Achado usado: Ford Del Rey, o sedã que foi referência de luxo no Brasil


Fabricado na extinta fábrica de Taboão, em São Bernardo do Campo (SP), o Ford Del Rey foi lançado em 1981 com a missão de substituir o Galaxie Landau. Diante do projeto defasado, atrelado ao alto consumo dos motores V8, o novo sedã supria as necessidades da classe média da época. Para conter os custos do projeto Ômega, obviamente a montadora foi buscar soluções no que ele já tinha em mãos, o Corcel II. A base, assim como o motor Renault Cléon-Fonte de 1,6 litro, eram compartilhados entre os dois modelos, que ainda contavam com a variante familiar, a Belina, que passou a usar a denominação Del Rey, com a saída do Corcel, em 1986.
Acoplado à caixa de câmbio manual de quatro marchas inicialmente, o Del Rey foi vendido em duas versões: a básica (apelidada de “Prata”) e a topo de linha Ouro, que contava com itens de luxo como vidros elétricos dianteiros, travas elétricas, ambos nunca utilizados até então em um carro produzido no Brasil.
Autosporte encontrou um Ford Del Rey 1983, na versão de entrada, em raríssimo estado de conservação, à venda por meio da AMF Import.
“Este modelo, em especial, marcou muito a minha juventude, pois foi com ele que aprendi a dirigir, graças ao meu pai, que teve um modelo igual”, relembra Alex Ribeiro, um dos sócios da loja.
Ford Del Rey 1981 é vendido por R$ 40 mil
AMF Import/Autoesporte
Em adequado estado geral, o Del Rey azul de Ribeiro conta com quase 160 mil km, o que aparenta ser original. O motor funciona redondinho e com direito ao aromático cheirinho de etanol saindo pelo escapamento. A transmissão de engates macios é de cinco marchas e apresenta um escalonamento mais longo, privilegiando o conforto. Junto ao torque de 11,9 kgfm despertado a partir dos 3.600 giros, mostra a prova de que a pressa é inimiga da perfeição, em termos de conforto.
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O Del Rey tinha luxo na medida certa e sem pressa!
De 0 a 100 km/h, o sedã de luxo da Ford está longe de ser tão veloz quanto um Escort XR3, o carro mais rápido da Ford nos anos 1980. Em contrapartida, brindava seus ocupantes com tudo o que a sofisticação e o espaço interno poderiam proporcionar de melhor para a época.
Ford Del Rey 1981 tem interior bem conservado, com material macio na lateral das portas
AMF Import/Autoesporte
O Del Rey 1983, mesmo tendo duas portas, tem o acesso ao banco traseiro facilitado por conta do recorte das folhas. Os bancos trazem tecido navalhado do tipo veludo, assim como a forração de portas, que se tornaram referência na Ford.
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Bem aconchegantes, com estes assentos qualquer viagem mais longa a bordo do sedã acaba se tornando uma terapia. Por conta do túnel central elevado, atrás, até dois ocupantes podem desfrutar com relativo conforto, em parte por conta do teto com recortes angulosos.
Ford Del Rey 1981 tem quadro de instrumentos simples em sua versão de entrada
AMF Import/Autoesporte
A instrumentação é simples, contando com um cluster formado pelo velocímetro com escala até 160 km/h, além dos ponteiros de nível de combustível e do indicador da temperatura da água. Tacômetro, somente na topo de linha Ouro, que inclui ainda um manômetro de pressão do óleo e um voltímetro, itens raros em carros nacionais da época. Outro acessório inexistente, mas que podia ser instalado à parte nas concessionárias, era o famoso console de teto com relógio digital iluminado em azul e luzes de leitura individuais, uma das marcas registradas do Del Rey Ouro, que, entre os opcionais, poderia receber o ar-condicionado, algo raro em que a clientela dispensava sob a justificativa de gastar mais combustível.
A partir de 1983, a linha Del Rey passou a contar como opcional o câmbio automático de três marchas. Com todos os opcionais, o Del Rey em nada ficava a dever ao enorme Ford Landau com seus motores V8, que já estava prestes a sair de linha. Outra particularidade do Del Rey foi a adoção dos cintos de segurança retráteis, sendo o primeiro carro nacional a adotar tal sistema. Já o para-brisa era laminado e importado.
Ford Del Rey 1981 adotou motor CHT em 1984
AMF Import/Autoesporte
O Del Rey 1983 azul da AMF Import está à venda por R$ 40 mil, nada muito astronômico perto de outros clássicos nacionais que estão à venda por aí. Questão de gosto!
Para a linha seguinte, o motor de origem francesa passou por algumas atualizações com a chegada do Escort. Rebatizado de CHT — sigla de Compound High Turbulence, em alusão ao novo cabeçote, que criava mais turbulência nas câmaras de combustão, a unidade passou a ser oferecida como opcional na linha Del Rey.
Ford Del Rey 1981 manteve o mesmo visual até 1985
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Primeira ‘cirurgia plástica’ do Ford Del Rey
A partir de 1985, o sedã de luxo da Ford ganhou a sua primeira reestilização. A mais evidente estava no conjunto óptico trapezoidal e na grade com três filetes horizontais, pintada na cor da carroceria — inspirado no Ford Granada MkII alemão. Com as mudanças, o Ouro deixou de fazer parte do portfólio. A partir daí, o Del Rey passou a ser vendido em três configurações: GL, GLX e a topo Ghia.
Ford Del Rey 1981 conta com desenho bem recortado
AMF Import/Autoesporte
Com o portfólio mais amplo, a Ford aposentou o Corcel em 1986, e, no mesmo ano, a direção hidráulica passou a fazer parte da lista de opcionais do sedã.
Com a crise econômica em seu pico mais alto, a Ford e a Volkswagen, que resultaram na Autolatina, compartilharam o famoso motor AP – Alta Performance. No Del Rey, a escolha foi pelo AP-1800, oriundo da família Santana/Quantum.
Detalhe do nome do carro vinha no volante do Ford Del Rey 1981
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Na prática, o Del Rey ficou mais ágil, especialmente nas retomadas. Em números de fábrica, o 0 a 100 km/h passou a ser feito em menos de 14 segundos e a velocidade final, aumentada para 156 km/h.
Com uma trajetória bem traçada, o Del Rey já não tinha o mesmo fôlego para enfrentar o Volkswagen Santana, o Chevrolet Monza — ambos reestilizados na linha 1991 — e o novíssimo Fiat Tempra. Em seu lugar, a Ford foi buscar refúgio no Versailles, um sedã maior e mais moderno, que na essência era um Santana, porém com seu estilo próprio. Tal como aconteceu com o Del Rey, o Versailles teve variações com duas e quatro portas, além da perua Royale, mas sem o mesmo êxito de seu antecessor por conta da invasão dos importados de luxo.
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