Teste: Nissan Ariya mostra evolução dos carros elétricos 15 anos após Leaf


O Nissan Ariya é um SUV elétrico de porte médio-grande, mas provavelmente você nunca viu um rodando no Brasil. O modelo não faz parte do portfólio da marca por aqui. Então, se você cruzou com um Nissan Ariya nas ruas, saiba que era um veículo de imprensa, de executivos da marca ou de testes internos da fabricante, que oficialmente afirma usar o Ariya para coletar dados no país.
Ao que tudo indica, o Nissan Ariya não será vendido por aqui, mesmo com o forte avanço da eletrificação no Brasil. A razão? Muito provavelmente o Imposto de Importação (II), que chegará a 35% a partir de julho de 2026, o que dificultaria a competitividade. Contudo, é um produto que mostra a evolução dos elétricos da Nissan, uma das pioneiras em lançar modelos desse tipo em nosso mercado, com a chegada do Leaf para taxistas quase 15 anos atrás.
Mesmo assim, tivemos a oportunidade de passar uma semana com o SUV elétrico. O Nissan Ariya, ainda que tenha sido lançado em 2020, traz visual moderno, bom desempenho e acabamento refinado, mostrando o caminho que a fabricante está apostando para o futuro eletrificado. Usando como base um elétrico da Nissan conhecido pelos brasileiros, o Leaf, que chegou em 2012 para atender taxistas e frotistas, a evolução é muito grande. Vale lembrar que as vendas do Leaf para pessoa física começaram apenas em 2019.
A versão avaliada do Nissan Ariya foi a Platinum Plus e-4orce 2025, equipada com dois motores elétricos, um em cada eixo, que entregam juntos 394 cv de potência, 61,2 kgfm de torque, formando tração integral. A transmissão é automática integrada diretamente ao diferencial. Com esse conjunto, o Nissan Ariya entrega bom desempenho para um SUV de 1.145 kg, 4,64 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,66 m de altura e distância entre eixos de 2,77 m.
Nissan Ariya Platinum Plus 2025 ainda tem visual moderno, mesmo com mais de 5 anos de mercado
Caio Bednarski/Autoesporte
No dia a dia, o Ariya se mostrou ágil nas saídas e pequenas retomadas para ultrapassagens, graças ao torque instantâneo do sistema elétrico. A suspensão tem bom ajuste, sendo macia, mas, diferentemente de alguns elétricos e híbridos chineses, sem ser molenga demais. Com ângulo de ataque de 22,2º e vão livre do solo de 17 cm, o Nissan foi bem nos testes das valetas e lombadas da cidade de São Paulo, sem raspar a dianteira e sem afetar o conforto de quem está dentro do carro. Lembrando que o SUV tem suspensão McPherson na dianteira e multilink na traseira.
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Na estrada, o desempenho do SUV é ainda melhor, com a direção elétrica ficando mais rígida conforme a velocidade aumenta (sendo bem leve na hora de manobrar na cidade) e entregando boas respostas, sem aquela sensação de que está anestesiada. De acordo com dados oficiais da Nissan, o Ariya leva 4,8 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h. Esse número é bom e supera um dos seus concorrentes em outros mercados, o Hyundai Ioniq 5, que leva 5,3 s para sair do 0 até os 100 km/h, enquanto Tesla Model Y e Ford Mustang Mach-E precisam de 3,5 s 3,7 s, respectivamente.
Nissan Ariya Platinum Plus 2025 está no Brasil apenas para testes da fabricante
Caio Bednarski/Autoesporte
Foram 160 quilômetros rodados com o Nissan Ariya, sendo 30 km na estrada. Simulando algumas situações de retomada para ultrapassagem, as respostas também são rápidas e o isolamento acústico agrada, mesmo a velocidades mais altas. Porém, como todo carro elétrico, ao rodar acima de 100 km/h, a autonomia começa a cair mais rapidamente e, caso você passe dos 120 km/h, a queda é ainda maior. Por isso, controlar o pé para fazer uma viagem de carro elétrico é de suma importância para não ter que parar para recarregá-lo antes do previsto.
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A bateria que alimenta os dois motores elétricos é de 91 kWh, por íons de lítio. Em nossos testes de consumo, o SUV fez 6,8 km/kWh na cidade, o que significa uma autonomia de até 618,8 km, enquanto na estrada o consumo foi de 5,4 km/kWh, o que resulta em ainda excelentes 491,4 km, sempre com ar-condicionado ligado. Na ficha técnica a Nissan divulga oficialmente uma autonomia de 529 km (WLTP).
Nos Estados Unidos, o Nissan Ariya está posicionado em uma faixa de preço de US$ 40 mil a US$ 55 mil, o equivalente a aproximados R$ 200 mil e R$ 280 mil, respectivamente, mas o preço final no Brasil seria bem mais alto, por conta dos impostos de importação. O SUV elétrico é produzido no Japão e na China, em uma parceria com a Dongfeng (que se chamará DFM no Brasil).
Nissan Ariya Platinum Plus 2025 tem interior refinado
Caio Bednarski/Autoesporte
Para economizar bateria, é possível dirigir no modo Eco, que retarda bastante as respostas do acelerador para evitar pisadas mais fortes que consomem mais energia. Já o modo Sport torna essas respostas bem mais rápidas. O modo Standard fica no meio termo entre eles e é o mais recomendado para o uso diário.
Trago aqui a primeira crítica ao Ariya: a velocidade máxima de recarga é de 130 kW. Não é ruim, mas poderia ser melhor, uma vez que no mercado existem uma série de modelos elétricos de luxo que recarregam muito mais rápido. O Ford Mustang Mach-E suporta correntes de recarga de até 150 kW; o Tesla Model Y pode ser recarregado a até 250 kW; e o Hyundai Ioniq 5 suporta até 350 kW.
Porta-malas é ponto forte do Nissan Ariya Platinum Plus 2025 com 645 litros
Caio Bednarski
A segunda observação negativa mostra como o Ariya está distante do mercado brasileiro. A entrada de carregamento da bateria, posicionada do para-lama dianteiro direito, é do tipo CCS 1, tornando mais difícil o processo de usar eletropostos por aqui. Isso porque não é possível usar carregadores rápidos, que têm conector do tipo CCS 2. Para usar os lentos, com entrada do Tipo 2, é necessário usar adaptador que fica guardado no porta-malas.
Nissan Ariya Platinum Plus 2025 precisa de adaptador para usar a maioria dos eletropostos no país
Caio Bednarski/Autoesporte
Mesmo com o adaptador, não é possível usar todos os eletropostos que você encontrar pelo caminho. Alguns equipamentos detectam que há uma conexão adicional entre o conector da mangueira e o veículo, considerando a situação atípica e, por segurança, não liberam a energia. Haja paciência…
Por outro lado, o interior do Nissan Ariya merece elogios. Começo pelo acabamento de alcântara e outros materiais sofisticados no painel, lateral das portas e console central. Quase não se encontra plástico rígido no SUV, presente apenas na parte inferior da lateral das portas.
Os bancos são revestidos em couro e confortáveis. Os dianteiros têm ajustes elétricos que, junto com a regulagem elétrica de altura e distância do volante, permitem encontrar uma boa posição para dirigir. Ainda há aquecimento, inclusive nas posições externas do banco traseiro, algo que não é muito usado na maior parte do Brasil, mas em outros países mais frios pode ser muito útil.
Nissan Ariya Platinum Plus 2025 tem console central elétrico
Caio Bednarski/Autoesporte
Outro ponto interessante é o console central que não se conecta com o painel e tem ajuste elétrico. Dessa forma, é possível regular o nível de alcance da peça. Na posição mais recuada, ele fica alinhado ao final do assento dos bancos, deixando um vão enorme; na maior, chega próximo ao painel.
O quadro de instrumentos digital e configurável de 12,3 polegadas traz boa resolução e com informações claras, assim como a central multimídia de 12,3’’, mas confesso que achei o sistema um pouco lento e confuso, embora ofereça Android Auto e Apple CarPlay sem fio. O Ariya também tem um sistema de mapas integrado à tela multimídia, mas que não está disponível para uso em cidades brasileiras. Ficamos na vontade.
Nissan Ariya Platinum Plus 2025 tem saída de ar para o banco traseiro, entradas USB-C e aquecimento
Caio Bednarski/Autoesporte
Um ponto que me agradou é a presença de botões físicos para a abrir e fechar os vidros, ajustar os retrovisores, controlar o teto solar e até o ar-condicionado. Este último tem botões embutidos no painel e sensíveis ao toque. Também há um botão físico para aumentar ou diminuir o volume do som, que conta com 10 alto-falantes e sistema premium da Bose. Nada de depender apenas da central multimídia. Ufa.
Passageiros do banco traseiro encontram um bom espaço, graças ao entre-eixos de 2,77 metros e ao assoalho plano, e ainda desfrutam de uma saída de ar com direcionador duplo, sendo possível controlar a direção de forma independente, além de entradas USB-C logo abaixo. Por causa do caimento do teto, pessoas com mais de 1,85 m podem raspar a cabeça no teto, sendo esse o único ponto de aperto na parte traseira.
Nissan Ariya Platinum Plus 2025 bancos traseiro
Caio Bednarski/Autoesporte
Deu para perceber que a lista do Nissan Ariya Platinum Plus é bastante recheada. Além dos itens que citei, o modelo tem assistentes de condução como assistente de permanência em faixa, frenagem automática de emergência que reconhe cruzamentos, pedestres e ciclistas, retrovisores com rebatimento automático, controle de cruzeiro adaptativo (ACC), porta-malas de 645 litros e teto solar panorâmico.
Depois de alguns dias rodando com o Nissan Ariya, entendo que ele seria um bom produto para o mercado brasileiro, desde que recebesse a devida tropicalização e tivesse um preço competitivo. Ainda que seja um carro de nicho, seria uma boa opção da Nissan para mostrar aos consumidores locais a evolução tecnológica da marca. Pena que ele esteja tão distante do Brasil e não deva aparecer nas concessionárias da Nissan no país.
Nissan Ariya Platinum Plus 2025 tem DRL que invade o para-choque
Caio Bednarski/Autoesporte
Nissan Ariya – Prós e contras
Pontos positivos: Acabamento tem materiais de qualidade; excelente autonomia; suspensão bem calibrada; bom espaço interno e porta-malas grande.
Pontos negativos: entrada de carregamento do tipo CCS 1, recarga máxima a 130 kW (abaixo da média de seu segmento) e central multimídia lenta.
Nissan Ariya Platinum Plus e-4orce 2025 – Ficha técnica
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