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Teste: GWM Haval H7 é versão ‘quadrada’ do H6 mais barata que Jetour T2

21/10/2026
Teste: GWM Haval H7 é versão ‘quadrada’ do H6 mais barata que Jetour T2


A moda agora é lançar SUVs com visual quadrado. Até parece aquela trend de voltar ao passado que estava rolando no Instagram. Nenhuma marca quer ficar de fora dessa nova onda, prova disso é o lançamento do GWM Haval H7 (R$ 261 mil) , que lembra bastante o seu primo maior, o H9, mas é, na verdade, um H6 quadrado, já que é feito sob a mesma plataforma. Sua missão é brigar com Jetour T2, Jeep Commander e outros SUVs posicionados nesta faixa de preço.
O GWM Haval H7 chegou ao mercado em versão única, com a missão de fazer a “ponte” entre o H6 e o H9 no portfólio da marca. O SUV médio é equipado com motorização híbrida plug-in flex (PHEV), que combina o motor 1.5 turbo flex a dois motores elétricos instalados nos eixos dianteiro e traseiro. Dessa forma, desenvolve 370 cv de potência (sendo 6 cv mais potente que a versão chinesa) e 77 kgfm de torque combinados. Junto deste sistema, há um câmbio DHT (“Dedicated Hybrid Transmission”) de quatro marchas. É exatamente o mesmo conjunto do Haval H6.
Sob o assoalho, o SUV traz uma bateria LFP (lítio-ferro-fosfato) de 27,5 kWh. A capacidade de recarga em corrente contínua (DC) é de até 41 kW, enquanto em corrente alternada (AC) é de apenas 6,6 kW
Apresentado o GWM Haval H7, seus atributos mecânicos, faixa de preço e alguns concorrentes, você deve estar se perguntando o que há de diferente além do visual. Dirigi o novo SUV por cerca de 300 km, a maior parte do trajeto em asfalto com alguns momentos de off-road, para descobrir.
GWM Haval H7 aposta no visual quadradão para se diferenciar do H6
Divulgação
O conjunto híbrido é mais do que suficiente para embalar o SUV, seja em saídas de semáforo na cidade ou em retomadas na estrada, apesar dos 2.170 kg de seu corpanzil. Nos testes realizados por Autoesporte no Rota 127 Campo de Provas, o H7 acelerou de 0 a 100 km/h em 6,2 segundos — 0,5 s mais lento do que os números oficias de fábrica. Então, além de ser R$ 30 mil mais barato que a versão de entrada do Jetour T2 4×2, o H7 é bem mais rápido, pois o conterrâneo cumpre a mesma tarefa em 7,5 s, segundo os números oficiais.
Em nossos testes no Rota 127 Campo de Provas, sua aceleração de 0 a 100 km/h aconteceu em 6,2 s, meio segundo mais lento que os números oficiais divulgados pela GWM. Além de ser R$ 30 mil mais barato que a versão de entrada do Jetour T2, que é só 4×2, ele foi bem mais rápido, já que seu principal rival precisou de 7,5 s para ir de 0 a 100 km/h, segundo a marca.
GWM Haval H7 tem sistema multimídia com tela de 15,6 polegadas
Divulgação/GWM
Nas retomadas o Haval H7 precisou de 3,3 segundos para acelerar de 60 km/h até 100 km/h. No teste de 80 km/h a 120 km/h, foram apenas 3,9 segundos. Confira os resultados no final desta avaliação.
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GWM Haval H7 tem 2,73 metros de entre-eixos, o que proporciona bom espaço interno
Divulgação
Se o desempenho é bom, o isolamento acústico da cabine fica devendo. Ao acelerar com mais animosidade, o som do motor a combustão invade a cabine além do aceitável. Além diso, parte do barulho do vento irrompendo a carroceria — consequência do visual “quadradão” — e a rolagem dos pneus soam incômodos.
Ainda na estrada, o Haval H7 demonstrou boa estabilidade, já que é produzido no sistema monobloco e pula muito menos que o H9, que usa carroceria sobre chassi. Assim, ao passar por junções de pista em velocidades mais altas, o interior quase não é afetado. O trabalho de absorver os impactos é feito pela suspensão, independente McPherson (dianteira) e multilink (traseira). Em curvas rápidas, o comportamento da carroceria também se mostrou adequado, sem muito arrasto, mesmo com a distância de 22 cm do solo.
GWM Haval H7 2027 tem bom espaço para as pernas de quem vai no banco traseiro
Divulgação
O conjunto de suspensão vai bem na cidade, onde o H7 encara ruas esburacadas sem afetar o conforto dos ocupantes, além de superar valetas e lombadas com facilidade. Podemos colocar isso na conta dos bons ângulos de ataque (24°) e saída (31,5°). O SUV não demonstra aquele comportamento “molenga” de outros carros oriundos da Chna. Quando à capacidade de imersão, a GWM divulga que o SUV pode encarar água em até 58 cm.
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Aproveito para registrar minha experiência off-road com o SUV. Em uma trilha de areia e pedra, com trechos bastante acidentados, o H7 mostrou que a denominação de utilirário “raiz” vai além do visual. Nessa situação mais extrema, evidentemente, a carroceria chacoalha e o conforto fica para outro momento. A suspensão volta a absorver os impactos sem bater e a tração integral brilha ao entender que uma das rodas perdeu contato com o solo.
Nesse cenário, foi possível testar os modos de condução do SUV, que altera parâmetros da dirigibilidade para encarar melhor os diferentes pisos. Usamos os modos Normal e Areia para o off-road e as programações Sport e Eco na estrada. O H7 ainda oferece os modos Lama, AWD e Neve.
GWM Haval H7 tem espaço para 586 litros de bagagem
Divulgação/GWM
Um ponto negativo do SUV é o sistema de freios, que se mostra borrachudo. O pedal tem curso longo e o H7 parece demorar para responder. Isso demanda pisadas mais fortes para chegar à frenagem desejada em algumas situações, comportamento este que ocorre tanto na cidade quando na estrada. Lembrou bastante os freios do H6, que chegou a ter os atuadores trocados para melhorar a questão.
Segundo a GWM, o sistema de freio do Haval H7 é exatamente igual ao do H6 — porém, o SUV se mostrou borrachudo no primeiro estágio, demandando pisadas mais fortes para ter as respostas esperadas.
GWM Haval H7 2027 tem quadro de instrumentos digital e configurável
Divulgação
Teoricamente, o freio responde o porquê disso ocorrer. O Haval H6 PHEV16 pesa 1.915 kg, enquanto o H7 ostenta 2.170 kg — diferença de mais de 200 kg. No entanto, este comportamento “borrachudo” não interfere nas frenagens bruscas emergenciais: ao cravar o pé no freio a 100 km/h, o Haval H7 percorre 39,2 metros até parar por completo. O H6 PHEV19 precisa de 41 m para cumprir a mesma tarefa.
Por fim, a direção elétrica mostrou boas respostas na cidade e na estrada, sem aquele comportamento anestesiado, que demora para responder ao comando do motorista, contando com ajuste de profundidade e de altura. Ao manobrar o SUV de 4,80 metros de comprimento, o volante se mostra leve, facilitando a realização da baliza, junto com as câmeras 540° e os sensores dianteiros e traseiros.
GWM Haval H7 tem persianas nos vidros traseiros que bloqueiam até 61% dos raios solares
Divulgação/GWM
Autoesporte realizou um teste instrumentado de consumo com o Haval H7 na cidade e na estrada. Em circuito urbano, o SUV sequer acionou o motor a combustão, rodando somente em modo elétrico, onde apresentou o consumo de 5,6 km/kWh. Assim, é possível estimar a autonomia elétrica máxima de 124 km — mas vale lembrar que o SOC mínimo (“State of Charge”) é de 20%. O resultado de Autoesporte superou os 92 km de autonomia divulgados pelo Inmetro. Vale lembrar que nossos testes são realizados com o modo de condução em Eco e o ar-condicionado sempre ligado.
Na estrada o consumo de combustível foi de 14,3 km/l com gasolina, além de consumir 2,5 kWh da bateria, após rodar 102 km, com velocidade constante 110 km/h, também com ar-condicionado ligado.
Desbravei o interior do Haval H7, onde começo destacando o bom acabamento, que aposta em tom escuro, usando materiais macios ao toque na maior parte da cabine, ainda que tenha plástico duro em determinadas áreas (como a parte superior do painel). A montagem é um ponto positivo, com peças bem acabadas e encaixadas.
GWM Haval H7 tem autonomia acima de 100 km no modo elétrico, segundo testes da Autoesporte
Divulgação
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Os bancos com revestimento que simula couro são confortáveis, mesmo para pessoas grandes e que precisem ficar no carro por algumas horas. Os ajustes elétricos, presentes nos dois bancos dianteiros, ajudam a encontrar uma boa posição para dirigir, além do longo curso, facilitando de motoristas e passageiros acima de 1,80 m. O sistema de ventilação do banco, que pode soar como uma “perfumaria”, é bastante útil quando o carro passa o dia parado no sol forte.
Na parte traseira, os bancos são confortáveis, mesmo com a bateria sob o assoalho, o que eleva o ângulo para as pernas em alguns carros. Felizmente, o Haval H7 não está neste grupo. O espaço para as pernas é adequado graças aos 2,73 m de entre-eixos, oferecendo bom conforto para dois ocupantes — mas é possível viajar com três pessoas atrás graças ao piso quase plano e à largura de 1,95 m. Para quem curte viajar, o porta-malas tem capacidade para 586 litros.
Algo que pode agradar durante uma viagem num fim de tarde, quando o sol forte se direciona a uma das laterais do carro, são as persianas presentes nos vidros traseiros. Ainda que o acionamento seja manual, é uma solução interessante e diferente nesta faixa de preço. Segundo a GWM, as persianas são capazes de barrar até 61% dos raios solares que batem nos vidros.
Dianteira do GWM Haval H7 é marcada por faróis retangulares e grade horizontal
Divulgação
Quando o sol do meio-dia incide diretamente sobre o H7, o motorsta terá de fechar a persiana do teto solar panorâmico. O problema é que o comando está na central multimídia, o que exige alguns segundos (e concentração) a mais. Botões físicos acabariam com este problema.
Ainda falando sobre os recursos para encarar o verão, o Haval H7 tem compartimento refrigerado sob o apoio de braço central. Não se trata de uma geladeira como no Denza B5 ou no Jetour S08, mas usa o ar-condicionado para manter uma garrafa de água sempre fresquinha.
GWM Haval H7 tem preço competitivo e custa R$ 30 mil a menos que a versão de entrada do Jetour T2
Divulgação
Outro ponto forte do H7 é a central multimídia de 15,6 polegadas. Mesmo com diversas funções, é muito fácil e intuitiva de se usar. Porém, na semana em que estive com o SUV, o sistema chegou a ficar 15 minutos totalmente travado, sem atualizar o trajeto no Waze ou reproduzir música. Eventualmente, o sistema simplesmente “resetou” e voltou a funcional. Também tive problemas quanto ao pareamento sem fio pelo Android Auto, pois a central ficou incessantemente conectando e desconctando o aplicativo.
A lista de itens de série é recheada e ainda oferece quadro de instrumentos digital e configurável de 12,3 polegadas, sistema 4g nativo com Wi-Fi que permite conectar até oito aparelhos, carregador por indução para smartphones com potência de 50W e resfriamento, tomadas 12V e 220V. Na parte de segurança temos controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência frontal, traseira e em cruzamentos, assistente de permanência e centralização em faixa, monitoramento de ponto cego, câmera 540º e seis airbags.
Estepe na tampa do porta-malas do GWM Haval H7 é estiloso, mas dá mais trabalho na hora de trocar o pneu
Divulgação
O GWM Haval H7 parece um carro completo. Tem preço competitivo, bons equipamentos, visual aventureiro, capacidade para encarar desafios no off-road e um sistema híbrido plug-in encorpado. Pelo lado negativo, escorrega pelo comportamento do pedal de freio, pelo isolamento acústico e por concentrar algumas funções na central multimídia. Como a GWM já se tornou uma marca estruturada no Brasil — com uma fábrica em operação, em Iracemápolis (SP), e outra em construção, em Aracruz (ES) — podemos dizer que há bastante “lastro” para que o Haval H7 se torne uma figura frequente em nossas ruas.
Pontos positivos: autonomia em modo elétrico, preço competitivo, lista de equipamentos e comportamento da suspensão
Pontos negativos: isolamento acústico, concentrar a maioria das funções na central multimídia e freio borrachudo que demora para responder.
GWM Haval H7
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