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Brasil tem capacidade de produzir carros mais tecnológicos e conectados?

02/10/2026
Brasil tem capacidade de produzir carros mais tecnológicos e conectados?


O Summit Futuro da Mobilidade 2026, uma parceria de Autoesporte com o Valor Econômico, teve como painel de encerramento em sua terceira edição, realizada nesta semana em São Paulo (SP), o tema “As novas tecnologias que vão ajudar a melhorar a produtividade, o desenvolvimento a qualidade e o mercado de veículos brasileiros”.
O debate reuniu os seguintes executivos do setor: Diego Fernandes, COO da GWM; Gustavo Schmidt, CCO da GAC Brasil; Marcus Vinicius Aguiar, primeiro vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA); e Mauro Correia, CEO da HPE Brasil, representante de Mitsubishi e Suzuki. A mediação foi e Marli Olmos, repórter especial do Valor Econômico.
Painel de encerramento Summit Futuro da Mobilidade 2026 teve Diego Fernandes, da GWM, Gustavo Schmidt, da GAC, Marcus Aguiar, da Anfavea, e Mauro Correia, da HPE
Ícaro Cerqueira/RN Imagens
Em um cenário no qual o crescimento exponencial da eletrificação e o desenvolvimento acelerado de novas tecnologias de conectividade e segurança estão transformando os veículos e as demandas do consumidor, manter um polo industrial forte, competitivo e atualizado do ponto de vista tecnológico é um dos maiores desafios de quem produz carros no Brasil.
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Com a chegada de novas marcas asiáticas, especialmente chinesas, o processo se acelerou ainda mais. Entretanto, todos os executivos que participaram do painel destacam que há espaço para adaptação e desenvolvimento local. Diego Fernandes, da GWM, enfatizou que a transformação precisa envolver toda a cadeia, desde as montadoras até o parque fornecedor de componentes.
“É difícil dizer que estamos preparados [para produzir esta nova geração de carros mais tecnológicos]. As marcas asiáticas têm um parque de produção muito mais moderno. Ainda assim, acredito que toda a cadeia precisa aplicar mais tecnologia. Tivemos dificuldade de encontrar fornecedores com tecnologias que se aplicassem aos nossos produtos [GWM]. Estamos em um caminho, mas o esforço não pode ser apenas da montadora, deve ser conjunto [com governos e fornecedores]”, reforçou.
Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP)
Divulgação/GWM
Gustavo Schmidt, da GAC, vê no mercado brasileiro condições para essa evolução. “O Brasil tem um mercado que dá condições para desenvolvimento. Tenho certeza que a indústria vai se organizar para trazer o que tem de bom vindo da Ásia e adaptar ao mercado brasileiro.” Segundo o CCO da operação brasileira da marca, a capacidade produtiva disponível também pode favorecer esse movimento.
A própria GAC está se beneficiando disso ao fechar uma parceria com a HPE para começar a montar veículos no Brasil a partir do final deste ano.
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Para Marcus Vinicius Aguiar, da Anfavea, a indústria terá de avançar em áreas como biocombustíveis, conectividade e digitalização. “Para competir com a China, teremos que investir em biocombustíveis, na própria conectividade e digitalização. As montadoras estão correndo o mais rápido possível para se adaptar ao que está acontecendo. A Indústria 4.0 já é uma realidade brasileira”, enfatizou
Para Aguiar, porém, o desenvolvimento da estrutura industrial e dos fornecedores ainda é um dos principais gargalos. “O carro asiático usa compostos metálicos com mais liga de magnésio; tem um assoalho traseiro formado por apenas uma ou duas chapas, muita mais leves e rígidas, usando prensas de estamparia muito mais modernas; tem muito menos pontos de solta, pois trabalha mais com colagem. E, assim, fica um carro muito mais leve e rígido. A indústria brasileira e nosso parque fornecedor precisa se adaptar a tudo isso”, apontou.
Painel de encerramento Summit Futuro da Mobilidade 2026
Ícaro Cerqueira/RN Imagens
Mauro Correia, CEO da HPE do Brasil, empresa nacional que representa as marcas Mitsubishi e Suzuki, destacou a força da cadeia nacional e acredita que a troca de tecnologias entre empresas brasileiras e estrangeiras, como as da China, serão muito importantes para impulsionar o desenvolvimento de uma nova era da indústria automotiva nacional.
“Acho que a indústria brasileira tem uma base de suprimentos muito forte. Somos flexíveis e sabemos como nos acomodar. Não estamos 100% preparados [para a produção local de novas tecnologias], mas ela sempre vem. O desenvolvimento surge junto à demanda da população”, afirmou.
Segundo Correia, um exemplo dessa troca ocorre quando montadoras estrangeiras buscam tecnologias brasileiras, como os motores flex. Por fim, Correia apontou que a parceria industrial entre a chinesa GAC e a brasileira HPE, responsável pela Mitsubishi no Brasil já tem uma data para dar frutos. Os primeiros veículos da GAC começarão a ser produzidos em Catalão (GO) entre o final de 2026 e o início de 2027.
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No fim, os painelistas foram questionados sobre o que é preciso para uma marca de carros se manter forte e relevante no Brasil diante da chegada de tantas novas fabricantes ao mesmo tempo, e um consequente aumento da concorrência. As respostas foram diferentes e, ao mesmo tempo, muito complementares.
Para Gustavo Schmidt, da GAC, o principal diferencial estará na oferta tecnológica. “Quem souber entregar as tecnologias e a conectividade que o consumidor está pedindo vai se destacar”, definiu. Diego Fernandes, da GWM, apontou para a eletrificação. “É preciso saber equilibrar o portfólio com produtos elétricos, híbridos e a combustão”, acredita. Por fim, Mauro Correia, da HPE, comentou sobre a necessidade de reforçar o DNA da marca. “Saber quem é seu cliente e qual a finalidade daquele produto que você está oferecendo para ele é”, resumiu.
*O Summit Futuro da Mobilidade 2026 teve patrocínio de BYD, GAC e Ford.
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Fonte: Read More 

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