8 novas marcas chinesas vão chegar ao Brasil em breve; veja lista


A presença das marcas chinesas no Brasil entrou em uma nova fase. Depois da consolidação de BYD e GWM e da chegada de fabricantes como GAC, Geely, MG Motor, Omoda Jaecoo, Jetour e Leapmotor, uma nova leva de empresas prepara o desembarque no país. O movimento não se limita à importação de carros: envolve a criação de redes de concessionárias, parcerias industriais e até negociações para comprar ou compartilhar fábricas.
As próximas estreantes também mostram como a estratégia das fabricantes chinesas se tornou mais diversificada. A Baic pretende atuar desde o segmento de hatches elétricos até o de SUVs médios; a Dongfeng adotará o nome DFM e já negocia uma operação industrial; a Lynk & Co aproveitará a estrutura da Zeekr; a IM será posicionada como divisão de luxo da MG; e a Lepas chegará sob a gestão da Omoda Jaecoo, bem como a iCaur.
Nem todas estão no mesmo estágio. Enquanto a DFM já definiu o primeiro lançamento e a Lepas confirmou oficialmente quando iniciará as vendas, outras ainda testam veículos, selecionam concessionários ou estruturam a operação. Veja, a seguir, em que ponto está a chegada de cada uma das novas marcas chinesas ao Brasil.
Baic
Baic Arcfox T1 deve ser o principal carro da nova marca chinesa no Braasil
Divulgação
Uma das fabricantes mais tradicionais da China, a Baic prepara uma operação ampla no Brasil. O plano apresentado a potenciais concessionários prevê a entrada da marca com pelo menos três carros: o hatch elétrico Arcfox T1 e os SUVs Beijing X55 e BJ30. O cronograma inicialmente divulgado indicava o começo das atividades no segundo semestre de 2026, com as primeiras lojas previstas para João Pessoa (PB), Recife (PE) e Natal (RN).
Flagra: Arcfox Alpha T5 será aposta da Baic contra BYD e Geely no Brasil
O modelo de maior volume tende a ser o Arcfox T1, hatch elétrico de 4,34 metros de comprimento e 2,77 m de entre-eixos. Pelo porte, ele fica acima do BYD Dolphin e se aproxima de hatches médios, embora deva concorrer comercialmente com os elétricos compactos. Na China, usa motor de 95 cv e bateria de 42,4 kWh, com autonomia declarada de 400 km no ciclo local — número que será menor quando homologado pelo Inmetro.
Baic Beijing X55 será futuro rival do BYD Yuan no Brasil
Divulgação
Já o X55 é um SUV médio de 4,62 m de comprimento, cerca de 20 centímetros maior que um Jeep Compass. O motor 1.5 turbo desenvolve 188 cv e 31,1 kgfm e trabalha com câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas. O BJ30 terá uma proposta mais robusta, com desenho inspirado em veículos fora de estrada e possibilidade de conjunto híbrido. Na configuração mais potente oferecida no exterior, combina dois motores elétricos ao propulsor a combustão para entregar 409 cv e tração integral.
A Baic, portanto, pretende estrear sem depender de um único nicho. O portfólio planejado combina um elétrico voltado ao uso urbano, um SUV tradicional a combustão e um modelo híbrido com aparência aventureira. A principal pendência é a consolidação da rede nacional e a confirmação das versões que serão importadas.
DFM
DFM Box será futuro concorrente do BYD Dolphin no país
Divulgação
A Dongfeng adotará o nome DFM no Brasil, abreviação de “Dong Feng Motor”. A escolha busca facilitar a identificação da marca, que pertence a um dos grandes grupos automotivos ligados ao governo central chinês e já mantém parcerias internacionais com Renault, Nissan e Stellantis.
DFM será o nome da Dongfeng no Brasil e início da operação já tem data
A estreia comercial está programada para o Festival Interlagos, que será realizado entre 27 e 30 de agosto de 2026. O primeiro lançamento será o DFM Box, hatch elétrico que enfrentará BYD Dolphin Mini, Geely EX2, GAC Aion UT e MG4 Urban. O modelo destinado ao Brasil terá motor de 95 cv e 16,3 kgfm, além da expectativa de usar uma bateria de 42,3 kWh. A autonomia definitiva ainda dependerá da homologação do Inmetro.
Com 4,02 m de comprimento e 2,66 m de entre-eixos, o Box é relativamente curto por fora, mas tem medidas internas competitivas. O porta-malas comporta 326 litros, e há um compartimento dianteiro de 26 litros. A lista prevista inclui central multimídia de 12,8 polegadas, câmera de 360°, carregador de celular por indução, banco do motorista com ajustes elétricos, ventilação e aquecimento, além de controle de cruzeiro adaptativo e assistente de permanência em faixa.
Depois do hatch, DFM quer lançar o SUV elétrico Vigo no Brasil
Divulgação/Dongfeng
Depois do Box, a DFM pretende lançar o Vigo, um SUV elétrico. Mais importante, porém, é o plano industrial. A empresa estudava inicialmente usar a fábrica da Nissan em Resende (RJ), aproveitando a parceria mantida pelas duas companhias na China. A Stellantis também entrou nas negociações, e a DFM passou a avaliar uma operação ligada ao grupo dono de Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën. Entre as alternativas discutidas está a unidade de Campo Largo (PR), antiga fábrica de motores da Fiat.
O avanço dessas conversas mostra que a DFM não pretende permanecer apenas como importadora. A montagem nacional é projetada para acontecer até 2028, mas a fabricante ainda precisa definir qual grupo será seu parceiro industrial.
Lynk & Co
Lynk & Co nasceu como “irmã de luxo” da Volvo e foi o primeiro fruto da parceria com a Geely
Divulgação
A Lynk & Co pertence ao Grupo Geely e nasceu como uma ponte entre a engenharia da fabricante chinesa e a experiência da Volvo, controlada pela Geely desde 2010. No Brasil, a marca será vinculada à operação da Zeekr, sem relação direta com a parceria industrial mantida entre Geely e Renault.
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Os primeiros carros já foram flagrados em testes no país. A operação comercial, entretanto, é planejada para 2027, com vendas dentro das concessionárias da Zeekr. Essa estrutura reduz o investimento necessário para a estreia e permite que o grupo posicione diferentes marcas em faixas complementares: Geely no mercado de maior volume, Lynk & Co em uma categoria intermediária e Zeekr mais próxima das fabricantes premium.
Testes dos novos Lynk & Co 02 e 08 continuam em processo no Brasil
Reprodução/Placa Verde
Dois SUVs devem inaugurar a linha. O Lynk & Co 02 é um elétrico construído sobre a mesma arquitetura do Volvo EX30 e do Zeekr X. Mede 4,46 m de comprimento e 2,75 m de entre-eixos. A configuração observada no exterior tem motor de 380 cv e 38 kgfm, bateria de 61,5 kWh e aceleração de 0 a 100 km/h em 5,3 segundos.
O segundo produto será o Lynk & Co 08, SUV médio-grande híbrido plug-in de 4,82 m de comprimento. Sua plataforma CMA Evo tem relação com projetos da Volvo e também é usada pelo Renault Koleos apresentado no Brasil. A versão mais potente combina motor 1.5 turbo e dois propulsores elétricos para entregar 593 cv e 92,2 kgfm. A bateria de 40 kWh permite autonomia elétrica declarada de até 200 km no ciclo WLTP.
Lynk & Co 02 é o Volvo EX30 com outra carroceria
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A Lynk & Co deverá ocupar um espaço pouco explorado: carros de alto desempenho e construção sofisticada, mas posicionados abaixo dos modelos premium tradicionais. O desafio será diferenciar seus produtos dos veículos da própria Zeekr e da Volvo, com os quais compartilha plataformas e componentes.
IM
MG IM6 será mais um SUV de luxo chinês para o Brasil
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A IM será a nova marca de luxo do Grupo SAIC no Brasil. A operação ficará ligada à MG Motor, que já vende carros elétricos no país e prepara uma expansão de portfólio. O posicionamento da IM será superior ao da MG, com foco em tecnologia, desempenho e acabamento para enfrentar Denza, Zeekr e fabricantes premium tradicionais.
O primeiro modelo confirmado é o IM6, SUV elétrico conhecido em alguns mercados como IM LS6. Na versão mais potente, utiliza dois motores, tração integral e entrega 751 cv e 80,2 kgfm. Segundo os dados internacionais da fabricante, acelera de 0 a 100 km/h em 3,5 segundos e pode alcançar até 624 km de autonomia pelo ciclo WLTP, dependendo da configuração.
Ainda não há preços ou data definitiva para o começo das vendas. A confirmação da IM, porém, faz parte de uma ofensiva maior da MG. A fabricante anunciou pelo menos quatro lançamentos para os próximos meses, incluindo os SUVs híbridos plug-in MG HS e MG S9. Este último terá sete lugares e potência combinada de até 299 cv, enquanto o HS pode chegar a 339 cv.
A MG também estuda produzir carros no Brasil. Entre as possibilidades estão uma operação com veículos desmontados ou semidesmontados e, em uma etapa posterior, uma fábrica própria. O projeto ainda não tem localização ou cronograma definidos, mas poderá atender tanto à MG quanto a outras marcas da SAIC. Nesse cenário, a IM ganha importância não apenas como uma nova empresa, mas como parte de uma operação industrial mais ampla do grupo chinês.
Lepas
Lepas será mais uma marca focada em SUVs no Grupo Chery
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A Lepas será a terceira marca do Grupo Chery administrada diretamente pela matriz chinesa no Brasil, depois de Omoda Jaecoo e Jetour. A Caoa Chery não entra nessa conta porque é uma operação separada, formada pela associação entre a Chery e o Grupo Caoa.
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O lançamento e o início das vendas da Lepas estão programados para o segundo trimestre de 2027. A operação brasileira será conduzida pela Omoda Jaecoo, que já começou a formar a equipe responsável pela nova empresa. A Lepas terá uma rede dedicada, embora seja possível compartilhar estruturas de pós-venda e manutenção com concessionárias da Omoda Jaecoo.
A estratégia é coerente porque os carros das marcas poderão dividir plataformas, motores e outros componentes. Isso reduz custos de estoque, treinamento e assistência técnica. Ainda assim, a Lepas terá identidade própria e pretende ocupar uma faixa mais voltada ao design, ao conforto e ao que a empresa chama de “mobilidade elegante”.
Lepas L6 tem porte médio para se inserir no mesmo segmento do Jeep Compass
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Três SUVs estão confirmados: L4, L6 e L8. O L4 será a opção compacta, enquanto o L6 ocupará o centro da gama. O L8 será inicialmente o maior e mais caro. Com 4,69 m de comprimento e 2,80 m de entre-eixos, ele tem porte semelhante ao do Caoa Chery Tiggo 8, embora use carroceria e interior próprios. O conjunto híbrido plug-in previsto promete até 107 km de autonomia elétrica e alcance combinado próximo de 1.300 km nos ciclos internacionais.
Lepas L4 é opção de porte mais compacto na marca chinesa
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Os três modelos não necessariamente serão lançados ao mesmo tempo. A Lepas afirma que fará uma introdução por etapas e escolherá as motorizações conforme as características do mercado brasileiro. Isso significa que versões híbridas plug-in devem ter prioridade, mas configurações elétricas também poderão integrar a gama posteriormente.
Entre todas as empresas desta lista, a Lepas é uma das que têm o planejamento mais claramente definido: estreia em 2027, três modelos confirmados e operação administrada por uma estrutura que já funciona no país. Ainda faltam, porém, preços, versões e o tamanho da rede de concessionárias.
Freelander
Antiga linha de carros da Land Rover vira nova marca chinesa com foco em carros aventureiros de luxo
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A expansão da Chery no Brasil pode ir além da Lepas. A Autoesporte apurou que o grupo chinês também prepara a chegada das marcas Freelander e Luxeed, previstas para estrear a partir de 2027. Com elas, a operação internacional da Chery passaria a reunir seis bandeiras no mercado brasileiro, com Omoda Jaecoo, Jetour, Lepas, iCaur, Freelander e Luxeed, igualando a Stellantis em número de marcas no país. Assim como ocorrerá com a Lepas, as duas novas fabricantes ficarão sob o guarda-chuva da Omoda Jaecoo Brasil, responsável pelo desenvolvimento da rede de concessionárias, estratégia comercial e pós-venda, embora cada uma tenha identidade e lojas próprias.
A estratégia também prevê compartilhamento de infraestrutura e de componentes entre as marcas, reduzindo custos de operação e assistência técnica. A Freelander utilizará a plataforma eletrificada E0X da Chery, enquanto a Luxeed nasce de uma parceria entre Chery e Huawei para disputar o segmento premium de veículos eletrificados. A expectativa é que parte da rede siga um modelo semelhante ao adotado pela Stellantis, com diferentes showrooms em um mesmo complexo e oficinas compartilhadas.
O primeiro modelo da marca será o Freelander 8, um SUV de grande porte com 5,12 metros de comprimento, entre-eixos de 3,04 m e arquitetura elétrica de 800 V. O projeto, desenvolvido em parceria com a Jaguar Land Rover, contará com versões eletrificadas, cabine para até sete ocupantes, mais de 60 polegadas de telas somadas entre painel e central multimídia, além de acabamento com materiais nobres e compartimento refrigerado e aquecido.
Luxeed
Luxeed R7 pode ser opção da Chery para peitar BMW, Audi e Mercedes
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Já a Luxeed deverá estrear com uma família de veículos eletrificados posicionada acima da Omoda Jaecoo. Entre os principais candidatos estão o SUV cupê R7, disponível em versões elétricas e híbridas de autonomia estendida, o sedã elétrico S7 e a van de luxo V9. Todos compartilham a plataforma E0X, utilizam o sistema operacional HarmonyOS, desenvolvido pela Huawei, e contam com um amplo pacote de assistências à condução, incluindo sensores LiDAR, radares e múltiplas câmeras.
iCaur
iCaur V27 ainda não tem data para estrear no Brasil
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A iCaur é a divisão especializada em SUVs eletrificados com visual quadrado e proposta aventureira da Chery. O anúncio do inicio da operação está previsto para acontecer no começo de agosto e foi confirmado por uma fonte ligada à futura rede de concessionárias do grupo. A data de estreia, contudo, ainda é uma incógnita.
iCaur será quarta marca da Chery a chegar ao Brasil; conheça
Apesar da grafia “iCaur”, a pronúncia será “iCar”. A alteração faz parte da estratégia global para evitar possíveis conflitos com marcas registradas em mercados internacionais, como o antigo projeto automotivo da Apple, conhecido como iCar. Esse mesmo nome também foi usado no primeiro elétrico compacto da Caoa Chery no Brasil.
A divisão aposta em veículos com estilo inspirado nos tradicionais utilitários off-road, mas equipados com conjuntos eletrificados e forte apelo de tecnologia. A marca foi lançada inicialmente apenas com modelos elétricos, mas já ampliou seu portfólio para incluir veículos elétricos de autonomia estendida (REEV ou EREV). Em nosso mercado, o único modelo disponível com essa tecnologia é o Leapmotor C1, que oferece 215 cv e autonomia elétrica de 111 km de acordo com o Inmetro.
A chegada de Freelander, Luxeed, Baic, DFM, Lynk & Co, IM, Lepas e iCaur mostra que a expansão chinesa no Brasil não perdeu força. Ao contrário: o mercado passa a receber empresas com propostas mais específicas, desde elétricos relativamente acessíveis até SUVs híbridos de luxo.
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