Teste: Citroën C3 XTR melhora onde mais precisava; será o suficiente?


A Citroën brasileira parece viver jogo de gato e rato com seu par indiano. Isso porque as novidades para o nosso mercado chegam, usualmente, atrasadas em comparação com o país asiático. Pois é. “As aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”.
Veja a linha 2026 do Citroën C3, por exemplo. O modelo chega com boas novas, como a versão XTR (também presente no Aircross), aqui testada, e comandos dos vidros traseiros na porta do motorista. Também temos na nova configuração, que tem preço sugerido de R$ R$ 88.990 (ao menos durante o mês de setembro), painel de instrumentos digital de sete polegadas e ar-condicionado digital.
Os itens supracitados, bom dizer, compõem pacote de pedidos de longa data dos clientes brasileiros. Os indianos, porém, têm esses equipamentos já faz algum tempo; e mais: têm à disposição opção de seis airbags, enquanto por aqui o C3 oferece apenas duas bolsas.
Mesmo assim, em comparação com o que tínhamos à disposição no Brasil, o Citroën C3 XTR (recuperação de versão já comercializada pela marca) é uma evolução. É um modelo que vem com rodas de liga leve de 15” calçadas por pneus de uso misto 195/65, tem interior escurecido com detalhes de cor verde pistache, emblemas alusivos por toda a carroceria (incluindo no capô) e também no habitáculo, com bancos, volante, painel e apoio de braço com revestimento de qualidade, superior ao que tínhamos na linha 2025.
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Citroën C3 XTR tem emblema alusivo na traseira e em outras áreas
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Por menos de R$ 90 mil, o Citroën C3 XTR não faz feio no quesito acabamento. Não mesmo. O compacto melhorou onde mais precisava. Só que ainda há excesso de plástico áspero ao toque. Para completar, a forração das portas dianteiras não é replicada nas traseiras — até aí tudo bem, já que carros mais caros também cometem o mesmo erro.
De todo modo, assim como os outros C3, o XTR é um veículo confortável e dono de habitáculo agradável. Com seus quase 4 metros de comprimento e 2,54 m de entre-eixos, acomoda quatro adultos muito bem. O porta-malas de 315 liltros no padrão VDA também é capaz de levar bagagens de todos os ocupantes sem tantos problemas. É uma opção, dentro do segmento, que empolga por tais características.
Dinâmica do Citroën C3 XTR
A versão XTR, posicionada entre a configuração de topo, You, e a Feel tem no motor um calcanhar de Aquiles. A Citroën bem que poderia lançar mão do turbo, mas optou aqui pela manutenção do motor 1.0 aspirado Firefly de até 75 cv de potência e 10,7 kgfm de torque quando abastecido com etanol. O câmbio é o manual de cinco marchas.
Citroën C3 XTR vem com motor 1.0 da família Firefly
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Em ciclo urbano até que o conjunto vai bem. Oferece torque em relativamente baixa rotação e potência adequada para o anda e para das cidades. Na estrada a coisa muda de figura, especialmente com o carro cheio. Tudo bem que não há milagre que resolva tal questão.
A primeira marcha tem relação curta a fim de favorecer arrancadas, mas demanda trocas rápidas. Tira bem o carro da inércia. Temos fôlego a partir da terceira, que atua muito bem no cruzeiro urbano e em alongadas com giro mais elevado em ciclo rodoviário. Esta, justamente, é a ideal para ultrapassagens em estradas.
É, claro, o típico câmbio Stellantis aliado ao 1.0 aspirado. Nervosinho demais em baixa, eficiente em alta, mas quase que uma nulidade se pensarmos em foco no esportivo. Mas beleza. Não dá para pedir algo diferente nem mesmo numa versão que traz três letras que traduzem “extreme” (“extremo”, em tradução literal).
Interior do C3 XTR tem acabamento superior, mas ainda peca em detalhes
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É um acerto de escalonamento mais encurtado nas primeiras marchas, com alongamento a partir da terceira que garante um pouco de versatilidade em ambiente urbano. Garante também eficiência energética em estrada.
Segundo dados do Programa de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro, o Citroën C3 XTR faz 13,0 km/l na cidade e 14,2 km/l na estrada com gasolina e 9,5 km/l em ciclo urbano e 10,3 km/l em ciclo rodoviário com etanol. São bons números mesmo com pneus de uso misto, que costumam tornar carros mais ébrios principalmente por conta do desenho da banda de rodagem mais agressivo.
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No quesito suspensão, os XTR de outrora geralmente traziam algum tipo de elevação para evidenciar o caráter aventureiro. Como o Citroën C3 oriundo do projeto C-Cubed já é, basicamente, um hatch um pouco mais alto, não temos quaisquer alterações nesse sentido.
Versão tem soleiras personalizadas e pedaleiras esportivas
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E até aí tudo bem. Beleza que o Basalt é o mais equilibrado da família, mas o Citroën C3 XTR não chega a bater tão seco quanto um Volkswagen e nem ser tão “barcaça” quanto o irmão Aircross. Embora a rolagem da carroceria seja um tanto excessiva por conta do centro de gravidade, o hatch não é um modelo feito para encarar curvas em alta velocidade.
Economia em excesso
O volante bem revestido é pequeno em termos de diâmetro e tem boa pegada. A direção pode ser leve demais para alguns condutores, mas funciona muito bem em ambiente urbano. Poderia ter um pouco mais de progressividade. Nada, contudo, que prejudique tanto. Além disso, a posição de dirigir é alta que só, e transmite a sensação, principalmente na estrada, de que se está no comando de um monociclo gigante (guardada a devida licença poética).
O C3 ainda comete pecado no quesito segurança. A ausência de bolsas adicionais às obrigatórias é algo indefensável. E se o acabamento melhorou, a qualidade de construção segue problemática. A unidade testada, em trecho de 30 km na Zona Oeste do Rio de Janeiro, tem peças frágeis, que praticamente formam bateria de escola de samba.
Citroën C3 XTR tem adesivo no capô como um de seus diferenciais
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É um hatch, bom destacar, barulhento. O isolamento acústico não é dos melhores, assim como no Aircross. Da família C-Cubed, apenas o Basalt passa relativamente incólume neste quesito.
Por fim, a Citroën segue economizando chicotes no caso do C3 XTR. Mantém comandos dos vidros traseiros no console central, ao contrário de Basalt e Aicross, que têm as teclas nas próprias portas. Além disso, adiciona duas portas USB-C para a segunda fileira, mas para os ocupantes da dianteira disponibiliza porta do tipo A, a mais comum.
Citroën Aircross e Basalt corrigem item polêmico que o C3 ainda tem
E Isso ocorre por alguns motivos. A entrada USB localizada na dianteira tem ligação com a (boa) central multimídia de 10 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay. Assim, também serve para transmissão de dados. Sua substituição demanda apuro técnico, chicote dedicado e pode até mesmo envolver atualização de software.
Citroën C3 XTR tem opção com carroceria biton
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Já na traseira as entradas servem apenas para carga. Desse modo, há pré-disposição no chicote para a instalação, o que não altera custos no frigir dos ovos. Esta economia, bem como a dos comandos dos vidros, prejudica (e muito) a usabilidade e pode frustrar os ocupantes.
Equipamentos do Citroën C3 XTR
No quesito equipamentos o Citroën C3 XTR oferece boa lista se considerarmos seu preço. Duas portas USB-C para a segunda fileira. adesivo “XTR” no capô, adesivo Light Green na coluna C, bancos e apoio de braço da porta com revestimento premium, ar-condicionado automático e digital, assistente de partida em rampa, câmera traseira, chave canivete e DLR com LED.
O modelo conta ainda com a central Citroën Connect touchsreen de 10″ mais espelhamento Android Auto e Apple Car Play sem fio e controle de áudio no volante com seis alto-falantes, duplo Chevron dianteiro escurecido, emblema XTR na traseira, bancos dianteiros e soleira, faróis de neblina, monitoramento de pressão dos pneus, iluminação no porta-luvas, maçanetas internas cromadas, pedaleiras cromadas, retrovisores elétricos e painel de instrumentos digital de 7″, rodas de liga leve escurecidas de 15”.
As cores disponíveis são as seguintes: preto Perla Nera, cinza Artense com opcional de teto em preto e branco Banquise com opcional de teto em preto.
Citroën C3 XTR conta com pneus de uso misto
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Conclusão
Embora traga melhorias para o CItroën C3 principalmente no quesito acabamento, o XTR ainda carrega dores e delícias inerentes ao compacto. Não ter adicionado comandos dos vidros nas portas dos passageiros traseiros (como ocorreu no caso de Basalt e Aircross) é apenas um dos pontos. Faróis de LED também fazem falta.
Mesmo assim, com preço competitivo e conjunto mecânico confiável, o Citroën C3 XTR é versão com plumas e paetês que agrada em ambiente urbano e mantém acesa a chama de “acessibilidade” apregoada pela marca francesa no país há alguns anos. Poderia, contudo, chegar um pouco mais perto, na briga de gato e rato, do “felino de origem indiana”, muito mais equipado.
Pontos positivos: Econômico e bom de guiar em ambiente urbano;
Pontos negativos: Faltam itens de segurança e ergonomia ainda deixa a desejar.
Citroën C3 XTR 2026
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