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Governo autoriza início de testes de gasolina com 35% de etanol no Brasil

18/09/2026
Governo autoriza início de testes de gasolina com 35% de etanol no Brasil


O Ministério de Minas e Energia formalizou o plano de testes para uma nova mistura da gasolina, que terá início a partir da próxima semana, com a publicação de uma portaria no Diário Oficial da União (DOU). O combustível fóssil avaliado terá 35% de etanol anidro na composição, contra os atuais 32% adotados na gasolina distribuída desde agosto de 2026. O projeto faz parte da Lei do Combustível do Futuro (14.993/24), que visa reduzir da emissão de gases poluentes e deixar a gasolina nacional menos vulnerável à flutuação internacional do preço do petróleo.
Embora o cronograma de testes esteja definido, cabe ao Conselho Nacional de Pesquisa Energética (CNPE) a aprovação da nova mistura que criaria a chamada gasolina E35. A adoção do combustível com 32% de etanol não foi bem aceita por fabricantes e importadoras de automóveis no Brasil. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a pedir a suspensão de sua distribuição. No entanto, a gasolina E32 circula no país desde o dia 1° de agosto.
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Fernando Frazão (Agência Brasil)
Donos de carros flex podem notar aumento do consumo, tendo em vista que o poder calorífico do etanol, agora mais presente na gasolina, é menor. É o que dizem Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), e Clayton Barcelos Zabeu, professor e pesquisador na área de Propulsão Automotiva no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).
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Poder calorífico representa a quantidade de energia que um combustível fornece quando queimado completamente: o derivado da cana-de-açúcar equivale a 70% do valor da gasolina a cada litro consumido. Por isso, o consumo dos carros flex vai inevitavelmente aumentar com a adição de etanol à mistura.
“Os motores modernos têm recursos eletrônicos que operam com uma taxa de compressão intermediária para funcionar com etanol e gasolina ao mesmo tempo. Ao detectar um combustível de maior octanagem, o sistema [de gerenciamento eletrônico] poderá se ajustar automaticamente e fazer com que o motor funcione a uma taxa de compressão mais favorável”, explica Gonçalves.
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Gabriel Estevam Domingos, engenheiro e diretor de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Ambipar, empresa que atua no setor de gestão ambiental e desenvolvimento, destaca a importância dos testes antes da adoção da nova mistura.
“Esse é um universo técnico que precisa muito se testar, principalmente com relação ao desgaste dos componentes do motor, como a correia e alguns materiais em que há mudança de pH, para saber como isso vai se comportar. Em um ponto de vista de durabilidade do motor, principalmente os motores antigos”, diz o especialista.
Carros antigos são mais vulneráveis ao aumento do percentual de etanol na gasolina
Murilo Góes/Autoesporte
Os especialistas consultados por Autoesporte concordam que a situação é mais delicada para os carros antigos. “Alguns carros antigos não estão preparados para este teor de etanol. Podem acontecer ataques a materiais e corrosões de borrachas e elastômeros”, aponta Rogério Gonçalves, da AEA. “Além disso, há suspeitas de que certos carros podem falhar por intervenção dos próprios sensores, que não reconhecem o combustível”.
O especialista lembrou que muitos veículos antigos foram calibrados para rodar com 22% de etanol na mistura da gasolina. Elevar a proporção a 35% vai exigir cautela, até mesmo sobre emissões. “A solução seria disponibilizar aos donos de carros antigos um combustível com mais gasolina na mistura”, analisou Gonçalves. “O problema é que a gasolina premium é mais cara”.
Por muitos anos, a gasolina comum brasileira teve 22% de teor de etanol. Essa mistura subiu para 27,5% em 2015 e permaneceu assim por dez anos. Em agosto de 2025, chegou aos 30%. Agora, menos de um ano depois, veio a decisão de elevar para 32%.
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