Ford Escort XR3 era sonho de todo playboy e até Ayrton Senna teve um


Este carro das imagens era um dos mais cobiçados na década de 1980. Você podia encontrá-lo em um restaurante caro (parado na melhor vaga, claro), no CT de uma equipe de futebol ou nos escritórios da Av. Paulista, num tempo em que o centro empresarial da Berrini ainda não existia. Refiro-me ao Ford Escort XR3 de 1988, o “carro de bacana” de quase 40 anos atrás. Confira o vídeo abaixo:
Sua versão conversível era mais especial. O mercado brasileiro não tinha um carro com versão descabinada produzido em série por uma fabricante desde os anos 1960 — isso, claro, sem contar os “fora de série” montados em oficinas paralelas e até concessionárias. O Escort XR3 se tornou o carro de quem chegou lá, e a configuração conversível, hoje cobiçada por colecionadores, era a mais aspiracional.
Você poderia encontrar o XR3 conversível em clubes, restaurantes caros e condomínios fechados
Renato Durães/Autoesporte
Chevrolet Corsa Wagon GLS 1997 foi perua com motor de versão esportiva
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Volkswagen Saveiro 1.6 ajudou a fazer a fama do motor AP em 1994
Dirigir esse carro foi uma experiência inesquecível. Meu pai teve um XR3 1989 branco — com cabine fechada — quando eu era bem pequeno, e algumas de minhas primeiras lembranças são daquele carro: tinha teto solar, faróis de milha, aerofólio e as mesmas rodas do modelo das imagens. Trinta anos depois, estou pronto para um reencontro, agora no conversível.
Faróis de milha eram característica marcante do XR3 desde que foi lançado no Brasil
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Abaixo do capô, o conhecido motor 1.6 CHT a álcool do Del Rey. A unidade entrega 86 cv de potência e 12,9 kgfm de torque — números que não encantavam diante dos 99 cv e 14,9 kgfm do Gol GTS com motor 1.8 AP. Mas… tudo bem: no segundo semestre de 1989, o XR3 recebeu a mesma mecânica do concorrente da Volkswagen como fruto da criação da Autolatina. Nesse intercâmbio, o Gol pegou o 1.6 CHT emprestado.
Lanternas tinham formato exclusivo na versão conversível
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Embora exista o preconceito de que “Escort bom tem motor AP”, amplamente proliferado pela internet, gostei da experiência de guiar o XR3 1.6. O volante tem ótima empunhadura e os confortáveis bancos apoiam boa parte das costas do motorista. Num tempo em que não existia ajuste de altura na coluna de direção, o Escort “vestia” o condutor de forma única. Inclusive, é ali que fica a alavanca para abrir o capô.
Painel era muito arrojado para sua época e está na memória dos fãs de clássicos da Ford
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O câmbio de cinco marchas tem engates longos e embreagem alta — tive certa dificuldade para encontrar a terceira marcha. Após algumas raspadas, deu certo. A entrega de torque é abundante, o que faz com que o levíssimo XR3, com seus 990 kg, não tome conhecimento de subidas, retomadas e ultrapassagens.
Chegou a hora de curtir um passeio ao volante do XR3
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Nada como um dia de sol para curtir o XR3 da maneira correta. Para melhorar, o motor trabalha em silêncio: com a capota reclinada, mesmo em uma rodovia movimentada, o som externo não se torna incômodo. Era um carro bem avançado para sua época.
Os bancos desta belíssima unidade foram restaurados
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A capota de lona do XR3 tem duas alças de fixação no topo do para-brisa. Ao recolhê-la, é preciso descer uma chave próxima ao banco traseiro — caso contrário, existe o risco de ela se desprender e abrir como um para-quedas.
Capota de lona tinha acionamento hidráulico
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Essa charmosa unidade, que pertence a Rodolfo Luiz, do Escort Clube do Brasil, teve seus bancos restaurados, mas o padrão de fábrica foi mantido. O XR3 tinha ar-condicionado, rádio AM/FM com toca-fitas, suporte para fitas (bom para armazenar a coletânea do Bon Jovi) e vidros elétricos dianteiros. Em 1988, não era pra qualquer um.
Havia até caixa de som traseira, algo raro nos anos 1980
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Meu dia de playboy terminou com uma esticada na rodovia. A parte mais legal foi assistir à reação das pessoas com as quais cruzei no caminho. É um carro que resgata memórias, até de quem não tinha acesso a um modelo como esse. Até mesmo de quem nem liga tanto para carros, mas sabe o que o Escort XR3 representa. Se isso não é um carro clássico, o que seria então?
Ford Escort XR3 1988
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