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Teste: novo Hyundai i20 é o rival certo contra Tera, Sonic e Pulse?

12/06/2026
Teste: novo Hyundai i20 é o rival certo contra Tera, Sonic e Pulse?


Os novos tempos da indústria automotiva demandam novas soluções e criatividade por parte dos executivos. Isso você já deve ter lido e escutado em muitas análises. A Hyundai levou estas recomendações muito a sério ao lançar o i20 no mercado brasileiro. O hatch compacto, antes tratado como uma nova geração do HB20, foi lançado com o nome internacional (acompanhando o projeto global) e vai conviver com o primo no mercado.
Para isso, a solução da Hyundai foi lançar o i20 como um produto posicionado entre o HB20 e o Creta, “ocupando o espaço no segmento que está se formando no Brasil entre hatchbacks e SUVs”. A fabricante evitou, na apresentação, chamar o novato de SUV ou crossover, mas também em nenhum momento se referiu a ele como um hatch. E apontou, entre seus rivais, Volkswagen Tera e Fiat Pulse.
Afinal, o Hyundai i20 é hatch ou crossover?
Mas, afinal, o que é o Hyundai i20? Falando de carroceria, sejamos claros: é um hatch compacto, embora as molduras em preto fosco nas laterais, contornando as caixas de roda e as portas, tentem conferir ao modelo um aspecto de maior robustez. Ainda, assim, os 16,5 cm de vão livre do solo e os ângulos não muito generosos de ataque (13,9°) e saída (29,6°) deixam claro de que tipo de produto estamos falando.
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Hyundai i20 tem apenas 16,5 cm de vão livre do solo, 13,9° de ângulo de ataque e 29,6° de ângulo de saída
Murilo Góes/Autoesporte
Mas o fato é que o novo Hyundai i20 ocupará parcialmente a lacuna entre o HB20 e o Creta até a chegada de outro produto que complementará o portfólio em 2027, o SUV Bayon, projeto descoberto em primeira mão por Autoesporte no ano passado. Para cumprir a missão, o i20 será vendido no Brasil em seis versões, incluindo uma série especial de lançamento chamada X Line. Confira a lista completa de versões e preços:
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027
Hyundai i20 2027: versões e preços
Hyundai i20 Comfort 1.0 MT 2027
Hyundai i20 Limited 1.0 MT 2027
Hyundai i20 Limited 1.0 TGDi AT 2027
Hyundai i20 X Line 1.0 TGDi AT 2027
Hyundai i20 Platinum 1.0 TGDi AT 2027
Hyundai i20 Ultimate 1.0 TGDi AT 2027
Hyundai i20: motorização e mecânica
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027: motor 1.0 turbo tem 115 cv em vez dos 120 cv de HB20 e Creta
Murilo Góes/Autoesporte
Conforme a lista acima antecipa, o Hyundai i20 será vendido com duas opções de motorização. Nas versões de entrada, trará o famoso motor Kappa 1.0 aspirado flex de três cilindros e 12 válvulas, com câmbio manual de cinco marchas. Aqui, temos 75 cv de potência e 9,4 kgfm de torque com gasolina, sendo 80 cv e 10,2 kgfm com etanol. Aqui, os freios traseiros são a tambor e as rodas, de aço com calota aro 15.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 vai de 0 a 100 km/h oficialmente em 11,7 s
Murilo Góes/Autoesporte
A versão Ultimate, a que conhecemos, traz o também conhecido motor 1.0 TGDi Smartstram, turbo flex com injeção direta, ambos com comando por corrente. A diferença é que, para adequar o i20 à faixa de veículos isentos de adicional de IPI, conforme Autoesporte antecipou na semana passada, a potência foi reduzida de 120 cv para 115 cv a 6.000 rpm, mantendo os mesmos 17,5 kgfm de torque (entre 1.500 e 3.000 rpm), independentemente do combustível usado. O câmbio passa a ser automático de seis marchas produzido pela própria Hyundai.
Hyundai i20 – Compare os dados técnicos com os principais rivais
As rodas são de liga leve, de 16 polegadas nas versões intermediárias. Na Ultimate, a de topo, e na X Line, série especial de lançamento, passam a ser aro 17, com acabamento diamantado no primeiro caso e escurecido no segundo.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 tem rodas de liga leve aro 17 diamantadas e freios a disco nas quatro rodas
Murilo Góes/Autoesporte
Por fim, na versão Ultimate, os freios traseiros passam a ser por discos sólidos, mas as rodas trazem sempre quatro furos. A suspensão tem arquitetura McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira em todas as configurações. Utiliza barra estabilizadora de tubo oco em vez de maciço. Os amortecedores do modelo nacional também foram desenvolvidos exclusivamente para o asfalto brasileiro.
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Hyundai i20: dimensões e espaço interno
Hyundai i20 é 11,5 cm mais comprido, 5 cm mais largo, 2,5 cm mais alto e tem 5 cm a mais de entre-eixos que um HB20
Murilo Góes/Autoesporte
O Hyundai i20 é produzido sob a nova plataforma K3, compartilhada com a Kia. Em dimensões, apresenta um porte substancialmente maior que o do HB20 hatch. São 4,13 metros de comprimento (+ 11,5 cm) , 1,78 m de largura (+6 cm), 1,50 m de altura (+ 2,5 cm) e 2,58 m de entre-eixos (+5 cm). O porta-malas comporta 346 litros, acima de qualquer outro hatch compacto nacional, embora abaixo de um Tera ou Sonic. Mas, curiosamente, seu porte num geral é muito parecido com o dos SUVs de entrada com os quais a Hyundai quer brigar. Confira:
Hyundai i20 – Compare as dimensões com os rivais
Com esse porte, o espaço interno no i20 é muito mais generoso para quatro passageiros adultos de estatura média para alta do que o próprio HB20. O vão para as pernas nas duas posições laterais da fileira traseira é bem satisfatório, e a boa largura da carroceria também proporciona uma bela folga para os ombros.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027: banco do motorista e coluna de direção oferecem ajuste manual de altura e profundidade
Murilo Góes/Autoesporte
O espaço para a cabeça na fileira traseira, por sua vez é um pouco mais apertado, mas ao menos quem senta no banco de trás tem um ponto H suficientemente alto em relação aos dianteiros, reduzindo a sensação de claustrofobia, e um assento comprido o suficiente para amparar bem as coxas.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 – Banco traseiro
Murilo Góes/Autoesporte
Os vidros laterais traseiros são relativamente estreitos, por conta do desenho ascendente da linha de ombros da carroceria, mas ao menos abrem quase por inteiro, já que o bom entre-eixos permite que as caixas de roda traseiras não invadam tanto o espaço das portas.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 – Porta-malas de 346 litros é ótimo para um hatch compacto, nem tanto para um SUV de entrada
Murilo Góes/Autoesporte
A vida piora mesmo para quem senta no banco do meio. Por conta do túnel central levemente elevado e do console muito invasivo, quase não sobra espaço para as pernas. Melhor deixar apenas crianças viajando ali. E embora todos os encostos de cabeça traseiros sejam independentes do encosto lombar, não há um apoio de braço central no banco traseiro.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027: console central invade a fileira traseira e atrapalha o espaço para as pernas na posição do meio, mas ao menos oferece dupla saída de ar e uma tomada USB-C
Murilo Góes/Autoesporte
Pelo menos os passageiros da porção traseira do i20 têm direito a revisteiro nas costas do banco dianteiro direito, luz central dedicada, alças de teto com ganchos para cabides, dupla saída de ar (pelo menos na versão Ultimate) e uma tomada USB-C.
Hyundai i20: design
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 – Dianteira
Murilo Góes/Autoesporte
Se a Hyundai tenta, mesmo que veladamente, inserir o i20 como crossover no mercado brasileiro, a silhueta do novato entrega o seu estilo de hatchback raiz. O caimento do capô em forma de cunha, a coluna A bem inclinada e o balanço traseiro curtinho não deixam mentir. Há, inclusive, como enxergar uma grande evolução do próprio HB20 ao observar os traços do i20, especialmente de traseira.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 – Traseira
Murilo Góes/Autoesporte
À frente, os faróis são grandes e espichados. Na versão Ultimate, trazem projetores de LED com ajuste manual de altura do facho, algo inédito em seu segmento e faixa de preço. As luzes diurnas de LED das duas peças, em forma de Y, se unem por um filete luminoso que contorne a parte inferior do capô de ponta a ponta, passando por dentro de uma lente, formando uma assinatura visual que a Hyundai chama de “arquitetura H”, por formar a letra inicial do nome da marca.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 – Faróis com filetes de LED interligados formam assinatura que a Hyundai chama de “arquitetura H”
Murilo Góes/Autoesporte
O emblema da empresa também esté presente na chave com sensor presencial, a mesma do Kona, embora seja necessário apertar um botão na maçaneta da porta do motorista para efetivamente destravá-la. Pelo menos é possível fazer a partida remota do motor e deixar o ar-condicionado climatizando a cabine antes de entrar no veículo.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 – Grade tem formato hexagonal e é cortada ao meio pelo nicho de placa
Murilo Góes/Autoesporte
Lateralmente, as portas são estampadas com vincos marcantes, formando um trapézio em baixo revelo, e a linha de ombros ascende de modo agressivo até a coluna C. Os falsos vigias traseiros, em forma de triângulo, dão o efeito do chamado teto flutuante, embora a pintura não seja em cor contrastante. As rodas são de liga leve aro 17.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027: filete luminoso de LED atravessa a tampa do porta-malas e interliga as lanternas
Murilo Góes/Autoesporte
Na traseira, as lanternas também são interligadas por uma barra luminosa que atravessa toda a tampa do porta-malas, e os guias de LED formam dois “ganchos” nas extremidades. Para a alegria de muitos brasileiros críticos do HB20, os indicadores traseiros de seta enfim foram reposicionadas para junto das luzes de freio. Para tristeza de tantos outros, as luzes de ré, embora agora sejam duas e não apenas uma, como no irmão menor, continuam posicionadas no para-choque.
Hyundai i20 tem luzes de seta traseiras no lugar certo, junto da sinalização de freio, mas as de ré continuam no para-choque
Murilo Góes/Autoesporte
Hyundai i20: interior e acabamento
A Hyundai é conhecida por sempre tentar trazer soluções criativas de acabamento que remetam a carros premium ou de luxo. O acabamento interno em duas cores na versão Ultimate, com a parte superior em cinza claro e a parte de baixo em um tom de gelo, quase branco, é prova disso, assim como as duas telas digitais destacadas do painel, uma para o quadro de instrumentos e outra para a central multimídia. Em breve falaremos mais sobre ambas.
Hyundai i20 tem volante e conjunto de telas dignos de carro premium, mas o acabamento é todo de plástico rígido
Murilo Góes/Autoesporte
O novo volante de três raios também me chamou muito a atenção e remete ao da Jeep. Achei-o grande demais para um carro do porte do i20 e a empunhadura talvez fiquei um pouco mais para cima do aro do que eu gostaria, mas não dá para negar que marca presença. Curiosidade aleatória: os quatro pontos gravados no centro do cubo indicam a letra H em código morse.
Hyundai i20: na versão Ultimate, volante multifuncional segue o mesmo estilo bicolor com tons claros do restante da cabine
Murilo Góes/Autoesporte
Apesar desse esforço, a verdade é que o acabamento do novo i20 não é melhor que o de um Volkswagen Tera, Chevrolet Sonic ou Renault Kardian. Com exceção ao Fiat Pulse, na verdade o estreante fica até para trás nesse quesito. Não há nenhum elemento macio ao toque no painel ou mesmo nas guarnições das portas laterais, mesmo as dianteiras.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027: nem mesmo o acabamento das portas dianteiras reserva espaço para materiais macios ao toque
Murilo Góes/Autoesporte
Além do excesso de material rígido, encontrei algumas pequenas rebarbas e desalinhamentos no encaixe das peças. Também me incomodou como alguns moldes de plástico são grandes, sem elementos para “quebrar” a sensação de plástico com a mesma textura contínua por vários centímetros consecutivos.
Hyundai i20: tecnologias e segurança
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 tem freio de estacionamento eletrônico, algo raro em sua faixa de preço
Murilo Góes/Autoesporte
Agora, seja um hatch compacto, um crossover ou um SUV de entrada, o fato é que o novo Hyundai i20 tem uma lista de equipamentos de fazer inveja a qualquer concorrente na mesma faixa de preço. Talvez seja o produto mais completo da categoria. Isso, claro, falando de sua versão mais cara.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 traz função Auto Hold e câmera de auxílio a manobras no console central
Murilo Góes/Autoesporte
Na parte de segurança, além de seis airbags, o novo i20 Ultimate oferece um pacote Adas muito bem recheado de assistências de condução nível 2: frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres e ciclistas e de convergência à esquerda, assistente de permanência em faixa, controle de cruzeiro adaptativo (ACC), assistentes de tráfego cruzado traseiro e de saída do veículo, e alerta de ponto cego nos retrovisores externos estão entre os itens.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 tem até shift paddles para trocar de marcha
Murilo Góes/Autoesporte
Neste primeiro contato, não foi possível testar a eficiência do pacote. Fica para quando o compacto chegar à nossa garagem para um teste mais profundo. Outro item exclusivo no segmento é o freio de estacionamento eletrônico, acionável por uma tecla à esquerda da coluna de direção, com Auto Hold. Também há farol alto adaptativo. Um pacote e tanto. Senti falta apenas de um retrovisor interno eletrocrômico, mas não dá para querer tudo na vida… Ainda mais abaixo dos R$ 150 mil.
i20 traz câmera de ré com imagem convencional, expandida em 180° para os lados ou voltada só para baixo
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De resto, há outros itens de conforto cada vez mais comuns no segmento, como partida do motor por botão, vidros elétricos com função um-toque e antiesmagamento em todas as posições, retrovisores externos com rebatimento elétrico, sensores de estacionamento traseiros e uma câmera de ré com três modos de imagem: normal (com guias dinâmicos), em 180° ou voltada para baixo.
Hyundai i20: conectividade
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 tem central multimídia de 12,3″ com projeção de celulares sem fio e “modo valet”
Murilo Góes/Autoesporte
Outra boa notícia é que o novo Hyundai i20 já chega preenchendo lacunas que até o atual Creta deixou abertas quando de seu lançamento, como ao oferecer uma central multimídia de 12,3 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. A interface é amigável, muito rápida de se aprender e dispõe ainda do “modo valet”, que limita o acesso a informações pessoais do usuário ao deixar o veículo com um manobrista. Outra novidade é a atualização OTA (“over the air”), feita pela internet.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 traz carregador de celular por indução e duas tomadas USB-C no painel
Murilo Góes/Autoesporte
A presença dos botões “B” e SOS no console de teto indicam a presença do sistema BlueLink, oferecido gratuitamente por alguns meses e depois pago à parte (a mensalidade é de R$ 29,90). Também há duas tomadas USB do tipo C no painel, o que é ótimo, mas o carregador de celular por indução me desagradou por não ter ventilação dedicada e deixar o celular muito exposto a sair do lugar no caso de uma mudança brusca de direção ou retomada mais forte de velocidade.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027: botões do sistema BlueLink de conectividade no console de teto
Murilo Góes/Autoesporte
E tão criativo quanto tentar emplacar o i20 como crossover é a Hyundai insistir em chamar de “ar-condicionado automático e digital” um sistema que traz apenas uma simples tela monocromática indicando a temperatura, ao mesmo tempo em que a intensidade do ar é regulada por uma roldana e as demais configurações, por botões físicos.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027: como no HB20, ar-condicionado tem tela digital, mas não os comandos
Murilo Góes/Autoesporte
Também me incomodou o quadro de instrumentos dito digital, mas não tão digital assim. O velocímetro e o conta-giros são fixos, com mostradores numéricos simples e monocromáticos. Os indicadores de temperatura do óleo e combustível são analógicos, assim como as luzes-espia, e digital mesmo é só o computador de bordo central, em uma pequena tela de não mais que 4 polegadas. Isso fora o conta-giros que obrigado o motorista a multiplicar todos os números expostos ali por 1 mil.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027: quadro de instrumentos de 12,3 polegadas tem mostradores
Murilo Góes/Autoesporte
Hyundai i20: desempenho, consumo e dirigibilidade
Explicado em detalhes o novo Hyundai i20 Ultimate, hora de dirigir. As primeiras impressões ainda são incipientes, frutos de um contato inicial com o modelo no circuito fechado do Haras Tuiuti, no interior de São Paulo, ainda longe do uso na vida real. Ainda assim, foi possível ter uma boa noção do que esperar.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 – Dianteira
Murilo Góes/Autoesporte
Com um dos motores 1.0 turbo de menor potência e torque do mercado, além de ser mais de 50 kg mais pesado que um Tera ou Sonic, o Hyundai i20 apresenta o pior 0 a 100 km/h oficial do segmento onde quer atuar, empatado com o Volkswagen: 11,7 segundos. Na prática, sente-se um pouco de delay no acelerador, por conta das rigorosas leis de emissões brasileiras, e respostas um tanto lentas do câmbio automático quando precisa reduzir marchas de maneira mais abrupta.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 – Traseira
Murilo Góes/Autoesporte
Mas não se pode dizer que o i20 é manco. Com o pico de torque entregue logo a 1.500 rpm, é um carro que vai entregar arrancadas e retomadas satisfatórias para o dia a dia. A direção elétrica é direta e pouco desmultiplicada, com pouco mais de 2,5 voltas de um batente a outro. Dá poucos rebotes e deixa o carro na mão, assim como o freio responde bem logo no primeiro estágio do pedal.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 – Dianteira
Murilo Góes/Autoesporte
Apesar de ser um carro relativamente baixo, a suspensão do i20 permite uma inclinação lateral da carroceria maior do que eu esperava, mas nada que preocupe. Os pneus Pirelli Cinturato P7 dão boa aderência e ajudam a conferir estabilidade ao hatch compacto nas curvas mais atrevidas. Num geral, é um carro estável, previsível e gostoso de dirigir, mas não é dos mais rápidos ou emocionantes. Falta submetê-lo às ruas esburacadas de São Paulo para conferir o nível de absorção de impactos.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027: inclinação lateral é maior do que eu esperava, mas nível de estabilidade é alto
Murilo Góes/Autoesporte
Já um dos pontos mais fortes do novo Hyundai i20 TGDi é o consumo. Apesar de mais pesado, o desenho de hatch mais convencional, com a frente mais achatada e em formato de cunha, permite uma melhor aerodinâmica e um consumo mais comedido na cidade do que qualquer outro SUV de entrada com motor flex: 12,6 km/l com gasolina e 8,8 km/l com etanol, segundo o Inmetro. A exceção é o Fiat Pulse T200, mas este tem sistema híbrido leve de 12 Volts.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027: abafador e escapamento ficam muito bem escondidos atrás do para-choque traseiro
Murilo Góes/Autoesporte
Na estrada, o motor menos elástico cobra a conta, embora os 14,3 km/l com gasolina e os 10,1 km/l com etanol sejam números de consumo muito próximos aos de Tera, Sonic e Pulse, conforme mostra a tabela abaixo:
Hyundai i20 – Comparativo de consumo contra rivais
Conclusão
Com o novo i20, a Hyundai tentará conquistar o consumidor com um compacto muito bem equipado, dinâmico e econômico na cidade. O estreante tem equipamentos que nenhum rival traz, além de ser relativamente espaçoso e trazer uma experiência agradável, embora longe de perfeita, ao volante. Ainda tem garantia de cinco anos, sem limite de quilometragem.
Mas, claro, há limitações. Por mais que a marca tenha tentado, o acabamento simples demais não vai passar despercebido, assim como a silhueta nada condizente com um pretenso crossover e os ângulos de transposição baixos demais para a realidade brasileira. Ainda assim, deve vender muito bem e incomodar profundamente os rivais, graças à boa reputação construída pela Hyundai no Brasil ao longo de anos.
Hyundai i20 Ultimate TGDi 2027 – Identidade visual dianteira
Murilo Góes/Autoesporte
Hyundai i20: prós e contras
Pontos positivos: consumo na cidade; dirigibilidade; presença de equipamentos exclusivos de segurança e tecnologia; bom espaço interno
Pontos negativos: desempenho; nível de acabamento; luz de ré no para-choque; ângulos de transposição e vão livre do solo muito baixos
Hyundai i20 Ultimate 1.0 TGDi AT 2027
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