Teste: Fiat Toro 2027 híbrida é R$ 5 mil mais cara, mas compensa em consumo?


Desde que foi lançada, em 2016, a Fiat Toro reina absoluta no pódio das picapes intermediárias no Brasil (em 2025 foram 52.129 emplacamentos). Mas foi no ano passado que a marca preparou uma reestilização visual mais profunda para a caminhonete — que, vamos ser sinceros, divide opiniões até hoje.
Agora, de olho na ameaça iminente de rivais que prometem fazer barulho, como a Volkswagen Tukan, a BYD Mako e a Renault Niagara, a marca italiana respondeu com a adoção do sistema híbrido leve (MHEV) de 48 Volts da Stellantis, já aplicado antes a Renegade e Commander 2027. Com isso, a Toro se torna a primeira picape eletrificada da fabricante em nosso país.
O novo conjunto híbrido leve de 48V passa a equipar exclusivamente as duas versões intermediárias flex da Toro 2027: Volcano e Ultra. Com a novidade, ambas ficaram até R$ 5 mil mais caras em relação à linha 2026, reajuste justificado não apenas pela adoção da motorização MHEV, como também pela estreia de novos equipamentos. Por conta disso, toda a tabela de preços do modelo passou por um reajuste geral. Confira:
Versões e preços da Fiat Toro 2027
Como é o novo motor híbrido leve da Fiat Toro?
Como dissemos, o “coração” das versões Volcano e Ultra agora é o sistema híbrido leve de 48V. Trata-se de uma arquitetura mais robusta do que a de 12V utilizada nos irmãos menores Pulse e Fastback. Aliás, ela compartilha os componentes mecânicos com o Jeep Renegade, que Autoesporte também já dirigiu. Um dos pontos positivos é que a picape passa a ter descontos no IPVA, a depender do Estado brasileiro, e também não faz mais parte do rodízio da cidade de São Paulo.
Fiat Toro Volcano MHEV 2027 tem detalhes cromados na carroceria
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O motor a combustão é o conhecido 1.3 turbo flex de quatro cilindros, 16 válvulas e injeção direta, que rende 176 cv de potência e 27,5 kgfm de torque com qualquer combustível. Conhecido como Turbo 270 MHEV, o propulsor trabalha associado ao câmbio automático de seis marchas, com tração 4×2 e bloqueio eletrônico do diferencial (TC+). Vale lembrar que a tração 4×4 e o câmbio de nove marchas continuam restritos às opções 2.2 turbodiesel.
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Batizado tecnicamente de BSG (Belt-driven Starter Generator), o sistema consiste em um motor elétrico de 16 cv montado no lugar do alternador e do motor de arranque tradicional. Ligado virabrequim por uma correia, esse “super alternador” entra em ação sempre que o motor a combustão gira. Como resultado, fornece um torque extra nas saídas e recupera energia para alimentar a bateria de 0,85 kWh do sistema de 48V, que fica instalada exatamente no centro da caminhonete.
Fiat Toro Volcano 2027 tem sistema híbrido leve de 48V, o mesmo usado pelo Jeep Renegade
Divulgação/Fiat
É importante explicar que a Stellantis optou por simplificar o conjunto em relação ao modelo vendido na Europa. Pesquisas com consumidores apontaram rejeição à transmissão de dupla embreagem europeia (que permitiria ao sistema rodar 100% no modo elétrico em curtos períodos). Por isso, a engenharia local manteve o câmbio automático de seis marchas. Em termos de desempenho, a nova Toro MHEV 2027 vai de 0 a 100 km/h em 10 segundos e atinge a velocidade máxima de 197 km/h, segundo a Fiat.
Nosso teste inicial aconteceu durante o evento de lançamento da picape intermediária, que aconteceu em Vitória (ES). Ao todo, foram 9 km rodados em ciclo urbano com a Toro, portanto, as impressões são bastante iniciais.
Fiat Toro Volcano 2027 adiciona o logo “MHEV” na tampa traseira
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Assim que apontamos o botão de partida, a primeira mudança perceptível é a suavidade do funcionamento. O sistema Start-Stop ficou muito mais manso, realizando partidas rápidas e sem os incômodos solavancos de um motor de arranque comum. Na cidade, o pequeno motor elétrico dá uma força bem-vinda em arrancadas de semáforos e retomadas em subidas.
No entanto, o motorista ainda vai notar um leve lag (atraso) antes de a picape responder com total vigor às pisadas no acelerador. Uma vez em velocidade de cruzeiro, as retomadas se mostram eficientes. É o comportamento típico desse motor, que funciona em ciclo Otto e entrega mais força em rotações mais altas.
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Fiat Toro híbrida ficou mais econômica?
A pergunta de um milhão de reais, no entanto, é sobre o consumo: afinal, o sistema MHEV deixa a Fiat Toro mais econômica? Primeiro, é preciso dizer que o conjunto faz mais sentido em cenários de trânsito urbano, onde opera com maior eficiência nas retomadas e acelerações, onde o motor Turbo 270 atua sob cargas mais altas. Na estrada, o ganho é nulo, visto que o sistema é muito menos acionado a velocidades de cruzeiro.
Fiat Toro 2027 adota o sistema híbrido leve (MHEV) em duas configurações: Volcano e Ultra
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De acordo com os dados oficiais do Inmetro, a Fiat Toro Volcano MHEV registrou 10,5 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada. Na prática, houve uma melhora de 11,7% no ciclo urbano com gasolina quando comparada à versão puramente a combustão, que faz 9,4 km/l e 10,8 km/l, respectivamente. Com esses números, a autonomia estimada na cidade fica na casa dos 577 km.
Fiat Toro 2027 – Diferença de consumo entre o flex e o MHEV
Indo mais fundo, além da melhora na eficiência, outro grande trunfo financeiro do sistema MHEV é que, em estados como São Paulo, a eletrificação garante a isenção do rodízio municipal, por exemplo, além de permitir possíveis benefícios de tributação como o IPVA.
Fiat Toro Ultra 2027 é versão mais cara com sistema MHEV e tem acabamento escurecido
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Já no comportamento dinâmico geral, a Toro mantém suas virtudes. A suspensão McPherson na dianteira e multilink na traseira é robusta e isola bem as imperfeições do solo, entregando uma dirigibilidade muito próxima à de um SUV médio.
Suas credenciais para o fora de estrada leve continuam boas, com ângulo de ataque de 25° e de saída em 28° — os melhores da categoria. Apenas o vão livre do solo que teve uma leve redução de 22,3 cm para 22 cm, por conta do espaço ocupado pelos componentes do sistema híbrido.
Por outro lado, o uso urbano exige paciência nas manobras. O diâmetro de giro é de longos 12,3 metros — uma marca digna de picapes médias de chassi (como a Toyota Hilux). Pelo menos a frenagem está garantida com eficácia desde a linha anterior, quando a Toro enfim adotou os tão esperados freios a disco nas quatro rodas.
Fiat Toro Volcano MHEV 2027 é equipada com rodas de 18 polegadas
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Os pontos de atenção ficam para o isolamento acústico e a calibração da direção. O ruído do motor em giros altos, o vento e o som de rolagem dos pneus continuam a invadir a cabine com certa facilidade. Além disso, o volante costuma transmitir pequenos rebotes indesejados nas mãos ao passar por pisos muito esburacados.
Contudo, no balanço geral, a posição elevada de guiar e o conforto da carroceria monobloco ainda fazem da Fiat Toro 2027 uma das picapes mais parecidas com um carro de passeio do mercado, o que é muito positivo para consumidores urbanos.
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Como é a Fiat Toro MHEV 2027?
Como a Toro recebeu uma reestilização recentemente, as mudanças estéticas para a linha 2027 são discretas. Na dianteira, os faróis de LED divididos ostentam luzes de condução diurna (DRL) com efeito pixelado, mas agora as luzes de seta têm um padrão sequencial.
A grade frontal traz sete fendas em relevo com o logotipo da Fiat destacado, integrada a um para-choque cheio de recortes — desenho que elevou o comprimento total do modelo em quase 1 centímetro.
Fiat Toro 2027 passa a ter repetidores de seta sequenciais
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Nas laterais, destacam-se as rodas de 18 polegadas (com acabamento escurecido na versão Ultra) e o icônico santantônio, que vai até a traseira marcada pela tradicional tampa da caçamba com abertura bipartida. Infelizmente, o santantônio não está disponível nem como opcional na versão Volcano testada.
Fiat Toro 2027: caçamba e espaço interno
No assunto dimensões, a Fiat Toro tem 4,95 metros de comprimento e 2,99 metros de entre-eixos. Apesar disso, o espaço interno continua sendo um dos pontos fracos da Toro na segunda fileira. O vão para as pernas na segunda fileira é limitado e a posição elevada do assento compromete o espaço para a cabeça dos passageiros mais altos. Eu, com meus singelos 1,60 m de altura, já chego próximo do teto, o que significa que pessoas com mais de 1,80 m vão sofrer ao ficar sentadas ali.
Fiat Toro Volcano MHEV 2027 não tem saída de ar na segunda fileira
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Na caçamba, a Fiat Toro oferece um volume de 937 litros, o que a deixa atrás de rivais como a Ram Rampage e seus 980 litros. Ainda sim, oferece capacidade de carga mediana para o segmento, de 670 kg — as versões a diesel continuam a oferecer 1 tonelada —, e de 750 kg para reboque, desde que o cliente use o engate original.
Um ponto positivo é que a Fiat Toro continua oferecendo a capota marítima de série. Trata-se de um excelente diferencial de mercado, visto que muitas concorrentes passaram a cobrar pelo componente como opcional ou acessório. Na versão Ultra, aliás, a capota é rígida.
Fiat Toro Volcano MHEV 2027 oferece 937 litros de voluma na caçamba
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A cabine da Fiat Toro 2027
No quesito acabamento, dez anos se passaram desde o lançamento original da picape, e a Fiat fez pouquíssimas mudanças para mitigar a simplicidade do interior da Toro. Predominam os plásticos rígidos e há raros elementos suaves ao toque, embora os encaixes e arremates sejam bons para um veículo utilitário e até para os próprios padrões da marca.
Fiat Toro Volcano MHEV 2027 traz central multimídia de 10,1 polegadas
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A cabine mantém a boa oferta tecnológica, ainda mais nas versões MHEV, com a central multimídia vertical de 10,1 polegadas. O sistema UConnect é intuitivo, rápido e oferece espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. Logo abaixo, há um carregador de celular por indução ventilado, solução inteligente que evita o superaquecimento do smartphone durante o uso.
O volante traz boa ergonomia, com ajuste de atura e profundidade, além de paddle-shifts (borboletas) para trocas manuais e comandos de áudio integrados. Por outro lado, para um veículo que beira aos R$ 200 mil, a Toro ainda deve itens simples de conforto e conveniência em algumas configurações. Mesmo nas opções intermediárias, não traz saída de ar-condicionado para o banco traseiro, por exemplo. O alerta de ponto cego, por sua vez, é de série apenas na Ultra.
Fiat Toro Volcano MHEV 2027 oferece carregador de celular por indução
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De toda forma, a evolução de equipamentos na linha 2027 fica por conta do pacote de assistência ao motorista (ADAS), que agora é de série em todas as versões. O engloba frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa e farol auto automático. No entanto, o controle de cruzeiro adaptativo (ACC) continua de fora. Há ainda um opcional chamado “Pack Tech Volcano” que adiciona bancos dianteiros elétricos, sensor de estacionamento dianteiro e alerta de tráfego cruzado traseiro.
Conclusão
A Fiat Toro 2027 híbrida leve (MHEV) chega em um momento crucial no mercado brasileiro. O segmento de picapes intermediárias está prestes a pegar fogo com a chegada de novidades de peso, como a Volkswagen Tukan (sucessora da Saveiro e que chega em breve ao Brasil), a inédita BYD Mako, que promete incomodar o reinado da Stellantis com propulsão híbrida plug-in, e a Renault Niagara, criada na medida para concorrer com a própria Toro.
Fiat Toro Volcano MHEV 2027 custa R$ 197.490
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Como o novo plano estratégico da fabricante revelou que a nova geração da Toro deve estrear apenas por volta de 2028, o modelo atual terá que trabalhar dobrado nos próximos anos. Ainda que o sistema híbrido leve ajude ligeiramente na economia de combustível, o ganho talvez não seja o suficiente para atender às expectativas de quem compra um veículo “híbrido”.
Além disso, a Fiat Toro 2027 ainda peca em detalhes como acabamento, espaço interno e capacidade de caçamba frente aos rivais. E, para se modernizar e receber novos equipamentos, passou por um reajuste de R$ 5 mil. No entanto, a mecânica robusta, a versatilidade e a boa fama podem garantir que a caminhonete da Fiat se mantenha firme na ponta. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.
Fiat Toro Volcano MHEV 2027: prós e contras
Pontos positivos: desempenho, versatilidade, freios traseiros a disco e pacote de segurança em todas as versões;
Pontos negativos: espaço interno, consumo de combustível ainda elevado, acabamento e diâmetro de giro.
Fiat Toro Volcano MHEV 2027 – Ficha técnica
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