Lecar é suspensa de programa do governo por não comprovar investimentos


A marca brasileira Lecar, do empresário Flávio Figueiredo Assis, perdeu a licença necessária para participar do Programa Mover do governo federal. A suspensão foi anunciada no último dia 2 pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e justificada pela falta de apresentação da documentação técnica relacionada à comprovação de investimentos em pesquisa e desenvolvimento no país.
A sanção, válida retroativamente desde 1º de maio, suspende o acesso da fabricante aos benefícios fiscais e créditos financeiros oferecidos pelo programa para as empresas participantes. A habilitação só será restabelecida quando a montadora enviar a documentação pendente comprovando os investimentos exigidos pelo programa.
A Lecar foi criada em 2022, mas até hoje não conseguiu viabilizar o lançamento de seus carros. A previsão inicial era entregar os primeiros modelos em meados de 2026, mas os planos foram adiados. Os veículos ainda não estão prontos e sequer foram homologados. Fora isso, a marca ainda não conseguiu tirar do papel a fábrica que promete construir em Sooretama (ES) para concentrar toda a produção.
Mocape do Lecar 459 no Salão do Automóvel de 2025
Renato Durães/Autoesporte
O plano é erguer um complexo com capacidade para produzir 120 mil carros por ano e gerar 1.300 empregos. A unidade ocupará 90 mil m² de área construída em um terreno de 420 mil m². No entanto, ainda não há investimento confirmado ou licenças emitidas e, dessa forma, as obras nem começaram.
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Além da Lecar, outras empresas também tiveram suas habilitações suspensas pelos mesmos motivos (falta de documentação técnica para comprovar investimentos). São elas: Cummins Filtros, Simoldes, Nione e 3Sat Tecnologia.
Fábrica Lecar por enquanto só existe no projeto
Divulgação
Lecar 459 pronto para testes
A Lecar terá portfólio composto por dois modelos, o cupê 459 e a picape pequena Campo, mas ambos só existem como mock-ups (simulação visual de um projeto). Durante o Salão do Automóvel, no ano passado, a caminhonete foi apresentada ao público na forma de um protótipo com peças feitas de isopor.
Lecar 459 ganha modificações na promessa de iniciar testes de rua
Divulgação/Lecar
Agora, a marca promete iniciar os testes de rua e acaba de apresentar uma versão mais avançada do 459. O modelo tem carroceria pintada em azul-claro metálico, maçanetas diferentes do conceito e rodas aparentemente definitivas, mas não tem vidros, bancos ou motorização – itens que serão instalados posteriormente, segundo o fundador da marca, Flávio Figueiredo Assis.
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O conjunto prometido é híbrido flex composto por motor 1.0 turbo da Horse (o mesmo usado por Kardian e Kicks) associado a um powertrain eletrificado. A unidade a combustão, vale lembrar, funcionará apenas como gerador de energia e não tracionará diretamente as rodas. Este papel será desempenhado pelo motor elétrico de 163 cv de potência e 26,3 kgfm de torque.
Lecar Campo promete conjunot híbrido flex com 1.000 km de autonomia
Divulgação
Polêmica com vendas
No último mês de abril, a Lecar foi acusada de praticar pirâmide financeira por comercializar veículos dentro da modalidade “Compra Programada” sem autorização. Tanto o 459 quanto a Campo eram ofertados, mesmo sem sequer estarem prontos. O valor, à época, era de R$ 159.300 e o contrato previa pagamento feito por meio de boletos emitidos pela própria Lecar. Na prática, não chegava a ser um financiamento de fato.
O contrato era oferecido pela marca como “condição especial de lançamento” e posteriormente foi encerrado no site. Hoje, a página diz apenas que “novas condições serão anunciadas até o final de junho”.
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