Volkswagen é condenada a pagar R$ 15 milhões por fraude em 17 mil Amarok


A Volkswagen foi condenada pela Justiça Federal a pagar R$ 15 milhões em danos morais coletivos por causa da fraude nas emissões da picape Amarok. O caso é antigo e aconteceu durante os testes ambientais realizados no Brasil. Inclusive, envolveu unidades da picape no mundo todo, mas por aqui foram 17.057 Amarok vendidas, todas ano/modelo 2011 e 2012.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a Volkswagen equipou a picape com um software que burlava o teste de emissão de poluentes. Dessa forma, a Amarok emitia mais poluentes do que o permitido no país, mas era aprovada nos testes porque o sistema era programado para entregar números diferentes do real.
Volkswagen Amarok sempre foi produzida na Argentina
Divulgação
Na prática, a Volkswagen Amarok não poderia emitir mais de 1g de óxidos de nitrogênio por quilômetro rodado, o que acontecia nos testes, mas na vida real essa taxa subia para 1,1g/km, poluindo mais do que o limite imposto no Brasil. Em alguns casos registrados em outros países, a emissão era até 40 vezes acima do máximo permitido.
Após longos anos na justiça, a sentença da ação do MPF contra a Volkswagen foi publicada no último dia 5 de maio. A empresa ainda pode recorrer. Por isso, a reportagem de Autoesporte procurou a fabricante, que enviou o seguinte posicionamento oficial: “A Volkswagen do Brasil não comenta processos em andamento”.
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Volkswagen Amarok foi fraudada em 2011 para passar nos testes ambientais
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Para o MPF, o valor da condenação ficou abaixo do esperado, considerando o nível de gravidade das infrações cometidas pela Volkswagen. O pedido inicial era de pagamento mínimo de R$ 30 milhões, o dobro do que a sentença exigiu. Assim, o MPF irá recorrer para que o valor cobrado seja dobrado, segundo informações da Agência Brasil.
“Nos pedidos originais, o MPF já requeria a fixação de R$ 30 milhões para indenização, quantia correspondente à gravidade da conduta da Volkswagen. As práticas da empresa violaram resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), leis e a própria Constituição Federal, causando prejuízos ambientais que se estendem até hoje devido aos veículos que continuam em circulação”, informou o MPF em nota.
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Relembre o caso
Em setembro de 2015 a fraude de emissões da Volkswagen se tornou pública. A notícia correu o mundo e o caso ficou conhecido como Dieselgate. O motor EA189 2.0 turbodiesel era produzido na Alemanha e recebia um software que era capaz de reconhecer quando estava passando por testes, entregando números falsos e burlando os testes ambientais.
VW Amarok foi fotografada na época do escândalo do Dieselgate se desviando das “críticas” com “bombas” simuladas no terreno de uma construção
Fabio Aro/Autoesporte
Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) identificou 500 mil veículos equipados com o motor fraudado. Logo depois, a Volkswagen assumiu o erro e revelou que mais de 11 milhões de veículos foram vendidos no mundo todo com motor EA 189 adulterado pelo software.
De todos os carros da Volkswagen no Brasil, a Amarok era a única vendida com o motor adulterado. A picape era produzida na Argentina, recebendo o propulsor importado da Alemanha. Foi assim que a fraude aconteceu por aqui, com todas as unidades vendidas em 2011 e parte delas em 2012, somando 17.057 Amarok adulteradas.
Quando a fraude foi relevada, as ações da Volkswagen caíram 20% e a fabricante reservou 6,5 bilhões de euros para o pagamento de multas.
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