Teste: Omoda 5 HEV faz 23 km/l e foca no custo-benefício contra Corolla Cross


Desde que foi lançado, no final de 2025, o Omoda 5 HEV praticamente se tornou um astro. Pode parecer exagero, mas esse nome começou a surgir por todos os cantos em comentários sobre custo-benefício. Afinal, estamos falando de um SUV híbrido pleno (HEV) de porte médio que custa o mesmo que versões de entrada ou intermediárias de alguns compactos a combustão. Mas será que o novato chinês vale o investimento?
Para responder essa pergunta, rodamos mais de 150 km com a versão topo de linha do Omoda 5 HEV, chamada de Prestige, que custa R$ 184.990. No entanto, o SUV médio parte de R$ 164.990 em sua opção de entrada, Luxury.
Que comecem as comparações. O Toyota Corolla Cross tem preço inicial de R$ 192.990, mas a sua versão eletrificada, XRX Hybrid, já sai por R$ 222.690. O conterrâneo GAC GS4 não sai por menos de R$ 191.990. Mais do que isso, o Omoda 5 chega a ser mais barato que o Volkswagen T-Cross Comfortline, a configuração intermediária do SUV (compacto) mais vendido do Brasil, que custa R$ 181.990. O primeiro motivo do burburinho está explicado: o preço.
Não estranhe o fato de não termos sequer citado o GWM Haval H6 HEV. Acontece que o SUV acabou de se tornar flex e, por isso, ainda não conseguimos testar a novidade na pista para comparar com os rivais. Inclusive, o Omoda 5 vai seguir o mesmo caminho de também poder ser abastecido com etanol em 2027.
Omoda 5 HEV tem motorização híbrida plena (HEV) com 224 cv de potência
Renato Durães/Autoesporte
+ Quer receber as principais notícias do setor automotivo pelo seu WhatsApp? Clique aqui e participe do Canal da Autoesporte
E apesar de também estar à venda com motorização elétrica, a opção testada por Autoesporte usa justamente o chamado SHS (Super Hybrid System). Em outras palavras, trata-se de um conjunto híbrido pleno, como já adiantado.
O motor 1.5 TGDI turbo a gasolina, com injeção direta e 135 cv — o mesmo do Jaecoo 7 —, trabalha em ciclo Miller e atua em conjunto com um propulsor elétrico dianteiro de 204 cv. Combinados, entregam 224 cv de potência e 30,1 kgfm de torque. O câmbio é DHT (Dedicated Hybrid Transmission), com uma marcha mecânica e múltiplas variações geradas pelo motor elétrico.
Omoda 5 HEV tem lanternas interligadas, mas barra não é luminosa
Renato Durães/Autoesporte
Fato é que entrega quase o dobro da potência do rival da Toyota, que oferece 122 cv. O concorrente da GAC tem 235 cv, mas mesmo assim não é mais rápido que o Omoda 5. Em nossos testes, realizados no Campo de Provas da 127, os dois SUVs chineses aceleraram de 0 a 100 km/h em exatos 8 segundos. O desempenho é excelente para o segmento e fica bem acima dos 12,7 s do Corolla Cross. Mais uma explicação para tanto falatório.
Na prática, mesmo que o Omoda 5 tenha mais de 1,5 tonelada, a condução é suave. Isso porque além da boa aceleração, as retomadas são ágeis. Precisa, por exemplo, de 6 segundos para sair dos 80 km/h e chegar nos 120 km/h. Ou seja, faz ultrapassagens e encara retomadas com segurança.
Omoda 5 HEV tem rodas de 18 polegadas nas duas versões
Renato Durães/Autoesporte
Initial plugin text
Quando está apenas com o motor elétrico em uso, o silêncio é absoluto. No entanto, é perceptível quando o propulsor a combustão entra em ação, com bastante interferência na cabine – mesmo com manta acústica e vidros com isolamento de ruído.
Para compensar, o SUV é bem confortável. A suspensão McPherson na dianteira e multilink na traseira consegue filtrar as irregularidades do solo melhor do que vários conterrâneos. Por outro lado, a direção é excessivamente leve e anestesiada, não passando a segurança necessária para o motorista. Além disso, o freio é sensível demais e o vão livre do solo é de apenas 14,5 centímetros, mais próximo de um hatch que de um SUV.
Omoda 5 HEV tem 4,44 metros de comprimento
Renato Durães/Autoesporte
Omoda 5 Luxury tem R$ 5 mil de desconto mesmo com boas vendas; conheça
Omoda Jaecoo pode ter fábrica na Argentina antes do Brasil; veja datas
Comparativo de híbridos: GAC GS4 e Omoda 5 superam o Toyota Corolla Cross?
Só que o Omoda leva a melhor quando o assunto é consumo de combustível. No modo Eco, com gasolina no tanque e com o ar-condicionado ligado, garantimos 22,7 km/l na cidade. Ou seja, mais econômico que a média de 20 km/l do rival chinês e de 16,8 km/l do japonês.
Na estrada e com as mesmas condições, foram 19,6 km/l, número também superior ao dos concorrentes. Importante lembrar que o consumo rodoviário é sempre maior nos carros eletrificados porque as acelerações são mais constantes e há menos recuperação de energia das baterias. Ainda assim, com o tanque de 51 litros, a autonomia estimada fica em torno de 1.000 km – o suficiente para sair da capital paulista e chegar no Rio Grande do Sul sem precisar abastecer.
Omoda 5 HEV tem grade com detalhes que imitam “diamantes” e acabamento em preto brilhante
Renato Durães/Autoesporte
Aliás, o Omoda 5 HEV tem bateria de 1,83 kWh de íons de lítio e, claro, sem recarga externa. Inclusive, essa é uma das vantagens de ter um híbrido pleno na garagem porque, diferentemente dos plug-in (PHEV), não é necessário colocar o carro na tomada.
Na cabine, o acabamento é excelente, pelo menos na versão Prestige. Traz material emborrachado em quase todo o painel, detalhes que imitam madeira para dar um charme extra e não abusa do plástico rígido. Os bancos são revestidos de couro sintético apenas na opção topo de linha. Na de entrada, a forração é com tecido.
Omoda 5 HEV Prestige tem telas com layout fácil de entender e operação simples
Renato Durães/Autoesporte
O console central é elevado e tem dois andares. A parte de cima é bem distribuída, com porta-copos, botões de modos de condução (Eco e Sport) e acionamento do ar-condicionado. O carregador de celular por indução só está disponível na configuração mais cara e pode ficar escondido porque há uma espécie de “portinha”. A parte inferior se transforma em um grande porta-objetos com duas entradas USB (tipo A e tipo C), além de uma tomada 12V – todos posicionados em uma área de difícil acesso.
Omoda 5 HEV tem vários porta-objetos e local das entradas USB é de difícil acesso
Initial plugin text
A alavanca da troca de marchas fica posicionada no canto direito da coluna de direção. Estou longe de ser fã desse formato, mas preciso abrir uma exceção para a Omoda, que solucionou o problema dos comandos do conjunto de iluminação ao colocar botões físicos na lateral esquerda do painel. Bem mais fácil do que ter que procurar isso na central multimídia.
Omoda 5 HEV tem botões físicos para os comandos do conjunto de iluminação
Renato Durães/Autoesporte
Falando nela, é integrada ao painel de instrumentos e cada uma das telas tem 12,3 polegadas. Há conexão sem fio para Apple CarPlay e Android Auto. A conectividade demorou um pouco para acontecer em um primeiro momento, mas depois ficou estável e sem travamentos. Junto disso, o sistema é rápido e intuitivo. Basta puxar a tela para cima para encontrar todos os ajustes do ar-condicionado de duas zonas. Rolando para baixo estão as demais principais funções.
O Omoda 5 ainda tem mais um motivo para ter virado o centro das atenções: a lista de equipamentos é recheada desde a versão mais barata. São sete airbags, controle de velocidade de cruzeiro, assistente de frenagem, sensor de estacionamento traseiro e dianteiro e câmera 360º com uma ótima resolução. Há também teto solar com persiana manual e iluminação ambiente com diversas opções de cores.
Omoda 5 HEV tem telas integradas do painel de instrumentos e central multimídia, totalizando 24,6 polegadas
Renato Durães/Autoesporte
Por ser R$ 20 mil mais cara, a opção Prestige sobe ainda mais o nível. Adiciona bancos dianteiros com ajustes elétricos, ventilação e aquecimento, sistema de som Sony com oito alto-falantes, sensor de chuva e 15 recursos de assistência ao motorista, como monitoramento de ponto cego, frenagem de emergência e assistente de permanência em faixa, por exemplo.
Só que o Omoda 5 também tem seus pênaltis. O espaço interno é um dos principais pontos negativos. Mesmo com 2,61 metros de entre-eixos, o SUV não garante tanto conforto para pessoas mais altas, com cerca de 1,80 m de altura. A área para os joelhos está longe de ser boa para a categoria. O mesmo acontece na acomodação da cabeça, que pode raspar no teto, já mais baixo por se tratar de um cupê. Pelo menos há saídas de ventilação, mais duas entradas USB e apoios de braço macios nas portas.
Espaço interno não é um forte do Omoda 5, que tem 2,61 metros de entre-eixos
Initial plugin text
O porta-malas repete o mesmo erro. São apenas 372 litros de capacidade, contra 440 litros do Corolla Cross. A GAC não informa qual é a litragem do GS4 no padrão VDA. De qualquer forma, estamos falando de um compartimento semelhante ao de um T-Cross – e nem há estepe para roubar espaço, apenas um kit de reparo. Para compensar, a opção topo de linha tem abertura e fechamento elétricos da tampa.
A garantia de 7 anos para o veículo e de 8 anos para a bateria é competitiva, mas ainda fica atrás dos 10 anos oferecidos pela marca japonesa. Junto disso, o Omoda 5 também tem revisões com valores acima da média. Para os primeiros cinco serviços, o dono do SUV precisa gastar R$ 7.400. A GAC cobra R$ 5.450 no GS4, enquanto a Toyota cobra R$ 4.680 no Corolla Cross.
Omoda 5 HEV Prestige tem porta-malas pequeno, de apenas 372 litros
Renato Durães/Autoesporte
O Omoda 5 HEV tem argumentos de sobra para justificar toda a atenção que recebeu desde a sua chegada ao Brasil. É extremamente econômico, tem bom desempenho e lista generosa de equipamentos por um preço competitivo. Para o cliente brasileiro, que gosta de levar mais por menos, o SUV chinês se mostra um prato cheio.
Com 7.256 vendas entre janeiro e maio de 2026, o Omoda 5 já aparece no retrovisor da Toyota, que lidera a disputa com 7.846 emplacamentos (desconsiderando as versões a combustão). Falta apenas transformar o entusiasmo que desperta nas ruas em um pouco mais de carros nas garagens. Superar o histórico de confiabilidade da japonesa realmente não é nada fácil.
Omoda 5 HEV – Prós e contras
Pontos positivos: desempenho acima da média, consumo excelente e lista de equipamentos recheada;
Pontos negativos: espaço interno não parece de SUV médio, porta-malas é pequeno e revisões são caras.
Teste – Omoda 5 HEV
Ficha técnica – Omoda 5 HEV
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital.
Mais Lidas
Fonte: Read More



