Marcas de carro se unem para sobreviver à indústria moderna
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General Motors e Hyundai, rivais em outros tempos, decidiram formar uma parceria para acelerar o desenvolvimento de produtos e melhorar a eficiência. Firmado em 2024, o acordo começou a ser detalhado em 2025, quando ficou claro que a América do Sul será o principal foco de sinergias entre a montadora americana e a coreana.
O eixo dessa união é o compartilhamento de plataformas e prevê, inicialmente, quatro modelos voltados ao nosso mercado: um carro de passeio, um SUV compacto e duas picapes. Com fábricas da Hyundai em Piracicaba (SP) e unidades da GM em São Caetano do Sul (SP), São José dos Campos (SP), Gravataí (RS) e Joinville (SC), o Brasil se consolida como o principal polo de produção dessa aliança no mundo.
O presidente de mercados globais da GM, Rory Harvey, esteve no Brasil e disse que o consumidor será beneficiado, pois a parceria abrirá caminho para o lançamento de vários produtos “de maneira mais ágil”. Para o executivo, escala é a chave para enfrentar tempos voláteis.
Poucos dias depois da visita de Harvey, em São José dos Campos (SP), trabalhadores da GM aprovaram um Plano de Demissão Voluntária (PDV), reflexo da queda nas vendas. A direção do sindicato também cobrou diálogo com o novo presidente da GM na América do Sul, Thomas Owsianski, para entender como será o acordo com a Hyundai.
Chevrolet S10 é produzida em São José dos Campos (SP), fábrica que opera abaixo da capacidade
Bruno Guerreiro/Autoesporte
A entidade reivindicou, ainda, que parte do plano de investimentos em curso seja direcionada à unidade onde é produzida a picape S10 e que, hoje, opera abaixo da capacidade.
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A mobilização sindical também questiona a decisão da GM de montar os elétricos Spark e Captiva em Horizonte (CE). Trata-se de uma operação terceirizada, sob comando da Pace, na antiga fábrica da Troller. Os metalúrgicos argumentam que a terceirização retira empregos de polos tradicionais e aprofunda a guerra fiscal. E dizem que “não faz sentido” a GM terceirizar a produção local enquanto sobra espaço nas fábricas já existentes.
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A decisão pode parecer ilógica para o movimento sindical paulista. Entretanto, essa é a forma que a indústria automobilística encontrou para atravessar tempos voláteis. É preciso se reinventar. Como disse Harvey, “todo o mundo está buscando escala, eficiência e como fazer as coisas da maneira mais econômica possível”.
Segundo o executivo, às vezes surgem oportunidades de parcerias que permitem alcançar objetivos “que talvez não fossem possíveis de outra forma”.
Renault e Geely se tornaram sócias no Brasil em 2025
Renato Durães/Autoesporte
A era da eletrificação acelera a busca por parcerias. Montadoras tradicionais vêm se juntando a marcas chinesas para acelerar o desenvolvimento de carros elétricos e o uso de fábricas já existentes para produção local. É o caso da Renault com a Geely e da Stellantis com a Leapmotor. Não se trata de juntar forças tendo em mente apenas a eletrificação. Daqui por diante, esse setor deixará de ser visto somente como um produtor de veículos. Passará a integrar um sistema bem mais complexo que envolve também mobilidade inteligente, conectividade e direção autônoma.
No entanto, o sucesso desses novos métodos de produção dependerá da capacidade da indústria de equilibrar inovação tecnológica com estratégia de manufatura e, ainda, lidar com tensões trabalhistas.
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