Ram Dakota Warlock 2026: 5 razões para comprar e 5 motivos para pensar bem


O segmento de picapes médias cresceu bastante nos últimos anos no Brasil e a Ram não quis ficar de fora desse mercado por aqui. Desta forma, desenvolveu e iniciou as vendas da Dakota, sua primeira picape desse porte vendida no país, usando grande parte dos componentes da Fiat Titano. São as duas grandes apostas da Stellantis para ganhar participação em um segmento que ela ainda não participava.
Os clientes de picapes costumam ter um alto índice de fidelização. Isso significa que não é tão fácil roubar clientes da concorrência. Atualmente, as vendas de picapes médias são dominadas por Toyota Hilux e Ford Ranger, que emplacaram 19.479 e 14.022 unidades de janeiro a maio, respectivamente, liderando o segmento. A Chevrolet S10 também é uma picape tradicional no país e somou 11.976 unidades comercializadas no ano, sendo a terceira mais vendida.
A Ram Dakota, assim como a sua prima Fiat Titano, ainda não caíram no gosto dos brasileiros e estão distantes dos volumes das principais rivais. No ano, a Dakota somou 1.426 vendas, enquanto a Titano chegou a 2.336 emplacamentos.
Mas se você pensa em comprar uma picape média e busca algo diferente, a Ram Dakota Warlock, versão de entrada vendida por R$ 299.990, pode ser uma opção interessante para ter uma caminhonete da marca do carneiro montanhês. Rodamos 350 km com o modelo para te mostrar 5 razões para levar a picape para casa e outros 5 motivos para pensar bem.
Razões para comprar
1) Acabamento de qualidade
Ram Dakota Warlock 2026 tem bom acabamento interno e bastante tecnologia
Caio Bednarski/Autoesporte
O acabamento é um dos pontos em que a Ram Dakota se diferencia bastante da sua prima Fiat Titano. Posicionada em uma faixa de preço logo acima, traz bom acabamento interno desde a sua versão de entrada, sem abusar do plástico rígido, que só é encontrado na parte inferior do painel e na lateral das portas.
O painel é todo revestido em plástico emborrachado na parte superior, enquanto a parte central tem revestimento de couro sintético. O mesmo acontece na lateral das portas, incluindo as traseiras, que ainda incluem acabamento em black piano na área onde estão os botões que controlam abertura e fechamento dos vidros. Os bancos são confortáveis, bem construídos e também trazem revestimento em couro sintético.
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2) Lista de equipamentos
Ram Dakota Warlock 2026 tem lista de itens de série recheada
Caio Bednarski/Autoesporte
A Ram Dakota Warlock é uma versão de entrada, mas que é vendida por quase R$ 300 mil. Ou seja, a marca não economizou nos seus itens de série. O quadro de instrumentos é digital de 7 polegadas e integrado a tela da central multimídia de 12,3 polegadas. O funcionamento é simples e não travou durante a semana em que rodei com a picape.
O carregador por indução também faz parte do pacote e traz um diferencial: sistema de resfriamento. Esse detalhe é muito importante para não aquecer o smartphone enquanto ele carrega. Usei algumas vezes e pude comprovar que, realmente, o celular quase não aquece.
A câmera 540º, junto com os sensores de estacionamento, tornam a vida muito mais fácil na hora de manobrar a picape. Outros itens que facilitam a vida no dia a dia fazem parte do pacote de assistência à condução (Adas): monitoramento de ponto cego, assistente de permanência em faixa, piloto automático adaptativo com alerta de colisão frontal e frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres e ciclistas.
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3) Motor e câmbio
Ram Dakota Warlock 2026 usa o mesmo motor da Fiat Titano
Caio Bednarski/Autoesporte
A Ram Dakota é equipada com motor 2.2 Multijet II turbodiesel de 200 cv de potência e 45,9 kgfm de torque, com o câmbio automático de oito marchas e tração 4×4 — que possibilita alternar entre 4×2 traseira, 4×4 automática ou 4×4 reduzida. Aqui cabe um elogio, pois o desempenho do motor é muito bom e a conversa dele com o câmbio acontece de forma suave, com trocas de marcha na hora certa e sem trancos.
Rodando uma semana com a picape, no trânsito na cidade e no fluxo livre da Rodovia dos Bandeirantes, notei com mais profundidade esse entrosamento. Em situações de retomada, onde a caixa de câmbio precisa reduzir as marchas, o movimento acontece de forma sutil. O mesmo comportamento fica perceptível em uma saída de pedágio ou semáforo, com trocas realizadas no tempo certo e sem afetar a condução.
4) Consumo de combustível
Ram Dakota Warlock 2026 tem santantônio de série
Caio Bednarski/Autoesporte
Além da boa conversa entre motor e câmbio, o consumo é muito importante. Afinal, quem compra uma picape diesel quer percorrer longas distâncias sem se preocupar com o abastecimento.
Em nossos testes, a Ram Dakota entregou médias de 10,8 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada. Com esses números, a caminhonete, que é equipada com tanque de combustível de 80 litros, tem autonomia de 864 km na cidade e 1.080 km em rodovias.
Os números são melhores do que os da badalada Toyota Hilux, que entrega 9,3 km/l em perímetro urbano e 10 km/l na estrada. A Ford Ranger também fica para trás nessa disputa, entregando consumo de 9,9 km/l e 11,6 km/l, respectivamente, nas versões equipadas com motor 2.0 turbodiesel.
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5) Baixa desvalorização
Ram Dakota Warlock 2026 custa R$ 299.990
Caio Bednarski/Autoesporte
A Ram Dakota é a picape com menor desvalorização do segmento de médias, de acordo com o índice mais recente divulgado pela plataforma Webmotors. Ainda que tenha pouco tempo de mercado, perdeu apenas 0,3% do seu valor de tabela cobrado nas concessionárias.
Esse índice é bem melhor do que o da sua prima Fiat Titano, que apresentou a maior desvalorização do segmento, perdendo 33% do seu preço inicial. Também fica bem a frente das líderes Hilux e Ranger, que desvalorizam 6,3% e 22,2%, respectivamente.
Isso é importante porque indica como será o comportamento da sua picape no mercado de usados, quando você decidir vendê-la. Quanto menos o carro desvaloriza, melhor será o seu valor na hora da revenda.
5 razões para pensar bem
1) Custo de peças, seguro e revisões
Quadro de instrumentos da Ram Dakota Warlock 2026 tem tela integrada ao sistema multimídia
Caio Bednarski/Autoesporte
Como já falamos, a Ram Dakota usa a mesma base da Fiat Titano, compartilhando exatamente o mesmo conjunto mecânico. Mesmo assim, existe uma grande diferença no valor que o proprietário de cada modelo gasta com peças, revisões e seguro. Isso porque a Dakota tem um custo maior para ser mantida na comparação com a Titano.
As cinco primeiras revisões da Fiat Titano saem por R$ 8.096, enquanto na Dakota o preço é de R$ 9.328, diferença acima de R$ 1.000. A cesta de peças tem uma diferença ainda maior: a da Titano sai por R$ 16.198, enquanto a da Dakota não sai por menos de R$ 18.884. Aqui a diferença passa dos R$ 2.500.
O seguro também tem uma diferença relevante. Para mulheres, na Creditas Seguros, a cotação média da Fiat Titano é de R$ 10.884, enquanto a da Dakota fica mais de R$ 1.000 mais caro, saindo por R$ 11.906. Para os homens os valores são de R$ 10.897 e R$ 13.229, respectivamente.
2) Caçamba que molha e suja
Ram Dakota Warlock 2026 sofre com entrada de água e poeira na caçamba
Caio Bednarski/Autoesporte
Em dias chuvosos a capota marítima da Ram Dakota protege a caçamba, mas não de maneira tão eficaz e, por isso, um pouco de água acaba entrando no compartimento de carga. No uso diário também vai acumulando poeira na caçamba, principalmente se você rodar em estradas de terra. Comprovei as duas situações durante a semana que andei com a picape.
Então caso você queira transportar algo que não pode molhar e nem sujar, é necessário embalar em um saco plástico ou algo do tipo. É sempre bom olhar a previsão antes de pegar estrada. O lado positivo é que a caçamba da Ram Dakota tem espaço para 1.210 litros de bagagem e suporta até 1.020 kg.
3) Suspensão merecia ajuste mais refinado
Ram Dakota Warlock 2026 tem console central vazado e entrada USB-C
Caio Bednarski/Autoesporte
Quando se fala em picapes da Ram, logo você pensa em um modelo forte e confortável. A verdade é que a Dakota entrega isso, mas escorrega em alguns pontos, como a suspensão. O conjunto é independente com braços sobrepostos na dianteira, enquanto a traseira usa eixo rígido.
Na cidade, passando por valetas e ruas esburacadas como as de São Paulo, é normal que toda picape média “pule” um pouco e afete o conforto dos ocupantes por causa da arquitetura de carroceria sobre chassi. Com a Dakota não é diferente e isso acontece com frequência.
Porém, na estrada, em velocidades acima de 100 km/h, o ajuste da suspensão também deixa a desejar com impactos ao passar por qualquer junção de pista. Por isso, poderia ter um trabalho mais refinado e não permitir que o conforto dos ocupantes fosse afetado nessa situação.
4) Isolamento acústico
Ram Dakota 2026 ainda sofre para registrar volumes maiores de vendas
Caio Bednarski/Autoesporte
Ainda em situações de estrada, outro ponto que incomoda é o isolamento acústico. O barulho de vento é notável no interior do veículo e incomoda os ocupantes, passando a impressão de que algum vidro pode estar levemente aberto, mesmo com todos devidamente fechados.
Para uma picape de marca premium, posicionada em uma faixa de preço a partir de R$ 300 mil, esse detalhe do projeto merecia um pouco mais de atenção. Isso se torna mais evidente quando olhamos para o público consumidor, que em sua grande maioria, roda bastante em rodovias.
5) Espaço interno
Banco regulado para o motorista com mais de 1,80 m limita o espaço interno da Ram Dakota Warlock
Caio Bednarski/Autoesporte
Mesmo com seus 5,35 metros de comprimento, 1,88 m de largura, 1,82 m de altura e entre-eixos de 3,18 m, o espaço interno para quem vai no banco traseiro é bastante limitado. Se a altura de quem está nos bancos dianteiros é de 1,80 m ou mais, o espaço para as pernas dos ocupantes dda segunda filira é um ponto fraco.
O espaço interno limitado é algo que acontece na maioria das caminhonetes vendidas no Brasil. Para garantir uma caçamba grande e que suporte bastante carga, o espaço para os ocupantes do banco traseiro acaba sendo sacrificado.
Ficha técnica – Ram Dakota Warlock
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