multimídia (sempre ela), os níveis de firmeza da direção, de resposta do acelerador e dos freios e de frenagem regenerativa (incluindo uma opção automática). A única parte ruim é a visibilidade traseira, horrível devido à forte angulação do vidro.
Por outro lado, as câmeras para manobra em 540 graus estão entre as melhores que já testei, sendo verdadeiramente úteis no uso, o que é raro. Os sistemas Adas de condução ativa – frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo (ACC) e assistente de permanência em faixa – também são muito bem calibrados, sem ser intrusivos demais.
Equipado com baterias de íons de lítio do tipo níquel-cobalto-manganês (NMC) de 106 kWh, o Volvo ES90 oferece 102 kWh de capacidade útil, o que perfaz uma autonomia de até 524 km na homologação brasileira do Inmetro. Na Europa, fala-se em 700 km de alcance em uso urbano, mas preciso dizer que, durante nossa avaliação, a autonomia real projetada ficou em torno de 400 km, incluindo pequenos circuitos rodoviários.
Por conta da arquitetura de 800 Volts, o sedã executivo elétrico proporciona recargas rápidas (DC) a até 350 kW, o que permite recuperar entre 10% e 80% da carga em meros 22 minutos. Por outro lado, o carregamento lento (AC) não passa de 11 kW e, neste caso, seriam necessárias singelas dez horas para ir de zero a 100%.
Sabemos que vai ser difícil encontrar um Volvo ES90 nas ruas do Brasil. O volume de vendas será baixo e a marca vai trazer lotes pequenos do modelo. Mas não deixa de ser uma novidade bem-vinda. Em um mercado cada vez mais monopolizado por SUVs que mal se distinguem um do outro, qualquer sedã ganha destaque por sair do lugar comum. Ainda mais um cheio de truques tão surpreendentes.
Pontos positivos: equilíbrio entre desempenho e conforto; autonomia; sistema de som;
Pontos negativos: visibilidade traseira; recarga lenta; ausência de carregador por indução
Volvo ES90
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