Ford Corcel foi carro inovador que deu origem a Del Rey, Belina e Pampa


O ano é 1967. A Ford conclui a compra da Willys Overland do Brasil após descobrir que a conterrânea estava desenvolvendo um pequeno sedã baseado na plataforma do Renault 12 para substituir o Gordini.
Até então, a Ford era uma fabricante de caminhões e picapes, mas tinha interesse de entrar no segmento dos veículos familiares. Ali, nas pranchetas da Willys Overland, estava o carro que, anos depois, seria seu maior sucesso comercial. Foi batizado de Corcel, seguindo a tendência equina apresentada pelo Mustang em 1964.
O Corcel tinha porte compacto, faróis redondos e motor econômico. Foi eleito o Carro do Ano por Autoesporte em 1969 e 1973 — mas a segunda metade daquela década foi pujante, e a Ford precisou se mexer para não perder para concorrentes como Fiat 147, Chevrolet Chevette e Volkswagen Variant II. Eis que, em 1977, nasceu o Ford Corcel II, feito sobre a mesma plataforma de seu antecessor.
Pintura em dois tons com faixas coloridas era exclusiva da versão GT
Renato Durães/Autoesporte
Para este reencontro no especial de clássicos, escolhemos o Corcel II GT de 1978, com o capô preto e faixas coloridas. Era a versão mais arrojada, pois tinha a importante tarefa de disputar com o Volkswagen Passat TS. O modelo das imagens pertence ao colecionador Paul Gregson, que, apesar de idealizar o canal Universo Maverick, é apreciador também da história do sedã.
Confesso que, ao dirigir esse modelo de quase 50 anos, apanhei do câmbio de quatro marchas. Ele faz a distribuição da força do motor 1.4 aspirado de quatro cilindros, com 72 cv e 11,5 kgfm, ao eixo dianteiro. Os engates são longos — e acoplar a 3ª marcha exige fazer o mesmo movimento da 5ª num câmbio atual.
Volante esportivo e bancos de vinil davam toque exclusivo ao Ford Corcel GT
Renato Durães/Autoesporte
O volante de três raios, igual ao do Maverick, era um mimo dessa versão GT que não se fazia presente nas demais. Mesmo ostentando metade de um século, o Corcel me surpreendeu com a ergonomia, pois o banco sustenta bem o corpo do motorista.
Mesmo produzido há quase 50 anos, tem bancos ergonômicos; volante vinha do Maverick
Renato Durães/Autoesporte
O rádio AM com toca-fitas traz o charme daqueles tempos. Outras fitas, essas coloridas, na pintura, percorrem toda a carroceria e deixam o visual incrementado. As rodas de aço ajudam na boa composição desse estilo. Outro fato marcante é que o Corcel deu origem a modelos como Del Rey, Belina e Pampa, que impactaram suas épocas.
Motor 1.4 do Ford Corcel GT 1978 rendia 72 cv e pouco mais de 11 kgfm de torque
Renato Durães/Autoesporte
Quanto à mecânica, seu motor 1.4 a gasolina faz bastante barulho, o que fica ainda mais proeminente quando o quebra-vento está aberto (o Corcel só recebeu ar-condicionado anos depois). Tal característica mudou com a adoção do 1.6 CHT, que também equipou o Escort e até o Del Rey, sua versão “de luxo”.
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A cabine era apertada em razão dos 2,44 metros de distância entre-eixos, mas quem abrir o porta-malas vai se espantar com os 380 litros de capacidade disponíveis, mesmo com o estepe posicionado na lateral. Para a época, tratava-se de um excelente resultado, superando o volume do Passat TS em 18 litros.
Atrás, espaço no Ford Corcel não era amplo por causa do entre-eixos de 2,44 m
Renato Durães/Autoesporte
Mesmo com uma plataforma de origem Renault da década de 1960 (apesar da atualização em 1977, já se mostrava obsoleta), a produção do Corcel II durou até 1986. Saiu de linha para dar lugar ao Verona, lançado dois anos depois, mas este não repetiu o êxito. A Ford só teria outro sedã de sucesso com a chegada do Fiesta, já nos anos 2000.
Rodas aro 13 com emblema GT eram charme do Corcel 1978
Renato Durães/Autoesporte
Ford Corcel GT 1978
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