Teste: Volkswagen ID Tiguan é futuro elétrico da marca sem esquecer passado


Para as marcas tradicionais o momento é de apostar em cavalos ganhadores e, paralelamente, simplificar e reduzir gamas de modelos. Especialmente no caso da Volkswagen, que vive a maior crise da sua história quase centenária. É nesse cenário que chega o ID Tiguan. O novo SUV elétrico carrega o nome consagrado, mas a responsabilidade de construir um futuro mais promissor para os alemães.
Nunca é demais lembrar que, desde o dieselgate, passando pela mudança radical na estratégia de propulsão acelerada em direção aos elétricos, a Volkswagen parece ter mais errado do que acertado. Nos primeiros carros a bateria, havia minimalismo exagerado, como na eliminação de comandos físicos básicos (como os do volume do áudio ou da climatização).
O cliente não perdoou. Agora, começam a aparecer os primeiros resultados das correções nos produtos. A Volkswagen percebeu que não deveria simplesmente dispensar nomes de carros importantes. Por isso, juntou a sigla ID (dos elétricos) aos nomes clássicos, e apagando os números que brotaram nos anos anteriores e que são tão comuns nas marcas chinesas. ID Polo e agora ID Tiguan são bons exemplos. No futuro, teremos também o ID Golf.
Volkswagen ID.Tiguan vai substituir ID4 e ID5 de uma só vez
Divulgação
O ID Tiguan chega para substituir exatamente dois modelos que carregam números no nome – ID4 e ID5. Curiosamente, o ID4 acaba de ser lançado no Brasil com anos de atraso. Indiscutivelmente, o nome Tiguan tem mais apelo. Além de ser o carro mais vendido da Volkswagen no mundo atualmente, já emplacou quase 9 milhões de exemplares em 19 anos de vida.
+ Quer receber as principais notícias do setor automotivo pelo seu WhatsApp? Clique aqui e participe do Canal da Autoesporte.
A inédita versão elétrica, identificada pela sigla ID no início, vai se juntar às motorizações a gasolina, diesel, híbrida e híbrida plug-in no mercado europeu. Para o Brasil, recentemente o CEO da Volkswagen, Ciro Possobom, foi questionado por Autoesporte se o ID Tiguan viria ao Brasil. O executivo afirmou que o ID4 ainda teria uma trajetória longeva por aqui.
Voltando ao novo Tiguan elétrico, na Europa, a produção da versão elétrica será na tão falada (por estar em risco de fechar) fábrica de Emden (Alemanha). As demais opções seguem saindo das linhas da principal unidade do grupo no mundo, em Wolfsburg.
Visual do novo ID Tiguan
Volkswagen ID.Tiguan tem faróis afilados e interligados por uma barra luminosa
Divulgação
Assim como a BMW faz com X3 e iX3, o Tiguan terá diferentes estilos de acordo com o tipo de propulsão. O ID Tiguan tem a mesma linguagem de design que estreou no ID Polo, com faixas horizontais luminosas marcando a dianteira e a traseira com luzes de LED no logotipo da Volkswagen.
Na aerodinâmica, há elementos como o difusor de ar na traseira, o spoiler retrátil no teto, tomadas de ar na grade frontal e parte inferior da carroceria revestida com painéis que permitem ao SUV um coeficiente aerodinâmico de 0,26 nas versões com rodas menores, de 19 polegadas.
Botões físicos voltaram no Volkswagen ID.Tiguan
Divulgação
A cabine merece uma explicação um pouco mais detalhada. Tal como em marcas premium, temos aqui uma porção de telas que vai de ponta a ponta no painel. São três elementos: quadro de instrumentos de 10”, central multimídia de 15” e depois – pela primeira vez num Volkswagen feito na Europa – uma terceira tela diante do passageiro dianteiro de 12”.
Merece ainda referência a possibilidade de escolher um grafismo retrô para central e cluster replicando, por exemplo, a temática do Golf IV de 1997, com um velocímetro clássico e um indicador de uso de potência, no lugar de conta-giros. E também o head-up display que pode projetar a informação no para-brisas com recursos de realidade aumentada.
Tela para o passageiro do ID.Tiguan é inédita em carros da Volkswagen vendidos na Europa
Divulgação
A construção é sólida e os acabamentos, convincentes. O painel tem uma fina camada de revestimento suave ao toque. Os bancos dianteiros têm regulagens elétricas a partir das versões intermediárias, podendo dispor igualmente de ventilação e aquecimento, opcionalmente. Há botões físicos para a climatização entre o console central e a tela e para o volume do áudio.
Espaço não falta, beneficiado também pelo incremento em 8,4 cm na distância entre-eixos, normal em carros elétricos (a plataforma do ID Tiguan é a MEB, diferente da MQB do SUV a combustão). Ao todo, são 4,62 m de comprimento e 2,77 m de entre-eixos. O porta-malas tem capacidade de 534 litros, 4 litros a mais do que a do Tiguan a combustão.
Volkswagen ID.Tiguan tem ótimo espaço no banco traseiro e assoalho plano
Divulgação
Por dentro, o assoalho na segunda fila é totalmente plano, o que funciona como convite para que um terceiro passageiro traseiro aceite entrar na viagem sem quaisquer reservas.
Existem saídas de ventilação para os ocupantes da segunda fila de bancos, com possibilidade de regulagem da temperatura.
Máximo de 600 km de autonomia
Duas das três versões do Volkswagen ID.Tiguan têm tração traseira
Divulgação
Na chegada ao mercado, o ID Tiguan terá três versões. A Pure (com tração traseira) tem motor de 190 cv, bateria de 58 kWh e autonomia até 450 km. Com o conjunto, vai de 0 a 100 km/h em 8,5 segundos e alcança 160 km/h.
Acima da Pure, a Pro mantém a tração traseira, mas alcança 286 cv. Também adota uma bateria maior, de 77 kWh para rodar 600 km e ir aos 100 km/h em 6,6 s, com máxima de 180 km/h. Por fim, a Pro 4Motion tem tração integral graças ao motor elétrico de 109 cv adicional no eixo dianteiro. Combinando com o traseiro (de 190 cv), entrega 299 cv. Por conta da potência adicional, chega de 0 a 100 km/h em 6,3 s e também alcança 180 km/h. A conta do desempenho vem no alcance mais curto, de 560 km.
Como tem motor traseiro, Volkswagen ID.Tiguan tem um pequeno porta-malas dianteiro
Divulgação
Em relação ao carregamento, em corrente alternada (AC), entram 11 kW. Em aparelhos rápidos de corrente contínua (DC), a bateria menor suporta até 105 kW, e a maior, 165 kW.
Mais perto do final de 2027, a gama ID Tiguan irá crescer com uma versão GTI com, pelo menos, 340 cv, que substituirá o atual ID 5 GTX. Uma opção ainda mais extrema, “R”, deve superar os 400 cv. Em termos de preços, a opção de de entrada ficará na casa dos 46 mil euros, ou R$ 260 mil, na conversão do dia.
Ao volante do ID Tiguan
Meses antes do primeiro teste completo, tive oportunidade exclusiva de guiar em Viena (Áustria) um ID Tiguan ainda camuflado. A versão disponível era a Pro, equipada com pneus 235/45 R21. A carroceria pareceu bastante firme em termos de oscilação lateral. Porém, graças ao sistema de amortecimento variável (DCC), é possível alternar entre 14 diferentes parâmetros de rigidez.
Versão com tração integral do Volkswagen ID.Tiguan tem diâmetro de giro mais alto
Divulgação
As respostas bastante imediatas, como esperado em um veículo elétrico, são mais do que suficientes para um SUV de vocação familiar. O isolamento acústico é bastante eficiente, graças aos vidros duplos nas quatro portas. Já a direção traz peso e tato adequados, sendo naturalmente mais leve no modo Comfort e mais pesada no Sport. A desmultiplicação também é razoável (3 voltas ao volante de batente a batente) para a vocação familiar do ID Tiguan.
Quem optar pelo ID Tiguan 4×4 irá precisar de mais espaço para manobrar, dado que o diâmetro de giro é 1,4 metro pior porque as rodas do eixo dianteiro giram menos.
A recuperação de energia em frenagens e desacelerações pode ser nula (com o seletor da transmissão, numa haste no volante, em Drive) ou forte (em B), com opção de “one pedal”. Quando o ID Tiguan está no mobo B, ainda é possível ajustar a intensidade de desaceleração em dois níveis.
Volkswagen ID.Tiguan tem 534 litros de porta-malas
Divulgação
Dinamicamente, o aspeto menos positivo tem a ver com a frenagem convencional, aquela feita com o pé esquerdo. O tato do freio é esponjoso e pouco linear, o que acontece porque esta versão da plataforma MEB ainda não conta com a solução que integra em uma única caixa os componentes principais do sistema.
Aliás, vai ser curioso para os futuros compradores do ID Tiguan constatarem que, sendo bem mais caro que o ID Polo, o SUV freia pior que no hatch, por ser mais pesado, mas também por não usar a versão mais moderna da plataforma MEB. Quase inexplicável é o fato de o Tiguan usar tambores nas rodas traseiras, em vez de discos.
Por fim, em nosso teste de trajeto misto, conseguimos consumo de 5,8 km/kWh, o que permitirá autonomia real perto de 500 km.
É difícil prever ou cravar que o ID Tiguan será o grande responsável por tirar a Volkswagen da crise que entrou – muito por conta de decisões equivocadas. Porém, ao resgatar um nome conhecido e consagrado e criar um SUV elétrico espaçoso o bastante e com a conhecida boa dinâmica de condução, parece estar no caminho correto.
Ficha técnica – Volkswagen ID Tiguan Pro
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital.
Mais Lidas
Fonte: Read More



