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DFM: nova marca chinesa aprendeu a fazer carros com Honda, Nissan e Peugeot

07/09/2026
DFM: nova marca chinesa aprendeu a fazer carros com Honda, Nissan e Peugeot


Embalada pelo sucesso das conterrâneas já estabelecidas no Brasil, chinesa a DFM — sigla mais “pronunciável” para Dongfeng Motor — desembarca no país com metas ousadas. A marca pretende vender ao menos 11 carros no Brasil até o final de 2028, além de oferecer uma linha de veículos comerciais. Paralelamente, a DFM negocia com Stellantis e Nissan para ter pelo menos uma fábrica no país.
Fechar parcerias internacionais sempre foi um dos principais recursos de expansão para a Dongfeng. A empresa, fundada em 1955 como uma fábrica de caminhões de guerra e veículos militares, já produziu carros para Peugeot, Citroën, Honda, Nissan por meio de joint ventures. Hoje, a DFM é uma das principais empresas estatais do setor automotivo chinês.
A história da DFM
A Dongfeng Motor é uma das marcas de carro mais antigas da Ásia. Tudo começou quando a China apoiou a Coreia do Norte durante o conflito envolvendo a Coreia do Sul na década de 1950. Um dos acordos entre os países previa o fornecimento de caminhões e outros veículos militares, que eram produzidos em uma fábrica localizada na cidade de Wuhan.
Citroën Fukang foi o primeiro automóvel produzido pela Dongfeng, em 1992
Divulgação
A Dongfeng seguiu produzindo caminhões e veículos utilitários nas décadas seguintes. Com o avanço do tempo e o desenvolvimento econômico chinês o propósito mudou, tornando-se menos militar e mais civil. Em 1992, a marca fechou uma joint venture com a antiga PSA Peugeot Citroën para desenvolver seus primeiros automóveis na China.
Naquele mesmo ano, as empresas criaram a Citroën Fukang, uma “submarca” que utilizava a base do hatch francês Citroën ZX com outro nome. Era a primeira investida da Dongfeng fora do segmento dos veículos comerciais, embora estes representassem parte esmagadora das vendas internas.
O governo chinês permite que suas empresas estatais estabeleçam mais de uma joint venture com montadoras estrangeiras. Foi o caso da Saic, que fechou parcerias com a Volkswagen e a General Motors, e até da recém-chegada Baic, que criou a Beijing Hyundai. Em 2003, a Dongfeng anunciou três parcerias de uma só vez, com Honda, Nissan e Kia.
Dongfeng-Honda LingXi L é o “Civic chinês” produzido pela marca em parceria com a montadora japonesa
Reprodução
A lógica de produção se manteve: as empresas estrangeiras cediam suas plataformas e expertise e a Dongfeng ficava responsável pela produção e distribuição na China. Graças às parcerias internacionais, os automóveis passaram a ter maior representatividade nos emplacamentos da marca, passando de 25% para 75% do mix de vendas entre 2003 e 2012.
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Somando todas as joint ventures, a Dongfeng se tornou a segunda maior montadora chinesa em 2012, ficando atrás da Saic. Naquela década, a marca começou a desenvolver seus próprios carros mirando os incentivos oferecidos pelo governo chinês.
Mas as parcerias nunca deixaram de ser um ponto fundamental no desenvolvimento da empresa. A Dongfeng ajudou a desenvolver a plataforma e-CPM da Peugeot, utilizada nas versões elétricas do hatch 208. Em 2025, a Nissan começou a testar o sedã elétrico N7 e a picape híbrida Fronter PHEV no Brasil — ambos são produzidos pela marca chinesa.
Nissan N7 foi desenvolvido pela Dongfeng para o mercado chinês
Cauê Lira/Autoesporte
A operação brasileira da DFM, contudo, será 100% baseada em veículos de desenvolvimento próprio, como Box e Vigo. Veja abaixo:
Os planos da DFM para o Brasil
DFM Voyah Courage é SUV médio elétrico com até 312 cv
André Paixão/Autoesporte
Autoesporte já detalhou os novos modelos Box e Vigo em artigos específicos. Agora, em conversa com Wang Jiong, CEO da DFM para as Américas, descobrimos mais alguns planos da marca, que é uma das mais antigas da China, com quase 60 anos de história. Em 2027, serão lançados de três a cinco novos modelos, iniciando também a operação de outras duas submarcas da DFM, Voyah e MHero.
O primeiro Voyah a chegar ao Brasil é o Courage. Ao todo, mede 4,72 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,63 m de altura e 2,90 m de entre-eixos. O peso em ordem de marcha varia de 2.099 kg a 2.227 kg. Mecanicamente, é equipado apenas com motores elétricos. Há versões com 292 cv ou 312 cv e baterias de até 109 kWh para uma autonomia de 901 km no padrão CLTC.
O Courage tem alcance global e, além da China, é vendido em outros mercados da Ásia e até na Europa. A identidade visual é moderna, assim como toda a linha Voyah, e o design é assinado pelo renomado estúdio italiano ItalDesign.
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Já o MHero 2 será o primeiro jipão da submarca voltada em modelos off-road. A divisão foi criada em 2022 com foco no mercado de utilitários esportivos de luxo com visual robusto e estilo militar. É conhecida como “Hummer chinesa” e está passando por um processo de expansão global.
MHero 2, também chamado de M817, impressiona pelo comprimento de 5,10 metros
Divulgação
O MHero 2 (também chamado de M817) foi lançado em 2025 e conta com 5,10 metros de comprimento, 1,99 m de largura, 1,89 m de altura e 3,05 m de entre-eixos. Na China, o SUV está disponível tanto em versão híbrida plug-in (PHEV) quanto em variante híbrida em série (REEV). A potência pode ser de 686 cv ou 925 cv.
DFM Mage tem 4,65 metros de comprimento e visual arrojado
Divulgação
Além deles, o DFM Mage inicia em breve o processo de homologação no Brasil. Vendido no exterior como Aeolus Haohan, o modelo possui 4,65 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,63 m de altura e 2,77 m de entre-eixos. A plataforma DSMA é a mesma de outros SUVs da empresa, assim como o conjunto híbrido PHEV. No exterior, há ainda versões com sistema híbrido pleno (HEV), que não precisa de recarga externa.
DFM Mage tem versões MHEV e HEV, dependendo do mercado
Divulgação
O visual do Mage é tão arrojado quanto o do Huge (falaremos logo abaixo), porém com uma dose extra de ousadia. Há maçanetas escamoteáveis, faróis estreitos e pontiagudos, e para-choque com estilo esportivo. Na cabine, destaque para a central multimídia em posição vertical e o console central elevado, conferindo modernidade ao painel.
MHero 1, em outros mercados conhecido como M917, tem jeitão de jipe militar
Divulgação
Devem completar a lista o MHero 1 e possivelmente o DFM Huge. O primeiro, também chamado de M917, tem linguagem de design com forte inspiração militar. É vendido em versões elétrica e REEV (híbrido em série), entregando mais de 1.000 cv de potência e 505 km de autonomia. Possui 4,98 metros de comprimento, 2,08 m de largura, 1,93 m de altura e 2,95 m de entre-eixos.
DFM Huge é SUV de porte médio com motorização híbrida plug-in (PHEV)
Divulgação
Já o Huge, vendido em alguns mercados sob a bandeira da submarca Aeolus, é um SUV médio equipado com motorização híbrida plug-in (PHEV). Ao todo, mede 4,72 metros de comprimento, 1,91 m de largura, 1,70 m de altura e 2,82 m de entre-eixos. Sob o capô, combina um motor 1.5 turbo a gasolina com uma máquina elétrica, totalizando 245 cv de potência e 55 kgfm de torque.
DFM Huge também será lançado no Brasil
Divulgação
Os demais modelos apresentados pela DFM virão até o final de 2028. É no mesmo ano que a DFM planeja ter produção plena no Brasil. Atualmente, a marca negocia com Nissan e Stellantis para uma parceria nas fábricas de Resende (RJ) e Porto Real (RJ), respectivamente. Vale lembrar que os chineses já são parceiros globais das duas gigantes da indústria.
A DFM também negocia comprar a fábrica de motores da Fiat em Campo Largo (PR), conforme Autoesporte antecipou.
DFM Vigo será o primeiro SUV da marca no Brasil
Leonardo Felix/Autoesporte
Veículos comerciais
Durante a apresentação, a DFM também anunciou que terá uma divisão de veículos comerciais no Brasil, também com a marca DFM. A Dongfeng é uma das maiores fabricantes de modelos do tipo na China. Porém, os planos para o Brasil ainda estão em desenvolvimento, e não devem sair do papel antes de 2028.
“O segmento de veículos comerciais é muito disputado e difícil. Estamos nos preparando para entrar nele, mas não a curto prazo”, afirmou Jiong.
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