GNV no carro: os cuidados para evitar acidentes e explosões


O GNV, ou gás natural veicular, é uma solução econômica e ambientalmente mais limpa para o transporte urbano. No entanto, o que muitos motoristas não sabem é que esse tipo de sistema, embora confiável quando instalado corretamente, exige cuidados técnicos rigorosos para não se transformar em um risco. O ponto mais sensível está justamente na fase inicial: a instalação do kit.
De acordo com o engenheiro Filipe Buscariolo, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, “acidentes com GNV são raros, mas costumam acontecer quando o sistema foi instalado fora das normas técnicas ou em oficinas não credenciadas”. Ele explica que o procedimento deve ser realizado exclusivamente em oficinas homologadas pelo Inmetro, registradas no Detran, e com profissionais treinados para seguir à risca o padrão técnico.
Funcionamento básico de um sistema de GNV consiste em armazenar o gás comprimido em cilindros instalados geralmente no porta-malas do veículo
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Após a instalação, o veículo deve obrigatoriamente passar por uma inspeção em uma Instituição Técnica Licenciada (ITL). Só com a aprovação nessa vistoria é emitido o Certificado de Segurança Veicular (CSV), necessário para legalizar o uso do GNV no CRLV do carro. Péricles Mattos, especialista em segurança pública, reforça: “A instalação inadequada é uma das principais causas de vazamentos e comprometimento do sistema. É inadmissível abrir mão de segurança para economizar na conversão.”
Como funciona um sistema GNV?
O funcionamento básico de um sistema de GNV consiste em armazenar o gás comprimido em cilindros instalados geralmente no porta-malas do veículo, que o conduzem até o motor por meio de um conjunto de mangueiras, válvulas e reguladores. O gás passa por um redutor de pressão, que transforma os cerca de 220 bar do cilindro em uma pressão adequada para a queima no motor.
Nos kits mais modernos, esse processo é gerenciado eletronicamente, com sensores e injetores controlando a mistura de gás e ar, garantindo desempenho otimizado e segurança. A troca entre o uso do GNV e da gasolina ou etanol é feita de forma automática ou manual, dependendo do tipo de kit, e o motor segue o mesmo princípio de funcionamento por combustão, com ignição por faísca.
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A importância da inspeção anual
Uma vez instalado, o kit de GNV precisa de acompanhamento técnico constante. A legislação brasileira exige inspeção anual obrigatória, em especial no momento do licenciamento. O procedimento verifica o estado de conservação do cilindro, das válvulas, mangueiras, redutor de pressão e demais conexões. É nessa etapa que se avalia se há riscos de vazamentos ou falhas estruturais. Segundo Buscariolo, essa inspeção é ainda mais crítica em veículos usados diariamente para transporte por aplicativo ou táxis, que acumulam grande quilometragem.
Além da obrigatoriedade legal, há situações que exigem nova inspeção: troca de componentes, venda do carro, acidentes ou qualquer suspeita de falha no sistema. Circular sem o CSV (Certificado de Segurança Veicular) válido é considerado infração gravíssima. “O não cumprimento das normas pode acarretar multas, apreensão do veículo e até cassação do documento de licenciamento”, afirma Buscariolo.
Documentos importantes devem estar em dia
A legislação brasileira exige inspeção anual obrigatória, em especial no momento do licenciamento
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O CSV, ou Certificado de Segurança Veicular, é o documento que comprova que o sistema de GNV instalado no veículo atende às exigências técnicas e de segurança estabelecidas pelo Inmetro e pela legislação brasileira. Ele é emitido após uma inspeção realizada por uma IT, Instituição Técnica Licenciada, que é uma empresa credenciada pelo Inmetro e autorizada pela Senatran (antigo Denatran) para realizar esse tipo de vistoria. Durante a inspeção, são verificados itens como a vedação do sistema, integridade das mangueiras e conexões, funcionamento das válvulas, estado do cilindro e presença dos selos obrigatórios do Inmetro nos componentes.
Essa inspeção é obrigatória anualmente: o CSV deve ser renovado todos os anos para que o veículo continue autorizado a circular com GNV. Além disso, a emissão do certificado é necessária para que o uso do gás seja registrado no CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo).
Sem o CSV atualizado, o uso do GNV é considerado ilegal, o que pode resultar em multa, pontos na CNH e até apreensão do carro. “A inspeção feita por uma ITL é o que garante que o sistema de GNV está seguro para o uso diário, tanto para o motorista quanto para os demais ocupantes e veículos ao redor”, explica o engenheiro Filipe Fabian Buscariolo.
Perigos reais: o que pode dar errado?
Embora seguro, o sistema de GNV opera sob alta pressão — e qualquer falha pode ter consequências graves. Um dos principais riscos é o vazamento de gás. “Mesmo sendo adicionado de odorantes, o GNV pode vazar de forma silenciosa, e isso é um perigo enorme, principalmente em ambientes fechados”, alerta Péricles. O especialista cita também o risco de instalação inadequada, falta de manutenção e erros no abastecimento, como causas frequentes de acidentes. “Já vimos casos em que o bico foi mal encaixado e provocou sobrepressão, rompendo componentes durante o abastecimento”, relata.
Outro fator de risco é o uso de kits antigos e com manutenção negligenciada. Mangueiras ressecadas, válvulas desgastadas ou filtros entupidos comprometem o funcionamento e elevam o risco de falha. O engenheiro do Mackenzie acrescenta: “A falta de manutenção ou ajustes incorretos no redutor de pressão também pode causar perda de potência ou falhas na transição entre gasolina e gás.”
Como abastecer com segurança
Para evitar incidentes, o abastecimento de GNV requer uma sequência clara de procedimentos. O motor deve estar completamente desligado, com a chave fora da ignição, e ninguém deve permanecer dentro do veículo. “Parece simples, mas muita gente ignora isso”, diz Péricles. Ele destaca que também é importante evitar o uso do celular perto da bomba, conferir se o engate foi feito corretamente e recusar o abastecimento se houver cheiro de gás ou sinais de mau funcionamento. A pressão máxima geralmente é de 220 bar e excedê-la pode ser perigoso. Além disso, o posto precisa estar com manutenção em dia e equipamentos calibrados.
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Estacionamento e calor são riscos reais?
Uma dúvida comum entre motoristas é se deixar o carro ao sol pode aumentar o risco de explosão. A resposta é que não diretamente. “O sistema é projetado para resistir a altas temperaturas, como as de um incêndio, sem que o cilindro exploda. O risco maior está em estacionar em ambientes fechados, mal ventilados”, explica Buscariolo.
Locais como garagens subterrâneas, onde um possível vazamento pode acumular gás, são os mais perigosos. “Sem ventilação forçada, qualquer vazamento pode se transformar em um risco real de explosão”, completa Péricles.
Sinais de alerta no dia a dia
O motorista também tem responsabilidade direta na prevenção de acidentes. Alguns sinais de alerta merecem atenção imediata. Cheiro forte ou persistente de gás, ruídos incomuns vindos do cilindro ou das válvulas, perda de potência repentina, falhas ao alternar entre os combustíveis ou dificuldade para abastecer são sintomas que indicam problemas. “A luz da injeção acesa após a troca para o GNV também pode sinalizar falha na regulagem ou no sensor do sistema”, explica o engenheiro do Mackenzie.
Manutenção periódica: o que precisa ser feito
Dependendo do tipo de kit, e o motor segue o mesmo princípio de funcionamento por combustão, com ignição por faísca.
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Manter o sistema de GNV seguro requer cuidados com alguns componentes-chave. O cilindro tem validade de 20 anos, mas precisa ser requalificado a cada cinco anos por meio de testes hidrostáticos. Mangueiras e conexões devem ser revisadas anualmente e, geralmente, substituídas a cada cinco anos. Filtros do sistema, por sua vez, precisam ser trocados a cada 10 mil quilômetros. Já as válvulas de abastecimento e do cilindro, além do redutor de pressão, exigem inspeção mais minuciosa e substituição conforme desgaste. Veja abaixo tudo que deve ser verificado no sistema
Inspeção de segurança veicular – anual
Levar o veículo a uma ITL (Instituição Técnica Licenciada) para inspeção obrigatória.
Verificar se há emissão do CSV (Certificado de Segurança Veicular).
Atualizar o CRLV junto ao Detran com a informação do uso de GNV.
Requalificação do cilindro – a cada 5 anos
Conferir a data de validade gravada no corpo do cilindro.
Realizar o teste hidrostático para requalificação obrigatória.
Substituir o cilindro se for reprovado ou ultrapassar os 20 anos de uso
Revisão do redutor de pressão – a cada 2 anos ou por quilometragem
Verificar possíveis falhas de funcionamento (queda de desempenho, falhas na alternância de combustível).
Fazer limpeza interna ou substituição, conforme recomendação do fabricante do kit.
Troca dos filtros – a cada 10.000 km
Substituir o filtro de fase gasosa (baixa pressão).
Substituir o filtro de fase líquida (alta pressão), se presente.
Verificação de mangueiras e conexões – anualmente
Checar por ressecamento, trincas, folgas ou vazamentos.
Substituir mangueiras com mais de 5 anos de uso ou em mau estado.
Reapertar abraçadeiras, se necessário.
Avaliação das válvulas (cilindro e abastecimento)
Verificar funcionamento da válvula de segurança (alívio de pressão).
Substituir válvulas com sinais de desgaste ou travamento.
Checagem do sensor de pressão e injetores – especialmente em kits de 5ª geração
Observar sinais de falha na comutação ou no consumo.
Testar e recalibrar os sensores se necessário.
Verificação do manômetro
Conferir leituras de pressão durante o abastecimento e uso.
Substituir caso apresente oscilações erráticas ou leituras imprecisas.
Teste de estanqueidade (vedação)
Utilizar espuma ou equipamento eletrônico para identificar vazamentos.
Realizar preferencialmente nas revisões e inspeções técnicas.
Atualização do software (em kits modernos)
Verificar com a oficina se há atualizações disponíveis para a ECU do GNV.
Reprogramar parâmetros em caso de mudança de cilindro ou redutor.
O que diz a lei
Todo esse cuidado é respaldado por uma legislação rígida. A Resolução CONTRAN nº 673/2017 estabelece os critérios para instalação, uso e regularização do GNV no documento do carro. Já a Portaria INMETRO nº 170/2022 regulamenta os padrões de qualidade dos componentes e das oficinas. Para completar, a norma técnica ABNT NBR 11353 define parâmetros de segurança para o sistema de gás natural. O não cumprimento dessas diretrizes transforma o veículo em irregular e sujeito a penalidades severas.
Em caso de emergência, o que fazer
Se houver suspeita de vazamento ou o veículo se envolver em um acidente com dano ao sistema de gás, as recomendações são claras. O motorista deve desligar o carro imediatamente, sair do veículo com calma, afastar-se e alertar quem estiver por perto. Evite acionar qualquer componente elétrico, inclusive celulares, e acione o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. “Se for possível, o condutor pode fechar manualmente a válvula do cilindro, mas apenas se não houver risco iminente”, reforça Mattos.
Qual kit GNV é mais seguro?
Após ter kit GNV instalado, veículos precisam passar por uma inspreção de uma Insttuição Técnica Licenciada (ITL)
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Uma dúvida recorrente entre motoristas é sobre as diferentes gerações de kits. Os kits mais modernos, como os de 5ª geração, são claramente superiores em segurança, controle e desempenho. Esses sistemas contam com injeção eletrônica, sensores de temperatura e pressão, e são integrados à central eletrônica do carro, o que permite ajustes automáticos da mistura ar/gás, garantindo melhor eficiência e menor risco.
Já os kits de 3ª e 4ª geração, mais antigos, funcionam de maneira parcialmente ou totalmente mecânica. “Esses modelos exigem muito mais manutenção e ajustes manuais. São mais propensos a falhas e não controlam a mistura de forma precisa”, explica Buscariolo.
Péricles Mattos conclui: “As gerações mais recentes tornaram o GNV muito mais seguro e eficiente. O risco existe, mas é amplamente controlável quando se respeitam as normas e se mantém a manutenção em dia.”
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