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Chevrolet Chevette: 1° popular da GM abriu caminho para Corsa, Celta e Onix

06/09/2026
Chevrolet Chevette: 1° popular da GM abriu caminho para Corsa, Celta e Onix


Em uma edição que traz o comparativo de seis carros elétricos como matéria de capa, coube a mim compensar (para cima) as emissões dirigindo esse belo Chevrolet Chevette de 1975. É uma ótima oportunidade para contar a história do primeiro carro popular da General Motors no Brasil — e também um dos mais inovadores. Assista:
Se nos referimos à primeira geração do Chevette, é claro que estamos falando da saudosa frente “tubarão”, que lhe rendeu o apelido que carrega até hoje. O desenvolvimento começou em 1970, quando a GM reuniu todas as suas marcas — Chevrolet, Opel, Vauxhall, Holden, Pontiac, Isuzu — para apresentar a plataforma “T”. Com base nela, cada submarca teria liberdade para criar o carro mais condizente com os países em que seria vendido, escolhendo visual, motorização, pacote de equipamentos e outros tópicos.
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Na Europa, a plataforma deu origem ao chamado Opel Kadett C, lançado em 1973 na Alemanha, quase simultaneamente ao Chevrolet Chevette brasileiro produzido em São José dos Campos (SP).
Chevrolet Chevette tentou “popularizar” a receita do Opala
Renato Durães/Autoesporte
Na época, rumores davam conta de que a GM teria descartado o nome europeu no Brasil para não relacionar o sedã ao governo militar, tendo em vista que “cadete” é uma patente do Exército. A informação nunca foi confirmada, mas virou folclore entre grupos de entusiastas e até em materiais históricos. Mais de uma década depois, já após a redemocratização, o Kadett finalmente seria lançado por aqui.
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Chevrolet Chevette tinha estilo arrojado com fortes inspirações europeias
Renato Durães/Autoesporte
O Chevette chegou às lojas como o carro popular da GM, uma vez que o Opala, este produzido em São Caetano do Sul (SP), era muito sofisticado para as massas. Logo de cara, o sedã foi bem-aceito em virtude do aspecto da inovação.
O interior deste Chevrolet Chevette 1975 foi restaurado. Originalmente, os bancos eram de tecido
Renato Durães/Autoesporte
A começar pelo posicionamento do tanque de combustível, deslocado do assoalho do porta-malas para um compartimento inclinado atrás do banco traseiro. A GM temia que colisões traseiras pudessem causar explosões e incêndios, exatamente como no Ford Pinto norte-americano. Embora o posicionamento do galão de 45 litros roubasse parte do comprimento do bagageiro, havia um ganho de profundidade. Já o bocal de abastecimento foi parar na coluna “C”.
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Acabamento de madeira no painel do Chevrolet Chevette era verdadeiro, feito de jacarandá
Renato Durães/Autoesporte
Outro ponto único em relação à segurança é que a coluna de direção retrátil foi desenvolvida para se romper em colisões frontais, evitando que o volante se projetasse contra a cabeça do motorista.
Mas as soluções engenhosas, sozinhas, não seriam suficientes para dar ao Chevette seu espaço no mercado. Ele tinha motor 1.4 a gasolina que despejava 68 cv e 9,8 kgfm no eixo traseiro. Como a proposta era de ser um carro racional, a calibração claramente era mais voltada à eficiência do que ao desempenho, o que veio a calhar com os preços elevados da gasolina na década de 1970.
Espaço traseiro do Chevrolet Chevette era acanhado na comparação com a Volkswagen Brasília
Renato Durães/Autoesporte
Mesmo assim, após mais de 50 anos, o sedã se mostra valente no trânsito por consequência do baixo peso — modestos 830 kg. Não faltou fôlego para encarar subidas ou vencer a inércia ao parar nos semáforos.
Calotas originais do Chevrolet Chevette são raríssimas
Renato Durães/Autoesporte
E uma característica que só a tração traseira pode proporcionar é o excelente ângulo de giro. É o que melhora — e muito — sua manobrabilidade, fundamental numa época em que direção hidráulica era item de Ford Galaxie. A tração traseira também é responsável pela alta procura do Chevette por praticantes do drift, o que fez vários exemplares clássicos do sedãzinho perderem o status da originalidade.
Porta-malas do Chevrolet Chevette era fundo por conta do tanque reposicionado
Renato Durães/Autoesporte
Já os engates do câmbio de quatro marchas são longos e exigem tempo para adaptação e aprendizado. É normal ouvir algumas “raspadas” enquanto o motorista acerta o ponto de passagem de marcha. O Chevette ainda teria opção de câmbio automático de três marchas a partir de 1985.
Bocal de abastecimento ficava na coluna “C”
Renato Durães/Autoesporte
Mas o Chevette não somou apenas louros em sua trajetória. Em algumas unidades, especialmente nas mais antigas, havia um defeito crônico: a direção ficava levemente deslocada para a esquerda — o chamado “volante descentrado”. O sedã também tinha inúmeros pontos de infiltração de água, por borrachas ressecadas ou até por fragilidade estrutural.
Não é o caso do carro das imagens, restaurado 25 anos atrás por Adalberto de Andrade, membro do Chevette Clube do Brasil (@chevetteclubedobrasil). O exemplar foi adquirido zero-quilômetro por seu padrinho em 1975 e está na família desde então.
Motor 1.4 era considerado econômico para sua época
Renato Durães/Autoesporte
Mais de 1,6 milhão de unidades do Chevette foram vendidas no Brasil entre 1973 e 1993, e versões de exportação foram produzidas até 1995. Foi o país em que um carro baseado na plataforma “T” teve a melhor performance em vendas no mundo. Nos Estados Unidos, além de ter sido um fiasco, trazia no manual a orientação “Not safe for highway use” (Não é seguro para rodar na estrada).
Chevrolet Chevette 1975
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