Parceria de Chevrolet e Hyundai está ‘sem definição’ e pode ter reviravolta
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Anunciada há mais de um ano, e com previsão de dar os primeiros frutos em 2028, a parceria entre GM e Hyundai pode ter um desfecho bem diferente — e mais amargo. Autoesporte apurou que o acordo entre norte-americanos e coreanos corre o risco de não sair do papel no Brasil.
Vale lembrar que a parceria prevê o desenvolvimento conjunto de cinco veículos, incluindo um SUV, um carro de passeio e uma picape, todos compactos, além de uma picape média. Estes quatro serão vendidos na América do Sul, enquanto uma van elétrica será comercializada na América do Norte.
Acordo entre Hyundai e Chevrolet prevê uma picape média que deve usar base da S10
Imagem gerada por Inteligência Artificial
No entanto, faltando cerca de dois anos para o primeiro dos modelos ser lançado, sequer há um entendimento entre as partes de como o acordo vai funcionar. Em evento realizado na noite da última quarta-feira (9), o vice-presidente da GM, Fábio Rua, concedeu entrevista para a AutoData e disse que “o protocolo está sendo discutido internamente, sob a liderança dos Estados Unidos, ponto a ponto”, e que, até o momento, segue “sem definição”.
Ao Valor Econômico, Carlos Bibi, diretor de Compras da GM na América do Sul, afirmou que existe um memorando de intenções entre as empresas, mas que o trabalho conjunto sequer foi iniciado. “É possível haver sinergias entre os fornecedores? Hoje não. Parcerias trazem vários benefícios, trazem escala e eficiência. Mas não podemos falar sobre algo que hoje não existe.”
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Em outras ocasiões, executivos dos dois lados disseram que não havia previsão de compartilhamento de produção, e que cada veículo teria identidade própria.
Base do Hyundai i20 poderia dar origem a uma nova família Onix, por exemplo
Renato Durães/Autoesporte
Considerando que o desenvolvimento de um veículo costuma levar de três a quatro anos, se não houve início de um trabalho conjunto, parece ser pouco provável que haja um lançamento em 2028. O pouco otimismo dos executivos da GM também dá a entender que a parceria, de fato, pode estar em risco.
Procurada por Autoesporte, a Hyundai disse que não faria comentários sobre o status do acordo.
Marcas parecem buscar alternativas
Hyundai Alcazar poderia ser um dos modelos indianos que a marca estuda para o Brasil
Divulgação
Outro indicativo de que o futuro das marcas no Brasil pode ser separado são as notícias recentes da indústria automotiva. Em entrevista recente, o CEO global da Hyundai, José Muñoz, disse que os sul-coreanos estudam trazer carros importados de China e Índia para complementar o portfólio no Brasil.
Além disso, a Hyundai monitora a situação da Kia no Brasil. As duas empresas fazem parte do mesmo grupo, e a matriz negocia com o governo brasileiro para ter uma dívida antiga da Asia Motors perdoada com a condição de investir em uma nova fábrica. Com esse cenário, a possibilidade de expandir a capacidade produtiva surge como alternativa à parceria com a GM.
Do ponto de vista de novos produtos, quem tem mais a perder é exatamente a Chevrolet. Isso porque a Hyundai acaba de lançar o i20 no Brasil com uma nova plataforma, K3, que também será compartilhada com Bayon e Creta.
Wuling Bingo Pro será vendido no Brasil como Chevrolet Joy EV
Divulgação
Já a GM tem buscado em produtos chineses de uma outra parceira, a Saic, para compor o portfólio no Brasil. Vale lembrar que a família Onix, criada no final da década passada na China não terá uma nova geração desenvolvida na China. Com isso, para ter novos compactos por aqui, a Chevrolet teria três opções: contar com o acordo com a Hyundai, trazer modelos feitos pela Saic, ou investir uma quantidade maior de dinheiro e nacionalizar o desenvolvimento.
Ao que tudo indica, o fortalecimento das relações com a Saic deve resolver, ao menos em parte, a disponibilidade de produtos. Já estão confirmadas as chegadas da versão PHEV do Captiva e um novo hatch compacto elétrico, Joy. Além deles, a marca Buick desembarca no Brasil a partir de 2028.
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