Teste: Chevrolet Spin 2027 tem novo truque para não perder espaço no Brasil


A Chevrolet Spin é uma veterana no mercado brasileiro. Foi lançada há 14 anos e nunca mudou de geração. Sua última grande atualização foi em 2024, adotando o visual alinhado aos outros modelos da marca e agregando itens de tecnologia e segurança. Agora, na linha 2027, a gama tem uma nova versão, feita em cheio para quem precisa de muito espaço interno, quer alguns itens de conforto, mas não faz questão dos sete lugares.
É a inédita opção LTZ de cinco lugares, que custa R$ 153.990 e é a mais completa sem a terceira fila de bancos.
De forma geral, a Spin vai na contramão do mercado. Não traz motor turbo ou qualquer nível de eletrificação. Assistentes avançados de condução só estão disponíveis na opção mais cara. Ainda assim, agrada a uma parcela do público que busca confiabilidade e robustez, como taxistas e motoristas de aplicativo. Curiosamente, esta fatia do público também tem se mostrado aberta e migrar para veículos elétricos compactos da mesmíssima faixa de preços da Spin. Geely EX2 e BYD Dolphin são dois exemplos.
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O maior (literalmente) expoente desta vocação da Spin LTZ de 5 lugares é o enorme porta-malas de até 756 litros, que mira grandes famílias que precisam de espaço para viajar. Na faixa de preço em que está posicionada, concorre diretamente com Citroën Aircross, mas supera em muito o rival no compartimento de bagagens. No modelo francês, vão “apenas” 493 litros.
Chevrolet Spin LTZ 5 Lugares 2027 tem espaço de sobra no porta-malas
Caio Bednarski/Autoesporte
Para completar, há ainda um trunfo que permite modular o volume do porta-malas. Isso graças aos trilhos que deixam o banco da segunda fileira corrediço, podendo alternar o porta-malas entre 710 litros e 756 litros. Com isso, o espaço para os passageiros também varia.
Como é o interior da Chevrolet Spin LTZ 5 lugares 2027?
A modularidade dos bancos da Spin atenua um sinal da idade do projeto. Com apenas 2,62 m de entre-eixos, o espaço interno poderia ser melhor para uma minivan. Pessoas altas que vão no banco de trás sentem falta de mais espaço para as pernas, com o meu caso que tenho 1,83 m. O espaço fica ainda mais restrito se quem está na frente também é alto. Pelo menos a altura generosa não fará com que a cabeça dos ocupantes raspe o teto. Por fim, estão disponíveis saída de ar-condicionado para quem anda atrás, junto com duas portas USB-A para o carregamento de smartphones.
Nas medidas, são 4,42 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,69 m de altura e 2,62 m de entre-eixos.
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Chevrolet Spin LTZ 5 Lugares 2027 tem espaço limitado banco traseiro
Caio Bednarski/Autoesporte
Passando para a dianteira, temos um ponto positivo da Chevrolet Spin. Os bancos são amplos e confortáveis. Nesse ponto, a minivan está muito à frente do Citroën Aircross (ou do Geely EX2, se quisermos traze um elétrico para a comparação).
Já o acabamento não segue o mesmo padrão. Painel e lateral das portas são forrados de plástico duro, com alguma variação de texturas. Só é possível encontrar material macio em uma pequena porção da lateral das portas dianteiras, no apoio dos cotovelos. Também falta um descanso de braço central entre os assentos.
Interior da Chevrolet Spin LTZ 5 Lugares 2027 abusa do plástico no acabamento
Caio Bednarski/Autoesporte
Como é rodar com a Chevrolet Spin
Quem compra uma Chevrolet Spin certamente não escolheu o modelo pelo desempenho. Logo, não irá esperar fortes emoções ao dirigir a minivan. O motor é o conhecido (e veteraníssimo) 1.8 aspirado de até 111 cv de potência com etanol e 106 cv com gasolina e 17,7 kgfm e 16,8 kgfm de torque, respectivamente. Na versão LTZ de 5 lugares o câmbio é automático de seis marchas.
São necessários 11 segundos para ir de 0 a 100 km/h, marca razoável para o tamanho do modelo e a proposta familiar. Bom mesmo (para um veículo sem qualquer eletrificação e com motor antigo) é o consumo. Em nossos testes, a Spin marcou 11 km/l na cidade e 13,4 km/l na estrada, sempre com gasolina no tanque.
Motor da Chevrolet Spin LTZ 5 Lugares 2027 é o 1.8 aspirado que já equipou outros modelos da marca
Caio Bednarski/Autoesporte
Ter um motor amplamente conhecido também tem outras vantagens. A manutenção é descomplicada e o mercado de reposição tem fartura de peças. A Chevrolet também pratica preços de revisões camaradas. Os cinco primeiros serviços saem por R$ 3.396, contra R$ 4.731 do Citroën Aircross. Até mesmo o BYD Dolphin, que, em tese, tem serviços menos complexos, cobra mais, R$ 4.128.
Outro ponto para a Chevrolet Spin é que a desvalorização é menor do que a média: 4,2% após um ano de uso, enquanto o Aircross perde 17,8% do valor. Todos os dados foram extraídos do Qual Comprar 2026.
Para quem não tem interesse em motor turbo e, muito menos eletrificado, que representam uma boa parte do mercado nessa faixa de R$ 150 mil, a Spin se mostra uma opção racional.
Como anda a Spin 2027
Chevrolet Spin LTZ 5 Lugares 2027 tem boa distância do solo
Caio Bednarski/Autoesporte
Ao volante da Chevrolet Spin 2027, notei que a minivan também é uma boa companheira de viagem. O motor aspirado tem entrega de torque bastante linear, demonstrando força para vencer ladeiras ou fazer ultrapassagens, mesmo que os 111 cv de potência estejam longe de empolgar.
O câmbio também trabalha de forma silenciosa e discreta. Mas um pênalti é que as trocas só podem ser realizadas por botões posicionados na própria alavanca, e não por aletas atrás do volante.
A direção elétrica tem respostas rápidas e precisas, enquanto a suspensão (McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira), tem acerto interessante para o dia a dia, sem ser muito mole e nem muito rígida. É a velha receita para vencer buracos, valetas e lombadas.
Chevrolet Spin recebeu a última atualização visual em 2024
Caio Bednarski/Autoesporte
Outro ponto positivo para rodar com a Spin é o vão livre do solo de 17,3 cm, boa altura para encarar o asfalto ruim das cidades brasileiras. Isso se soma aos ângulos de ataque e de saída, de 16,6º e 24,3º, respectivamente, que tornam mais fácil a missão e evitam raspar a dianteira.
Para quem gosta de uma posição mais elevada para dirigir, a Chevrolet Spin é um prato cheio. Mesmo usando o ajuste de altura do banco do motorista no mínimo, a posição ainda é alta, passando a impressão de estar até em um carro maior. Porém, a visão fica um pouco desalinhada do quadro de instrumentos, o que é normal quando se busca essa postura para dirigir.
Itens de série e tecnologia da Chevrolet Spin
A lista de itens de série da Spin LTZ de 5 lugares é robusta para um veículo da faixa de R$ 150 mil. Como destaque, temos ar-condicionado digital, algo que não vemos em SUVs mais caros, caso do Volkswagen T-Cross Comfortline. O quadro de instrumentos é digital de 8 polegadas e integrado por uma moldura a tela da central multimídia que tem tela sensível ao toque de 11 polegadas.
Aqui vale mais um comentário sobre a central multimídia, pois o sistema MyLink funciona bem e é intuitivo. Para conectar o smartphone é fácil e, uma vez conectado, basta ligar o carro que, poucos segundos depois, o espelhamento já está ativo. Android Auto e Apple CarPlay funcionam sem fio, um ponto positivo, já que carros mais modernos que estão no mercado não trazem isso, como o Geely EX2.
Chevrolet Spin aposta na robustez e mecânica simples para se diferenciar no mercado
Caio Bednarski/Autoesporte
A lista de itens de série ainda traz seis airbags, faróis de LED com acendimento automático, rodas de liga leve aro 16, sensores de chuva e de estacionamento traseiro, partida sem chave (porém, sem abertura das portas por aproximação), volante com revestimento premium, rack de teto, câmera de ré e Wi-Fi nativo (mediante pagamento de plano de dados).
Ainda vale a pena investir na Chevrolet Spin?
Se você é o tipo de comprador que prioriza mecânica mais simples, robustez, posição alta de dirigir, um porta-malas grande e bastante espaço para bagagens, a Spin pode ser a opção que você procura. Essa receita é muito demandada por taxistas, motoristas de aplicativo e locadoras.
Porta-malas vazio da Chevrolet Spin de 5 lugares impressiona pelo tamanho
Caio Bednarski/Autoesporte
No caso do consumidor final, ainda existe uma parcela de compradores que não quer um carro hatch e também não quer um motor turbo ou eletrificado, como temos na maioria dos SUVs. Assim, ela também pode atender esse público.
Pontos positivos: porta-malas enorme, robustez, mecânica simples, confiável e conhecida.
Pontos negativos: espaço no banco traseiro, quase nenhum assistente de condução e projeto antigo.
Ficha Técnica – Chevrolet Spin LTZ 5 Lugares 2027
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