Cinco peruas que deixaram saudade por preços entre R$ 25 mil e R$ 80 mil


Lá se vão mais de seis anos desde que a última perua nacional saiu de linha: em 27 de janeiro de 2020, a Fiat deixou de produzir a Weekend (ex-Palio). Na época, o segmento definhava, devido à ascensão dos SUVs, cujas vendas, aliás, seguiram crescendo desde então. Esse fenômeno, inclusive, não é restrito ao mercado brasileiro e só mesmo o na Europa ainda há demanda expressiva por station-wagons — porém, mesmo por lá, as vendas estão em queda.
Aqui, no Brasil, o desinteresse é tamanho que até as marcas premium deixaram de comercializar peruas atualmente. A única opção zero-quilômetro na categoria é a Audi RS6 Avant, um foguete com motor 4.0 V8 biturbo de 630 cv de potência e preço superior a R$ 1,2 milhão. Em breve, a marca alemã também vai trazer a A5 Avant e A6 Avant, que já estão em pré-venda e chegarão até setembro. Mas a concorrência já abriu mão delas há tempos, até mesmo a Volvo. Sinal de que as preferências dos consumidores realmente mudaram: afinal, cerca de duas décadas atrás, veículos desse tipo eram sonhos de consumo e estavam presentes na gama de quase todos os fabricantes.
Mas o caso é que alguns consumidores ainda se interessam por station-wagons. E, felizmente, ainda há boas e diversificadas opções no mercado de carros usados. Confira 5 opções que podem ser encontradas no Mercado Livre, com preços de R$ 25 mil a R$ 80 mil. Os valores foram verificados durante a apuração desta matéria, no mês de julho.
1) Renault Grand Tour – R$ 25 mil
Renault Mégane Grand Tour era espaçosa e tinha design harmônico
Divulgação/Renault
Última perua nacional de porte médio, a Grand Tour, derivada do Mégane, não chegou a ter números estonteantes de vendas. Pena, pois não faltavam credenciais a ela, a começar pelo enorme porta-malas de 520 litros. Os ocupantes também desfrutam de bom espaço interno, confortável para quatro adultos de estatura elevada. O teto alto e o entre-eixos de 2,69 metros são os responsáveis pelas acomodações folgadas no banco traseiro. No mais, o modelo tem 4,50 m de comprimento, 1,78 m de largura e 1,47 m de altura. O acabamento interno tem bom padrão: há até emborrachamento no painel e revestimentos de veludo ou de couro nos bancos.
Se você tem receio da mecânica francesa, fique tranquilo com a Renault Grand Tour, movida por motores mais que provados no Brasil. Um deles é o 2.0 16V, que também equipou Scénic, Duster, Oroch e Sandero, esse último na versão esportiva RS. Sob o capô da linha Mégane, ele desenvolve 138 cv de potência e 19,2 kgfm de torque. Há ainda um 1.6 16V, que, além dos modelos já citados, foi compartilhado ainda com o Logan e com a linha Clio. O propulsor de maior cilindrada pode vir associado a um câmbio manual de seis velocidades ou a um automático de quatro. Já a unidade de menor capacidade cúbica vem associada unicamente a uma caixa manual de cinco marchas.
O 1.6 tem a vantagem de ser flex. Ele foi o único a ser credenciado no PBVE do Inmetro e exibe médias razoáveis de consumo: na cidade, são 6,3 km/l (E) e 9,7 km/l (G); na estrada, os números vão para 8,2 (E) e para 12,8 (G). A Autoesporte aferiu aceleração de zero a 100 km/h em 13,2 segundos. O 2.0, logicamente, entrega melhor desempenho: com ele, os tempos na arrancada até 100 km/h, caem para 11 s, com câmbio manual, e para 11,9 s com a caixa automática. Vale lembrar que o porte médio da carroceria torna a Grand Tour pesada: a massa varia de 1.315 kg a 1.380 kg, dependendo da motorização.
Seja lá qual for a motorização, a suspensão, mesmo com eixo de torção na traseira, exibe ótimo compromisso: a Renault Grand Tour transmite confiança em curvas sem ser desconfortável em pisos mal conservados. A direção já tem assistência elétrica e também revela boa calibração. Todas as versões trazem airbags frontais, freios ABS, retrovisores elétricos e chave presencial. A top de linha Privilège inclui faróis e limpadores com acionamento automático, retrovisores com rebatimento elétrico e ar digital.
A Grand Tour foi lançada em 2006, já como modelo 2007, e acabou sendo descontinuada já em 2012, ano no qual apenas a motorização 1.6 foi disponibilizada. O pouco tempo de produção, associado aos números de vendas discretos, reduzem a oferta de veículos no mercado de usados, de modo que o interessado deve fazer buscas com calma. Os preços no Mercado Livre variam de R$ 25 mil a R$ 40 mil.
2) Toyota Fielder – R$ 35 mil
Toyota Fielder saiu de linha em 2008, há quase 20 anos
Divulgação
Das cinco gerações do Toyota Corolla produzidas no Brasil, apenas uma teve a variante station wagon: foi a nona em hábito global, conhecida por aqui como Brad Pitt, astro que estrelou o comercial de lançamento. A perua, que adotava o sobrenome Fielder, foi fabricada de 2004 até 2008 e, além do design agradável, oferecia um porta-malas de 411 l de capacidade.
O sedã da época tinha um compartimento de bagagem até maior, com 437 l de volume, porém menos versátil, sem tanta amplitude com os bancos rebatidos. No habitáculo, há bom espaço para quatro adultos, mas a carroceria é estreita para acomodar três pessoas atrás: são só 1,70 m de largura, além de 4,45 m de comprimento, 1,53 m de altura e 2,60 m de entre-eixos.
O único motor disponível na Fielder é o 1.8 16V que, então, equipava o Corolla sedã. Ele desenvolve 132 cv e 17,3 kgfm. A linha 2008, lançada em 2007, foi a única com tecnologia flex: a potência e o torque com gasolina foram mantidos, mas, com etanol, subiram para 136 cv e 17,5 kgfm. Havia, no entanto, opção de câmbio manual de cinco marchas ou automático de apenas quatro.
A perua é anterior ao PBEV, de modo que só resta apelar aos dados oficiais. Para a Fielder flex automática, a Toyota divulgava médias, com etanol, de 7 km/l na cidade e de 9 km/l na estrada, com etanol. Com gasolina, os números melhoram para 10 km/l no ciclo urbano e 13 km/l no rodoviário. Com esse conjunto mecânico, o fabricante informava ainda um tempo de aceleração de zero a 100 km/h em 12,7 s. A direção hidráulica e a suspensão com eixo de torção atrás têm acerto equilibrado: a perua tem rodar confortável, mas não faz feio em uma estradinha sinuosa.
A gama era composta por apenas uma versão até 2007, quando surgiu a configuração S, caracterizada unicamente por alguns adereços esportivos, como saias nos para-choques e nas laterais. Em 2008, a linha passou a contar com as configurações XEi e SE-G. Todas as Toyota Fielder vinham equipadas com airbags frontais, freios com ABS, ar-condicionado, vidros travas e retrovisores elétricos, rodas de liga leve e sistema de som (ainda com CD player). Mais completa, a SE-G acrescentava bancos revestidos de couro, ar-condicionado digital, limpadores com acionamento automático e computador de bordo. A montagem e acabamento eram acima da média.
Apesar de já estar na faixa dos 20 anos de idade, a Fielder ainda é valorizada no segmento de usados, tal qual o sedã da mesma época. Unidades anunciadas no Mercado Livre têm preços entre R$ 35 mil e R$ 45 mil, dependendo do ano de fabricação e do pacote de equipamentos. Trata-se de um reflexo direto da conhecida reputação de confiabilidade que a Toyota construiu.
Fiat (Palio) Weekend Trekking – R$ 35 mil
Na cidade, versão Trekking da Fiat Weekend tem dirigibilidade mais agradável que a Adventure da mesma época
Divulgação/Fiat
Líder de vendas do segmento desde a virada do século, a Weekend agradou os consumidores com um projeto prático e robusto. Só não espere dela abundância no espaço interno. Apesar de o entre-eixos ter sido ligeiramente alongado em relação ao do Palio, tal medida ainda é modesta, de apenas 2,46 m. Consequentemente, o vão para as pernas no banco traseiro é reduzido, mas o teto elevado alivia, em parte. Por outro lado, o porta-malas, de 460 l, é generoso. Compacta, a Weekend Trekking tem 4,25 m de comprimento, 1,66 m de largura e 1,59 m de altura. Ou seja, é ideal para vagas apertadas.
Ao longo da trajetória de 23 anos, a Weekend, que perdeu o prenome Palio em 2015, teve uma grande variedade de versões e motorizações. A indicação aqui fica para a configuração Trekking, equipada com o propulsor 1.6 16V da família E.torQ, que gera 117 cv de potência e 16,8 kgfm de torque com etanol, ou 115 cv e 16,2 kgfm com gasolina. Nessa configuração, o câmbio é sempre manual de cinco marchas.
Com ele, a perua entrega bom desempenho. A Fiat informa apenas 9,8 segundos na aceleração de zero a 100 km/h. Já o consumo urbano, de acordo com o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBVE), do Inmetro, é de 6,8 km/l na cidade e de 7,7 km/l na estrada. Com gasolina no tanque, são 9,9 km/l e 11,2 km/l, respectivamente.
A versão Trekking emprega o mesmo conjunto de suspensão que a versão Adventure adotou até 2008: a partir da linha 2009, tal configuração ficou ainda mais alta. Essa opção intermediária é a mais equilibrada. A citada Adventure ultra-levantada é muito valente na terra, mas tem rodar mais desconfortável e direção pesada em manobras, a despeito da assistência hidráulica. Toda Weekend traz um sistema por braço arrastado no eixo traseiro, uma sofisticação no segmento de peruas compactas. Mas a calibragem macia, característica da linha Palio, aposta tudo na suavidade ao rodar.
Entre os equipamentos, há apenas o essencial: direção hidráulica, vidros dianteiros e travas elétricas, airbags frontais, freios ABS e computador de bordo. O ar-condicionado era item opcional, mas equipou a grande maioria dos veículos comercializados. E o acabamento é daquela simplicidade típica da gama Palio, com peças plásticas que nem sempre se encaixam perfeitamente. Unidades da última fornada, entre as linhas 2013 e 2020, são anunciadas no Mercado Livre por valores a partir de R$ 35 mil.
4) Volkswagen SpaceFox Highline – R$ 50 mil
Versão Highline da Volkswagen SpaceFox, com motor 1.6 16V da família EA211, é a pedida ideal
Volkswagen/Divulgação
Lançada em 2006, a SpaceFox ocupava a posição de perua compacta mais sofisticada e moderna da linha Volkswagen, até que, em 2012, a veterana Parati saiu de linha. Daquele ano até 2018, quando a produção chegou ao fim, ela disputou com a Fiat Weekend os declinantes compradores do segmento. Foi a última representante de uma longa linhagem da marca alemã nessa categoria, que começou em 1969 com a Variant 1.600.
Em relação à derradeira concorrente, a station wagon da Volkswagen perde na capacidade no porta-malas, que é de 440 l. Em compensação, proporciona espaço mais amplo aos ocupantes, graças à capota elevada e aos assentos afastados do assoalho, soluções originárias do Fox que aproveitam ao máximo o entre-eixos de 2,46 m. A altura da carroceria chega a 1,55 m, mas é comedida no comprimento, de 4,20 m, e na largura, de 1,66 m. Já o acabamento emprega muitos materiais plásticos, mas tem arremates melhores que os da Weekend.
Durante a maior parte do tempo em que foi produzida, a SpaceFox foi movida pelo motor 1.6 de 8 válvulas da família EA 111. Só na linha 2015, que estreou a segunda e última reestilização da gama, surgiu a opção do 1.6 16V EA 211: ele é a escolha ideal, já que melhora sensivelmente o desempenho da perua e ainda gasta menos combustível. Quanto aos números, são 120 cv e 16,8 kgfm com etanol ou 110 cv com e 15,8 kgfm com gasolina, suficientes para acelerar de zero a 100 km/h em 10,1 s, de acordo com o fabricante.
O consumo indicado pelo PBEV, com etanol, é de 8,0 km/l na cidade e de 9,9 km/l na estrada; com gasolina, são 11,5 km/l na malha urbana e 14 km/l em rodovias. Méritos para o peso de apenas 1.165 kg.
O motor 1.6 16V é associado a um câmbio manual de seis marchas. Por sua vez, o 1.6 8V vinha acoplado a uma caixa manual de cinco velocidade ou ao problemático automatizado de uma embreagem I-Motion. os conjuntos mecânicos com três pedais são praticamente obrigatórios para quem busca uma SpaceFox. A motorização EA 211 também equipou a configuração aventureira Cross, que tem 4,6 cm a mais de altura em relação ao solo. Porém, se a ideia é rodar majoritariamente no asfalto, a versão Highline faz mais sentido: ela é mais gostosa de dirigir, já que, com o vão livre menor, o acerto de suspensão, que utiliza eixo de torção na traseira, é ligeiramente mais macio e, mesmo assim, dá maior estabilidade à perua.
Outro benefício de optar por uma SpaceFox produzida entre 2015 e 2018 é a direção com assistência elétrica, em vez da hidráulica, com boa calibração. A versão Highline 1.6 16V vinha de série com ar-condicionado manual, vidros elétricos nas quatro portas, coluna de direção com duplo ajuste e computador de bordo. Opcionalmente, havia sensores de estacionamento traseiros e dianteiros, controles de estabilidade e tração, central multimídia (mas com tela de cinco polegadas e posicionamento muito baixo no painel) e até teto solar. Exemplares dessa configuração, dos últimos anos-modelo (2015 a 2018) estão à venda no Mercado Livre a partir de R$ 50 mil.
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5) Volkswagen Golf Variant – R$ 80 mil
Volkswagen Golf Variant tem bom acabamento e imenso porta-malas de 605 litros
Volkswagen/Divulgação
As peruas já estavam em derrocada no Brasil quando a Volkswagen lançou o Golf Variant, em 2015, que então estava na sétima geração global, para suceder a perua Jetta. Na época, ela era a única representante das fabricantes generalistas nesse segmento, e assim permaneceu até o fim da linha, em 2019. As vendas sempre foram discretas: nem mesmo a reestilização aplicada à linha 2018 animou os consumidores, sinal que o mercado já estava encantado pelos SUVs.
A Golf Variant é cerca de 30 cm mais longa que o hatch, chegando ao comprimento de 4,56 m. Toda essa medida foi adicionada ao balanço traseiro, o que explica o gigantesco porta-malas de 605 l, volume do qual os SUVs médios não chegam nem perto. No entanto, o entre-eixos, de 2,63 m, não mudou, tampouco as dimensões do habitáculo. Sem problemas: o vão para as pernas no banco traseiro não chega a ser um latifúndio, mas dá e sobra para que dois adultos viajem confortavelmente. E o acabamento é caprichado, com emborrachamento no painel e nas quatro portas. A perua tem ainda 1,80 m de largura e 1,48 m de altura.
Quando chegou ao país, a Golf Variant ainda vinha com a configuração apenas a gasolina do motor 1.4 turbo e com o polêmico câmbio automatizado de dupla embreagem e sete velocidades conhecido como DSG, que ganhou má reputação no mercado devido a ruídos de funcionamento. Desse modo, o ideal é optar por unidades da linha 2017 para a frente, já equipadas com sistema flex e com a caixa automática Tiptronic de seis marchas,que não é tão rápido nas trocas, mas tem fama de robustez. Nessa configuração, a Golf Variant desenvolve 150 cv e 25,5 kgfm tanto com gasolina quanto com etanol. A perua acelera de zero a 100 km/h em 9,1 s, de acordo com o fabricante.
Além de rápida, a Variant é ótima de guiar, graças à direção elétrica com relação bem direta e ao sistema de suspensão, que apesar de empregar com eixo de torção da traseira (a arquitetura multilink foi embora junto com o câmbio DSG), entrega ótima estabilidade em curvas. A contrapartida é um rodar mais firme, que, porém, não chega a ser propriamente desconfortável. E, para completar, nem por isso a station wagon é beberrona: segundo o PBEV, o consumo com etanol é de 7,5 km/l na cidade e de 8,8 km/l na estrada; com gasolina, as médias vão para 11,1 km/l e 13 km/l, respectivamente. E olha que o peso chega a 1.327 kg.
Quando nova, a Golf Variant era comercializada em duas versões: a Comfortline já vinha equipada com central multimídia com tela de 6,5 polegadas, sete air bags (frontais, laterais, do tipo cortina e para os joelhos do motorista), sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, bloqueio eletrônico do diferencial, frenagem automática pós-colisão e rodas de liga-leve de 16 polegadas (as de 17 polegadas eram opcionais); já a Highline acrescentava ar-condicionado digital de duas zonas, bancos decouro e faróis e limpadores com acionamento automático (ac central multimídia com tela de 8 polegadas era opcional). Veículos do ano modelo 2017 são anunciados no Mercado Livre por preços a partir de R$ 80 mil.
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