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O que falta para o Brasil começar a produzir baterias de carros elétricos?

30/09/2026
O que falta para o Brasil começar a produzir baterias de carros elétricos?


O Brasil será um polo produtivo e exportador de carros eletrificados nos próximos anos. Se nas vendas o carro híbrido ou elétrico já é uma realidade, a produção local será o próximo passo da indústria nacional. Mas vamos depender da importação de itens críticos como baterias e motores elétricos? A resposta é não, o Brasil tem total capacidade para produzir esses componentes, mas depende de investimentos e políticas públicas.
A informação foi confirmada por executivos que participaram do painel “Como a cadeia de fornecedores brasileira se prepara para os novos carros eletrificados, inteligentes e conectados”, no Summit Futuro da Mobilidade 2026. O evento foi organizado e realizado por Autoesporte na terça-feira (29), em parceria com o Valor Econômico, e contou com a presença de diversos líderes da indústria automotiva.
Executivos da cadeia de fornecimento debatem sobre a produção de veículos eletrificados no Brasil
RN Imagen/Autoesporte
O lítio é um componente crucial para a produção de baterias de veículos elétricos e híbridos, material que é abundante no Brasil, assim como outros minerais que são extraídos. Vinícius Alvarenga, CEO da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), revelou que a matéria-prima não é um fator limitador para o Brasil se tornar um polo na produção de baterias. Pelo contrário:
“Não temos limitações porque não há materiais críticos [em falta]. É possível extrair todo o lítio que precisamos para atender as futuras demandas das fabricantes de baterias, sem depender de importação”, destacou Vinícius Alvarenga, CEO da Companhia Brasileira de Lítio (CBL).
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Valter Luiz Knihs, diretor de engenharia de eMobility e baterias da WEG, revelou as dificuldades atuais para a indústria nacional avançar com a produção de baterias:
“Montar módulos de baterias já está acontecendo e avançando de forma rápida, porém, dentro da bateria existe a célula. Atualmente a produção global acontece na China, porque projetos nos Estados Unidos e na Europa não avançaram. Então, sabendo disso, existem discussões no Brasil sobre como localizar a produção de células [das baterias]”, disse Valter Luiz Knihs, diretor de engenharia de eMobility e baterias da WEG.
WEG já monta packs de baterias no Brasil, mas depende da importação das células
WEG/Divulgação
A grande questão é que a WEG e outras empresas precisam de um volume garantido e materiais para trabalhar. Transformar minérios extraídos em materiais usados na produção de baterias é um grande desafio em que a indústria brasileira precisa avançar. Mas, para isso, os especialistas afirmam que é preciso haver demanda de mercado, competitividade por escala de produção e investimentos, sejam privados ou por meio de políticas públicas dedicadas ao setor.
“Não acho que falta conhecimento [para produzir baterias no Brasil]. O que falta é uma demanda robusta e garantida que justifique os investimentos. Material nós temos e não vai faltar, mas queremos que a demanda avance no Brasil. Só que o avanço da China nesse segmento inibiu os investimentos privados em outros países, porque todo mundo tem medo de concorrer com eles. Dessa forma, precisamos de políticas públicas que mudem esse cenário”, destacou o CEO da CBL.
Só assim será possível tornar viável a produção local de baterias completas no país e não só a montagem de módulos cujas células chegam prontas e importadas. De acordo com Knihs, a WEG ainda não decidiu se entrará nesse segmento de produção de células de bateria ou se continuará a comprar as células prontas de fornecedores terceiros.
Em um ponto todos os painelistas concordaram: é preciso começar a investir nisso já, para termos uma cadeia fornecedora mais densa e especializada em um prazo mínimo de dez anos.
Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), também acredita na capacidade da indústria nacional para produzir baterias, mas destaca alguns pontos que precisam avançar: “Temos que olhar para a capacitação e trabalhar em parcerias. Às vezes, vai, sim, precisar de parceiros [de outros países]. É uma grande oportunidade”.
A demanda do mercado por veículos elétricos cresce a cada dia, mas a demanda da indústria local por baterias ainda é pequena
Divulgação
José Eduardo Luzzi, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças), acredita que a cadeia de fornecimento sempre acompanhou as mudanças da indústria, oferecendo componentes locais com preços competitivos. No caso da produção de veículos eletrificados, o cenário não será diferente:
“Não temos o direito de jogar fora todo esse legado e essa história. A questão não é se vamos produzir, mas quando, e com qual grau de profundidade. O ciclo só é virtuoso quando tem as quatro etapas. Primeiro começa por importação. Depois, segue para SKD e CKD, para então chegar as demais etapas produtivas”, destacou o diretor da Abipeças.
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