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Donos de carros chineses relatam problemas para achar peças de reposição

16/10/2026
Donos de carros chineses relatam problemas para achar peças de reposição


A estratégia das marcas chinesas no Brasil é clara: crescer de forma acelerada. Com carros que oferecem tecnologias a preços competitivos, o mercado nunca mais foi o mesmo da época em que só as montadoras tradicionais disputavam entre si. Mas esse fenômeno veio acompanhado de um drama: pós-venda que não acompanha o ritmo.
Na busca por ampliar rapidamente as participações de mercado, muitas delas acabam concentrando seus esforços nos lançamentos e nas vendas, deixando em segundo plano a estrutura de peças e serviços – que são essenciais para sustentar o crescimento. As consequências dessa estratégia já geram impactos aos consumidores, especialmente nos prazos de chegada das peças e duração total dos serviços.
Autoesporte localizou proprietários de carros chineses de diferentes fabricantes que aceitaram compartilhar suas experiências, ajudando a ilustrar os problemas mais comuns enfrentados por esse público. A seguir, trazemos, por marca, os relatos e os retornos das empresas obtidos pela reportagem.
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MG: reposição do para-brisa e reativação do sistema ADAS
Felipe Pacheco, dono de um MG4, enfrentou problemas antes e depois da troca da peça de reposiçã
Reprodução/Felipe Pacheco
Felipe Pacheco, dono de um MG4 Comfort 2025/2026, morador de Sorocaba (SP) e que trabalha na capital, relatou problemas relacionados à reposição do para-brisa do veículo, trincado após ser atingido por uma pedra durante um trajeto em rodovia. O incidente ocorreu em abril de 2026 e o veículo permaneceu aguardando a peça até setembro, com a troca realizada no dia 16/09.
“O contato inicial foi feito pela Azul Seguros, que acionou a Maxpar para intermediar a compra da peça. Houve demora na localização do para-brisa no Brasil e, após aproximadamente duas semanas, a empresa solicitou a compra do componente pela concessionária. A primeira previsão era de que a peça chegasse em meados de junho, mas a data foi adiada duas vezes”, conta.
No início de julho, o proprietário foi informado de que a peça havia chegado ao Brasil, mas que ainda seria necessário aguardar a emissão da nota fiscal. Algumas semanas depois, porém, recebeu a informação de que o para-brisa recebido estava incorreto e não correspondia ao modelo do veículo. Segundo ele, naquele momento também foi informado de que não havia previsão para solicitar uma nova peça, pois o fornecimento estaria interrompido.
Diante da situação, decidiu procurar diretamente a MG no Brasil e a concessionária onde havia comprado o veículo. Ambas informaram que havia um pedido de peça entregue, aguardando apenas faturamento ou retirada, mas não houve confirmação formal de que o componente correspondia ao seu veículo. Segundo ele, a própria Maxpar apresentava informações diferentes sobre a situação. Ele também acionou sua corretora junto à Porto/Azul para tentar esclarecer o caso.
Felipe afirma que não recebeu retornos proativos da marca e que as respostas só ocorreram após seus próprios contatos.
Ocorre que, mesmo após a troca do para-brisa, o problema ainda não foi totalmente solucionado. Afirma que a substituição interrompeu o funcionamento do sistema ADAS, que depende da câmera acoplada ao vidro. Uma empresa especializada foi acionada pela seguradora para realizar o serviço, mas não conseguiu concluir o procedimento porque o scanner utilizado não possuía as configurações necessárias para o sistema do veículo. Com isso, continua com o problema no ADAS.
“Durante o processo, realizei reclamações junto à Maxpar, Azul Seguros e à montadora, inclusive por WhatsApp. Os principais problemas foram a comunicação falha e truncada, o tempo excessivo de atendimento e a dificuldade para saber a quem recorrer e quais informações eram corretas. Em diversos momentos, fiquei sem informações ou qualquer previsão concreta e cheguei até a considerar devolver o veículo à concessionária”, relata.
Diante do caso, a MG compartilhou um parecer à Autoesporte sobre o caso do seu cliente. Em nota, afirma que:
a MG lamenta os transtornos relatados pelo cliente e esclarece que o incidente com o para-brisa do veículo ocorreu em abril de 2026, com a solicitação de reparo e cotação do componente tendo sido conduzida diretamente pela seguradora e suas empresas prestadoras de serviço credenciadas, sem a intermediação inicial da rede de concessionárias da MG Motor. O primeiro contato do cliente com a Central de Relacionamento oficial da marca ocorreu em agosto de 2026.
A substituição do vidro foi realizada por um estabelecimento não integrante da rede autorizada da montadora. O sistema de assistência à condução (ADAS) exige calibração técnica específica com equipamentos e softwares homologados da marca após a troca do para-brisa, razão pela qual o procedimento não pôde ser concluído pela oficina terceirizada contratada pela seguradora.
Em relação ao suprimento de componentes, a marca informa que houve uma indisponibilidade pontual e temporária do para-brisa no mercado, situação totalmente regularizada em junho de 2026. A MG Motor Brasil reforça que a peça está disponível em seu estoque e que mantém um centro de distribuição de peças de reposição em Cajamar (SP) com amplo estoque e elevados índices de disponibilidade para atender à frota nacional.
A MG Motor Brasil reafirma seu compromisso com a satisfação e a segurança de seus clientes e coloca sua equipe à inteira disposição do proprietário para realizar um atendimento exclusivo e prioritário em uma de suas concessionárias oficiais, onde será feita a correta calibração dos sistemas e o diagnóstico completo para que o veículo retorne ao seu perfeito estado de funcionamento”.
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Leapmotor: reposição de amortecedor, roda, para-brisa e pneu
Leonardo Pontes, dono de um Leapmotor C10, alega problemas no atendimento, além de longo tempo de espera pela nova peça
Reprodução /Leonardo Pontes
Leonardo Pontes (São Paulo, SP), dono de um Leapmotor C10, relatou problemas após um incidente ocorrido durante uma viagem pela estrada, que danificou o pneu, a roda e o amortecedor do veículo. Durante o mesmo trajeto, uma pedra atingiu o para-brisa e provocou uma trinca. O carro foi levado à concessionária para realizar o reparo por meio do seguro. Inicialmente, foi informado que o serviço levaria entre 15 e 20 dias. No entanto, as peças demoraram a chegar e o prazo foi se estendendo para 30 dias, depois 40, mas ainda sem que a concessionária apresentasse uma previsão concreta para a conclusão, segundo o cliente.
“Durante todo o período houve dificuldade para obter informações sobre o paradeiro das peças ou mesmo sobre a existência delas. O prazo de carro reserva oferecido pelo seguro era de apenas 15 dias, muito inferior ao tempo que o veículo permaneceu parado. O carro acabou ficando na concessionária por pouco mais de dois meses, sendo entregue somente em 30/09. Apesar da demora, o reparo aparentemente foi realizado com qualidade e o veículo foi entregue em boas condições. De qualquer forma, a comunicação foi muito ruim, bem como os funcionários demonstravam falta de preparo e, em algumas situações, eram pouco educados ao serem questionados sobre o andamento do serviço”, explica.
Segundo Leonardo, as reclamações vinham ocorrendo via telefone, na concessionária, com a própria Leapmotor e no Instagram (tanto da concessionária quanto da marca).
Como o caso já havia sido solucionado, a marca do Grupo Stellantis disse à redação, em nota, o que costuma estar envolvido em situações similares:
“Em casos pontuais, fatores como disponibilidade de componentes, logística de transporte ou processos de importação podem impactar os prazos de atendimento. A Stellantis monitora continuamente sua cadeia de suprimentos para minimizar qualquer impacto na experiência do cliente e atuar rapidamente na resolução de eventuais ocorrências.
Atualmente não identificamos uma categoria específica de peças ou modelos com atrasos recorrentes. Os prazos podem variar de acordo com o tipo de componente, sua disponibilidade e características logísticas. A Stellantis acompanha continuamente os níveis de estoque e a demanda da rede de concessionárias para garantir o abastecimento adequado. A rede de concessionárias é orientada a manter o cliente informado sobre o andamento dos serviços e a disponibilidade das peças. Quanto aos serviços, os prazos podem variar de acordo com a complexidade do serviço e a disponibilidade dos componentes, sendo atualizados conforme a evolução do atendimento.
A gestão de estoque é baseada em análises de demanda, histórico de consumo e necessidades de atendimento da rede. O planejamento ocorre de forma antecipada e conta com o suporte dos centros de distribuição da Stellantis, buscando garantir a disponibilidade de peças para manutenção e reparo dos veículos comercializados no país.
Quando identificamos uma situação que possa impactar o prazo de atendimento, equipes das áreas de pós-venda, peças e atendimento ao cliente atuam em conjunto para acompanhar o caso, buscar soluções e apoiar a rede na condução do atendimento ao consumidor. Eventuais ocorrências são analisadas individualmente para que sejam tratadas com rapidez e efetividade.
A Stellantis reconhece a importância de uma comunicação clara e transparente durante todo o processo de reparo dos veículos. Trabalhamos continuamente com nossa rede de concessionárias para aprimorar a experiência do cliente e garantir que ele receba informações adequadas sobre o andamento do atendimento”.
Geely: peças e serviços relacionados a acidentes de trânsito
Thiago Alves, dono de um Geely EX2 Pro, ficou três meses sem seu veículo, que estava em reparo na concessionária
Reprodução / Thiago Alves
Dois entrevistados aceitaram participar para tratar de suas experiências com a Geely. O primeiro, Thiago Alves (de Vargem Grande Paulista, SP), relatou que seu Geely EX2 Pro precisou de reparos após sofrer um acidente em que bateu na traseira de outro automóvel.
Segundo ele, o carro precisou da substituição de diversos componentes, entre eles o para-choque dianteiro, para-choque dianteiro inferior, emblema frontal, tampa de reboque, viga, capô dianteiro, para-lama direito, faróis direito e esquerdo, calota de roda, para-barro dianteiro, travessa superior, reservatório do limpador, reservatório de arrefecimento, defletor do radiador e chicote do motor.
“O veículo foi levado à concessionária no dia 19 de junho de 2026 e os reparos foram autorizados somente em 30 de junho. Inicialmente, a previsão informada era de aproximadamente 40 dias para a conclusão do serviço, mas não recebi retornos diretamente da marca sobre o andamento do reparo. O contato inicial ocorreu por meio da própria oficina da concessionária, mas não me atualizavam de forma concreta. Apenas no dia 25/09 entregaram o carro de volta, pouco mais de três meses desde a chegada do carro na concessionária”.
Outra cliente, Nadielle Lisboa, conta que seu EX2 Max adquirido em Sorocaba teve problemas com o fornecimento do para-barro do lado direito (dianteiro), do suporte do para-choque (dianteiro), bem como do suporte inferior direito (dianteiro), depois de uma batida frontal em 14 de junho.
“O carro chegou na concessionária no dia 16 de junho. Obtive um orçamento, que foi rapidamente autorizado pela seguradora. O responsável pelo setor de peças disse que informaria se não houvesse a peça em estoque. Depois de pouco mais de 20 dias, informaram que as três peças estavam em falta e que não tinha estimativa de prazo para chegarem. Para não deixar o carro parado por muito mais de um mês (período que já havia sido completado sem qualquer solução à vista), eu mesma fui atrás das peças. Estava com medo de atrasarem demais, pois soube de casos de carros parados lá por mais de 90 dias”, explica.
A concessionária havia dito que seria necessário trazer as peças do exterior, mas Nadielle localizou cada uma delas em outras unidades espalhadas pelo país. Diante disso, ela ligou para a seguradora dela (Allianz) perguntando se poderia comprar para garantir. A seguradora autorizou a compra, mas disse que, antes, ainda iria conversar com a concessionária de Sorocaba para comunicar que, na realidade, havia peças no Brasil sim. No entanto, responderam que não poderiam fazer a compra.
Depois disso, a cliente relata que a concessionária parou de retornar, o que a fez ir pessoalmente lá para entender o que estava acontecendo. Disse que ficou debatendo por horas, até que finalmente autorizaram a seguradora a comprar as peças em outra concessionária. Ela questionou a concessionária de Sorocaba sobre o motivo de terem insistido em trazerem a peça do exterior sendo que elas estavam em estoques de outras unidades, já no Brasil. A resposta foi que eles não seguem esse procedimento.
Ela voltou a entrar em contato com outras concessionárias, de outras cidades e até estados. Comprou o para-barro em uma de Aracaju (SE) para entregar por frete aéreo (via Azul) e chegou em dois dias. O suporte inferior direito comprou na unidade de São Bernardo do Campo e chegou até ela em 2 dias. O suporte do para-choque encontrou em Florianópolis, Alphaville e em São Bernardo do Campo.
“Mas ainda ocorreu uma outra etapa. Depois de eu ter trazido as peças, o reparo foi iniciado, mas a informaram de que o radiador também precisaria ser trocado (mais uma peça que, quando foram consultar, viram que não tinha em estoque). O radiador fui encontrar só no Rio de Janeiro. Quando o item finalmente chegou na concessionária, disseram que, na verdade, não precisaria ser trocado”, finaliza.
Em resposta, a Geely condicionou seu posicionamento ao envio de informações pelos clientes, que optaram por não fornecê-las.
BYD: manutenção pendente na caixa evaporadora do ar-condicionado e volante
Filipe Capezzera, dono de um BYD Dolphin Mini, ainda agurda reposição de peça solicitada em julho
Reprodução/Filipe Capezzera
Fillipe Capezzera é motorista de aplicativo e proprietário de um BYD Dolphin Mini. Ele mora em Paulista (PE), mas realiza as revisões e os atendimentos na concessionária de Olinda.
Segundo ele, o veículo apresentou problemas de corrosão na lataria e falha na caixa de direção (que já foi substituída, solucionando o defeito). Além disso, ele relata problemas na caixa evaporadora do ar-condicionado e no revestimento do volante, que descascou. Para esses dois últimos casos, ainda aguarda uma solução.
Segundo Fillipe, a solicitação da caixa de direção e da caixa vaporizadora foi feita em 27/07. A caixa de direção foi finalmente substituída no dia 14/09, enquanto a caixa vaporizadora ainda está pendente. Além disso, a reclamação sobre o volante foi registrada no dia 05/06. Inicialmente foi informado um prazo de 25 a 30 dias para a chegada da peça. A solicitação foi encaminhada à fábrica, mas houve um pedido de novas evidências sobre o problema. Elas foram providenciadas e reenviadas, mas ainda estão pendentes de análise.
Felizmente, apesar dos defeitos, afirma que o carro segue funcional e, por isso, opta por continuar usando, enquanto aguarda.
Em resposta, a BYD também condicionou seu posicionamento ao envio de informações pelo cliente, que optou por não fornecê-las.
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