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Pai e filho viajam 44 mil km do Brasil ao Alasca em Chevrolet Opala 1973

27/03/2026
Pai e filho viajam 44 mil km do Brasil ao Alasca em Chevrolet Opala 1973


No dia 1° de janeiro de 2026, publicamos um vídeo que atingiu mais de 3 milhões de visualizações em nosso Instagram. O registro traz um Chevrolet Opala cupê 1973 em um cenário improvável: na Times Square, em Nova Iorque (EUA). Os autores do feito são de Douglas Carvalho e Elio Ferreira, pai e filho, que passaram 105 dias viajando com o clássico entre março e outubro de 2025, passando por 15 países. O objetivo era dirigir o clássico pela Rodovia Pan-Americana, a maior do planeta, saindo de Ushuaia (Argentina) até o Alasca (EUA).
Autoesporte foi atrás dessa história para entender o que levou os aventureiros a percorrerem 44 mil km pelas três Américas e cruzarem de uma costa norte-americana à outra para chegar a uma das maiores metrópoles do planeta. O empresário paulista revelou que inicialmente faria a viagem sozinho em uma Triumph Tiger 900, que tem há três anos.
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“Eu tenho uma moto aqui, que é uma Tiger 900. Ela tem mil km rodados e continua comigo há três anos. Eu comprei para fazer essa viagem, mas depois desisti e falei: ‘Vou fazer com o meu pai, que vai ser mais legal’. Ele falou ‘bora’, então reformei o Opala e nós fomos viajar”, detalhou.
A parceria da dupla em viagens é antiga. Há dez anos, Douglas e Élio saíram de São Paulo rumo ao Maranhão, dirigindo pela costa nordeste do país. Na volta, retornaram pela região central do Brasil, resultando em 35 dias de viagem. O trajeto também foi cumprido em um Opala, mas não no ‘Pé de Pano’ – apelido carinhoso do sedã que acompanhou a dupla pelas três Américas.
Douglas desistiu de fazer a viagem de moto e convidou o pai para realizarem percurso de Chevrolet Opala Cupê 1973
Acervo pessoal/Douglas Carvalho
Já a vontade de viajar pela maior rodovia do planeta também surgiu há dez anos, quando o empresário assistia a vídeos no Youtube de pessoas que cumpriram o trajeto. Segundo Carvalho, o nascimento de suas filhas, o desenvolvimento da carreira e o relacionamento eram pontos que até então geravam dúvidas sobre a realização da viagem, já que teria que se ausentar por muito tempo.
Escolher o carro em vez da moto, entretanto, proporcionou que o dono de uma empresa de cosméticos pudesse conciliar as obrigações: “Apesar de eu ter tirado um ano sabático, eu trabalhava na viagem. [Fazia contatos] com vendedor, cliente, fornecedores e funcionários”.
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Carvalho, diga-se de passagem, é um entusiasta automotivo e tem diversos clássicos na garagem: “Eu tenho quatro motos, mas quase não ando porque falta tempo. Além disso, eu tenho 17 Opalas, uma [Chevrolet] Caravan, um Omega, uma [moto] Gambler e, recentemente, comprei um [Ford] Maverick e um Kadett branco. Então, eu gosto de juntar essas coisas, mas o meu pai é quem gosta de mexer [com carros], então eu compro e deixo com ele”.
Chevrolet Opala Cupê 1973 é um dos 17 exemplares da coleção do empresário paulistano, Douglas Carvalho
Acervo pessoal/Douglas Carvalho
Para o desafio de cruzar a Pan-Americana, o Opala escolhido foi o mais antigo desta coleção. Portanto, estamos falando de um Chevrolet Opala cupê 1973 que traz motor 2.5 de quatro cilindros carburado sob o capô. São 80 cv de potência e 18 kgfm de torque, aliados a um câmbio manual de cinco marchas.
Do Ushuaia ao Alasca
Douglas revelou que, no trajeto inicial, entre São Paulo – onde reside – até o Ushuaia (Argentina), não tinha muita noção de qual seria o melhor caminho para acessar a rodovia Pan-Americana. De maneira geral, a rotina deles no período baseava-se em acordar cedo, tomar café da manhã, fazer uma revisão no carro, abastecer e pegar a estrada. Já as paradas aconteciam próximas ao pôr-do-sol, na cidade e hotéis mais próximos.
“Nos primeiros dias, eu não sabia muito bem qual rota pegar. Aí eu fui perguntando para algumas pessoas na internet que já estavam fazendo. Eu ia perguntando ‘Qual é o melhor caminho para descer?’, ‘Qual é o mais bonito para descer?’, ‘Qual é o melhor para subir?’. Fui tirando as dúvidas e ali fui fazendo o meu trajeto”, relatou Douglas.
Pai e filho saíram de Ushuaia (Argentina) e foram parar na Rota 66 (EUA)
Acervo pessoal/Douglas Carvalho
A primeira etapa da viagem na América do Sul também teve a presença do irmão de Douglas, Diego Carvalho, que seguiu com o empresário e o pai até a Guatemala. Isso porque não tinha o visto americano para cruzar a Pan-Americana até o Alasca.
Por aqui, apareceram os primeiros perrengues, pois ainda na Argentina o cárter do Opala furou. O principal problema, entretanto, foi em uma região de serra entre o Peru e a Bolívia, quando passaram quatro dias dirigindo sem parar:
“Em uma dessas noites, eu não sei por quê, passei por uma cidade e resolvi parar. Cheguei no hotel e deixei meu pai e meu irmão no carro para fazer o check-in. Quando meu irmão foi manobrar o carro, a barra de direção quebrou. Eu fui fazer um vídeo descontraído, mas depois comecei a chorar porque vi que [a quebra ter ocorrido ali e não no meio da serra, sob o risco de um grave acidente] foi um livramento”.
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Na Colômbia, mais um perrengue: Pé de Pano foi roubado em um estacionamento atrás do hotel em que estavam hospedados. A situação não impediu que pai e filho cumprissem a viagem, já que recuperaram o cupê, que seguiu de navio pelo Canal do Panamá. Como o trajeto durou uma semana, Carvalho retornou ao Brasil para rever a família nesse período. Do Panamá, o destino foi cruzar a América Central rumo aos Estados Unidos.
Vivendo o sonho americano
O Alasca é um território dos Estados Unidos, mas, para chegar lá, além de cruzar todo o território americano de sul ao norte, é necessário passar por uma parte do Canadá, em um trecho de cerca de 2 mil km. Nesse trajeto, o câmbio do Pé de Pano quebrou, mas, mesmo assim, a dupla concluiu a Pan-Americana com o cupê “preso” na quarta marcha.
“À princípio, eu iria até o extremo do planeta ficar em Prudhoe Bay (Alasca), só que fui orientado por quem já foi para lá a não ir, porque eu só estava em quarta marcha, estava muito frio e tem muita estrada de terra, então eu podia atolar com o Opala”, complementou Carvalho.
Empresário saiu de São Paulo com o irmão e o pai e foi até Ushuaia (Argentina) para realizar sonho de cruzar a Panamericana em Opala
Acervo pessoal/Douglas Carvalho
Nesse cenário, o empresário seguiu viagem sentido Chicago (Illinois), para cruzar então a famosa Rota 66 – que completará 100 anos em novembro de 2026. Com o veículo muito debilitado, devido ao problema na caixa de transmissão, Douglas e o pai resolveram parar em uma casa cheia de carros antigos que parecia uma oficina, mas era a residência de um senhor que os ajudou.
Além de desmontar o carro, o homem emprestou um de seus veículos para que eles pudessem se locomover pela região. Como ele não tinha um câmbio igual ao do Opala para fazer a manutenção, a solução foi importar um conjunto do Brasil, que custou R$ 3.500. Nesse meio tempo, o senhor precisou viajar, mas pediu que a dupla ficasse em sua casa para cuidar de seus carros.
“Foi uma amizade que eu fiz e eu vivo conversando com ele pelo Instagram. Morro de saudades dele. É um velhinho que mora sozinho e tem uns 60 e poucos anos, um querido o cara. E é uma amizade que eu fiz, porque o carro quebrou”, revelou Douglas.
Douglas Carvalio e Élio Ferreira tiveram câmbio do Opala quebrado na Rota 66 (EUA)
Acervo pessoal/Douglas Carvalho
Com o câmbio consertado, pai e filho conseguiram finalmente concluir o trajeto que corresponde à Rota 66 atualmente — alguns trechos foram substituídos por novas estradas — chegando ao ponto final da rodovia, em Los Angeles (Califórnia). De lá, a penúltima parada foi Nova Iorque, quando o registro que viralizou em nosso Instagram foi feito. Carvalho e Ferreira demoraram entre cinco e seis dias para ir de uma costa à outra dos Estados Unidos.
Esta foi a penúltima parada, já que a última teve que ser Miami, para que o Opala pudesse voltar à América do Sul em um container. De lá, o clássico foi até o Uruguai, para ser “resgatado” por seu dono em grande estilo: Douglas foi a bordo de outros dois Opalas com o pai e o irmão para o país vizinho e, após consertarem o cupê de 1973, voltaram para casa dirigindo os três “irmãos”. A saga acabou. Acabou?
Que fim levou o Opala ‘Pé de Pano’?
Devido ao desgaste após 105 dias de viagem, Douglas encaminhou o Opala para um processo de reforma que deve ser concluído somente no final deste ano. A primeira etapa envolveu um banho químico, que promete remover a tinta e todas as impurezas do veículo, que foi desmontado e terá diversos componentes refeitos.
Mas claro que a dupla não pretende parar por aí. Assim que o Opala estiver pronto para pegar a estrada novamente, Carvalho e Ferreira já têm o próximo destino definido: cruzar com ele a Europa.
Chevrolet Opala Cupê que cruzou as Américas está em manutenção e deve ir para a Europa em 2027
Acervo pessoal/Douglas Carvalho
“Também pretendo fazer alguns países da África, depois Austrália, voltar para o Brasil e fazer o litoral [brasileiro], que eu fiz há muito tempo atrás com o outro Opala. Por último, quero repetir essa jornada do Ushuaia ao Alasca, mas aí quero fazer no inverno, porque quero passar pela [época de] neve. Eu quero passar um pouco mais de perrengue”, completou.
Antes da nova aventura com o clássico, entretanto, o próximo desafio é cruzar a Rota 66, em novembro, a bordo de um Dodge Charger RT equipado com motor V8. O objetivo final é participar do Sema Show 2026 – um evento de carros customizados –, em Las Vegas (Nevada), para expor a marca de fragrâncias automotivas que Douglas criou recentemente.
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