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Lecar: marca do ‘Elon Musk brasileiro’ é investigada por fraude financeira

13/04/2026
Lecar: marca do ‘Elon Musk brasileiro’ é investigada por fraude financeira


A marca brasileira de veículos Lecar, do empresário Flávio Figueiredo Assis, conhecido como “Elon Musk brasileiro”, está sendo investigada por suspeita de esquema de pirâmide financeira na venda antecipada de veículos híbridos. De acordo com nota técnica divulgada pelo Ministério da Fazenda, a empresa apresenta “forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta” e “possui características típicas de esquemas de pirâmide financeira”.
Conforme apuração do colunista Tácio Lorran, do site Metrópoles, a principal suspeita do órgão federal recai sobre o modelo de vendas praticado pela Lecar, chamado de “Compra Programada”. Nele, o cliente assume um plano de pagamentos em 48, 60 ou 72 meses, sem juros, com a promessa de receber o veículo na metade do período. No entanto, a empresa não possui autorização para funcionar dentro da modalidade.
A comercialização antecipada envolve dois modelos: o SUV cupê 459 e a picape pequena Campo. Apesar de vendidos, os veículos não estão prontos e sequer há fábrica construída para produzi-los. Na última edição do Salão do Automóvel, realizada no ano passado, a marca apresentou para o público um conceito feito de isopor, pois não havia nem mesmo peças reais prontas para montar um protótipo.
No evento, Autoesporte chegou a visitar o estande da marca, onde era possível conferir o referido contrato de compra programada. Pequeno, dispunha de apenas sete cláusulas, acompanhadas de uma extensa ficha técnica do veículo. “O caráter reduzido desse contrato chama a atenção por ser algo atípico em um acordo desse tipo”, analisou o advogado Jossan Batistute, especializado em direito do consumidor, consultado por nossa reportagem na ocasião.
Picape da Lecar estava sendo vendida por R$ 159.300 em “contrato de compra programada”
Renato Durães/Autoesporte
O valor, à época, era de R$ 159.300 e o contrato previa pagamento feito por meio de boletos emitidos pela própria Lecar. Na prática, não chegava a ser um financiamento de fato. O contrato era oferecido pela marca como “condição especial de lançamento” e posteriormente foi encerrado no site. Hoje, a página diz apenas que “novas condições serão anunciadas até o final de junho”.
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Lecar é suspeita de pirâmide
Na análise técnica realizada, o Ministério da Fazenda avalia quatro indícios principais:
A empresa exige pagamento de taxa de adesão para que o participante possa atuar como revendedor – isto é, pagar para trabalhar;
Vende promessa de entrega futura sem produto validado;
Emprega gatilhos psicológicos de urgência e escassez para pressionar adesões imediatas;
Declara expressamente depender da adesão de novos consumidores para suprir o fluxo de caixa.
É na segunda categoria que a Lecar está sendo investigada.
Lecar 459 tem carroceria no estilo SUV cupê
Renato Durães/Autoesporte
Ainda de acordo com o Metrópoles, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para apurar suspeitas de pirâmide financeira envolvendo a Lecar.
“A análise da Notícia de Fato remetida pelo Ministério Público de São Paulo revela um quadro indiciário robusto, multifacetado e tecnicamente consistente, que aponta para a prática de ao menos duas categorias de ilícitos em tese praticados pela empresa Lecar S/A e seus administradores: (i) estrutura assemelhada a esquema de pirâmide financeira, com dependência declarada de novos ingressantes para cumprimento de obrigações pretéritas; e, (ii) publicidade enganosa e omissiva, em violação aos arts. 30, 31, 37 e 38 do Código de Defesa do Consumidor”, diz o documento, de acordo com o portal.
Nossa reportagem procurou o Ministério Público do Estado de São Paulo para obter mais informações, mas órgão alegou não ter conhecimento sobre investigações envolvendo a Lecar. Uma das hipóteses levantadas pela assessoria de comunicação do órgão é que a investigação esteja correndo sob sigilo.
Também procuramos a assessoria do Ministério da Fazenda para obter mais informações sobre a investigação, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.
Lecar 459 usa conjunto híbrido flex
Renato Durães/Autoesporte
Resposta da Lecar
Procurado por Autoesporte, Flávio Figueiredo Assis negou quaisquer irregularidades e afirmou que atua em conformidade com a legislação. Além disso, disse que, até o momento, não recebeu qualquer notificação por parte dos órgãos fiscalizadores.
Confira a nota da Lecar na íntegra:
A Lecar esclarece que nenhum de seus clientes alegou prejuízo ou dano decorrente dos fatos relatados na matéria e reitera ainda [sic], que atua em estrita conformidade com a legislação vigente, adotando rigorosos padrões de governança, transparência e controle.
A Lecar não foi notificada, acionada ou contatada pelo Ministério Público Federal em São Paulo ou pela Receita Federal. Reiteramos que não há irregularidades em nossas operações. Estamos e continuaremos à disposição das autoridades e do público em geral para qualquer dúvida ou esclarecimento.
Lecar Campo tem a Fiat Strada como principal concorrente
Divulgação
Conheça a Lecar
A Lecar foi fundada em 2022, em São Paulo, com a promessa de produzir veículos elétricos com tecnologia totalmente brasileira. Pouco tempo depois, no entanto, a marca abandonou o projeto inicial e passou a apostar todas as fichas em um sistema híbrido flex. O conjunto, usado tanto no 459 quanto na Campo, combina um motor 1.0 turbo flex da Horse (o mesmo usado por Renault Kardian e Nissan Kicks) com uma máquina elétrica da WEG.
Fábrica Lecar por enquanto só existe no projeto
Divulgação
A previsão inicial era entregar os primeiros carros aos clientes em meados de 2026, mas os planos foram adiados. Os veículos ainda não estão prontos e sequer foram homologados. Fora isso, a marca ainda não conseguiu tirar do papel a fábrica que promete construir em Sooretama (ES) para concentrar toda a produção.
Lecar Tático foi o mais recente modelo apresentado pela marca, mas também só existe no papel
Divulgação
A promessa é erguer um complexo com capacidade para produzir 120 mil carros por ano e gerar 1.300 empregos. A unidade ocupará 90 mil m² de área construída em um terreno de 420 mil m². No entanto, ainda não há investimento confirmado ou licenças emitidas.
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Fonte: Read More 

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