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Teste: Porsche Cayenne Electric convence até os mais entusiastas de V6 e V8

18/09/2026
Teste: Porsche Cayenne Electric convence até os mais entusiastas de V6 e V8


O novo Porsche Cayenne Eletric já está à venda no Brasil, nas carrocerias SUV e cupê, com preços entre R$ 900.000 e R$ 1.460.000. A quarta geração é elétrica, mas vai conviver no portfólio com as versões a combustão e híbridas da terceira geração, com motores V6 e V8. E para você que ainda rejeita carro elétrico, a boa notícia é que esse modelo rompe qualquer barreira, com um desempenho brutal de 1.156 cv e dinâmica inacreditável para um carro de 4,98 m de comprimento com 2.700 kg.
Digamos que eu também não sou um dos maiores entusiastas de carros elétricos. Eles têm seu valor e importância para a realidade atual do mundo, mas o som do motor na cabine, as rotações e as trocas de marchas — seja câmbio manual ou automático — geram uma conexão muito maior entre o motorista e o carro. O elétrico desperta sensações diferentes, que tiram um pouco dessa experiência. Mas o novo Cayenne Electric está aí para provar o contrário.
Novo Porsche Cayenne Eletric é vendido em duas carrocerias
Divulgação/Porsche
De acordo com a marca, os planos de coexistência dos diferentes tipos de motorização se manterão para além de 2030. O Cayenne Electric tem motores síncronos de ímãs permanentes nos eixos dianteiro e traseiro e entrega 442 cv e 85,2 kgfm nas versões de entrada, chamadas apenas de Eletric. Com o Launch Control ativado, acelera de 0 a 100 km/h em 4,8 segundos e atinge velocidade máxima de 230 km/h.
A versão S Electric, por sua vez, desenvolve 666 cv e 110,2 kgfm. Com o Launch Control, leva 3,8 segundos para chegar aos 100 km/h e atinge 250 km/h. Já a versão mais potente, chamada de Turbo, tem 1.156 cv e 153,1 kgfm. Com o Launch Control, acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos e chega aos 200 km/h em 7,4 segundos. A velocidade máxima é de 260 km/h. Além de rivais das conterrâneas Audi, BMW e Mercedes-Benz, recentemente a Lotus chegou ao Brasil com o Eletre, SUV elétrico esportivo de até 900 cv e R$ 1,2 milhão.
Novo Porsche Cayenne Eletric tem bateria de 113 kWh em todas as versões e carrocerias
Divulgação/Porsche
A bateria tem 113 kWh em qualquer versão e utiliza um sistema de refrigeração bilateral para melhorar o gerenciamento térmico. A solução consiste em duas placas de refrigeração para cada módulo da bateria, uma acima e outra abaixo. Como são seis módulos, as placas conseguem resfriar ou aquecer as células pelos dois lados, tornando mais uniforme a distribuição de temperatura.
Cayenne Electric SUV
Cayenne Coupé Electric
A Porsche afirma que a solução é de 15% a 20% mais eficiente do que um sistema com refrigeração por apenas um lado. Na prática, isso é importante principalmente para carregamento rápido e desempenho. A arquitetura elétrica de 800 volts permite carregamento em corrente contínua (DC) de até 390 kW e chega de 10% a 80% em menos de 16 minutos, em condições ideais. Em apenas dez minutos, o veículo pode recuperar energia suficiente para percorrer até 325 km.
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No carregamento em corrente alternada (AC), o Cayenne Electric aceita 11 kW de potência de série, suficiente para uma recarga completa em cerca de 11 horas. Como opcional por R$ 13.627, a Porsche oferece um carregador de bordo de 22 kW, que reduz esse tempo para aproximadamente 5,8 horas. Segundo o ciclo do Inmetro, a autonomia chega a 493 km no Cayenne Electric, 489 km no S Electric e 481 km no Turbo Electric.
Novo Porsche Cayenne Coupé Eletric é sempre R$ 50 mil a mais do que as opções SUV
Divulgação/Porsche
O novo Cayenne cresceu e agora são 4,98 m de comprimento, 1,98 m de largura, 1,67 m de altura e 3,03 m de entre-eixos. O porta-malas, por sua vez, tem capacidade de 781 l (VDA). As versões Coupé têm as mesmas medidas, mas com linha de teto com caimento cupê e aerofólio traseiro adaptativo, deixando o porta-malas com 534 litros de capacidade. Já o Cayenne de terceira geração tem 4,93 m de comprimento, 1,98 m de largura, 1,70 m de altura e 2,90 m de entre-eixos.
Na comparação, o novo Cayenne é 5 cm mais comprido, mantém a largura, fica 3 cm mais baixo e tem 13 cm a mais de entre-eixos.
O visual mantém as proporções características do Cayenne, mas cada elemento da carroceria foi pensado para reduzir a resistência ao ar. O novo Cayenne Electric tem coeficiente de arrasto de 0,25, enquanto o Coupé chega a 0,23 graças, principalmente, à linha de teto mais inclinada e o capô mais baixo que o anterior. Na prática, isso contribui para reduzir o consumo de energia e aumentar a autonomia, especialmente em velocidades mais altas.
Novo Porsche Cayenne Eletric tem quase 5,00 m de comprimento
Divulgação/Porsche
A Porsche também aplicou soluções que direcionam o fluxo ao redor das rodas dianteiras. Há ainda o Porsche Active Aerodynamics (PAA), sistema que controla elementos móveis da carroceria de acordo com a velocidade e a situação de condução. Na dianteira, aletas de refrigeração podem abrir ou fechar para equilibrar a necessidade de resfriamento e a eficiência aerodinâmica. O SUV usa um aerofólio de teto adaptativo, enquanto o Coupé recebe um spoiler traseiro adaptativo.
Nas versões Turbo, há os aeroblades ativos nas laterais da traseira, que são as aletas aerodinâmicas móveis. Eles se estendem a partir de 55 km/h para melhorar o fluxo de ar e podem contribuir para reduzir o arrasto em velocidades elevadas. Assim, a aerodinâmica não serve apenas para melhorar a eficiência: o sistema também pode alterar o equilíbrio entre baixo arrasto, refrigeração e carga aerodinâmica de acordo com a situação.
Novo Porsche Cayenne Eletric tem ótimo acabamento n
Divulgação/Autoesporte
Por dentro, o Cayenne Electric mantém linhas bem características e fiéis ao restante da linha da marca alemã, com basicamente todas as áreas de contato macias, com borracha e diferentes texturas de couro. O SUV também estreia no Brasil o Porsche Driver Experience, com quadro de instrumentos de 14,25 polegadas e central multimídia de 14,9 polegadas.
Como em todo carro moderno, quase todos os ajustes do carro são feitos pela central multimídia, o às vezes é exagerado. Ainda que a Porsche consiga dosar bem isso, sinto falta de mais botões físicos. E, para quem quer ainda mais telas, há uma terceiro opcional para o passageiro, que custa R$ 15.963.
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A conectividade é complementada pelo Porsche Connect e pelo My Porsche App, que permitem acompanhar remotamente o veículo, controlar a climatização, verificar a carga da bateria e programar recargas. O Charging Planner calcula as paradas necessárias durante viagens e pode pré-condicionar a bateria para acelerar o carregamento.
O início do teste dura cerca de uma hora e vai do Autódromo Velo Citta, em Mogi Guaçu, até Lindóia, ambas no interior de São Paulo. O percurso tem aproximadamente 60 km. Como o teste é feito em dupla, um jornalista faz o trajeto de ida e o outro, o de volta.
Novo Porsche Cayenne Eletric tem porta-malas de 721 litros (VDA)
Divulgação/Porsche
Avaliar o carro em vias públicas é importante para entender como ele se comporta em condições mais próximas da vida real. Na volta, porém, a proposta muda: a atividade é realizada na pista para explorar os limites do Cayenne e descobrir o que, de fato, ele é capaz de oferecer. Confesso que já sai pensando na volta.
A estrada é cheia e a velocidade não ultrapassa os 80 km/h na maioria do trajeto. Então isso não exige muito dos mais de 666 cv da versão S Electric. Quando precisa de agilidade, as respostas são imediatas, é só tocar levemente no acelerador que o carro dispara sem grande esforça — até no modo Comfort, o mais manso. O banco esportivo é bem rígido e deixa o motorista com uma posição ereta.
Novo Porsche Cayenne elétrico tem bancos esportivos
Divulgação/Porsche
A suspensão pneumática adaptativa com Porsche Active Suspension Management (PASM) é item de série em todas as versões. Isso permite variar a altura do Cayenne Electric. No modo normal, são 19 cm de vão livre, enquanto a configuração extra off-road eleva a carroceria para 24,5 cm. Na posição mais baixa, o modelo fica a 17,5 cm do solo.
O Cayenne Turbo ainda pode receber recursos como esterçamento do eixo traseiro (item de série para todas as versões Coupé), diferencial traseiro eletrônico Porsche Torque Vectoring Plus (PTV Plus) e o sistema Porsche Active Ride.
Novo Porsche Cayenne Eletric Turbo acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos
Divulgação/Porsche
Finalmente de volta ao Autódromo Velo Citta, e agora é hora de acelerar a versão mais extrema, a Turbo, na carroceria SUV. E um dos pontos mais interessantes no início do teste é sentir justamente o Porsche Active Ride, que é uma das tecnologias mais interessantes do Cayenne Electric. Em vez de apenas controlar a velocidade de funcionamento dos amortecedores, como uma suspensão adaptativa convencional, o sistema consegue aplicar força ativamente em cada roda.
Bombas hidráulicas acionadas eletricamente trabalham nos quatro amortecedores em questão de milissegundos para manter a carroceria praticamente nivelada em frenagens, acelerações e curvas. Com isso, as tradicionais barras estabilizadoras podem ser dispensadas.
Novo Porsche Cayenne Eletric tem tem Active Suspension Management (PASM) é item de série em todas as versões
Divulgação/Porsche
O resultado é uma combinação incomum de conforto e controle de carroceria. Todo o asfalto que dirigimos (seja rodovia ou pista) era liso, mas esse sistema é feito para filtrar as oscilações e irregularidades do solo. No caso do asfalto liso, a sensação é que de que o carro está flutuando, sem exageros. A carroceria fica incrivelmente estável em qualquer situação.
E, aos poucos, o Cayenne Turbo Electric começa a mostrar do que seus números superlativos são capazes. São até 1.156 cv e 153,1 kgfm de torque com o Launch Control (controle de largada) ativado, cifras que colocam o SUV no território dos superesportivos. O procedimento é simples: o seletor de modos precisa estar em Sport Plus, o pé esquerdo fica no freio e o direito afunda o acelerador.
Basta soltar o freio para ser colado ao banco e vir uma descarga de adrenalina instantanêa. A sensação é tão brutal que, nos 2,5 segundos necessários para chegar aos 100 km/h, parece que você deixa o corpo para trás. E não para aí: são apenas 7,4 segundos para alcançar os 200 km/h.
Novo Porsche Cayenne Eletric tem três versões de cada carroceria
Divulgação/Porsche
Uma das sensações mais viscerais ao dirigir um esportivo é ouvir o motor dentro da cabine, independentemente da cilindrada. No Cayenne Turbo Electric, porém, a Porsche recorre a um som artificial para criar essa atmosfera. No modo Sport Plus, ele fica ainda mais presente e, para mim, chega a incomodar justamente por não soar natural. Se um carro elétrico é silencioso, essa é a sua realidade. E talvez seja melhor simplesmente aceitá-la, sem tentar reproduzir artificialmente uma experiência que pertence aos motores a combustão.
Mas, depois de algumas retas, é nas curvas do Velo Città que o Cayenne surpreende por ser um carro enorme de mais de 2,5 toneladas. O que mais impressiona não é apenas a capacidade de entrar rápido em uma curva, mas a forma como o carro permanece previsível quando você aumenta o ritmo.
Não há aquela sensação de que a dianteira vai escapar para fora da trajetória quando você exagera na entrada, nem de que a traseira vai querer ultrapassar a frente quando começa a acelerar antes da hora. O carro permanece plantado e responde aos comandos de maneira imediata.
Novo Porsche Cayenne EletriC chega aos 200 km/h em 7,4 segundos
Divulgação/Porsche
Isso muda completamente a relação com o acelerador. A cada volta, a confiança aumenta. Você freia um pouco mais tarde, aponta o carro para a curva com mais velocidade e começa a acelerar mais cedo na saída. E, em vez de ficar esperando a reação do chassi para descobrir se passou do limite, o Cayenne transmite segurança suficiente para que você continue explorando.
O Cayenne Turbo Electric tem tração integral com gerenciamento eletrônico Porsche Traction Management, além do Porsche Torque Vectoring Plus, que atua na distribuição de torque e ajuda a manter o comportamento equilibrado nas curvas. O Active Ride, quando equipado, vai além de simplesmente endurecer ou amolecer os amortecedores: o sistema atua individualmente nas rodas para controlar os movimentos da carroceria e preservar a distribuição de carga entre os pneus.
É aí que os 1.156 cv deixam de ser apenas um número de ficha técnica. Em um carro desse porte, seria difícil imaginar uma dinâmica tão impecável. O chassi trabalha o tempo todo para manter o Cayenne sob controle. E essa talvez seja a característica mais impressionante dele na pista: ele não faz você sentir que está brigando com os 1.156 cv. Faz parecer que você tem os 1.156 cv sob controle.
Depois de algumas voltas, a consequência é inevitável. Você começa a frear mais tarde, carregar mais velocidade para dentro das curvas e antecipar o acelerador na saída. Não porque o carro peça para ser conduzido no limite o tempo todo, mas porque a estabilidade e a previsibilidade diminuem o medo de ultrapassar o ponto de equilíbrio.
Além de toda a brutalidade, o Cayenne Electric oferece ampla possibilidade de personalização. São 13 cores externas, onze opções de rodas entre 20 e 22 polegadas, 12 combinações internas e diversos pacotes de acabamento.
A divisão Porsche Exclusive Manufaktur também permitirá configurações praticamente exclusivas por meio dos programas Paint to Sample e Sonderwunsch. São 100 cores personalizadas para o cliente e uma infinidade de opcionais, que juntos podem ultrapassar os R$ 500 mil facilmente.
Novo Porsche Cayenne Eletric é cheio de personalização interna e externa
Divulgação/Porsche
Para você que não abre mão de jeito nenhum de motor a combustão, o portfólio da Porsche ainda continua completo para a terceira geração do Cayenne, que utiliza motores 3.0 V6 turbo e 4.0 V8 biturbo, que também servem de base para as versões híbridas. Com até 1.156 cv, o Cayenne Turbo Electric entrega desempenho de superesportivo e uma estabilidade impressionante para um SUV de mais de 2,5 toneladas. A força assusta no começo, mas o controle do chassi faz você querer acelerar cada vez mais.
No fim, o Cayenne Electric não tenta substituir a experiência do motor a combustão. Ele mostra que é possível criar uma experiência completamente diferente sem abrir mão de desempenho, conforto e, principalmente, diversão ao volante.
Pontos positivos: espaço, desempenho, suspensão e frenagem
Pontos negativos: excesso de comandos pela multimídia e som artificial do motor
Ficha técnica – Porsche Cayenne Turbo Electric
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Fonte: Read More 

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