Teste: os truques do Jeep Avenger Altitude de R$ 120 mil contra Tera e Sonic


O Jeep Avenger é o primeiro modelo da marca a não ter nenhuma versão 4×4 à venda no Brasil. Isso porque sua proposta é bem clara: ser um carro de baixo custo, prático para a cidade e econômico, com sistema híbrido leve (MHEV) de 12 volts. Mas será que a versão Altitude, a mais barata, vendida por R$ 119.990, é simples demais? Testamos o SUV para responder o que ele oferece, o que falta, e seus truques para desbancar a concorrência.
Para estimular as vendas no lançamento, a Stellantis ofereceu as 1 mil primeiras unidades do Altitude por R$ 114.990 como promoção — mas essa condição já terminou. Vale lembrar que o Renegade agora parte de R$ 129.990, também na versão Altitude. Só que mesmo com preço cheio de tabela, o Avenger ainda continua sendo o carro híbrido mais barato do país, para brigar com Chevrolet Sonic, Fiat Pulse, Renault Kardian e Volkswagen Tera.
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Preços do Jeep Avenger
Jeep Avenger Altitude: motor, câmbio e desempenho
Jeep Avenger Altitude tem motor T200 1.0 turbo flex, de três cilindros e 12 válvulas com injeção direta, de até 116 cv
Renato Durães/Autoesporte
O Jeep Avenger é equipado em todas as versões com motor T200 1.0 turbo flex, de três cilindros e 12 válvulas com injeção direta, a um sistema elétrico MHEV de 12 Volts com motor de 4 cv e 1 kgfm que não traciona as rodas sozinho. Sua função é auxiliar o propulsor a combustão em partidas e retomadas. O câmbio é automático do tipo CVT, com sete marchas simuladas.
É o mesmo conjunto que equipa Fiat Pulse e Fastback, e Peugeot 208 e 2008. No Avenger, porém, o motor foi recalibrado para entregar 116 cv de potência e 20,4 kgfm de torque com qualquer combustível — e não 130 cv como nos outros modelos da Stellantis.
Jeep Avenger Altitude tem as descrições MHEV e Altitude na traseira
Renato Durães/Autoesporte
Isso acontece porque ajuda a fabricante a reduzir os gastos tributários do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Também é possível esperar essa mesma potência de 116 cv no futuro Fiat Argo X e em outros carros da Stellantis já equipados com essa motorização.
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Jeep Avenger Altitude tem visual atualizado
Jeep Avenger Altitude não tem o topo da grade iluminado nas sete fendas
Renato Durães/Autoesporte
O Avenger foi lançado na Europa no início de 2023 e reestilizado em maio desse ano, mas a boa notícia é que já chega ao Brasil com o visual já atualizado. Na dianteira, as sete fendas seguem fechadas na grade, mas só a versão Limited traz detalhes luminosos no topo de cada peça. E a Altitude até vem com faróis de LED de série — na topo de linha são LED Matrix —, só que ela é a única da gama que não oferece faróis neblina.
Jeep Avenger Altitude tem rodas de liga leve aro 16
Renato Durães/Autoesporte
Nas laterais, as maçanetas traseiras ficam embutida na porta, seguindo a mesma ideia do Honda HR-V e Renault Boreal. E as maçanetas dianteiras e retrovisores são de plástico, sem a pintura preta como nas versões Longitude e Limited. Aqui, as rodas são de 16 polegadas, com pneus 215/65 R16, enquanto nas opções mais caras elas são de aro 17 e 18, respectivamente.
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A traseira segue uma linha igual nas três versões, as lanternas de LED no tradicional formato de “X” da Jeep, assinatura MHEV e o nome da versão No caso dessa unidade que testamos, a cor Branco Snow é um opcional por R$ 1.100, e a câmera de ré e as barras de teto, também fazem parte do pacote High Altitude, de R$ 5.000. Sendo assim, o preço sobe para R$ 126.090.
Jeep Avenger Altitude tem lanternas de LED em todas as versões
Renato Durães/Autoesporte
Dimensões
Jeep Avenger Altitude tem apenas 2,46 m de entre-eixos
Renato Durães/Autoesporte
Feito sobre a plataforma CMP, arquitetura desenvolvida originalmente pelo grupo Peugeot-Citroën e base do 208 e 2008, o Avenger é o menor Jeep já feito: são 4,09 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,60 m de altura e 2,56 m de entre-eixos. No porta-malas, são 321 litros de capacidade no padrão de medição VDA. O número fica abaixo dos 350 l do Tera, os 358 l do Kardian e os 392 l do Sonic, mas surpreendentemente fica pareado com os 320 l do Renegade. Na prática, o espaço do porta-malas é muito melhor do que o dos passageiros.
Numa compra de supermercado, com seis sacolas retornáveis cheias, coube tudo e ainda sobrou espaço com folga. No canto esquerdo há iluminação e tem estepe de uso temporário. Porém, essa sensação de folga no espaço termina totalmente quando uma pessoa da minha altura, de 1,87 m, senta no banco traseira com o assento do motorista há ajustado para mim.
Jeep Avenger: compare as dimensões com os rivais
O espaço traseiro é extremamente apertado, e até entrar no carro é difícil. Não há qualquer tipo de conforto: os joelhos ficam fincados no banco do motorista e, ao adotar uma posição mais ereta, a cabeça já encosta no teto.
Jeep Avenger tem porta-malas de 321 litros, que é 1 l maior do que o Renegade
André Schaun/Autoesporte
Além do espaço limitado, a simplicidade também chama atenção. O banco é de tecido, o apoio de braço das portas é de plástico duro e não há qualquer entrada USB — recurso disponível nas duas versões mais caras. Saídas de ar-condicionado para os passageiros traseiros não existem em nenhuma configuração.
Jeep Avenger Altitude tem bancos de tecido
Renato Durães/Autoesporte
Para completar, a parte inferior das portas traz até o espaço destinado aos alto-falantes, mas, na versão Altitude, não há o componente instalado. Ou seja, é apenas uma abertura vazia e não há reprodução de som na parte traseira. Na frente, as portas têm superfícies macias no apoio de braço e na parte superior. Já o painel combina plástico rígido com detalhes no mesmo vinil dos bancos e costuras aparentes. E há iluminação ambiente com oito opções de cores.
Na frente, o painel do Avenger Altitude tem desenho horizontal e acabamento simples, com bastante plástico, mas há uma faixa revestida de tecido na parte central, que quebra um pouco a aparência mais básica. Logo abaixo da tela há uma fileira de botões físicos, que concentra comandos de funções do ar-condicionado e do volume, facilitando o acesso sem depender da central multimídia.
Jeep Avenger Altitude tem a parte central do painel forrada de tecido
Renato Durães/Autoesporte
Na parte inferior, tem um espaço para porta-objetos — que é um carregador de celular por indução na versão Longitude — e o freio de estacionamento eletrônico é de série em toda a gama. Ainda tem duas entradas UBS: uma do tipo A e outro do tipo C.
Mesmo com os botões físicos, caso você queira, na central multimídia de 10 polegadas, com tela retangular, dá para mexer tanto no ajuste do volume, quanto do ar-condicionado. E ainda tem conexão sem fio com Apple CarPlay e Android Auto que, no caso do iPhone, o pareamento é rápido e prático e, todas as vezes que liguei o carro, a conexão foi restabelecida automaticamente.
Jeep Avenger Altitude tem duas entradas USB: tipo A e tipo C
Renato Durães/Autoesporte
Apesar de o sistema da central multimídia ser simples, tudo funciona de forma rápida e é fácil encontrar os comandos, sem exigir grandes estudos prévios para descobrir onde estão as funções, como acontece na maioria dos carros chineses, que concentram centenas de recursos na tela.
Jeep Avenger Altitude tem tela retangular e botões físicos abaixo dela
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Pela tela, é possível acessar configurações de iluminação e ativar e desativar alguns sistemas de assistência ao motorista, como o alerta e o assistente de permanência em faixa, o reconhecimento de placas e a frenagem automática de emergência. Também há informações sobre o veículo, como a pressão dos pneus e diagnósticos do sistema.
Ao volante
Jeep Avenger Altitude fez o 0 a 100 km/h em 9,7 segundos
Renato Durães/Autoesporte
À frente do motorista fica o quadro de instrumentos digital, com tela de sete polegadas e informações básicas, como velocímetro e consumo. E não se assuste ao acionar a seta pela primeira vez: o som é alto e lembra desde um batimento cardíaco até o movimento do ponteiro daqueles relógios mais antigos. O volante tem ajustes de altura e profundidade e, no dia a dia, uma coisa é fato: o desempenho não decepciona, mas os 14 cv a menos não passam despercebidos para quem já dirigiu outros modelos da Stellantis com o motor T200 de 130 cv, e não de 116 cv.
A arrancada com 20,4 kgfm entre 2.000 rpm e 3.500 rpm é boa, prova disso é que no Rota 127 Campo de Provas, o Avenger acelerou de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos em nossos testes. Isso foi o suficiente para superar os 11,7 s do Tera, os 10,4 s do Kardian e os 10 s do Sonic. Só o Pulse de130 cv ficou abaixo: 9,4 s.
Teste de 0 a 100 km/h
No uso cotidiano, o Avenger desperta algumas sensações. A primeira delas é a de estar em uma cabine de hatch, já que o espaço interno é bastante compacto, assim como no Pulse. Por outro lado, usa um truque interessante: a posição do capô é mais elevada do que a do modelo da Fiat, e o vão livre do solo é de ótimos 22,1 cm, contra 20,2 cm do Pulse — medida que não é ruim. E isso transmite robustez.
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Além do menor carro da Jeep ter bons ângulos de ataque (22°) e de saída (33,6°), sua suspensão foi elevada em cerca de 2 cm em relação à configuração europeia, para deixar o Avenger brasileiro mais robusto e valente. E ai, a engenharia brasileira acertou em cheio. Muito mais do que números de ficha técnica, na prática isso garante boas habilidades urbanas ao Avenger, especialmente para enfrentar valetas, pisos irregulares e rampas mais inclinadas sem raspar.
Jeep Avenger Altitude tem o consumo decepcionante na cidade
Renato Durães/Autoesporte
E, se você é como eu e não gosta do sistema start-stop quando o carro para no semáforo, a notícia não é boa: não há nenhum botão para desativá-lo — exatamente como nos modelos da Fiat e da Peugeot. A dica é a de sempre: quando estiver parado, basta tirar o pé do pedal do freio ou dar uma leve girada no volante para o motor ligar novamente. Mas a dica de ouro é: no modo Sport, que não muda tanto a dinâmica do carro em relação ao Normal, o start-stop é desativado automaticamente.
E, apesar de não ter versões 4×4, a Jeep “compensa” com o e o modo All Terrain, que funciona como o sistema TC+ de outros carros da Stellantis: é uma espécie de bloqueio eletrônico do diferencial dianteiro. Ajuda em off-road leve, com estrada de terra com pouca superfície de lama, mas nada próximo a um genuíno Jeep 4×4. Como a proposta é de um SUV urbana, tração 4×4 realmente não faz falta. O que faz falta é um consumo melhor mesmo.
Jeep Avenger Altitude faz 14,9 km/l na rodovia
Renato Durães/Autoesporte
Quem se ilude com o chamariz do híbrido, vai se decepcionar. Com gasolina no tanque e o ar ligado, o Avenger registrou 11,7 km/l na cidade e 14,9 km/l na estrada em nosso teste de consumo. O consumo urbano é bem decepcionando, sendo inferior ao do Sonic e ao do Kardian, que não tem nada de eletrificação no sistema. Já o rodoviário é até que bom, mas ainda sim fica atrás de Tera e Sonic. Ao menos o tanque tem 54 litros, garantindo autonomia urbana de 631 km e rodoviária de 804,6 km.
Consumo
Na suspensão, o Avenger traz conjunto independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. Os freios são a disco ventilado na dianteira e sólidos nas rodas traseiras. Nas frenagens mais leves do dia a dia, não há qualquer insegurança ou “sustinho”. O Avenger freia de forma suave, com pedal bem calibrado e sem transmitir pressão excessiva para a cabine mesmo nas frenagens mais bruscas.
Em nossos testes, principalmente em velocidades mais elevadas, o Avenger precisou de 41,4 metros para ir de 100 km/h até zero. A distância só não é maior que a do próprio Pulse. O Tera, por exemplo, faz o mesmo em 37,4 metros. Em uma situação de emergência, especialmente na estrada, esses metros a mais até a parada completa podem fazer diferença. Um dos principais motivos está no peso do Avenger, de 1.253 kg. O Tera pesa 1.169 kg, o Kardian 1.186 kg e o Pulse, 1.234 kg.
Teste de frenagem
Jeep Avenger Altitude vale a pena ou é muito simples?
Jeep Avenger Altitude tem boa lista de equipamentos de série
Renato Durães/Autoesporte
Em relação aos equipamentos, o Jeep Avenger Altitude tem uma boa lista, com destaque para: seis airbags, alerta de colisão frontal, frenagem de emergência, alerta de saída e assistente de permanência em faixa, controle de estabilidade e descida, detector de fadiga, piloto automático, reconhecimento de placas de trânsito, sensor da pressão dos pneus, sensor de estacionamento traseiro, faróis de LED, central multimídia de 10 polegadas com conexão sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, painel de instrumentos digital de 7 polegadas, bancos revestidos de tecido e rodas de liga leve de 16 polegadas.
A garantia é de cinco anos e apenas a opção preta é sem custo. No site da Jeep, além do Branco Snow de R$ 1.100, são mais três cores opcionais: Vermelho Sunset, Cinza Concrete e Cinza Granite, que custam R$ 2.200 cada. As revisões do Avenger devem ser realizadas a cada 12 mil km ou 12 meses, o que ocorrer primeiro. Ao longo dos primeiros 60 mil km, são cinco revisões programadas, com custo total de R$ 5.049.
1ª: R$ 855
2ª: R$ 883
3ª: R$ 1.035
4ª: R$ 883
5ª: R$ 1.393
TOTAL: R$ 5.049.
Jeep Avenger Altitude custa R$ 5.049 nas cinco primeiras revis
Renato Durães/Autoesporte
Por R$ 120 mil, o Avenger Altitude peca pelo excesso de economia em algumas partes, principalmente no banco traseiro, que não oferece qualquer comodidade, como entrada USB, apoio de braço central, revestimento macio nas portas ou saídas de alto-falantes. O espaço também não é dos melhores, assim como o consumo de combustível.
Por outro lado, considerando o cenário atual e sua faixa de preço, o Avenger entrega itens importantes, como um bom pacote de segurança, desempenho satisfatório, é prático para estacionar na rua, tem ótima altura em relação ao solo e a tração 4×4 não faz qualquer falta. Na balança, os pontos positivos acabam sendo mais relevantes do que os negativos. Uma coisa é fato: o Avenger vai vender muito.
Prós e contras – Jeep Avenger
Pontos positivos: ótima altura em relação ao solo, bons ângulos de entrada e saída, e lista de equipamento de segurança
Pontos negativos: falta de itens de conforto no banco traseiro, consumo e resultados de frenagem
Teste – Jeep Avenger Altitude
Ficha técnica – Jeep Avenger Altitude
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