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Estepe: conheça os diferentes tipos e os prós e contras de cada

18/09/2026
Estepe: conheça os diferentes tipos e os prós e contras de cada


O estepe mudou bastante nos carros novos. Além da tradicional quinta roda, hoje existem sobressalentes temporários bem mais estreitos, pneus run-flat e kits de reparo. Há até automóveis que saem legalmente de fábrica sem qualquer roda reserva.
Mas a escolha não depende apenas da vontade da montadora de economizar peso ou ganhar espaço no porta-malas. O estepe ou a solução que o substitui precisa estar de acordo com as normas aplicáveis ao veículo. E, no caso dos conjuntos temporários, existem limitações importantes que o motorista deve conhecer.
Estepe convencional
O estepe convencional, também chamado de quinta roda, está cada vez mais raro no mercado brasileiro
Divulgação
É a solução mais tradicional. O estepe convencional utiliza roda e pneu que permitem substituir a unidade avariada sem as mesmas restrições de um conjunto temporário. Entre os zero-km, aparece principalmente em picapes e veículos destinados a usos mais severos, como Toyota SW4, Ford Ranger e Volkswagen Saveiro, embora a medida do sobressalente possa variar conforme a versão.
A vantagem é oferecer maior autonomia depois de um pneu furado, especialmente em viagens ou regiões sem assistência próxima. Em contrapartida, uma roda completa ocupa mais espaço e acrescenta peso. E “convencional” não significa necessariamente uma quinta roda idêntica às demais: o sobressalente pode ter roda de aço ou especificações diferentes das quatro rodas de uso normal.
Estepe temporário ou “estepe fino”
Estepe temporário tem sido o favorito das marcas de carro por conta do porte compacto
Divulgação
O estepe temporário é mais estreito, leve e compacto. Por isso, tornou-se comum em carros como Volkswagen T-Cross, Toyota Corolla Cross, Honda HR-V e Fiat Fastback. Sua função é exclusivamente emergencial: permitir que o motorista continue o deslocamento até conseguir reparar ou substituir o pneu original.
A Resolução Contran 913/2022 determina que a fabricante informe a velocidade máxima permitida para seu uso e que o manual oriente o reparo do conjunto original “com brevidade”. Não existe, portanto, uma quilometragem máxima universal determinada pela legislação. Valores como 50 km ou 100 km só devem ser considerados quando especificados pela fabricante.
Estepe temporário cabe no alçapão do porta-malas sem roubar muito espaço do compartimento
Divulgação
Já 80 km/h é um limite adotado por diversas montadoras. Toyota, Honda e Fiat, por exemplo, estabelecem essa velocidade máxima em aplicações de seus estepes temporários. No Corolla Cross, o sobressalente mede 155/70 R17, enquanto versões com rodas de 18 polegadas usam pneus 225/50 R18. A diferença ajuda a entender por que o carro não deve ser conduzido normalmente com o estepe instalado.
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A calibragem também merece atenção. Estepes compactos costumam trabalhar com pressão superior à dos demais pneus. No Honda HR-V, por exemplo, a especificação é de 60 psi (4,2 bar). O valor correto deve sempre ser consultado no manual, e a pressão precisa ser verificada periodicamente mesmo que o estepe nunca tenha sido usado.
Kit de troca de pneu deve acompanhar on estepe, seja ele temporário ou definitivo
André Paixão/Autoesporte
Não existe também uma regra geral determinando que o estepe fino tenha de ser instalado sempre na dianteira ou na traseira. O procedimento depende do veículo. Por isso, a recomendação é seguir o manual, dirigir com suavidade, evitar frenagens e mudanças bruscas de direção e reparar o pneu original o mais rápido possível.
A legislação ainda estabelece, como princípio, que o diâmetro externo do conjunto sobressalente seja igual ao das rodas de uso normal, mas admite diferenças quando a fabricante comprova que elas não comprometem dirigibilidade, capacidade de carga, tração e segurança. O carro também precisa ter espaço para transportar a roda avariada depois da troca.
Kit de reparo pode substituir o estepe?
Com a alta nas vendas de carros chineses, o kit de reparo emergencial se tornou comum no Brasil
Divulgação
Pode. Alguns carros dispensam a quinta roda e utilizam um kit de reparo, geralmente formado por compressor elétrico e selante. É uma solução encontrada em modelos como BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin Plus e BYD Song Pro DM-i, dependendo da configuração.
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O kit economiza peso e praticamente não ocupa espaço, mas tem capacidade limitada. Certos cortes, danos no flanco ou problemas na própria roda podem impedir o reparo, obrigando o motorista a recorrer à assistência. O selante também deve estar dentro do prazo de validade e o compressor precisa permanecer em condições de funcionamento.
E os pneus run-flat?
Pneu run-flat tem flancos reforçados que permitem que o veículo continue rodando
Divulgação
O run-flat possui construção que permite continuar rodando temporariamente mesmo depois da perda de pressão, normalmente graças a flancos reforçados que sustentam o peso do veículo. É encontrado principalmente em modelos premium, como BMW 320i e determinadas configurações das famílias BMW Série 3, Série 4 e MINI.
A vantagem é não precisar parar imediatamente para trocar uma roda em várias situações. Por outro lado, o pneu costuma ser mais caro e possui restrições. Velocidade e distância máximas depois da perda de pressão são determinadas pela fabricante. Portanto, run-flat também é uma solução emergencial, e não um pneu capaz de rodar indefinidamente vazio.
Todo carro é obrigado a ter estepe?
Não. A legislação brasileira admite que determinados veículos sejam comercializados sem uma roda sobressalente, desde que a configuração atenda às condições previstas pela regulamentação.
A Resolução Contran 993/2023 estabelece os equipamentos obrigatórios para veículos em circulação, enquanto a Resolução 913/2022 disciplina requisitos relacionados a rodas e pneus sobressalentes temporários e sistemas alternativos. Dependendo do projeto, pode haver dispensa do conjunto formado por roda e pneu sobressalentes, macaco e chave de roda.
É por isso que um carro novo vendido originalmente com kit de reparo ou outra solução prevista em sua configuração não está irregular simplesmente por não ter estepe.
O que a homologação tem a ver com isso?
BYD Dolphin não tem estepe, mas alguns proprietários aderiram a uma “gambiarra” para colocá-lo na parte de fora do hatch
Renato Durães/Autoesporte
Antes de um veículo novo ser registrado e licenciado, fabricante ou importador precisa comprovar o atendimento aos requisitos aplicáveis de identificação e segurança. O procedimento para homologação e emissão do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT) é disciplinado pela Portaria Senatran 990/2022.
Donos de BYD Dolphin fazem gambiarra com estepe para aumentar porta-malas
No caso do estepe temporário, a Resolução 913 também determina que fabricante ou concessionária informe ao comprador, durante a entrega técnica, as observações e restrições relativas ao uso do sobressalente ou do sistema alternativo.
Portanto, há uma diferença fundamental entre um carro projetado e homologado sem estepe e o proprietário simplesmente retirar a roda reserva de um veículo cuja configuração prevê esse equipamento.
O que o Inmetro exige?
O pneu temporário também precisa atender às regulamentações do Inmetro. Pneus destinados exclusivamente a esse uso devem ser identificados de forma permanente como “Uso Temporário” ou “Temporary Use Only” e estão sujeitos ao processo de certificação aplicável.
Há algumas particularidades. Pneus dessa categoria são dispensados de determinados requisitos de desempenho aplicados aos convencionais, como os relacionados à aderência em pista molhada, resistência ao rolamento e emissão de ruído. A Resolução Contran 913 estabelece ainda profundidade mínima de 1,6 mm nos sulcos para utilização do sobressalente.
Qual tipo de estepe é melhor?
Depende do uso. O estepe convencional ocupa mais espaço e pesa mais, mas oferece maior autonomia depois de um pneu furado. O estepe temporário economiza espaço e peso, porém deve ser usado apenas até o reparo. O kit de reparo é ainda mais compacto, mas não resolve qualquer avaria. Já o pneu run-flat permite continuar rodando depois da perda de pressão, embora também tenha limites de distância e velocidade.
Independentemente da solução, o manual do proprietário é a principal referência para o motorista. Pressão, velocidade, distância e eventuais restrições de instalação variam de acordo com o projeto. E essa é justamente a lógica da regulamentação: não existe apenas um tipo de estepe obrigatório para todos os carros, mas cada solução precisa atender às exigências de segurança e à configuração homologada do veículo.
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Fonte: Read More 

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