Como é o carregador mais potente do mundo que a BYD vai instalar no Brasil


O carregador de carro elétrico mais potente do mundo, fabricado pela BYD, será lançado no Brasil em junho. O sistema de 1.500 kW, chamado de Flash Charging, está disponível apenas para veículos equipados com a segunda geração da bateria Blade e garante recarga de 10% a 70% em apenas cinco minutos, chegando a 97% em nove minutos. Mas, para dar conta dessa potência sem sobrecarregar a rede elétrica, a marca chinesa vai usar um sistema chamado BESS.
O primeiro carregador deste tipo será instalado em Brasília (DF), numa concessionária da Denza – marca de luxo da BYD – para alimentar o novo Z9 GT, que chega em junho. A promessa é de que, até o final de 2027, o Brasil tenha ao menos 1 mil desses carregadores prontos para uso. Autoesporte foi a Zhengzhou (China), onde conheceu uma instalação idêntica. Veja abaixo como funciona!
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Como funciona o carregador mais potente do mundo?
A sigla é uma abreviação para Battery Energy Storage System, que nada mais é do que um sistema que armazena energia em baterias para alimentar um sistema de alta potência, como desses de 1.500 kW em corrente contínua (DC) – ou 1,5 megawatt. Hoje, os carregadores públicos mais rápidos disponíveis no Brasil ficam na média de 350 kW.
Essa tecnologia permite guardar eletricidade para uso posterior em vez de consumi-la imediatamente. Na prática, funciona como um reservatório de energia — um “powerbank” gigante. A expectativa da BYD é inagurar 20 mil instalações deste tipo na China até o fim deste ano.
Veja como funciona o supercarregador da BYD
André Schaun/Autoesporte
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No caso da BYD, o BESS vira um aliado para viabilizar esses carregadores ultrarrápidos de até 1.500 kW. Isso porque a infraestrutura elétrica tradicional não consegue fornecer, de forma contínua, uma potência tão alta sem comprometer a rede elétrica da região.
Se isso acontecer, o principal impacto é a queda de tensão, já que a rede infraestrutura elétrica não foi dimensionada para lidar com picos tão rápidos e concentrados de potência.
Este é o “powerbank” do carregador da BYD com 1.500 kW
André Schaun/Autoesporte
Outro ponto importante é o aumento da corrente elétrica nas linhas e transformadores. Isso gera aquecimento e acelera o desgaste da infraestrutura. Se esse tipo de demanda for frequente e não houver reforço na rede, pode levar à necessidade de troca de cabos, transformadores mais robustos ou até a construção de novas subestações.
O BESS fica conectado à rede elétrica e vai carregando suas baterias de forma contínua e controlada. Quando um veículo chega para recarregar, esse sistema entrega uma grande quantidade de energia em poucos minutos — suficiente para atingir potências altíssimas como 1.500 kW — sem sobrecarregar a infraestrutura local.
Plugue de recarga é reforçado para suportar maiores transferências de carga
André Schaun/Autoesporte
Na China, em 2024, a BYD lançou o primeiro BESS de íon-sódio de alto desempenho do mundo, utilizando com o Long Blade Battery. O sistema tem capacidade de armazenamento de energia de 2,3 megawatt e uma tensão nominal de 1.200 V, com uma faixa de tensão de 800 V a 1.400 V.
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Carregadores Flash Charging
Carregador da BYD com 1.500 kW de potência parece um posto de gasolina
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Desenvolvido em formato de T com uma mangueira de abastecimento de cada lado, o carregador tem sistema o sistema Zero Gravity, que permite levar o conector para qualquer lado do veículo, mantendo os cabos fora do chão. O padrão segue o CCS2 (Combined Charging System Tipo 2) para carregamento rápido em corrente DC.
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Segunda geração da bateria Blade da BYD
O desenvolvimento da segunda geração da bateria Blade levou seis anos. Segundo a marca, o foco era atender a principal demanda dos consumidores de veículos elétricos: menor tempo de carregamento e mais eficiência na recarga. A BYD diz que seus clientes de carros elétricos dão mais importância para recargas rápidas do que para uma autonomia maior.
Parte dos leitores pode ter notado que o tempo de carregamento de 10% a 70% é só um minuto maior do que o tempo para a recarga de 70% a 97%. Isso é normal e costuma acontecer com as baterias a partir de 70% a 80% pois, conforme fica mais cheia, a energia que entra leva mais tempo para ser armazenada.
Painel digital mostra o andamento da recarga
André Schaun/Autoesporte
Em regiões com temperaturas muito baixas, em torno de -30ºC, o tempo de recarga também aumenta, segundo a fabricante chinesa. No caso da nova bateria Blade, o carregamento de 20% a 97% acontece em 12 minutos nas condições citadas, usando o carregador Flash de 1.500 kW.
A nova geração também aumentou em 5% a densidade energética na comparação com a primeira, por isso há ganhos significativos no tempo de recarga. A BYD desenvolveu um canal de alta velocidade de íons de lítio e um sistema inteligente de gestão térmica, que ajudam a reduzir o calor interno e melhorar a dissipação térmica.
BYD Denza Z9 GT chega ao Brasil em junho de 2026
Divulgação
No Brasil, o Z9 GT será o primeiro modelo equipado com a segunda geração da bateria Blade, que alcança autonomias de 800 km a 1.036 km no ciclo chinês CLTC, de acordo com BYD, com baterias de 102,3 kWh e 122,5 kWh, respectivamente. A versão mais potente, de três motores, tem potência aproximada de 1.140 cv.
No decorrer dos próximos anos, os novos produtos da BYD já terão essas baterias de segunda geração da Blade. Vale lembrar que a potência de carregamento de um carro varia justamente de acordo com a capacidade da bateria. Por exemplo, um Dolphin Mini tem recarga limitada a 40 kW (DC), então o Flash estará disponível apenas para carros que suportem uma carga muito alta.
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