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Teste: Jetour T1 é SUV híbrido ‘sabor’ off-road para quem não quer 4×4

22/05/2026
Teste: Jetour T1 é SUV híbrido ‘sabor’ off-road para quem não quer 4×4


Grandes corporações costumam ter diversas marcas atuando em segmentos variados. A Unilever, por exemplo, é dona de Omo, Dove e Hellmann’s, que não competem entre si. A estratégia da Chery é um pouco diferente. Tem uma lista de marcas que vendem… carros. Ou seja, competem entre si. A Jetour é uma delas. E tem como objetivo alcançar um público que busca aventuras a bordo de SUVs com visual mais parrudo. O T1, por exemplo, é um jipão híbrido plug-in com mais de 300 cv e tamanho de BYD Song Plus.
Na etiqueta de preço, os R$ 264.900 o colocam acima do próprio BYD, e entre os GWM Haval H6 PHEV19 (R$ 249 mil) e PHEV35 (R$ 289 mil). Só há uma questão. Embora tenha toda pinta de ser um SUV que encara qualquer aventura e até disponha de um modo de condução próprio para neve, o Jetour T1 só tem tração nas rodas dianteiras. Seguindo a mais recente trend da internet, é “sabor” off-road.
A Jetour se defende dizendo que a maior parte dos clientes do modelo aprecia o estilo aventureiro, mas não vai encarar uma trilha mais pesada do que aquela estrada de terra batida na entrada do sítio ou do hotel fazenda. Quem quiser realmente um SUV da marca com tração integral terá que esperar até o segundo semestre, quando chega o T2 4×4.
Lembra Jeep? Jetour T1 aposta no mesmo estilo aventureiro
Divulgação
Visual do Jetour T1
Aos que não fazem questão da tração nas quatro rodas, mas buscam o estilo aventureiro, o T1 entrega um prato cheio. A começar pelo formato quadradão. Desavisados poderiam dizer que é uma espécie de Renegade gigante. Até as duas primeiras letras de Jeep e Jetour são as mesmas. Mas, em vez de sete fendas, a grade do SUV chinês ostenta uma série de traços paralelos. Oito deles são luminosos, complementando o conjunto ótico formado pelos faróis quadrados.
Jetour T1: preços, versões, equipamentos, desempenho e consumo
Também ali para-choques de plástico preto, apliques nas caixas de roda, estribos laterais e rack de teto funcionais e rodas de 19 polegadas com acabamento de cor grafite.
Ângulo de ataque do Jetour T1 é inferior ao do Jeep Renegade 4×4
Divulgação
Os ângulos de ataque e saída, ambos de 28°, deixam a desejar, sobretudo graças aos grandes balanços. Um Jeep Renegade Willys (que tem tração 4×4), por exemplo, entrega 31° na entrada e 33,6° na saída. Já o vão livre de 19 cm é só 0,5 cm mais elevado do que um Volkswagen Taos, talvez o mais urbano dos SUVs médios. Ou seja, ao menos nos principais indicadores de robustez off-road, o Jetour T1 fica devendo.
Mas uma análise não é feita só com base nesses aspectos. E o SUV chinês traz diversos outros números interessantes. A união do motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cv e 20,4 kgfm com a máquina elétrica de 204 cv e 31,6 kgfm entrega ótimos 315 cv de potência e 52 kgfm de torque combinados, mais do que quase qualquer rival direto.
Motor 1.5 turbo do Jetour T1 entrega 135 cv
Divulgação
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O 0 a 100 km/h oficial de 8,7 segundos não surpreende, mas pode ser compreendido ao observar que o peso bruto é de exatas duas toneladas. A massa, aliás, é prontamente percebida ao volante do SUV. Não há arrancadas viscerais, mas tampouco o motorista vai passar perrengue para ultrapassar um veículo mais lento na estrada.
O volante de aro avantajado tem as extremidades superior e inferior planas e quatro raios. A pegada é correta, e há botões para ajustar som, funções de condução semi-autônoma e os menus do quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas.
Volante com extremidades retas são marca do Jetour T1 Premium
Divulgação
As respostas, também ajustáveis, em geral são exatamente como se esperam de um SUV chinês: poderiam ser mais diretas. Para completar, existe uma sensação de desconexão entre o que acontece nas rodas e o que o motorista sente (não só no volante, como também nos bancos), fruto de uma suspensão bastante macia e de pneus com perfil alto (60, calçando rodas de aro 19).
Como em todos os carros híbridos plug-in modernos, o T1 permite alternar entre condução híbrida ou elétrica. Em nosso teste, no entanto, mesmo com o modo que usa apenas o motor a bateria, bastou pressionar o pedal do acelerador a pouco mais de meio curso para que o 1.5 turbo fosse acordado a fim de dar uma ajudinha na aceleração. Percebi que a máquina elétrica se garante muito bem partidas e como complemento do propulsor a gasolina.
Jetour T1 Premium pode ser carregado em aparelhos rápidos a até 40 kW
Divulgação
De acordo com o Inmetro, a bateria de 26,7 kWh garante autonomia de 88 km sem gastar combustível. A potência máxima de recarga é de 40 kW em aparelhos de corrente contínua (DC), acima da média do segmento. Em AC, a velocidade segue os tradicionais 6,6 kW.
Considerando também o generoso tanque de gasolina de 70 litros, e segundo a Jetour, o SUV chinês pode rodar até 1.200 km sem precisar parar para abastecer ou carregar. Durante nosso teste, sempre com o ar-condicionado ligado, e variando entre os modos Eco, Normal e Sport, registramos 15,4 km/l de consumo, o que, somando tanque e bateria, conferem 1.166 km de alcance, marca próxima à oficial da empresa.
Jetour T1 Premium 2026 tem autonomia combinada de quase 1.200 km
Divulgação
Aliás, o acesso às informações diversas é muito bom. No quadro de instrumentos, para reforçar o “sabor” aventura, há uma bússola e um inclinômetro digital. A gigantesca tela de 15,6 polegadas também exibe ângulos de inclinação longitudinal e transversal.
Aos que desejam informações mais úteis no cotidiano, o consumo aparece detalhado, considerando combustível líquido (em l/100 km) e eletricidade (km/kWh). É por ali que o motorista alterna também os modos de propulsão entre elétrico e híbrido. Ajustes dos bancos, retrovisores e abertura do teto solar panorâmico e climatização também estão disponíveis.
Central multimídia do Jetour T1 Premium exibe informações de forma clara e objetiva
Divulgação
Mas há botões físicos para a ventilação, que é de duas zonas e tem saída para os passageiros de trás. E essa é a deixa para falar do acabamento. Especificamente esses botões, e as saídas de ar logo abaixo, transmitem uma sensação de fragilidade pela escolha do material.
Não é exatamente como em um Renault Kwid, mas o aspecto tampouco é condizente com um carro de mais de R$ 250 mil. Nas demais superfícies, há mescla de couro sintético, plástico emborrachado e de aspecto duro. No geral, o T1 tem cabine moderna e compatível com a proposta aventureira, mas não traz o mesmo efeito de surpresa positiva que alguns rivais chineses entregam.
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Por outro lado, a lista de equipamentos é bastante generosa. Além dos itens já citados, os bancos dianteiros têm ajustes elétricos com memória, sistema de som Sony, porta-malas com abertura elétrica, carregador rápido por indução, faróis e lanternas full-LED, partida remota pela chave e vidros dianteiros laminados. Já o pacote Adas traz frenagem de emergência, alerta de saída de faixa com correção no volante, ACC, assistente de descida e farol alto adaptativo.
Espaço interno do Jetour T1 é bom para três ocupantes no banco traseiro
Divulgação/Jetour
Se o Jetour T1 não será o companheiro de aventuras extremas, em todas as demais situações, o SUV oferece bastante conforto a bordo. A oferta de porta-objetos é farta e o espaço interno, exemplar. Por fora, os 4,71 metros de comprimento fazem o chinês parecer maior do que é, lembrando que ele tem 6 cm menos nesta medida que um BYD Song Plus, por exemplo. Mas os 2,80 m de entre-eixos (4 cm a mais que o BYD) e 1,97 m de largura (8 cm extras) garantem excelente conforto para até cinco ocupantes. E as bagagens ficam bem acomodadas no porta-malas de 574 litros.
Atualmente, o T1 tem vendido menos que T2 e S06, ainda que seja o produto aparentemente mais bem posicionado no mercado brasileiro. Agrada aos que buscam estilo aventureiro, mas não necessitam da tração 4×4 e do peso extra que ela agrega ao veículo.
No porta-malas do Jetour T1 vão 574 litros
Divulgação
No entanto, a falta de conhecimento da marca (são apenas 30 pontos de venda no Brasil), o acabamento sem grandes destaques e a infinidade de rivais híbridos e elétricos do segmento podem acabar tornando a vida do T1 mais difícil.
Por outro lado, a Chery tem quase duas décadas de conhecimento do mercado brasileiro. Não à toa, resolveu bancar os riscos de trazer marcas de um mesmo grupo para serem rivais por aqui. As vezes, a montanha a ser atravessada é menor do que se imagina. E pode ser feita inclusive por veículos com tração 4×2.
Ficha técnica: Jetour T1
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Fonte: Read More 

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