BYD Atto 8 é SUV híbrido plug-in de 7 lugares que funciona como elétrico


O BYD Atto 8 é o híbrido plug-in mais caro da marca chinesa à venda no Brasil, ao preço de R$ 399.990. Pelo posicionamento de preço, porte avantajado e a capacidade de levar sete ocupantes, seu principal rival é o Mercedes-Benz GLB Progressive, tabelado em R$ 381.900.
O GWM Wey 07 também é um rival direto do Atto 8 pelo conjunto híbrido plug-in, mas leva somente seis ocupantes distribuídos em três fileiras de bancos. Na categoria dos SUVs construídos com carroceria sobre chassi, Chevrolet Trailblazer High Country (R$ 411.990) e Toyota SW4 SRX (R$ 424.590) também surgem como opções movidas a diesel, sem qualquer eletrificação.
Justamente o sistema híbrido plug-in é um dos tópicos mais intrigantes sobre o BYD Atto 8. O SUV tem bateria de 35,6 kWh — ou seja, que poderia facilmente equipar um carro elétrico de pequeno porte, tendo em vista que o BYD Dolphin Mini tem bateria de 38 kWh de capacidade.
A bateria alimenta dois motores elétricos, dianteiro e traseiro, que funcionam em complemento ao 1.5 turbo a gasolina de quatro cilindros, de ciclo Miller, escondido abaixo do capô. Este tem 156 cv e 22,8 kgfm, mas os resultados combinados são de 488 cv e 68,8 kgfm. Já o câmbio é DHT de uma marcha mecânica, embreagem multidisco e múltiplas relações preenchidas pelas máquinas elétricas.
BYD Atto 8 2027 insiste em funcionar como um carro elétrico
Renato Durães/Autoesporte
Foi por conta dessa insistência em ser um SUV elétrico que o Atto 8 fez nosso motorista, Alexandre Silvestre, conhecido como Careca, perder mais alguns fios de cabelo. Tivemos de repetir o teste de consumo três vezes até o motor 1.5 turbo de fato consumir gasolina. Também coletamos os resultados de desempenho no Rota 127 Campo de Provas.
Submetemos o Atto 8 a um teste de consumo urbano de 30 km, com a bateria em 95%. Mesmo em modo HEV, o motor a combustão só despertou durante uma manobra evasiva para desviar de um ônibus. No resto do trajeto, abaixo de 50 km/h, permaneceu sempre desligado.
BYD Atto 8 2027 é muito econômico na cidade, onde dá preferência por gastar eletricidade e poupar gasolina
Renato Durães/Autoesporte
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Nesta condição, o computador de bordo marcou um consumo de meros 300 ml de gasolina — que correspondem a inimagináveis 333 km/l. É a consequência de ter uma bateria tão grande, que poderia estar em um Dolphin Mini.
Deixamos a bateria cair para 50% e repetimos o teste. Novamente, o Atto 8 só consumiu energia elétrica em modo HEV até chegar a 20% de carga, o SOC mínimo. Só então o motor a combustão enfim despertou, funcionando como gerador para manter o estado mínimo de carga. E aí obtivemos o consumo de 12 km/l na cidade. Em rodovia, a giros mais altos, o 1.5 turbo desperta mais vezes para auxiliar na tração; o resultado foi de 11,6 km/l.
BYD Atto 8 – Teste de consumo*
*Resultado extraído com a bateria no SOC mínimo, em 20%, única condição em que o Atto 8 manteve o motor a combustão ligado ao ponto de consumir gasolina
A recarga ocorre a uma potência de 6,6 kW em estações de corrente alternada (AC) e de 72 kW em corrente contínua (DC). Segundo o Inmetro, a autonomia elétrica é de 111 km, mas é possível superar este número sem grandes esforços por conta do acionamento do motor a combustão como gerador.
Mesmo com o peso e o porte avantajado, o BYD Atto 8 2027 foi bem no teste de aceleração
Renato Durães/Autoesporte
Quanto ao desempenho, não conseguimos repetir os resultados divulgados pela fabricante. O SUV acelerou de 0 a 100 km/h em 5,1 segundos, resultado que ainda impressiona por conta dos 2.650 kg de seu corpanzil — corresponde ao peso de dois Dolphin Mini —, mas que não iguala os 4,9 s divulgados pela BYD.
BYD Atto 8 – Teste de aceleração
O que pode explicar a diferença é a entrega de torque instantânea. Pisando fundo no acelerador, os pneus destracionam antes do SUV entrar em movimento, o que faz o Atto 8 perder milésimos valiosos que fariam diferença. Talvez uma programação de aceleração mais linear no lugar de uma entrega tão súbita seja a chave para extrair resultados melhores.
Retomadas do BYD Atto 8 são vigorosas e cheias de fôlego
Renato Durães/Autoesporte
Nas retomadas, o SUV híbrido com sabor de elétrico fez valer este comportamento mais direto e reativo do acelerador, precisando só de 2,1 s para ir de 40 a 80 km/h, 2,7 s para ir de 60 a 100 km/h e de 3,4 s para partir de 80 a 120 km/h.
BYD Atto 8 – Teste de retomada
Quanto à frenagem, o SUV percorreu 44 metros para ir de 100 km/h até a imobilidade completa. E considerando que o BYD Song Plus, que é 680 kg mais leve, precisou de 41,9 m para cumprir a mesma tarefa, podemos dizer que o comportamento dos freios do Atto 8 está em dia.
BYD Atto 8 – Teste de frenagem
Seguindo no tema dinâmica, o Atto 8 tem a suspensão semiativa DiSUs, que atua como um “cérebro”, mas ainda se mostra vulnerável a trepidações e ondulações no asfalto, transferindo impactos e pancadas secas à cabine. A Porsche oferece um sistema similar no Cayenne.
BYD Atto 8 2027 tem suspensão DiSUs semelhante ao sisema usado pela Porsche
Renato Durães/Autoesporte
Esse sistema pode enrijecer os amortecedores em milésimos de segundo para reequilibrar a carroceria e até evitar capotamentos. Porém, o acerto ficou rígido demais para o castigado asfalto brasileiro, entregando pancadas secas na cabine.
BYD Atto 8 abusa dos materiasi de qualidade na cabine, que é bem montada
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Quanto ao pacote de equipamentos, tem central multimídia de 15,6’’ com Android Auto e Apple CarPlay sem fio (sem função giratória), painel de instrumentos de 10,2’’, teto solar panorâmico e som premium com nada menos que 21 alto-falantes. Há uma curiosa diferença na qualidade do som entre o rádio e o streaming. Com os mesmos parâmetros, o primeiro parece abafado, enquanto o segundo tem o som reproduzido de forma cristalina.
Teto panorâmico tem cortina elétrica, mas não a opacidade variável, como nos BMW
Renato Durães/Autoesporte
Com os sete lugares em uso, o porta-malas com tampa motorizada tem 270 litros. Já com a terceira fileira rebatida, são generosos 960 l considerando o volume do assoalho do bagageiro até o teto.
Somente ciranças viajam com conforto total na terceira fileira do BYD Atto 8
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Quem viaja na segunda fileira tem ampla zona para as pernas (cortesia do entre-eixos e do assoalho plano), comandos digitais para o ar-condicionado e bancos com aquecimento e resfriamento. Apesar de todo esse tamanho, somente crianças pequenas se acomodam com conforto na terceira fila de bancos, onde há porta-copos e saída de ventilação.
BYD Atto 8 – Ficha técnica
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