Novo Jeep Compass corrige principais problemas da atual geração?


O inédito Jeep Avenger acaba de chegar no Brasil, e o próximo grande lançamento da marca será a nova geração do Compass, que não tem qualquer relação com o atual vendido por aqui. Mas será que os principais defeitos do SUV, como espaço interno, porta-malas e consumo, foram corrigidos? Autoesporte foi até a Cidade Real, no interior da Espanha, conhecer o modelo.
A segunda e atual geração do Compass foi lançada no Brasil em setembro de 2016, com produção em Goiana (PE). E não é exagero dizer que foi um dos carros mais bem-sucedidos da indústria nesta última década. De lá para cá, o modelo teve mais de 500 mil unidades emplacadas e criou uma soberania entre os SUVs médios — e, por duas vezes, em 2017 e 2018, atingiu o posto de SUV mais vendido no geral. Mas pouco mudou desde então, e uma nova geração já é muito necessária.
Compass agora é só elétrico e híbrido
Na Europa, o Compass é vendido em duas versões com sistema híbrido leve (MHEV) de 48 Volts similar ao que estreou recentemente no Renegade e no Commander brasileiros, porém mais eficiente. Lá, o motor 1.2 PureTech turbo de três cilindros a gasolina, de 136 cv, que opera em ciclo Miller, alia-se a um motor elétrico de 28 cv e 5,6 kgfm. São 145 cv de potência e 23,4 kgfm de torque combinados. A bateria de íons de lítio tem 0,9 kWh.
E são outras três variantes elétricas. A Standard Range tem 213 cv, 35,2 kgfm de torque e bateria de 74 kWh, com autonomia de até 500 km no ciclo WLTP. Já a configuração Long Range entrega 231 cv, os mesmos 35,2 kgfm de torque, e bateria de 96 kWh, suficiente para alcançar até 650 km de autonomia no ciclo WLTP. Ambas têm tração dianteira.
Jeep Compass e-Hybrid entrega 145 cv de potência combinada
Divulgação
A versão mais potente é a 4xe Full Electric, de 375 cv e 35,2 kgfm, com dois motores elétricos (um em cada eixo), tração integral e também bateria de 96 kWh, capaz de rodar até 600 km no ciclo WLTP. Ainda são mais duas de 375 cv com diferentes pacotes.
Preços do novo Jeep Compass na Espanha, com conversão para o real:
Altitude e-Hybrid MHEV: 43.200 euros — R$ 257.472
First Edition e-Hybrid MHEV: 46.700 euros — R$ 278.332
Standard Range: 50.600 euros — R$ 301.576
Long Range: 53.850 euros — R$ 320.946
4xe Full Electric Upland: 56.850 euros — R$ 338.826
4xe Full Electric Overland: 60.350 euros — R$ 359.686
Nova plataforma
Novo Jeep Compass aumentou 16 cm no entre-eixos na comparação com a atual geração
Divulgação/Jeep
Uma das principais revoluções do novo Compass está na troca da plataforma Small Wide 4×4 pela STLA Medium, que já é base do novo Peugeot 3008, e também estará nos próximos Renegade e Commander.
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O novo Compass será fundamental dentro do plano de investimentos de R$ 32 bilhões da Stellantis para a América do Sul até o fim da década. Será ele o responsável por estrear essa nova arquitetura modular na fábrica de Goiana (PE), a partir de 2028, abrindo caminho para que ela seja usada pelos outros modelos da Stellantis posteriormente.
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A plataforma melhorou o espaço interno?
Logo quando bati o olho no novo Compass, dentro da concessionária Jeep Servi-Auto que nos cedeu uma unidade, percebi o ganho de porte. Em relação ao SUV atualmente vendido no Brasil, o novo Compass cresceu 15 centímetros em comprimento (4,55 metros), 8,5 cm em largura (1,93 m) e 16 cm em entre-eixos (2,80 m). Com isso, conseguiu resolver um de seus principais problemas: o espaço interno.
De acordo com a Jeep, o espaço para as pernas é 5,5 cm maior na segunda fileira. E, de fato, uma pessoa da minha altura, de 1,87 m, com o banco do motorista já ajustado para mim, tem muito mais espaço em relação ao atual para as pernas, cabeça e para os ombros. Por outro lado, a arquitetura mais moderna também cobra seu preço no espaço para os ocupantes.
Novo Jeep Compass tem 2,79 m de entre-eixos
Divulgação/Jeep
Como as baterias ficam instaladas sob o assoalho, o piso precisa ser mais alto nessa região. Para não comprometer o espaço para a cabeça, o banco é instalado em uma posição mais baixa, deixando menos espaço entre o assento e o piso para acomodar as pernas.
Na prática, quem é mais alto fica com os joelhos mais elevados e as pernas mais dobradas, o que prejudica o conforto, principalmente a fixação das coxas. O teto panorâmico também rouba um pouco de espaço. Mas, no geral, o ganho de espaço é muito significativo.
Jeep Compass e-Hybrid 145 é a versão de entrada
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Entre os itens de conforto, há apoio de braço central com dois porta-copos, duas entradas USB tipo C, saídas de ar-condicionado e portas revestidas com materiais macios. O banco traseiro pode ser rebatido na proporção 40/20/40: duas de 40% e uma central de 20%.
Assim, é possível rebater apenas a parte do meio para levar objetos compridos, sem precisar baixar os bancos laterais. É uma solução bastante prática para ampliar o espaço de carga sem abrir mão de dois lugares para passageiros.
Porta-malas também aumentou?
Jeep Compass e-Hybrid oferece 550 litros (medidos em sacos de água)
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O porta-malas de apenas 410 litros é outro fator que pode pesar contra quem busca um carro de uso mais familiar na atual geração. Esse problema foi resolvido na nova geração, que está bem maior e oferece 550 litros de capacidade. A abertura da tampa é automática, com um toque na chave, e, do lado de dentro, há iluminação de LED nas duas laterais.
A cabine também melhorou?
Jeep Compass e-Hybrid traz seletores curtos de marcha e modos de condução ampliam a área livre para as mãos
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Acabamento interno nunca foi problema para a Jeep no Brasil, pelo contrário, a fabricante sempre foi conhecida por manter um bom padrão. E na nova geração isso segue. Houve uma clara evolução da qualidade dos materiais do painel (com mais superfícies de toque suave) e das portas dianteiras, com revestimentos que podem ser de couro, alcantara ou tecido, dependendo da versão.
O desenho do painel também está muito mais moderno, combinando um quadro de instrumentos digital de 10,25” à central multimídia de 16” — rompendo com o arranjo vertical adotado por outros modelos do grupo, como a Fiat Toro. No console central, o seletor giratório assume o lugar da antiga alavanca de câmbio tradicional, abrindo espaço para um carregador de celular por indução.
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O sistema de entretenimento tem gráficos de boa qualidade, processamento rápido e uma boa qualidade do som. De série, todos os Compass novos têm os modos Sport, Auto, Neve e Areia/Lama, que alteram as respostas de direção, acelerador e controles de estabilidade e tração, segundo a marca.
Quais motores teremos no Brasil?
Novo Jeep Compass tem modos de condução Sport, Auto, Neve e Areia/Lama
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Mesmo com os ajustes para as leis de emissão no Brasil, o Jeep Compass T270 2026 continua como um dos SUVs mais gastões da faixa de preço. Segundo o Inmetro, faz 7,3 km/l na cidade e 8,6 km/l na estrada com etanol. Quando abastecido com gasolina, o consumo cai para 10,1 km/l em ciclo urbano e 12,1 km/l no rodoviário. Porém, é difícil é alcançar esses mesmos números na prática.
Na Europa, com o motor 1.2 PureTech e sistema MHEV de 48 Volts, o consumo médio divulgado é de 17,1 km/l. Mas não teremos esse motor no Brasil e por aqui e composição da gasolina é bem diferente, ainda mais com os atuais 32% de etanol na mistura, a chamada gasolina E32.
No Brasil, um dos destaques será o tão aguardado sistema híbrido pleno (HEV) da Jeep. Batizado de BioHybrid, será uma derivação do conjunto já usado pela nova geração do Cherokee nos Estados Unidos e estudada para o nosso mercado.
No SUV norte-americano, o conjunto é formado pelo motor 1.6 turbo de 180 cv e 30,6 kgfm (o mesmo THP oferecido no Brasil até alguns anos atrás) e outros dois elétricos. No total, são entregues 213 cv de potência e 31,8 kgfm de torque.
Novo Jeep Compass terá versões 4×4 na Europa
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No Brasil, Autoesporte apurou que a Jeep trocará o motor 1.6 pelo conhecido 1.3 turbo T70, tornando o conjunto flex. A potência certamente ficará acima dos 200 cv e o consumo será o principal chamariz do conjunto.
No Cherokee, as médias chegam a 17,9 km/l com gasolina e, graças ao tanque de combustível de 52 litros, a autonomia chega a até 930 km na cidade. Com esse conjunto, finalmente o o consumo pode virar uma das virtudes do Compass. Versões elétricas ainda são uma incógnita para o mercado brasileiro.
Outra possibilidade é a Stellantis adaptar o sistema híbrido em série ou de autonomia estendida (REEV) da Leapmotor ao motor T270 flex e equipar a nova geração do Compass com este conjunto inédito. Há, ainda, a possibilidade de o novo Compass nacional ter o visual do europeu, porém mantendo a base Small Wide, conforme noticiado pelo Auto+.
Problemas corrigidos?
Novo Jeep Compass será fabricado no Brasil a partir de 2028
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Com certeza a nova geração resolve problemas como espaço interno e de porta-malas. Resta saber se o do consumo também será. Dos R$ 32 bilhões investidos na América do Sul até o final de 2030, um total de R$ 13 bilhões serão direcionado ao Polo Automotivo de Goiana (PE). De lá, sairão seis novos produtos híbridos do grupo.
Executivos da Stellantis já confirmaram que a linha de montagem tem flexibilidade técnica para operar com mais de uma plataforma simultaneamente, abrindo caminho para a introdução da arquitetura STLA Medium e, consequentemente, da nova geração do Compass. Entretanto, por questões de custo, é possível que a fabricante opte por manter a base antiga e trabalhar em uma reformulação profunda de visual, interior e motorizaçã.
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