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6 itens esquecidos na manutenção do carro que podem causar prejuízo

05/06/2026
6 itens esquecidos na manutenção do carro que podem causar prejuízo


A manutenção preventiva ainda é um dos pontos mais negligenciados pelos motoristas brasileiros. Embora revisões periódicas e trocas de óleo sejam relativamente comuns, muitos componentes importantes acabam esquecidos ao longo da vida útil do veículo. O problema é que peças simples e fluidos baratos podem se transformar em reparos de milhares de reais quando ignorados por muito tempo.
Boa parte desses itens trabalha silenciosamente e não apresenta sintomas claros no início do desgaste. Em muitos casos, o motorista só percebe o problema quando surgem falhas mecânicas, superaquecimento, dificuldade nas partidas ou até panes completas. Além do prejuízo financeiro, a falta de manutenção também compromete segurança, desempenho e consumo de combustível.
Segundo especialistas do setor automotivo, seguir apenas a quilometragem da troca de óleo não é suficiente para manter o carro em boas condições. Componentes sujeitos a calor, pressão e contaminação química exigem acompanhamento periódico, mesmo em veículos com baixa rodagem.
A seguir, Autoesporte lista seis itens frequentemente esquecidos na manutenção do carro e explica por que eles merecem mais atenção no dia a dia.
1) Fluido de freio e líquido de arrefecimento envelhecem com o tempo
Dois dos fluidos mais importantes do carro também estão entre os mais negligenciados pelos proprietários: o fluido de freio e o líquido do sistema de arrefecimento. Embora muita gente imagine que basta completar os reservatórios eventualmente, ambos possuem prazo de validade e precisam ser substituídos periodicamente.
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Água da torneira não é recomendada para completar o reservatório do carro
Divulgação
No caso do fluido de freio, o principal problema está na absorção de umidade. Com o tempo, o líquido perde capacidade de suportar altas temperaturas, o que pode reduzir a eficiência das frenagens em situações severas. Em descidas longas, por exemplo, o sistema pode apresentar fadiga, aumentando a distância necessária para parar o veículo. Além disso, o excesso de umidade favorece corrosão interna em cilindros, mangueiras e módulos do ABS.
Já o sistema de arrefecimento depende da mistura correta entre água desmineralizada e aditivo. O uso de água da torneira ainda é comum no Brasil, mas pode provocar oxidação interna, acúmulo de resíduos e entupimento de galerias do motor e radiador. Quando o líquido perde propriedades anticorrosivas e térmicas, o risco de superaquecimento cresce consideravelmente.
Outro ponto frequentemente ignorado é a tampa do reservatório de expansão. Uma simples falha de vedação pode alterar a pressão do sistema e comprometer toda a refrigeração do motor. Mangueiras ressecadas e pequenas infiltrações também merecem atenção durante as revisões.
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As fabricantes costumam prever prazos específicos para esses fluidos. No Toyota Corolla, por exemplo, o manual recomenda substituição do fluido de freio a cada dois anos, independentemente da quilometragem. Já o líquido de arrefecimento varia conforme o tipo de aditivo empregado. No Fiat Pulse equipado com motor T200, o plano de manutenção prevê inspeções periódicas e substituição do fluido em intervalos que podem chegar a 120 mil km.
2) Velas de ignição desgastadas aumentam consumo e falhas
A manutenção periódica costuma ser mais barato do que o gasto para arrumar o carro quando ele quebra
Renato Durães/Autoesporte
As velas de ignição estão entre os componentes mais esquecidos pelos motoristas, especialmente em carros modernos, que conseguem rodar milhares de quilômetros sem apresentar sintomas evidentes. Apesar disso, o desgaste gradual afeta diretamente o funcionamento do motor.
Responsáveis por gerar a centelha que inicia a combustão, as velas trabalham sob temperaturas extremamente elevadas. Com o tempo, ocorre desgaste natural dos eletrodos, reduzindo a eficiência da queima do combustível. O resultado aparece em forma de consumo elevado, perda de desempenho e funcionamento irregular em marcha lenta.
Em casos mais graves, o carro pode apresentar falhas nas acelerações, dificuldade nas partidas e aumento das emissões de poluentes. O problema também sobrecarrega bobinas e pode comprometer o catalisador, peça de alto custo no sistema de escapamento.
Motores com injeção direta e turboalimentação exigem atenção ainda maior, já que trabalham com pressões mais elevadas e tolerâncias menores. O ideal é respeitar o intervalo recomendado pela fabricante, que varia conforme o tipo de vela utilizado. Modelos de irídio e platina costumam durar mais, mas também não são eternos.
Entre os exemplos previstos em manual estão o Chevrolet Onix e o Chevrolet Tracker, ambos equipados com motor 1.0 turbo, que possuem substituição das velas prevista entre 40 mil km e 80 mil km, dependendo da aplicação e do tipo de componente utilizado.
3) Filtro do ar-condicionado influencia conforto e eficiência
Pouca gente lembra do filtro de cabine durante a manutenção do carro. Apesar de relativamente barato, ele tem papel importante tanto no conforto quanto na eficiência do sistema de climatização.
Troca periódica do filtro do ar-condicionado é importante para não sobrecarregar o sistema
Freepik
Sua função é impedir que poeira, fuligem, pólen e outras partículas entrem na cabine. Quando está saturado, o fluxo de ar diminui, obrigando o ventilador e o compressor do ar-condicionado a trabalharem mais para atingir a temperatura desejada.
Além da perda de eficiência, o filtro sujo favorece odores desagradáveis e proliferação de fungos e bactérias. Em cidades grandes, onde há muito trânsito e poluição, o desgaste costuma ocorrer mais rapidamente.
Em alguns carros, o filtro de cabine também influencia o desembaçamento dos vidros, especialmente em dias chuvosos. A troca preventiva melhora a circulação de ar e reduz o esforço do sistema de ventilação.
Renault Kardian e Nissan Kicks são exemplos de modelos que possuem recomendação de inspeção do filtro de cabine em todas as revisões periódicas. Dependendo das condições de uso, a substituição pode ocorrer entre 10 mil km e 20 mil km.
4) Filtro de combustível pode comprometer bomba e injeção
O filtro de combustível costuma passar despercebido por muitos proprietários, principalmente em carros flex modernos. Sua função é reter impurezas presentes no combustível antes que elas cheguem aos bicos injetores e à bomba de combustível.
Inspeção periódica também é necessária em modelos elétricos, mesmo com menos componentes
Divulgação
Com o tempo, o componente acumula resíduos e reduz o fluxo de combustível enviado ao motor. Os sintomas normalmente aparecem em forma de perda de potência, falhas em acelerações, dificuldade nas partidas e aumento do consumo. Em alguns casos, o carro pode até desligar em movimento.
Quando o filtro está saturado, a bomba de combustível trabalha sob esforço maior para manter a pressão do sistema. Isso acelera o desgaste da peça e pode gerar prejuízos elevados, especialmente em veículos com injeção direta, que utilizam bombas de alta pressão.
A qualidade irregular da gasolina e do etanol vendidos no Brasil torna a manutenção preventiva ainda mais importante. Em regiões onde há maior risco de contaminação por resíduos ou água, o desgaste pode ocorrer antes do previsto pela fabricante.
Modelos como Volkswagen Virtus 1.0 TSI e Fiat Argo 1.3 têm recomendações de inspeção periódica e substituição do filtro de combustível em intervalos que variam entre 10 mil km e 20 mil km, dependendo das condições de uso e do combustível utilizado.
5) Óleo do câmbio automático não dura para sempre
O mito do “óleo vitalício” ainda faz muitos motoristas negligenciarem a manutenção do câmbio automático. Embora algumas fabricantes utilizem esse termo, especialistas alertam que o fluido sofre degradação natural ao longo do tempo.
O uso de combustível de qualidade ajuda a reduzir eventuais problemas no motor
Banco de Imagens
Além de lubrificar componentes internos, o óleo ajuda no controle hidráulico e na dissipação de calor da transmissão. Com o envelhecimento, perde viscosidade e capacidade de proteção, acumulando resíduos metálicos provenientes do desgaste interno.
Os primeiros sinais costumam aparecer em forma de trancos, demora nas trocas de marcha e aumento da temperatura do conjunto. Se o problema evoluir, o reparo pode exigir desmontagem completa do câmbio, serviço que facilmente supera R$ 15 mil em SUVs e modelos premium.
A periodicidade varia conforme o projeto da transmissão e as condições de uso. Veículos submetidos a trânsito intenso, reboque ou uso severo normalmente exigem trocas antecipadas.
Honda HR-V 1.5 turbo e Hyundai Creta são exemplos de modelos que têm recomendações de inspeção periódica do fluido e substituição entre 40 mil km e 80 mil km.
6) Correias e mangueiras podem causar panes inesperadas
Correias e mangueiras raramente recebem atenção até que algum problema aconteça. O problema é que muitos desses componentes trabalham constantemente sob calor extremo e pressão elevada, sofrendo desgaste natural mesmo em carros com baixa quilometragem.
A correia dentada merece atenção especial. Em diversos motores, sua quebra pode provocar colisão entre válvulas e pistões, causando danos internos graves. Dependendo do caso, o reparo exige retífica completa do motor.
Já as mangueiras do sistema de arrefecimento podem ressecar, criar pequenas fissuras ou perder resistência com o tempo. Um simples vazamento pode provocar superaquecimento em poucos minutos, especialmente no trânsito urbano.
Inspeções visuais periódicas ajudam a identificar rachaduras, deformações e sinais de desgaste antes que o problema evolua. O ideal é seguir rigorosamente os prazos indicados no manual do proprietário, mesmo que o carro rode pouco.
Peugeot 208 e Citroën C3 com motor 1.0 Firefly, por exemplo, têm recomendação de inspeção periódica da correia sincronizadora banhada a óleo, enquanto outros modelos da Stellantis equipados com motores da família PureTech tinham intervalos de troca previstos entre 60 mil km e 100 mil km, dependendo da aplicação e do ano-modelo.
A manutenção preventiva continua sendo a maneira mais eficiente de evitar gastos inesperados e prolongar a vida útil do veículo. Itens aparentemente simples, como velas, fluidos e filtros, podem comprometer sistemas inteiros quando negligenciados. No fim das contas, cuidar desses componentes esquecidos na manutenção do carro custa muito menos do que lidar com reparos complexos no motor, no câmbio ou nos freios.
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Fonte: Read More 

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