Teste: Caoa Chery Tiggo 5X HEV faz 21 km/l e vai complicar vida dos rivais


Há quem diga o Caoa Chery Tiggo 5X 2027 é um dos carros de melhor custo-benefício no país. Tanto que foi o vencedor do prêmio Qual Comprar 2026 na categoria SUV compacto. Isso nada mais é do que a relação entre quanto você paga e o que você recebe em troca. E, para justificar ainda mais esse status, o SUV terá uma versão híbrida plena (HEV), que chega ao Brasil no segundo semestre de 2026. E Autoesporte foi até Madrid (Espanha) testar essa versão em primeira mão. Ela promete um consumo acima de 20 km/l e vai complicar a vida de muito rival no Brasil.
Na Espanha, o nosso Tiggo 5X se chama Ebro S400, só que eles são exatamente o mesmo carro — em outros países, o modelo é conhecido como Tiggo 4. A Ebro é uma marca espanhola histórica, fundada em 1954, que pertenceu ao Grupo Nissan por décadas, formando a Nissan Motor Ibérica, e tinha fábrica em Barcelona. Porém, com uma crise econômica instaurada pós-pandemia, o Grupo Chery adquiriu a Ebro em 2023 e, hoje, vende seus carros no país rebatizados com a insígnia da marca local.
Vários carros da Chery que conhecemos no Brasil começaram a ser vendidos na Espanha desde então, com portfólio atual formado por: S400 (Tiggo 5X), S700 (Tiggo 7), S800 (Tiggo 8) e S900 (Tiggo 9). O S400 HEV é vendido em duas versões: a Premium de 27.490 euros, e a Excellence, de 28.990 euros. Na conversão direta, os valores correspondem a R$ 162.950 e R$ 171.840, respectivamente.
Teste: Caoa Chery Tiggo 5X 2027 tem a fórmula do Tiggo 7 para fazer sucesso
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Como é o motor híbrido do novo Tiggo 5X HEV?
O Ebro S400 tem um sistema híbrido pleno (HEV) parecido com o Omoda 5 HEV no Brasil, que também faz parte do Grupo Chery. O conjunto CSH traz o conhecido motor 1.5 quatro-cilindros 16 válvulas a gasolina, só que aspirado e sem injeção direta. Na Europa, trabalhando em ciclo Atkinson, rende sozinho 95 cv. No Brasil, ainda não está confirmado se será flex. A ele se alia um motor elétrico de 204 cv, entregando 211 cv de potência e 31,6 kgfm de torque combinados.
Caoa Chery Tiggo 5X se chama Ebro S400 na Espanha
André Schaun/Autoesporte
A bateria de íons de lítio tem 1,83 kWh e o câmbio é o automático DHT, com uma marcha mecânica e múltiplas variações geradas pelo motor elétrico. No caso do Omoda 5 HEV, o motor 1.5 passa a ser turbo com injeção direta (TGDi), de 135 cv, trabalhando em ciclo Miller e chegando a 224 cv e 30,1 kgfm combinados. O câmbio e a bateria são os mesmos. Esta motorização é, por enquanto, movida só a gasolina, mas será flex a partir de 2027.
Tiggo 5 HEV terá um conjunto motriz parecido com o do Omoda 5 HEV
Renato Durães/Autoesporte
Atualmente, a linha 2027 do Tiggo 5X no Brasil tem apenas versões com o conhecido motor 1.5 TCI turbo flex, com injeção indireta, multiponto e que rende até 150 cv de potência e 22,8 kgfm de torque. Já o câmbio é do tipo CVT que simula nove marchas e a tração, dianteira. São duas versões: Sport (R$ 126.990) e Pro Max Drive (R$ 144.990). A expectativa é que o preço do Tiggo 5X HEV fique em torno de R$ 160 mil. Lembrando que o SUV é produzido em Anápolis (GO), ao lado de Tiggo 7 e Tiggo 8, que terão as versões híbridas plug-in nacionalizadas em breve.
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Visual de Tiggo 7
O Tiggo 5X 2027 vendido atualmente no Brasil ficou parecido com o Tiggo 7 tanto por dentro quanto por fora. E o Ebro S400 não muda nada em relação a isso. Na dianteira, a grade está maior do que na linha 2026 e passa a invadir a borda do capô. O acabamento interno da peça mantém o padrão de diamantes, mas os faróis de LED estão mais afilados e com luzes diurnas posicionadas na vertical, remetendo ao irmão maior.
Caoa Chery Tiggo 5X HEV não tem nenhuma referência a eletrificação na traseira
André Schaun/Autoesporte
Nas laterais, a fabricante optou por unir a coluna C ao vidro traseiro, criando aquele efeito de teto flutuante — também como acontece com o Tiggo 7. Na Espanha, a versão Excellence tem as mesmas rodas são de liga leve de 17 polegadas (215/60 R17) do Tiggo 5X Sport — a Pro Max no Brasil traz de 18″ (225/55 R18).
Na traseira, as lanternas de LED são integradas por uma peça luminosa, com grafismos inéditos — novamente remetendo aos SUVs mais caros da marca. Só que o S400 não tem nenhuma referência à eletrificação, algo que deve mudar na versão brasileira. O destravamento da tampa do porta-malas, que tem 340 litros, pode ser feito pela chave e não há estepe — apenas kit de reparo emergencial.
Caoa Chery Tiggo 5X HEV tem 340 litros de capacidade no porta-malas
André Schaun/Autoesporte
Novo Tiggo 5X HEV: espaço interno
O S400 e o Tiggo 5X 2027 têm exatamente as mesmas dimensões: 4,34 m de comprimento, 2,61 m de entre-eixos, 1,83 m de largura e 1,65 m de altura. Uma pessoa da minha altura, de 1,87 m, vai no limite do conforto no banco de trás, tanto para a cabeça quanto para as pernas. As portas têm acabamento de plástico, mas o apoio de braço é macio. Há também apoio de braço central com dois porta-copos, uma entrada entrada USB-A e saídas de ar-condicionado. Isso não deve mudar no Brasil.
No banco da frente, o motorista encontra mais conforto: são seis ajustes elétricos de posição do banco e outras quatro de lombar. O painel remete ao Tiggo 7 e tem linhas mais horizontalizadas, saídas de ventilação e superfície emborrachada — outras partes são de plástico com diferentes texturas e as portas trazem revestimento com imitação de couro.
Caoa Chery Tiggo 5X HEV tem telas interligadas
André Schaun/Autoesporte
A central multimídia oferece conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay e o espelhamento foi bem rápido e prático durante nosso teste. Essa tela é integrada ao quadro de instrumentos digital — ambas com 10,25 polegadas. No Brasil, o Tiggo 5X 2027 também inclui teto panorâmico que, segundo a marca chinesa, é um item muito demandado pelos clientes. Por isso, acreditamos que a opção nacional híbrida também deve trazer o equipamento, diferentemente da Espanha, onde ele não faz parte do pacote.
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O que faz o Tiggo 5X 2027 ter esse apelo de bom custo-benefício é que a lista de equipamentos é bem generosa pelo preço, principalmente quando o assunto é segurança. No Ebro S400, que antecipa o que teremos aqui na versão HEV, a história não muda.
Na Espanha, o SUV vem de série com seis airbags, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, câmera de ré, partida por botão, assistência de partida em rampa e descida, monitoramento de pressão dos pneus e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, sensor de colisão frontal, assistente de permanência em faixa, frenagem autônoma de emergência, alerta de ponto cego, piloto automático adaptativo (ACC), câmera com visão 360°, retrovisores com aquecimento e controle interno elétrico, carregador de celular por indução e ar-condicionado automático de duas zonas.
E como anda o novo Tiggo 5X HEV
Ebro S400 soma 211 cv e 31,6 kg entre motor a combustão e elétrico
André Schaun/Autoesporte
A partida do S400 ou novo Tiggo 5X HEV ocorre pelo motor elétrico e uma mensagem “Ready” (“Pronto”, na tradução do inglês), sinaliza que o carro está ligado e pronto para arrancar. Assim, já começo minhas impressões com inveja do trânsito de Madrid. Percorri mais de 130 km, ida e volta, da capital espanhola até Laganés, um município próximo da capital espanhola, e não enfrentei congestionamentos mesmo em horários de pico. As vias são de fácil acesso e suas ramificações diluem muito o tráfego. Por isso, se o GPS marca 30 minutos, esse é o tempo que você vai levar para chegar. Mesmo.
Como a velocidade média nas vias urbanas não ultrapassa os 40 km/h, eu dirigi o novo Tiggo 5X HEV uma boa parte do tempo em modo elétrico, já que o sistema híbrido prioriza manter o motor a combustão sempre como secundário ou gerador de energia para a bateria nessas situações. Isso garante uma condução muito silenciosa e um bom fôlego nas arrancadas. De acordo com a Ebro, a marca de 0 a 100 km/h do irmão gêmeo do Tiggo 5X HEV é feita em 8,7 segundos.
Caoa Chery Tiggo 5X HEV acelera de 0 a 100 km/h em 8,7 segundos no modelo europeu
André Schaun/Autoesporte
O assistente de permanência em faixa e o alerta de ponto cego funcionam de forma suave, mas os sensores dianteiros e traseiros de estacionamento irritam bastante por apitar o tempo inteiro. Pelo menos é possível desativá-los por um botão no console central. Outra questão negativa é que os comandos da multimídia feitos pelo volante multifuncional têm bastante delay, principalmente para trocar de música. Esperamos que isso seja corrigido na versão brasileira.
Outro detalhe incômido fica por conta da sensibilidade do pedal de freio, que é muito aguçada. Você só encosta o pé e o carro já dá um tranco. O conjunto é composto por discos ventilados na dianteira e sólidos na traseiro. Uma recalibração do primeiro estágio de frenagem seria bem-vinda na variante nacional.
Outra inveja das ruas de Madrid é que o asfalto é liso em qualquer lugar. E isso me gerou uma reflexão. Algo que apontei no modelo nacional quando fiz o teste da linha 2027, em março deste ano, foi que o isolamento acústico na cabine deveria melhorar e, mesmo com suspensão traseira multilink, que traz mais conforto, a trepidação e o ruído interno eram grandes. Aqui a sensação foi o contrário: a trepidação e o isolamento acústico foram pontos positivos numa condição melhor da via. Isso mostra que nem sempre o problema dos carros no Brasil são os carros…
Caoa Chery Tiggo 5X HEV chega ao Brasil no segundo semestre
André Schaun/Autoesporte
Já na rodovia, o motor a combustão passa a trabalhar com mais frequência e intensidade, elevando naturalmente o nível de ruído na cabine e de consumo de combustível. Ainda assim, o conjunto não chega a ser barulhento. A sensação de maior ruído surge principalmente pelo contraste em relação ao silêncio predominante durante o uso urbano em modo elétrico. O que é muito bom são as variações imperceptíveis nas relações do câmbio. Não se percebe quando entra a marcha mecânica ou os modos elétricos.
Como o limite de velocidade nas rodovias espanholas oscila o tempo inteiro entre 70 km/h, 80 km/h, 100 km/h ou até 120 km/h, o sensor de reconhecimento de placas fica confuso e não oferece tanta previsão diante das mudanças repentinas. Sendo assim, o carro emite um alerta de excesso de velocidade que muitas vezes está equivocado, ou seja, você está dentro do limite da via, só que o sistema não foi atualizado e apita sem necessidade. Melhor desabilitar a função.
Nos primeiros 100 km de teste, o painel de instrumentos marcou que gastei exatos 4,7 litros de gasolina. Com essa medição, minha média de consumo com o Tiggo 5X HEV foi de 21,3 km/l. Esse resultado foi alcançado com ar-condicionado ligado e sem restrição de velocidade (sempre respeitando o limite da dia). Vale lembrar que, na Espanha, usa-se gasolina E5, com apenas 5% de etanol na mistura. Com 51 litros de capacidade no tanque, a autonomia média obtida por mim foi de 1.076 km, o que é um ótimo número. Nos números oficias da Ebro, o consumo do S400 fica em 5,3 litros a cada 100 km ou 18,9 km/l, que resulta em 963 km de autonomia oficial.
Quando o Tiggo 5X HEV chega ao Brasil?
Caoa Chery Tiggo 5X HEV tem mais de 1.000 km de autonomia
André Schaun/Autoesporte
O Tiggo 5X HEV será lançado no Brasil no segundo semestre de 2026, com produção em Anápolis (GO). O preço estimado de R$ 160 mil equivalerá ao de versões de entrada ou intermediárias de outros SUVs compactos de nosso mercado ainda não eletrificados e, portanto, menos potentes e econômicos, como Volkswagen T-Cross 200 TSI (R$ 161.490), Hyundai Creta Safety 1.0 TGDi (R$ 156.490) e o recém-lançado Toyota Yaris Cross XRE flex (R$ 161.390).
Em relação ao Yaris Cross HEV, igualmente híbrido flex, os preços começam em R$ 172.390 e seu consumo, em testes da Autoesporte, foi de bons 19,8 km/l na cidade e 14,4 km/l na rodovia com gasolina brasileira. Só que a autonomia não é tão grande, até 713 km em ciclo urbano, porque o tanque de combustível comporta apenas 36 litros. O Yaris Cross é também bem menos potente que o irmão espanhol do Tiggo 5X HEV: seu motor 1.5 flex aspirado de 91 cv trabalha em conjunto com outro motor elétrico de 80 cv, alimentado por uma bateria de 0,7 kWh, entregando 111 cv combinados.
Caso replique o mesmo pacote do Ebro S400, o novo Caoa Chery Tiggo 5X HEV vai resolver uma das maiores críticas das versões só a combustão do SUV compacto: o elevado consumo de combustível. Entretanto, o seu sucesso vai depender muito de quanto vai custar, mas uma coisa é fato: ele tem tudo para incomodar muita gente e aumentar ainda mais o status de bom custo-benefício do modelo.
Novo Caoa Chery Tiggo 5X HEV: prós e contras
Pontos positivos: ótimo desempenho para a categoria, consumo excelente de combustível e lista de equipamentos de segurança recheada
Pontos negativos: espaço traseiro limitado, respostas lentas aos comandos da central multimídia pelo volante e sensibilidade do freio
Novo Caoa Chery Tiggo 5X HEV (Ebro S400) – Ficha técnica*
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