Golpistas bloqueiam sinal da chave para roubar carros; saiba se proteger


O relato da influenciadora Amanda Magalhães no Instagram voltou a acender alerta para o chamado golpe do bloqueador de sinal no Brasil. Ela tentou fechar o carro pelo alarme ao estacionar próximo à casa de sua irmã, mas notou que as portas não travaram, mesmo ao insistir em pressionar o botão. Um casal que estacionou logo atrás encarou o mesmo problema, o que levantou suspeita.
Desconfiada, Amanda pediu para estacionar na garagem de sua irmã — e só então as portas travaram remotamente. A influenciadora quase foi vítima de um golpe relativamente antigo, mas que muitos motoristas desconhecem: o inibidor do sinal do alarme, feito por um dispositivo conhecido popularmente como “chapolin”. O relato da influenciadora acumula mais de 1,7 milhão de visualizações no Instagram.
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“A minha sorte é que eu tinha acesso à garagem da casa da minha irmã. Assim que estacionei lá dentro, acionei a chave e estava tudo funcionando normalmente. Fiquei com essa incógnita na minha cabeça”, relata Amanda.
Segundo Rodrigo Boutti, especialista em segurança pública e monitoramento veicular, o golpe do inibidor de sinal é aplicado para agilizar a ação de criminosos, que não precisam arrombar portas ou quebrar vidros para furtar itens na cabine ou até o próprio veículo.
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Chapolins apreendidos pela Polícia Civil em 2024
Polícia Civil de Porto Alegre
O chapolin pode ser tanto um aparelho semelhante a um controle de portão residencial quanto um rádio-comunicador. Este dispositivo é capaz de embaralhar os sinais eletromagnéticos do alarme para impedir o fechamento do veículo.
“Quando os alarmes se popularizaram, criminosos descobriram que era possível gerar uma interferência na frequência emitida por eles. Ao apertar o botão para travar as portas, o alarme não vai se comunicar com o carro, pois há uma barreira eletromagnética agindo naquela frequência. Assim, as portas não fecham”, afirmou o especialista, fundador da consultoria B4 Risk.
Segundo Boutti, muitos motoristas sequer percebem que o alarme não foi acionado. É neste momento que os criminosos entram em ação. Não foi o caso de Amanda Magalhães, que não apenas teve a sagacidade de notar que as portas não travaram como também parou o carro em um estacionamento particular.
Como funciona o inibidor do alarme
O chapolin pode ser utilizado tanto para furtar itens da cabine quanto o próprio carro em si. A forma que os bandidos agem tem variações de acordo com a finalidade do crime, como elabora Rodrigo Boutti:
“Ao furtar um carro, o criminoso vai usar o chapolin para impedir o travamento das portas. Com a vítima afastada, a quadrilha fará a substituição do módulo que faz o reconhecimento da chave original. Assim, a ignição pode ser acionada”, pontua o especialista em monitoramento veicular.
O veículo será levado a algum desmanche clandestino. Neste tipo de crime, o chapolin é mais utilizado no meio urbano para garantir uma fuga mais ágil até o destino final, onde o carro será totalmente desmontado e as peças encaminhadas ao mercado paralelo. Já nas ações que visam o furto de itens de dentro do carro, os criminosos que usam o chapolin preferem os autopostos rodoviários.
“É normal que as pessoas viajem levando notebooks, videogames e outros aparelhos eletrônicos de valor. Neste caso, os bandidos aproveitam paradas em postos à beira das estradas para os furtos”, afirma Boutti.
Com a evolução da tecnologia, carros mais novos são menos vulneráveis ao chapolin, pois a chave presencial envia sinais codificados específicos. Inclusive, há mais antenas espalhadas pela cabine para mitigar possíveis fraudes. Isso acabou gerando uma “atualização” do golpe do chapolin, com a utilização de retransmissores que sequestram a frequência da chave presencial.
Como se proteger?
Especialista revela os segredos para se proteger do golpe do inibidor de sinal
Getty
Se proteger do golpe do bloqueador de sinal do alarme é uma tarefa simples. Para evitar o crime, o especialista elaborou um passo a passo com procedimentos básicos. Confira abaixo:
Ao estacionar, confira se o alarme emitiu som e/ou se as luzes piscaram;
Com o veículo fechado, espere alguns segundos e puxe a maçaneta para certificar-se de que a porta realmente travou;
Se a porta não travou, tente acionar o alarme novamente;
Ao suspeitar do golpe, procure um segurança ou se retire do lugar;
Não deixe itens de valor expostos na cabine do carro.
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