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GWM Haval H9 Exclusive enfrenta Toyota SW4 Platinum; qual SUV é melhor?

26/04/2026
GWM Haval H9 Exclusive enfrenta Toyota SW4 Platinum; qual SUV é melhor?


A discussão mais acirrada atualmente no universo automotivo é sobre a ascensão das marcas chinesas e a falta de uma resposta efetiva por parte das fabricantes tradicionais. É o que embala papos em podcasts e vídeos virais no TikTok. Então, este comparativo de pesos pesados entre GWM Haval H9 Exclusive (R$ 329 mil) e Toyota SW4 Platinum (R$ 424.590), ambos com sete lugares, não teria momento mais oportuno para chegar ao site da Autoesporte. Confira também em vídeo:
Para atiçar os ânimos, algo inédito ocorreu nesta disputa: o Haval H9 superou o SW4 no volume mensal de emplacamentos pela primeira vez, em março deste ano. Foram 1.170 unidades do modelo chinês contra 1.117 do rival japonês, segundo a Fenabrave, embora o Toyota mantenha a liderança no acumulado anual (3.378 exemplares contra 2.724).
GWM Haval H9 Exclusive e Toyota SW4 Platinum são SUVs “pesos-pesados” que deixam qualquer um indeciso
Renato Durães/Autoesporte
Mas o que fez a demanda pelo H9 crescer diante de um SUV de tamanha reputação como o SW4? Só o preço justifica a compra? Autoesporte dirigiu a dupla na vida real — indo ao escritório, ao supermercado e pegando a estrada — e levou os modelos ao Rota 127 Campo de Provas para extrair resultados de desempenho, frenagem e consumo. Também analisamos as principais despesas (cesta de peças, seguro e revisões) para mensurar o impacto no bolso.
GWM Haval H9 x Toyota SW4: medidas, porta-malas e equipamentos
Compare as medidas de Toyota SW4 Platinum e GWM Haval H9 Exclusive
Renato Durães/Autoesporte
Se a Toyota tem reputação no segmento dos SUVs com chassis de longarina, a GWM ataca no preço. Há uma diferença substancial de R$ 95 mil entre os dois modelos, mas o ponto principal é que, além de ser mais barato, o Haval H9 é maior: são 4,95 metros de comprimento, 1,97 m de largura, 1,93 m de altura e 2,85 m de distância entre-eixos. Já o Toyota SW4 tem 4,79 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,83 m de altura e 2,74 m de entre-eixos.
Embora o preço do metro quadrado do Haval H9 seja muito menor, o dia a dia na cidade se torna complexo. Só o SW4 coube na vaga do condomínio onde moro, e com muito aperto. Como os espaços urbanos não acompanham o crescimento dos carros atuais, ter de desembarcar do Haval H9 “se esgueirando” em meio a outros veículos faz parte do cotidiano.
GWM Haval H9 Exclusive ganha do SW4 pelo bom preço do “metro quadrado”
Renato Durães/Autoesporte
Ainda bem que os estribos laterais retráteis (no SW4, são fixos) com acionamento elétrico facilitam a tarefa, pois a cabine é alta. Quando o H9 é trancado com a chave, recolhe os estribos e sobe os vidros de todas as janelas. Já o SW4 tem só rebatimento elétrico dos retrovisores.
Toyota SW4 Platinum é um carro mais comedido para estacionar na cidade
Renato Durães/Autoesporte
Outro ponto que exige atenção é o tipo de abertura do porta-malas: no Toyota, a tampa elétrica abre na vertical; no GWM, a abertura é horizontal e sem acionamento eletrônico, com hastes a gás, o que exige manter maior distância de qualquer obstáculo atrás do veículo.
Porta-malas do GWM Haval H9 Exclusive tem os bancos totalmente planos
Renato Durães/Autoesporte
Quando a terceira fileira de bancos está rebatida, são 791 litros para o H9 e 500 l para o SW4. Mas há uma diferença no padrão, pois a Toyota mede com bloquinhos (VDA) e a GWM usa uma medida virtual em litros d’água. Apesar da diferença nos métodos, o porta-malas do H9 é mais espaçoso, pois a carroceria é mais comprida que a do rival e, quando a terceira fila não está em uso, fica totalmente escondida sob o assoalho.
Bancos do Toyota SW4 Platinum roubam espaço no compartimento de carga
Renato Durães/Autoesporte
No Toyota, os bancos rebatidos roubam grande espaço. Curiosamente, o porta-estepe pendurado na traseira do Haval funciona, na verdade, como um porta-objetos extra. Com a terceira fileira em uso, o volume cai para 180 l no SW4 e modestos 88 l no H9.
GWM Haval H9 Exclusive é mais espaçoso na terceira fileira de bancos
Renato Durães/Autoesporte
O SUV chinês também tem mais espaço para os joelhos na terceira fileira, mas só crianças pequenas conseguem viajar com algum conforto. Nos dois casos, o assoalho alto e a posição baixa do quadril não garantem boa ergonomia, porém o SW4 é mais fácil de acessar por causa do rebatimento da segunda fileira. Ambos têm saídas de ventilação, mas só o Haval dispõe de porta-copos lá atrás.
Assoalho alto compromete o espaço do Toyota SW4 neste comparativo
Renato Durães/Autoesporte
Partindo para a segunda fileira, noto que o assoalho do H9 é quase plano. No SW4, o túnel central elevado rouba muito espaço dos pés. Quanto à ventilação, o SUV chinês volta a dar show, pois oferece uma zona extra de ar-condicionado para os ocupantes traseiros, além de refrigeração no banco. Há saídas de ventilação inferiores (no console central) e também no teto. O SW4, por sua vez, só tem as saídas superiores, com uma tela digital simples que controla a intensidade do ventilador.
GWM Haval H9 tem saída de ar com zona extra e pode até resfriar os bancos traseiros
Renato Durães/Autoesporte
O que explica a adoção de um sistema mais robusto de ventilação no Haval H9 é que ele é o único com teto solar panorâmico. Com maior incidência do sol, sem atenção a esse detalhe a cabine se tornaria um forno. Ambos têm apoios de braço, porta-copos retráteis e porta-revistas no estilo canguru.
Avançando para a parte da frente da cabine, o novato da GWM volta a brilhar contra o veterano. Destaque para a central multimídia de 14,6’’ com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. É um sistema bem completo, com câmera de 360 graus, computador de bordo e acesso aos massageadores e às funções do pacote Adas.
GWM Haval H9 Exclusive tem, com muita folga, o melhor painel deste comparativo
Renato Durães/Autoesporte
O SW4 tem central de 9’’ que até oferece pareamento sem fio, mas a Toyota não se preocupou em incrementar o sistema para muito além do espelhamento. O menu traz um modesto computador de bordo e configurações de áudio — e só. Ao engatar a ré, a qualidade da câmera traseira (ponto forte no Haval, vale dizer) lembra uma webcam antiga. Acima da multimídia fica um relógio digital que traz o frescor dos anos 1990.
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Toyota SW4 Platinum sofre com sua aparência envelhecida
Renato Durães/Autoesporte
Outra diferença é que o Haval oferece ar-condicionado digital de duas zonas integrado à multimídia, com atalhos por botões físicos. No SW4, os comandos são giratórios, o que garante maior precisão e agilidade ao mudar a temperatura sem desviar a atenção da pista. É o analógico mostrando que pode eventualmente ser melhor que o digital.
O Haval H9 tem uma central multimídia bem mais moderna, embora concentre muitos comandos
Renato Durães/Autoesporte
O H9 volta a se destacar com o painel digital de 10,2’’, muito maior que a modesta tela colorida de 4,2’’ do SW4, localizada entre o velocímetro e o conta-giros analógicos (lembre-se: ele custa mais de R$ 400 mil). Ali, o GWM reproduz informações como os tipos de veículos identificados ao redor e as faixas. O Toyota SW4 tem um computador de bordo simples.
Já o SW4 peca pela simplicidade excessiva do sistema, que não vai além do que oferece um carro de entrada
Renato Durães/Autoesporte
Uma característica curiosa do GWM Haval H9 é que os botões de volume no volante também são usados para controlar o computador de bordo. Leva um tempo para o motorista se acostumar. Então, o Toyota é mais intuitivo nesse sentido.
Além de ser maior e mais barato que o SW4, o Haval H9 é mais equipado e moderno. Todavia, o SUV japonês se recuperou neste comparativo graças aos bons resultados nos testes de desempenho e consumo, nos quais foi melhor que o concorrente chinês.
GWM Haval H9 x Toyota SW4: desempenho, consumo e frenagem
Toyota SW4 Platinum foi melhor nos testes de desempenho e consumo
Renato Durães/Autoesporte
O SW4 tem motor 2.8 turbodiesel de 204 cv de potência e 50,9 kgfm de torque, câmbio automático de seis marchas e tração 4×4, todos compartilhados com a Hilux. No H9, o motor 2.4 turbodiesel é o mesmo da Poer e entrega 184 cv e 48,9 kgfm, com a caixa automática de nove marchas e tração nas quatro rodas.
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No teste em pista, o SW4 levou 11,1 segundos para ir de zero a 100 km/h, contra 12,2 s do concorrente. O H9 também foi superado em todas as retomadas, pois precisou de 6,8 s para ir de 60 km/h a 100 km/h; o SW4 cumpriu essa tarefa em 5,9 s. O mesmo se repetiu nas provas de 40 km/h a 80 km/h e de 80 km/h a 120 km/h, como você pode conferir na tabela ao fim deste comparativo.
Assim, o SW4 estava mais rápido que o H9 ao superar a marca dos 1.000 m com o pé embaixo — 164 km/h, contra 157 km/h. E, embora a transmissão com menos degraus entre as relações do Haval seja, teoricamente, mais apropriada para o consumo de combustível, o SW4 foi mais econômico: fez 9,6 km/l na cidade e 12,9 km/l na estrada, contra 9 km/l em circuito urbano e 11,5 km/l em trajeto rodoviário do rival. Os números superiores do motor e os 350 kg a menos de peso certamente jogaram a favor do Toyota.
Já o Haval H9 se destacou nos teste de frenagem, mesmo com discos sólidos nas rodas traseiras
Renato Durães/Autoesporte
Nos testes de frenagem, contudo, o H9 demonstrou uma inusitada vantagem. Quando cravei o pé no freio a 100 km/h, o GWM, que tem pneus Kumho, percorreu 40,5 m até parar por completo, contra 47,2 m do SW4, vendido com pneus Bridgestone. Nesse ponto, o SW4 não fez valer a teórica vantagem dos freios a discos ventilados nas quatro rodas, ainda que passe a sensação de ter respostas mais diretas no pedal.
O comportamento dinâmico também é distinto. O Toyota SW4 está mais para um SUV “raiz”, com uma suspensão molenga. Ao transitar por ruas castigadas, sente-se a carroceria chacoalhar e “dançar” sobre as longarinas. Manobrá-lo tampouco é uma tarefa fácil, pois sua direção hidráulica é pesada. Há, de fato, uma impressão de condução robusta.
O Haval H9, por sua vez, se aproxima mais de um automóvel. Tem um volante leve, com direção elétrica, e suspensão capaz de filtrar as oscilações do solo com maior eficiência, sem transmitir tantos rebotes à cabine. Em resumo, bem mais confortável. Nos dois casos, a tração pode ser 4×2 ou 4×4 com ou sem reduzida. E existem três modos de condução (Eco, Normal e Sport) a serem combinados, o que gera múltiplas possibilidades.
Só motores de picapes podem mover estes grandes SUVs de 7 lugares. Por isso, são compartilhados com Poer e Hilux
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Os dois têm pacote Adas com controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência e sensores de ponto cego. Só o H9 traz assistente de permanência em faixa, mas o ACC do Toyota é mais bem calibrado e suave.
GWM Haval H9 x Toyota SW4: revisões, seguro, cesta de peças e desvalorização
E como é a revenda de GWM Haval H9 Exclusive e Toyota SW4 Platinum? Descubra abaixo
Renato Durães/Autoesporte
E quanto esses grandalhões pesam no bolso da família? Quem adquirir o SW4 gastará R$ 7.314 com as revisões até 60 mil km, mas o mesmo cronograma de manutenções pode chegar a R$ 10.435 no H9. Quanto ao seguro, o Toyota também tem valores substancialmente mais baixos para os perfis masculino e feminino, como você pode conferir na tabela ao lado. Já as cestas de peças dos SUVs estão praticamente empatadas, na faixa de R$ 30 mil.
Pensando na revenda, o que pesa a favor de ambos diante da concorrência é a garantia estendida de até dez anos. Para chegar lá, a Toyota impõe um limite de 200 mil km para o SW4 a partir de três anos de uso. Já a GWM permite rodar até 250 mil km com o H9 a partir de cinco anos.
Já a desvalorização na Tabela Fipe surpreende: é maior para o Toyota SW4, com 7,6%, do que para o GWM Haval H9 e seus 5,7%. O método de venda da GWM evita muitas perdas de valor. Quanto à rede de concessionárias, a marca japonesa nada de braçada: são mais de 300 lojas, contra 130 da GWM.
VENCEDOR: GWM Haval H9
GWM Haval H9 tem o melhor conjunto da obra neste comparativo
Renato Durães/Autoesporte
Nossa escolha não tão óbvia neste comparativo é o GWM Haval H9. É verdade que o SW4 tem desempenho mais aceso e até consome menos combustível, mas seu projeto, datado de 2015, parece envelhecido — e isso fica evidente ao colocá-lo frente a frente com um SUV mais moderno e muito mais barato. A nova geração, derivada da nova Hilux, deve chegar por aqui apenas entre 2027 e 2028.
O Haval H9 é maior, tem mais equipamentos de conforto e segurança, oferece um projeto mais moderno e custa R$ 95 mil a menos do que o concorrente. Embora tenha desempenho pior e seja menos robusto, o conjunto da obra o torna muito mais atrativo. Ainda que alguns custos de manutenção do H9 também sejam elevados, a conta fecha.
Com essa conclusão, voltamos ao debate inicial sobre a ascensão das marcas chinesas: anos de tradição e domínio garantem sobrevivência a longo prazo? O Haval H9 mostra que chegou a hora de as marcas tradicionais se mexerem, mesmo nos segmentos em que são consideradas intocáveis.
O GWM Haval H9 não aposta só no preço competitivo para desbancar o SW4: também é mais equipado, espaçoso e tecnológico que o concorrente japonês. O SUV chinês fez valer a vantagem de seu projeto mais atual e muito mais barato, embora tenha desempenho inferior e consuma mais combustível.
Seu bolso
*Cesta de peças: Retrovisor direito, farol direito, para-choque dianteiro, lanterna traseira direita, filtro de ar (elemento), filtro de ar do motor, jogo de quatro amortecedores, pastilhas de freio dianteiras, filtro de óleo do motor e filtro de combustível (se aplicável)
**Seguro: O valor é uma média entre as cotações das principais seguradoras do país com base no perfil padrão de Autoesporte, sem bônus
Teste
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