Teste: Volkswagen ID. Cross é aposta para marca ter um elétrico de sucesso


O mercado automotivo vive uma contagem regressiva quase silenciosa. Com o avanço agressivo das marcas chinesas e seus carros elétricos e híbridos acessíveis, as fabricantes tradicionais correm contra o tempo para se adequar a essa nova realidade. Mesmo aquelas com participação no processo de eletrificação global enfrentam esse desafio, como a Volkswagen, cujos modelos da primeira leva elétrica (ID. 3, ID. 4 e ID. 5) não alcançaram o estrondoso sucesso comercial esperado.
Dez anos após o ponto de partida — e também impulsionada pela necessidade de virar a página depois do escândalo do dieselgate, no final de 2015 —, E, além do ID. Polo, que já estreou no mercado europeu, um dos embaixadores dessa nova era é o Volkswagen ID. Cross, o sucessor natural e elétrico do T-Cross na Europa.
Volkswagen ID. Cross possui 4,15 metros de comprimento e 2,60 m de distância entre-eixos
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Revelado como conceito ID. Cross Concept durante o Salão de Munique 2025, em setembro do ano passado, o SUV compacto tem como responsabilidade popularizar a eletrificação com o mesmíssimo DNA que consagrou seu irmão a combustão localmente, antecipando alguns detalhes da próxima linha de SUVs da Volkswagen, até mesmo no Brasil. Essa conexão também é evidente nas dimensões e proporções externas, que mantêm a silhueta encorpada.
Na dianteira, o ID. Cross adota o “rosto amigável”, marca registrada da filosofia de estilo Pure Positive, cravada por Andreas Mindt, diretor de design da Volkswagen. Os faróis esguios de LED são posicionados em linha alta, interligados por uma barra transversal. De perfil, o teto alongado se estende além das colunas traseiras, chegando a um spoiler integrado.
Volswagen ID.Cross tem linguagem de design chamada de “Pure Positive”
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Já na traseira, a receita se repete com uma barra horizontal de lanternas de LED sob uma superfície envidraçada — que, infelizmente, ainda estava coberta pela camuflagem nesta unidade pré-série que dirigimos nos arredores de Amsterdã (Holanda), um cenário de vias retilíneas, sem desníveis e repletas de ciclistas. =
Muito criticada pelo minimalismo excessivo nos primeiros modelos da linha ID, a Volkswagen buscou criar um ambiente mais “caloroso” no ID. Cross. O painel traz superfícies de toque suave, cores harmoniosas e, para a alegria dos motoristas, o retorno dos botões físicos! Os comandos da climatização estão na zona central do painel, logo acima do carregador de celular por indução, que é opcional.
SUV tem design minimalista à moda chinesa no interior,
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Por dentro, chama a atenção o painel de instrumentos com 10,3” e a central multimídia de 12,9”. No primeiro caso, temos uma tela com configuração retrô, que pode ser regulada por meio de um botão no volante, com um velocímetro clássico do lado esquerdo e um conta-giros do lado direito. Claro que, no ID. Cross, não se contam giros, mas sim a potência que está sendo alcançada (ou recuperada) pelo motor elétrico.
O próprio volante multifuncional foi redesenhado por completo. Os botões do lado esquerdo operam os sistemas de assistência à condução (Adas) e o controle de cruzeiro adaptativo (ACC), além do volume. À direita ficam o controle do Cockpit Digital e a ativação de comandos por voz. Embora a construção seja sólida, os revestimentos são estruturalmente duros, com poucos materiais sensíveis ao toque. O ID. Cross também herdou as maçanetas do novo T-Roc e apresenta um painel com vários botões na porta, para controlar os retrovisores externos e os vidros elétricos — abdicando do criticado sistema de apenas dois botões comutáveis para os vidros dianteiros e traseiros adotado nos IDs anteriores, até mesmo no topo de linha, ID. 7.
Dependendo da versão, Volkswagen ID. Cross conta com bancos dianteiros com ajuste elétrico de 12 posições e programas de massagem integrados
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Além do design dos próximos SUVs da marca, como a nova geração do Taos, o ID. Cross Concept antecipa detalhes da plataforma elétrica que sustentará todos os novos compactos da fabricante. Batizada de MEB+, a matriz tem tração dianteira (e não o esquema de motor traseiro anterior) e oferece uma série de soluções para aproveitar o espaço interno.
Nas dimensões, o ID. Cross tem 4,15 metros de comprimento (apenas 2,6 centímetros a mais que o T-Cross), mas seu entre-eixos cresceu 5 cm, atingindo 2,60 m (idêntico ao do iminente ID. Polo). O porta-malas oferece 475 litros de capacidade (20 l a mais que o do T-Cross), e é complementado por um compartimento dianteiro (frunk) de 22 l.
Painel do Volswagen ID.Cross tem revestimento em tecido e quadro de instrumentos com gráficos retrô
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Esse ganho, típico de carros geneticamente elétricos, amplia o espaço na segunda fileira, que acomoda cinco adultos: passageiros de 1,80 m de altura dispõem de três dedos de espaço acima da cabeça até o teto e de quatro dedos entre os joelhos e o encosto dianteiro.
Há saídas de ventilação diretas ao centro (embora sem regulagem de temperatura ou intensidade, comum no segmento B-SUV), e a ausência de túnel central facilita a acomodação de um terceiro ocupante.
Mesmo motor do ID. Polo
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Pela primeira vez na família ID moderna, a Volkswagen adota a tração dianteira (abandonando a tração traseira de ID. 3 e ID. 4). O motor elétrico, batizado internamente de APP290, entrega 29,5 kgfm de torque e estará disponível em três calibrações: 116 cv, 135 cv e 211 cv. Esta última é a do carro que dirigimos em Amsterdã, que vai de zero a 100 km/h em 7,4 segundos e atinge velocidade máxima de 160 km/h. No caso dos dois motores menos potentes, são 150 km/h. Ou seja, as mesmas configurações disponíveis no ID. Polo.
O ID. Cross também estreia as novas baterias de célula unificada com arquitetura cell-to-pack (em que as células são integradas diretamente à estrutura, sem módulos). Serão duas opções: 37 kWh, de lítio-ferro-fosfato (LFP), pela primeira vez na marca alemã, ou 52 kWh, de níquel-manganês-cobalto (NMC). As autonomias ainda não foram confirmadas, mas devem ficar em 316 km e 436 km, respectivamente, no ciclo europeu (WLTP).
Na direção do Volkswagen ID. Cross
Painel do Volkswagen ID. Crosstem quadro de instrumentos digital com gráficos retrô e central multimídia com tela de 12,9 polegadas
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Ao volante, o novo Volkswagen ID. Cross impressiona pelo acerto dinâmico. O grande trunfo da engenharia foi o controle de peso: a partir de 1.548 kg, 30 kg a menos que um ID. 3 e só 200 kg a mais que um T-Cross. Segundo a Volkswagen, o objetivo foi mitigar a incômoda sensação de “peso excessivo no assoalho”, comum nos elétricos.
A integridade da carroceria merece elogios mesmo em pisos ruins. A suspensão combina o eixo dianteiro McPherson (com sistema para gerir forças de compressão no amortecedor e montantes mais rígidos da barra estabilizadora) a um eixo traseiro de torção bastante compacto, dotado de apoios de borracha nas molas e buchas com tecnologia de redução de ruído e vibração. Questionado sobre versões de tração integral, Rickmann descartou a possibilidade.
Em contrapartida, disse que “vai haver um bloqueio de diferencial no eixo dianteiro para que a condução em pisos escorregadios ou estradas mais sinuosas seja mais segura e eficaz”, o que se compreende, tratando-se de um elétrico de tração dianteira.
Volkswagen ID.Cross conta com carregador por indução
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Por falar na direção, ela é suficientemente rápida e comunicativa, com 2,8 voltas entre batentes, embora não se note variação expressiva de peso entre os modos de condução (Eco, Comfort e Sport). O mesmo ocorre na resposta de aceleração, já que, ao contrário de outros elétricos, a mudança para o modo Sport não gera um solavanco imediato de torque.
O conjunto de freios foi atualizado com a tecnologia One Box, que une os componentes dispersos e torna o pedal muito mais linear e pronto desde o primeiro estágio, aprimorando a transição entre a frenagem regenerativa e a mecânica. Além disso, o modelo traz freios a disco nas quatro rodas, corrigindo o uso de tambores na traseira dos IDs pioneiros.
Volkswagen ID. Cross tem porta-malas que acomoda 475 litros
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A estratégia de regeneração, por sua vez, também é nova. Ao posicionar a haste da transmissão em D, o condutor pode rodar livremente (sem regeneração automática). É possível selecionar a regeneração máxima — a função One Pedal Drive, que desacelera o carro até a imobilização — ou uma regeneração moderada por meio do menu da tela central. Se o motorista optar por alternar apenas os modos de condução, a firmeza de desaceleração (regeneração) ocorre unicamente no modo Sport.
O mesmo aconteceu na resposta de aceleração, quando tentei deixar o acelerador numa posição de carga intermediária e jogar com os modos Eco, Comfort e Sport. O que ocorre em 90% dos carros elétricos é que, ao passarmos para o modo mais esportivo, há um acréscimo de entrega de potência que se sente no corpo e se visualiza na instrumentação.
Conclusão
O lançamento do Volkswagen ID. Cross na Europa será em novembro deste ano, com preços começando próximos a 30 mil euros para a versão de entrada, com bateria de 37 kWh. Diante da forte e veloz ofensiva de SUVs elétricos que atualmente (re)configura o mercado automotivo mundial, o ID. Cross surge como o candidato ideal para a Volkswagen fincar, em definitivo, sua bandeira na eletrificação de volume, também acompanhada pelo ID. Polo.
Velocidade de recarga – Em corrente alternada (AC), o ID. Cross aceita até 11 kW. Já em carregadores rápidos de corrente contínua (DC), a potência máxima é de 90 kW para a bateria menor (37 kWh) e de 105 kW para a bateria maior (52 kWh). O tempo de recarga entre 10% e 80% é de 27 minutos e 24 minutos, respectivamente.
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Já no Brasil, não há qualquer previsão de chegada da nova família até o momento, então a expectativa fica por conta dos novos híbridos flex que serão feitos sobre a plataforma MQB Evo, como o T-Roc nacional (ou projeto Saga), além da nova geração do Taos (projeto A-SUV), entre outros. A ver as cenas dos próximos capítulos.
Pontos positivos: Desempenho, dinâmica, bom espaço e presença de botões físicos
Pontos negativos: Acabamento com plástico rígido no painel e minimalismo em excesso
Volkswagen ID. Cross
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