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Chevrolet vive crise com a rede após forte queda nas vendas em 7 anos

10/09/2026
Chevrolet vive crise com a rede após forte queda nas vendas em 7 anos


O momento vivido pela Chevrolet no Brasil não é dos melhores. Há poucos anos, em 2019, a marca foi líder isolada de mercado. Naquele ano, o Onix, sucesso incontestável, vendeu mais que o dobro do segundo colocado, Ford Ka. Hoje, a marca do grupo GM ocupa a terceira colocação e recentemente deu incentivos à rede para segurar o lugar no pódio.
Aliás, as concessionárias Chevrolet têm demonstrado insatisfação com a condução dos negócios por aqui. Em uma pesquisa recente da Fenabrave (a associação nacional das concessionárias), a rede Chevrolet foi a que recebeu a pior resposta para a pergunta: “Os produtos da minha montadora são o que o cliente quer”. A rede também parece descontente em questões relacionadas à remuneração recebida pela venda de veículos e na percepção de valorização futura da marca, com índice abaixo da média de cada questionamento.
O desgaste da Chevrolet com a rede não é de hoje. Do nem tão distante ano de 2019 até agora, a marca enfrentou crises, como a falta de abastecimento de semicondutores durante a pandemia, fazendo o Onix perder a liderança de mercado para a Fiat Strada (nunca recuperada), a má fama da correia banhada a óleo dos motores de três cilindros, e, mais recentemente, a invasão de marcas chinesas no Brasil.
Para ilustrar o cenário, vamos aos números. De 2019 para 2025, a marca viu as vendas caírem 41,2%, saindo de 475.684 entregas anuais, volume que lhe garantiu a liderança do mercado, para 275.965 carros vendidos em 2025, ocupando a terceira posição do ranking por marca.
Correia banhada a óleo ajudou a derrubar vendas do Onix no Brasil
Renato Durães/Autoesporte
A distância da Chevrolet para Fiat e Volkswagen, as duas primeiras marcas do ranking, tem crescido, e os norte-americanos já podem ver a BYD pelo retrovisor. Em agosto de 2026, foram 3 mil carros acima dos chineses, mas quase 14 mil abaixo dos alemães.
Em participação, a marca caiu de 17,8% em 2019 para 10,8% em 2025. Ao mesmo tempo, Fiat e Volkswagen avançaram com força, sendo que a primeira foi a líder de vendas no ano passado, com 20,9% de market share, enquanto a segunda ficou com 17,1%.
Vale ressaltar que o tombo nas vendas aconteceu em um mercado que quase não mudou de tamanho. As vendas de automóveis e comerciais leves em 2019 foram de 2.658.923 unidades, contra 2.549.462 emplacamentos em 2025.
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Se o mercado está estável, mas as vendas caem, é a rede que sofre. No caso da Chevrolet, são mais de 550 lojas, formando uma das maiores malhas de concessionárias do Brasil, ao lado de Fiat e da Volkswagen.
“O negócio mudou totalmente. Hoje em dia, não cabem mais 500 e poucas lojas Chevrolet no Brasil com 10% do mercado. A conta não fecha. E essa participação ainda inclui as vendas diretas. A rede sabe disso, está vendo o que está acontecendo com a marca no Brasil”, disse uma das fontes ouvidas pela Autoesporte em condição de anonimato.
Outros lojistas ouvidos pela reportagem afirmaram que têm sofrido para vender carros no varejo. Na chamada região 1 da rede Chevrolet, que envolve São Paulo, ABC Paulista e Baixada Santista, há lojas que registraram vendas mensais inferiores a dez unidades para pessoas físicas. O resto do volume é destinado para empresas.
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Eis outros números. Dos 197 mil carros vendidos pela Chevrolet em 2026, cerca de 110 mil foram na modalidade de vendas diretas (56,4%). Para o varejo, sobram cerca de 87 mil, média de quase 20 carros mensais por loja. Ou seja, cada uma das cerca de 550 concessionárias fecha menos de um negócio por dia para pessoas físicas.
Nem mesmo o Sonic, maior lançamento da Chevrolet em 2026, tem feito as vendas decolarem. Nos últimos meses, o SUV de entrada ficou abaixo dos 3 mil emplacamentos mensais, abaixo, por exemplo, do Nissan Kait, também recém-lançado, e muito distante de Fiat Pulse e Volkswagen Tera, líderes do segmento.
Chevrolet Sonic Premier tem vendido menos que rivais diretos
Renato Durães/Autoesporte
O que vem por aí?
Lojistas ouvidos por Autoesporte acreditam que a solução é reduzir o tamanho da rede.
“O porte da rede é muito grande para o cenário atual. Algumas lojas precisam fechar as portas, não tem o que fazer. Porém, a fabricante ainda não sinalizou que fará essa redução dos pontos de venda. Ela quer que tudo se resolva internamente, com alguns grupos de concessionários saindo do negócio e passando o ponto para outros que já são da rede, mas ninguém quer adicionar mais lojas ao seu negócio”.
Com o entrave, a expectativa dos concessionários é que a Chevrolet se sente com seus revendedores para negociar o futuro. A espera é por uma proposta de indenização para o fechamento do ponto de venda. A partir daí, quem quiser sair do negócio, poderá tomar a decisão. O movimento é parecido com o que a Ford fez quando decidiu encerrar a sua produção no Brasil e sair dos segmentos de entrada. Meses após a movimentação, a Ford voltou à rentabilidade com modelos importados.
No caso da Chevrolet, alguns grupos de lojas têm aderido à marcas chinesas e dividido alguns pontos de venda. A paulistana Carrera, por exemplo, abriu pontos da GWM e da Omoda Jaecoo ao lado de onde eram lojas exclusivas da Chevrolet.
Concessionária Chevrolet ao lado de uma GWM em São Paulo
Reprodução
Chinesas também são ameaça cada vez maior
Falando nas chinesas, em agosto a Chevrolet quase perdeu o terceiro lugar do ranking para a BYD. Com a aproximação do fechamento do mês, a Chevrolet emplacou quase 5 mil carros em dois dias ao oferecer incentivos e bônus aos vendedores. Foi o que garantiu a manutenção da vantagem sobre a concorrente asiática. A informação foi confirmada pela Autoesporte, que teve acesso ao comunicado enviado para toda a rede, informando sobre os incentivos para acelerar as vendas no fechamento do mês.
A resposta da GM pode estar na própria China, onde é parceira da Saic, e inclusive acabou de renovar a parceria com a empresa. Dessa forma, tem acesso a produtos chineses que podem chegar ao Brasil. Atualmente, já é assim com Spark e Captiva EV.
Chevrolet Joy, vendido na China como Wuling Bingo Pro, chegará ao Brasil em 2027
Divulgação
Outros modelos a partir dessa parceria também chegarão em breve ao mercado nacional. É o caso do Captiva PHEV, além de hatch elétrico compacto que deve se chamar Joy EV. Além deles, também está na mira um sedã multienergia que está em desenvolvimento e poderá desembarcar por aqui em versões elétricas e híbridas plug-in.
Saída alternativa pode ser transformar parte da rede Chevrolet em Buick. Autoesporte apurou que, em viagem recente à China, concessionários tiveram a confirmação de que a marca premium chegaria por aqui. Mas isso não deve acontecer antes de 2028, dando à rede Chevrolet mais algum tempo para lutar por melhores dias e melhores vendas.
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Fonte: Read More 

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