Teste: Hyundai Nexo, o SUV a hidrogênio que limpa o ar em vez de poluir

Lançado na Coreia do Sul em 2018, modelo é dos poucos fabricados em larga escala que usam célula de combustível para produzir eletricidade Pensar em alternativas de descarbonização virou uma obsessão de nove entre 10 montadoras. Não à toa, a Hyundai já está tirando ideias alternativas do papel. Além de lançar carros elétricos e híbridos, a marca é uma das poucas apoiadoras do uso do hidrogênio como combustível.
O Nexo é o resultado desse esforço e foi lançado na Coreia do Sul em 2018. É um dos poucos carros fabricados em larga escala que usam hidrogênio como fonte para alimentar uma célula de combustível capaz de produzir eletricidade. Essa energia, por sua vez, movimenta o motor elétrico. Apenas o Toyota Mirai tem uma proposta similar.
Teste: Toyota Mirai é elétrico movido a hidrogênio, mas é quase impossível de abastecer
A Hyundai trouxe um exemplar do Nexo para o nosso país e convidou Autoesporte para ter um breve contato com o SUV que já teve mais de 45 mil unidades vendidas no mundo.
Hyundai Nexo tem rodar silencioso e é confortável
O Hyundai Nexo funciona por meio de uma reação eletroquímica entre o hidrogênio e o oxigênio captado da atmosfera. Enquanto os prótons geram o vapor d’água que sai do escapamento, uma reação subsequente atua de forma a gerar a eletricidade que faz o propulsor funcionar. Essa energia é gerada sob demanda, ou seja, apenas quando o veículo precisa.
Hyundai Nexo tem 163 cv de potência e 37,1 kgfm de torque
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Quem gosta de números vai gostar de saber que o Nexo tem 163 cv e torque de 37,1 kgfm. Para efeito de comparação, o Tucson é equipado com um motor 1.6 turbo a gasolina que entrega 177 cv e 27 kgfm de torque. O Nexo também é maior do que o Tucson: tem 4,67 m de comprimento e 2,79 m de distância entre-eixos contra 4,48 m e 2,67 m, respectivamente.
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O abastecimento dos três cilindros de 52 litros cada é realizado em aproximadamente cinco minutos. A autonomia é de 666 km, de acordo com o ciclo WLTP. Ou seja, dá para realizar tranquilamente uma viagem como a que fizemos entre as cidades de São Paulo e Vinhedo, no interior paulista.
Durante esse trajeto não notamos diferença alguma para um SUV movido apenas a eletricidade. Até porque, no fim das contas, o Nexo também é um carro elétrico, só que com a célula de combustível encarregada de produzir eletricidade por meio do hidrogênio armazenado nos tanques que ficam abaixo do banco traseiro.
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O Nexo se mostrou bastante confortável e tem uma cabine com isolamento acústico primoroso. Mesmo sendo um SUV, a carroceria não inclina com facilidade nas curvas, possivelmente pela presença dos cilindros de hidrogênio que acrescentam 110 kg ao peso do carro e ajudam a baixar o centro de gravidade do veículo.
Quem viaja no banco de trás tem bastante espaço para as pernas e não se senta em posição tão elevada.
Projeto do Nexo não envelheceu e ainda é atual
SUV dispõe de enorme tela de 12,1 polegadas para a central multimídia e painel digital de 10,25 polegadas
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Mesmo sendo um projeto com praticamente sete anos de vida, o Hyundai Nexo tem muitos equipamentos de conforto e segurança presentes em modelos mais atuais. O sistema de câmeras fornece uma visão em 360 graus e exibe imagens laterais do veículo, como nas versões mais completas do Creta.
Há um pacote Adas completo, com itens como controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, assistente de permanência em faixa com correção de trajetória (um pouco intrusiva, aliás) e alerta de tráfego cruzado traseiro.
Além disso, o Nexo tem um avançado sistema de estacionamento semiautônomo capaz de estacionar o veículo sem que o motorista realize uma ação. Basta sair do veículo e controlar as manobras por botões na chave presencial.
Apenas o design entrega a idade do projeto, que segue a identidade visual adotada pela Hyundai no fim da década passada. Apesar disso, o Nexo exibe elementos que ainda são atuais, como o conjunto óptico dividido em duas seções e a grade com barras horizontais.
Notam-se também alguns detalhes pensados para melhorar a aerodinâmica, como as maçanetas embutidas na carroceria e os limpadores de para-brisa escondidos entre o vidro e o capô. Essas soluções, inclusive, foram replicadas no Ioniq 5, um projeto bem mais recente que o do Nexo.
A cabine tem modernidades como uma enorme tela de 12,1 polegadas para a central multimídia e um painel digital com tela de 10,25 polegadas. O console central é elevado e agrupa uma infinidade de botões que podiam transmitir modernidade em 2018, mas confundem a vida do motorista e ainda fogem do minimalismo dos projetos mais recentes da própria Hyundai.
Abastecer o SUV? Só em Minas Gerais
Hyundai Nexo usa célula de hidrogênio para produzir eletricidade
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A notícia ruim é que, por enquanto, o Nexo veio para o Brasil só a passeio. A única unidade do SUV em solo brasileiro é uma vitrine ambulante da tecnologia desenvolvida pela HTWO – divisão da Hyundai especializada em soluções de hidrogênio que mantém um escritório no Brasil para realizar estudos envolvendo o uso do gás em automóveis, veículos pesados e até trens.
Esse trabalho só não é mais expressivo pela falta de infraestrutura de estações de recarga de hidrogênio. Inclusive, não se trata de um problema local, mas sim global. Daí o motivo de poucas fabricantes abraçarem a ideia na atualidade.
A própria Hyundai vive um perrengue para abastecer o Nexo no Brasil. Tudo porque existe apenas um posto capaz de abastecê-lo sob a pressão necessária de 700 bar. Como ele fica dentro da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, dá para imaginar como isso inviabilizaria qualquer uso normal do Nexo no dia a dia.
A produção do hidrogênio é outro entrave para sua popularização. Atualmente, 96% do hidrogênio produzido no Brasil usa base fóssil, já que vem a partir do gás natural – um dos subprodutos da extração do petróleo. Quando se aquece o gás natural em um reformador sob altas temperaturas, um dos elementos liberados é o hidrogênio.
Só que produzir hidrogênio por uma base fóssil é tão contraditório quanto usar diesel para alimentar uma estação de carregamento de carros elétricos. A alternativa mais viável seria produzir o hidrogênio via etanol, processo que pode ser realizado após o aquecimento do etanol em um reformador. Além do hidrogênio puro, esse processo também produz dióxido de carbono, mas a emissão do CO2 seria compensada pelo fato de a cana-de-açúcar coletar o gás durante o seu crescimento.
Hyundai Nexo em ação: produção de hidrogênio é entrave para sua popularização
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Outra vantagem de usar etanol para produzir hidrogênio estaria na redução substancial de custos, já que seria possível aproveitar a atual infraestrutura de abastecimento de veículos no país. Se cada posto tivesse um reformador de etanol para produzir hidrogênio, não haveria necessidade de transportá-lo por dutos ou por meio de caminhões.
Enquanto esse cenário não mudar, o Nexo continuará sendo uma alternativa bem interessante de descarbonização. No entanto, ainda estará muito longe da nossa realidade.
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