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Teste: Jeep Avenger tem o que precisa para ser o SUV mais vendido da marca?

13/08/2026
Teste: Jeep Avenger tem o que precisa para ser o SUV mais vendido da marca?


Nascer em uma família consagrada é uma faca de dois gumes. De um lado, você carrega a força de um sobrenome pesado. Do outro, já chega com a expectativa de entregar o mesmo que aqueles que vieram antes. É isso que acontece com o Jeep Avenger. Depois de cinco anos sem apresentar um modelo completamente inédito no Brasil, a fabricante agora aumenta seu portfólio com a chegada do caçula.
O irmão mais novo de Renegade, Compass e Commander precisa provar que tem personalidade de Jeep para conquistar seu espaço em um dos segmentos mais disputados do mercado brasileiro. Pela frente, encontra Chevrolet Sonic, Renault Kardian, Volkswagen Tera e até o primo Fiat Pulse. Será que o Avenger tem maturidade suficiente para encarar esse desafio?
Preços e versões do Jeep Avenger:
Fabricado em Porto Real (RJ), o Jeep Avenger será vendido em três versões — Altitude, Longitude e Limited — com preços entre R$ 114.990 e R$ 146.990. Assim, fica na mesma faixa de valores dos principais concorrentes. Mais do que isso, ocupa o espaço que existia abaixo do Renegade. Tanto que a versão de entrada do irmão mais velho deixou de ser oferecida para evitar uma briga de família.
Jeep Avenger Altitude – R$ 114.990 (preço exclusivo para as 1.000 primeiras unidades vendidas. Depois, o valor sobe para R$ 119.990)
Jeep Avenger Longitude – R$ 135.990
Jeep Avenger Limited – R$ 145.990
Visual do Jeep Avenger
O Jeep Avenger em detalhes
Como todo o caçula, o Avenger herda características dos irmãos. No visual, permanecem as tradicionais sete fendas da grade, mas com assinatura luminosa na versão Limited, topo de linha, testada por Autoesporte. É uma prova de que o modelo brasileiro já chega com o design atualizado apresentado recentemente na Europa.
Jeep Avenger tem lanternas em formato de “X”
Renato Durães/Autoesporte
Na traseira, as lanternas em formato de “X” são mais uma comprovação da herança familiar. Só que o Avenger também tenta se diferenciar ao usar rodas de 18 polegadas na versão Limited, maiores que as dos principais rivais. Nas demais configurações, são de aro 16 ou 17, sempre com quatro parafusos de fixação.
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Dimensões do Jeep Avenger
Todo irmão mais novo também acaba convivendo com comparações inevitáveis — e o Avenger não foge à regra. Com 4,09 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,60 m de altura e 2,56 m de entre-eixos, é o menor Jeep já produzido no mundo.
Jeep Avenger Limited tem bons ângulos de ataque e saída para o segmento
Renato Durães/Autoesporte
Ainda assim, não deixa de honrar o DNA aventureiro. É verdade que é o único Jeep no Brasil que não oferece nenhuma versão com tração 4×4. No entanto, tenta compensar com bons ângulos de ataque (22°) e de saída (33,6°), além de 22,1 cm de vão livre do solo. Sua suspensão, inclusive, foi elevada em cerca de 2 cm em relação à configuração europeia, para deixar o Avenger brasileiro mais robusto e valente.
No porta-malas, são 321 litros no padrão VDA — praticamente a mesma litragem do compartimento tão criticado do Renegade (320 l), que é um carro maior. Aliás, entre os principais concorrentes, fica atrás de todos nesse quesito. O Sonic, por exemplo, oferece 392 litros. O Avenger traz estepe temporário, mas sem abertura ou fechamento elétricos da tampa, privilégio que segue exclusivo aos mais velhos.
Jeep Avenger tem um dos menores porta-malas da categoria
Renato Durães/Autoesporte
Quem viaja atrás encontra um espaço coerente com o visto no segmento. Com o banco dianteiro ajustado para uma pessoa de 1,66 m, meu caso, sobra um vão suficiente para joelhos e ombros. Passageiros mais altos, porém, ficarão desconfortáveis — e ainda vão sentir falta de alguns centímetros extras para a cabeça em comparação ao Renegade.
Jeep Avenger tem espaço interno como ponto negativo
Renato Durães/Autoesporte
O túnel central elevado dificulta a vida do terceiro ocupante. Já a ausência de saídas de ar e de alças de teto traseiras evidencia que o Avenger ocupa o primeiro galho da árvore genealógica.
Jeep Avenger não tem saída de ar-condicionado na segunda fileira
Renato Durães/Autoesporte
Os bancos são confortáveis e recebem revestimento de vinil. Na versão mais acessível, o acabamento passa a ser de tecido. Já as portas traseiras revelam uma das economias do projeto: toda a forração é de plástico rígido, inclusive no apoio de braço.
Interior do Jeep Avenger
Mas basta assumir o volante para se surpreender: a cabine do Avenger brasileiro é mais refinada do que a do europeu. Na frente, as portas têm superfícies macias no apoio de braço e na parte superior. Já o painel combina plástico rígido com detalhes no mesmo vinil dos bancos e costuras aparentes. E há iluminação ambiente com oito opções de cores.
Jeep Avenger Limited tem iluminação ambiente com oito opções de cores
Renato Durães/Autoesporte
O painel de instrumentos digital pode ter 7 ou 10,25 polegadas, dependendo da versão. Na Limited, a tela digital apresenta boa definição e reproduz o mapa nativo da central multimídia — mas não do Waze ou Google Maps.
Jeep Avenger tem iluminação ambiente na versão Limited
Renato Durães/Autoesporte
Falando na central, a tela de 10” está presente desde a versão de entrada e comprova que o Avenger tem parentes espalhados pelo grupo Stellantis. O SUV utiliza a plataforma CMP, compartilhada com Peugeot 208 e 2008, o que explica a interface semelhante e com menus fáceis de navegar. Durante nossos testes, o Android Auto e o Apple CarPlay sem fio funcionaram de forma impecável, conectando o celular com agilidade sempre que o carro era ligado.
Jeep Avenger tem central multimídia de 10 polegadas em todas as versões
Renato Durães/Autoesporte
Outra novidade é o comando de voz com inteligência artificial. Basta dizer “Hey, Jeep” para controlar por voz funções do ar-condicionado, do áudio etc. Testamos o sistema e precisamos dizer que ele não entendeu os pedidos feitos com linguagem coloquial da forma como a Jeep prometia. Apesar disso, o Avenger mantém comandos físicos para a climatização. Ainda bem.
Comandos de ventilação do Jeep Avenger Limited são físicos
Renato Durães/Autoesporte
No console central ficam o carregador de celular por indução — disponível a partir da versão Longitude — e o freio de estacionamento eletrônico, de série em toda a gama. No segmento, Avenger e Kardian são os únicos que têm esse equipamento. O porta-luvas mostra atenção à ergonomia, pois tem abertura amortecida. O teto solar, embora opcional de R$ 7.500, é outro destaque. Segundo a Jeep, parte dos clientes ainda prefere as barras no teto.
Jeep Avenger só tem teto solar como opcional; item custa R$ 7.500
Renato Durães/Autoesporte
Motorização do Jeep Avenger
Sob o capô, o Avenger segue a receita conhecida do conjunto híbrido leve (MHEV) formado pelo conhecido motor 1.0 turbo flex, com três cilindros, 12 válvulas e injeção direta, aliado a um sistema elétrico de 12 Volts que não traciona as rodas sozinho. Sua função é auxiliar o propulsor em partidas e retomadas. O câmbio é do tipo CVT, com sete marchas simuladas.
Motor do Jeep Avenger Limited teve redução de potência em relação aos demais Stellantis
Renato Durães/Autoesporte
A potência pode decepcionar quem esperava os mesmos 130 cv de outros Stellantis. No Avenger, o motor foi recalibrado para 116 cv com qualquer combustível, para reduzir o IPI. O torque foi mantido em 20,4 kgfm com gasolina ou etanol.
Desempenho do Jeep Avenger
Ainda assim, nos testes de Autoesporte no Rota 127 Campo de Provas, o Avenger acelerou de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos. Foi o suficiente para superar os 11,7 s do Tera, os 10,4 s do Kardian e os 10 s do Sonic. Só o Pulse com seus 130 cv se saiu um pouco melhor, com 9,4 s. As retomadas reforçam a boa impressão, com 5,5 s na prova de 60 km/h a 100 km/h, importante para simular ultrapassagens. É uma das melhores marcas do segmento.
Compare o desempenho do Avenger com o dos rivais
Frenagem do Jeep Avenger
Já a frenagem revela um ponto em que falta amadurecimento: 41,4 m para ir de 100 km/h até zero. Tal distância só não é maior que a do próprio Pulse. O Tera, por exemplo, faz o mesmo em 37,4 m. Em uma situação de emergência, a diferença pode ser decisiva.
Jeep Avenger é o único com rodas de 18 polegadas no segmento
Renato Durães/Autoesporte
E isso chama a atenção porque o Avenger tem freios a disco em todas as rodas, já quase todos os rivais têm tambores no eixo traseiro. As rodas de 18” ajudam a explicar o resultado. Por serem maiores, exigem mais esforço para desaceleração, assim como o peso de 1.280 kg (apenas o Kardian é mais pesado, com 1.300 kg).
Compare a frenagem do Avenger com a dos rivais
Consumo do Jeep Avenger
Quem espera a eficiência de um híbrido completo pode se decepcionar com o consumo. Com gasolina no tanque e o ar ligado, o Avenger registrou 11,7 km/l na cidade e 14,9 km/l na estrada em nosso teste. O consumo urbano é inferior ao do Sonic e ao do Kardian, e o rodoviário o coloca atrás de Tera e Sonic. Ao menos a autonomia tende a agradar: o tanque tem ótimos 54 litros.
Compare o consumo do Avenger com o dos rivais
Jeep Avenger não é mais econômico que Tera e Sonic
Renato Durães/Autoesporte
Como anda o Jeep Avenger?
É ao volante, porém, que o Avenger começa a construir a própria reputação. A direção é firme e transmite segurança mesmo em velocidades mais altas. A suspensão, McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, é comum entre os SUVs compactos, mas a calibração merece elogios.
Segundo a Jeep, molas e amortecedores foram recalibrados para as condições das ruas brasileiras. Isso faz com que o Avenger absorva bem as imperfeições do solo sem perder firmeza em curvas.
As inclinações da carroceria são sempre muito bem contidas, tanto lateral quanto longitudinalmente.
Jeep Avenger tem freio de estacionamento eletrônico em todas as versões
Renato Durães/Autoesporte
Há três modos de condução — Normal, Sport e All Terrain —, que alteram parâmetros de acelerador, direção, controle de tração e tempo das trocas de marcha. Na prática, as diferenças são discretas, e o modo All Terrain funciona como o sistema TC+ de outros carros da Stellantis, promovendo uma espécie de bloqueio eletrônico do diferencial dianteiro. Ajuda em off-road leve, mas nada próximo a um genuíno Jeep 4×4. Até aí, nada grave para um SUV de proposta urbana.
O que incomoda mesmo é o som das setas, que lembra o monitor cardíaco de um hospital. Felizmente, o start-stop compensa a irritação por funcionar de maneira mais suave do que o de outros modelos da Stellantis. O reconhecimento de placas também surpreende positivamente e é bem calibrado, sem emitir alertas desnecessários.
Jeep Avenger Limited foi mais rápido que Tera, Sonic e Kardian
Renato Durães/Autoesporte
Equipamentos do Jeep Avenger
Além da boa dinâmica, o Avenger aposta em um pacote de equipamentos mais completo do que o dos rivais. Na versão de topo, são seis airbags, frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo (ACC), assistente de permanência em faixa, alerta de ponto cego, detector de fadiga e sensores de estacionamento dianteiros.
A câmera de 360° tem ótima resolução, muito acima da média da categoria. Pena que, ao se aproximar de um obstáculo, o ângulo da tela automaticamente mude para uma visão superior do para-choque, sem possibilidade de troca. A solução tira a precisão da manobra. O Jeep Avenger ainda ganha confiança no pós-venda. São cinco anos de garantia — os concorrentes, exceto o Sonic, oferecem três anos.
Jeep Avenger tem 5 anos de garantia
Renato Durães/Autoesporte
De fato, o Avenger não tem o porte de um Compass, a vocação aventureira de um Renegade 4×4 ou o espaço de um Commander. Ainda assim, reúne preço competitivo, muita tecnologia, bom acabamento e uma dirigibilidade acima da média. Por isso, pode até ser o caçula, mas tem argumentos suficientes para deixar de ser conhecido apenas pelo sobrenome e, mais do que isso, para assumir o papel de protagonista da família.
Jeep Avenger é bem equipado desde a opção mais barata
Renato Durães/Autoesporte
Prós e contras – Jeep Avenger
Pontos positivos: Desempenho, dirigibilidade, dinâmica, níveis de acabamento e de equipamentos superiores aos da média do segmento.
Pontos negativos: Consumo na média da categoria, apesar do conjunto híbrido leve; desempenho de frenagem inferior ao dos rivais; espaço para a cabeça.
TESTES – Jeep Avenger Limited
Ficha técnica – Jeep Avenger
Agradecimento: Outlet Premium Imigrantes / (11) 4293-8900
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