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Líder no varejo, BYD agora quer ser peso-pesado

07/11/2026
Líder no varejo, BYD agora quer ser peso-pesado


Se os carros elétricos já conquistaram espaço nas ruas brasileiras, por que ainda existe tanta desconfiança quando o assunto são os caminhões? A eletrificação avança rapidamente no setor automotivo, mas, quando chegamos ao transporte pesado, a conversa muda de tom. Afinal, é possível transportar toneladas de carga, cumprir jornadas exigentes e manter uma operação logística eficiente sem depender do diesel?
A resposta passa por entender que a eletrificação não precisa acontecer da mesma maneira ou no mesmo ritmo em todas as operações. Cada aplicação tem suas particularidades, e a transição para uma mobilidade mais sustentável deve considerar fatores como infraestrutura, autonomia e necessidades operacionais. Em trajetos com rotas definidas e retorno à garagem, por exemplo, os veículos elétricos já podem ser uma alternativa mais eficiente e econômica.
Segundo Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Energia Solar da BYD Brasil, nenhuma tecnologia é a solução ideal para todas as aplicações. Em rotas previsíveis e dedicadas, como entregas urbanas de última milha, transporte entre centros de distribuição e serviços municipais com retorno diário à garagem, a eletrificação já apresenta vantagens importantes. “A eletrificação do transporte não é uma questão de substituir um veículo por outro, mas de entender como cada operação funciona. Quando conhecemos a rota, a quilometragem e o tempo em que o caminhão permanece na base, conseguimos dimensionar uma solução que faz sentido para o negócio. É aí que a tecnologia mostra todo o seu potencial”, explica o executivo.
Nesse tipo de trajeto, a entrega imediata de torque, a eficiência na conversão de energia e a manutenção mecânica simplificada podem contribuir para aumentar a disponibilidade dos veículos e reduzir dos custos operacionais.
Ergonomia e bem-estar na rotina do motorista
Além dos ganhos de eficiência energética e redução de custos, um dos impactos mais perceptíveis da eletrificação está na melhoria do ambiente de trabalho do motorista profissional, que passa boa parte de sua jornada ao volante.
A condução de um veículo pesado a combustão expõe o motorista ao ruído contínuo do motor, às vibrações da transmissão e ao calor gerado pelo conjunto mecânico. Com a motorização elétrica, essa experiência muda em diferentes aspectos:
Condução silenciosa: a redução do ruído do motor proporciona mais conforto acústico, especialmente em jornadas prolongadas e no trânsito urbano intenso.
Menos vibrações: sem as vibrações características de um motor a diesel de grande cilindrada, a condução se torna mais suave e pode contribuir para reduzir o desgaste físico ao longo do expediente.
Torque instantâneo e facilidade ao dirigir: os motores elétricos oferecem torque elevado desde baixas rotações, favorecendo saídas, retomadas e subidas, além de proporcionar uma condução mais fluida.
Zero emissão local de poluentes pelo escapamento: a ausência de gases de escapamento contribui para melhorar a qualidade do ar em garagens, pátios de carga e vias públicas.
De acordo com Schneider, esses benefícios vão além dos indicadores operacionais e fazem diferença para quem depende diariamente dos veículos.
“Quando falamos em eletrificação, é natural pensar primeiro em eficiência e redução de emissões. Mas existe um impacto muito importante na vida de quem trabalha com esses veículos todos os dias. Menos ruído, menos vibração e uma condução mais confortável fazem diferença ao longo de uma jornada inteira. É uma transformação que beneficia motoristas, passageiros e as próprias cidades”, destaca.
Raio-X da linha de comerciais elétricos da BYD
Para atender às diferentes necessidades do transporte de passageiros, da distribuição urbana e da logística de cargas, a BYD desenvolveu um portfólio de veículos comerciais elétricos voltado a aplicações que vão da mobilidade urbana às operações industriais.
Chassis de ônibus (produção nacional em Campinas): a fábrica da BYD no interior paulista já alcançou o marco de 1.000 chassis elétricos produzidos, um avanço importante para a consolidação da tecnologia no país. Presentes no transporte público de diferentes cidades brasileiras, os ônibus elétricos da marca oferecem uma experiência de viagem mais silenciosa e confortável, ao mesmo tempo em que contribuem para reduzir a poluição sonora e as emissões de poluentes.
Linha leve e média de caminhões: voltados à logística urbana de última milha, ao e-commerce e às entregas fracionadas, esses veículos combinam características adequadas à circulação nas cidades, facilidade de manobra e soluções de bateria dimensionadas para diferentes necessidades operacionais. Modelos como o eT23 e o eT35 integram a estratégia da BYD para ampliar a presença da eletrificação no transporte de cargas.
Linha pesada e semipesada: desenvolvidos para operações mais exigentes, como coleta de resíduos urbanos, distribuição regional e transporte entre centros logísticos, esses veículos contam com estruturas dimensionadas para o transporte de cargas e sistemas de propulsão elétrica voltados às demandas dessas aplicações.
Empilhadeiras elétricas industriais: utilizadas na movimentação de cargas em armazéns, centros de distribuição e instalações industriais, as empilhadeiras da BYD contam com baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP). A tecnologia permite realizar recargas durante pausas operacionais, reduzindo a necessidade de interrupções prolongadas e oferecendo uma alternativa aos equipamentos convencionais em ambientes fechados.
A versatilidade dessas soluções também reforça o papel da eletrificação em ambientes nos quais veículos, equipamentos e profissionais compartilham o mesmo espaço.
“Em centros de distribuição e fábricas, por exemplo, a eletrificação permite combinar eficiência operacional com melhores condições de trabalho. Quando reduzimos ruído e eliminamos as emissões locais de escapamento, criamos um ambiente mais confortável para os profissionais e mostramos que produtividade e sustentabilidade podem avançar juntas”, ressalta Schneider.
Ecossistema de energia
Outro diferencial da BYD está em sua atuação para além dos veículos. A companhia também desenvolve e fabrica módulos solares fotovoltaicos e sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), tecnologias que podem contribuir para uma operação logística mais eficiente e integrada.
Com esse ecossistema, transportadoras e operadores de frotas podem aproveitar os telhados de centros de distribuição e instalações logísticas para gerar energia solar. Essa eletricidade pode ser armazenada em baterias e utilizada na recarga dos veículos durante os períodos em que permanecem na base, contribuindo para melhorar a previsibilidade de custos e a gestão do consumo energético.
A combinação entre geração, armazenamento e mobilidade elétrica abre novas possibilidades para o planejamento das operações, especialmente em frotas com rotas definidas e períodos regulares de recarga.
Schneider explica que essa integração representa uma mudança na maneira como as empresas podem administrar a energia utilizada no transporte.
“Quando conectamos geração solar, armazenamento de energia e veículos elétricos, ampliamos as possibilidades de eficiência de toda a operação. Não estamos falando apenas de mudar a tecnologia de um caminhão, mas de repensar a maneira como a energia é utilizada para movimentar cargas. É uma oportunidade de construir operações mais inteligentes, competitivas e preparadas para o futuro”, conclui.
Destaque na Fenatran
A evolução desse mercado também estará em evidência na Feira Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas (Fenatran), um dos principais eventos do setor na América Latina, realizada entre os dias 9 e 13 de novembro, no São Paulo Expo.
A BYD estará presente com seu portfólio de veículos comerciais elétricos e prepara novidades para o segmento de transporte de cargas, reforçando sua aposta na eletrificação como um caminho para ampliar a eficiência das operações logísticas no Brasil.

Fonte: Read More 

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