Move Brasil aplicativos aprova menos de 10% do crédito para compra de carro


O Move Brasil para taxistas e motoristas de aplicativo ainda está longe de consumir todo o crédito disponibilizado pelo governo federal. Dos R$ 30 bilhões reservados para financiar a compra de carros novos, apenas R$ 2,2 bilhões haviam sido aprovados até julho de 2026.
Na prática, o montante representa somente 7,3% de todo o crédito previsto para o programa. Os números foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nesta terça-feira (8), durante a apresentação dos resultados da indústria automotiva referentes a agosto. Os valores aprovados têm como base dados do BNDES até julho.
Dos R$ 30 bilhões anunciados, R$ 27,8 bilhões ainda não constavam como aprovados até julho
Vitória Drehmer/Autoesporte
O desempenho chama atenção quando comparado às etapas anteriores do Move Brasil. No Move Brasil I, foram aprovados R$ 9,4 bilhões dos R$ 10 bilhões anunciados, equivalente a 94% do total. Já o Move Brasil II teve R$ 20 bilhões aprovados de R$ 21,2 bilhões, ou 94,3%. As primeiras fases, contudo, foram voltadas principalmente à renovação das frotas de veículos pesados.
Por que o Move Brasil teve baixa adesão?
A pequena parcela de recursos aprovados não significa necessariamente falta de interesse dos motoristas. Desde o início do Move Brasil, Autoesporte mostrou que profissionais encontraram dificuldades para terem financiamentos efetivamente aprovados.
Quando a linha começou a operar, em junho, concessionárias chegaram a registrar grande movimento de profissionais interessados. Porém, nas primeiras semanas, houve demora no funcionamento dos sistemas de análise e entraves entre instituições financeiras e o BNDES. Depois, mesmo com a operação normalizada, outro obstáculo passou a pesar: a análise de crédito dos próprios bancos.
O motorista pode cumprir os critérios do governo e ser considerado apto para participar do Move Brasil, mas isso não garante que receberá o financiamento. A instituição financeira continua responsável pela análise do cliente e pode avaliar renda, capacidade de pagamento, endividamento e histórico financeiro antes de conceder o empréstimo.
Assim, profissionais com score de crédito baixo, dívidas anteriores ou renda considerada insuficiente podem ter o pedido recusado. O próprio governo esclarece que a aprovação no cadastro do programa representa apenas a elegibilidade inicial e que a decisão final sobre a concessão do empréstimo cabe ao banco.
Governo aumentou teto dos carros para R$ 200 mil
Diante da adesão abaixo do esperado, o governo modificou as regras do programa em agosto. Uma das principais alterações foi elevar de R$ 150 mil para R$ 200 mil o valor máximo da nota fiscal dos veículos que podem ser financiados. Poucos dias depois, o Conselho Monetário Nacional (CMN) também ampliou o prazo máximo para pagamento. Antes, o financiamento poderia ser quitado em até 72 meses. Agora, o período chega a 84 meses, ou sete anos.
Novo teto de R$ 200 mil possibilitou ampliar as opções de carros dentro do programa Move Brasil
Reprodução/BYD
Com a mudança do teto, mais modelos passaram a se enquadrar na linha de crédito, incluindo carros de categorias superiores, como SUVs médios e até veículos híbridos. Segundo o governo, o novo limite aumentou de 63% para 88% a cobertura dos modelos disponíveis no mercado brasileiro.
Um levantamento da Data Machine, aliás, indica que híbridos e elétricos respondem por 41,4% das corridas de aplicativo. O dado também ajuda a contextualizar a decisão de ampliar o teto. Além disso, a própria Anfavea afirma que o aumento do teto dos veículos elegíveis deve contribuir para ampliar a adesão e acelerar a renovação da frota urbana.
Vale lembrar que a decisão de participar ou não do Move Brasil é de cada montadora, assim como a definição dos modelos e versões que serão oferecidos com desconto. Até o momento, mais de 60 carros já são vendidos com condições especiais para taxistas e motoristas de aplicativo. Autoesporte mostrou na ocasião que 17 modelos adicionais passaram a ter preço compatível com o novo limite de R$ 200 mil.
Financiamento poderá ter parcelas flexíveis
Outra mudança importante avançou no Congresso na semana passada. O Senado aprovou, em 1º de setembro, a MP 1.366/2026, que incorporou dispositivos do Move Brasil e autoriza os bancos a oferecer um sistema de pagamento flexível.
Na prática, as instituições financeiras poderão estabelecer prestações com valores diferentes no início e no final do contrato, em vez de manter parcelas iguais durante todo o período. O objetivo é adequar melhor os pagamentos à capacidade financeira do trabalhador e facilitar o acesso ao crédito.
O texto aprovado também limita o benefício a um veículo por motorista ou taxista — e, no caso de cooperativas, um veículo por cooperado. Além disso, permite incluir no financiamento o seguro do automóvel e o seguro prestamista, bem como custos de adaptação de veículos para motoristas com deficiência e táxis destinados ao transporte de cadeirantes.
A proposta passou pelo Senado sem mudanças de mérito e foi convertida no PLV 10/2026, que segue agora para sanção presidencial. Portanto, as parcelas flexíveis ainda não devem ser tratadas como uma condição já disponível nos bancos.
Como funciona o Move Brasil?
O Move Brasil disponibilizou até R$ 30 bilhões para financiar a compra de veículos novos por taxistas e motoristas de aplicativo. O objetivo é permitir a renovação dos carros usados para trabalho com juros inferiores aos encontrados normalmente no mercado.
Para participar, o profissional precisa primeiro atender aos critérios de elegibilidade do programa. Depois, deve procurar uma instituição financeira participante, que fará sua própria análise de crédito antes de aprovar ou recusar o empréstimo.
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