Chevrolet Kadett GS marcou a era de ouro da General Motors no Brasil


Opala, Omega, Monza, Vectra, Astra e Corsa. O que esses carros que marcaram a chamada “era de ouro” da General Motors no Brasil têm em comum? Muitos relacionam o sucesso deles à sinergia da Chevrolet brasileira com a Opel, fabricante alemã que fez parte da GM até 2017, quando foi vendida para a Peugeot-Citroën. Eis outro símbolo nostálgico desse período: o Kadett GS.
Projeto europeu, o Kadett começou a ser produzido no Brasil em 1989, já em sua sexta geração global, para fazer a ponte entre o Chevette e o Monza. Embora fosse um carro novo para os brasileiros, sua história na Europa começou em 1936. Então, daqui a dez anos, o Kadett se tornará um veículo centenário.
Chevrolet Kadett GS foi ícone de design do final dos anos 80
Renato Durães/Autoesporte
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Em relação a seus principais rivais, Gol e Escort, o Kadett tinha o projeto mais moderno. O Volkswagen datava de 1980 e o Escort havia sido lançado em 1983. Isso atraiu principalmente os motoristas mais jovens, que não tinham dinheiro para adquiri-lo à época e realizaram seu sonho de infância na vida adulta. A carroceria em formato que mesclava estilos hatch e cupê era superarrojada e inédita no segmento.
As rodas no estilo “ralo” do Chevrolet Kadett GS 1990 ficaram marcadas na história dos esportivos nacionais
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A versão que testamos para este especial de clássicos, a GS, ano/modelo 1990, era uma das mais aspiracionais. Tinha motor 2.0 Família 2 de quatro cilindros a álcool, carburado, que rendia 110 cv e 16,2 kgfm, e câmbio manual de cinco marchas com engates curtos. A embreagem exigia preparo da perna esquerda.
Chevrolet Kadett GS 1990 era muito completo. Tinha até computador de bordo e regulagem de altura para o volante
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O Kadett GS perdia em status somente para o desejado GSI, que surgiu em 1991 e teve até uma configuração conversível para concorrer com o Ford Escort XR3 — trazido na edição passada de Autoesporte. No caso do Kadett GSI, o motor recebeu injeção eletrônica multiponto e dispensou o carburador. A potência subiu para honestos 121 cv com gasolina.
Quem no se lembra dos belíssimos bancos Recaro do Chevrolet Kadett GS 1990
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De fato, o Kadett era um carro mais avançado e ergonômico que os concorrentes. Uma cortesia da versão GS era a suspensão com regulagem a ar, que deveria ser usada exclusivamente com o veículo cheio — de pessoas e/ou carga. O bico para encher o cilindro que elevava o vão livre em relação ao solo ficava no porta-malas. Na cabine, tanto o volante de três raios quanto os bancos dianteiros Recaro tinham ajustes de altura (sim, até o do passageiro, algo extraordinário para a época).
Painel de instrumentos era bonito e muito mais completo. A partir da linha GSi, passou a ser digital
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Outra característica única do modelo eram os vários sensores eletrônicos que monitoravam níveis de óleo, fluido de freio, água do radiador e até do reservatório do esguicho. Em tempos menos informatizados, o carro já oferecia computador de bordo com cálculo de autonomia e consumo instantâneo.
Revestimento listrado dos famosos bancos Recaro mudou ao longo dos anos
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Entre os problemas crônicos, o Kadett sofria com o acúmulo de água na região das portas e também com a fragilidade da parede corta-fogo. O dono da unidade (apelidada de “Bia” por causa da placa) emprestada à nossa reportagem, por exemplo, teve de substituí-la por inteiro, pois o revestimento estava completamente podre.
Motor 2.0 a etanol tinha 110 cv. Sua versão a gasolina entregava 99 cv
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É uma pena que a chamada “era Opel” tenha acabado de forma melancólica. O último GM com engenharia alemã foi o Classic, de 2016, baseado no antiquado Corsa Sedan dos anos 1990. Hoje, a Opel pertence à Stellantis e seus carros usam a plataforma de modelos da Peugeot.
Já o Chevrolet Kadett segue como um símbolo daquele período dourado. Fica nosso agradecimento ao Kadett Clube do Brasil (@kadettclubedobrasil) por proporcionar esse encontro.
Chevrolet Kadett GS 1990
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