Subaru SVX foi união de design italiano com a famosa mecânica japonesa


O Subaru SVX é exótico e bem desenhado sob qualquer ângulo. Dê uma volta ao redor dele: não há uma só protuberância, espelhos externos à parte. Os para-choques, faróis e lanternas integram-se à carroçaria como se tudo fosse uma só peça. Seu Cx (coeficiente de forma aerodinâmica) de 0,29 é consequência lógica.
Texto publicado originalmente na revista Autoimports de março de 1993.
O que mais chama a atenção é o que está acima da linha dos para-lamas. Os vidros laterais chocam e fascinam; sua tecnologia “vidro dentro de vidro” é algo que nenhum outro carro de produção jamais se atreveu a oferecer. Testes em túnel de vento definiram as áreas de turbilhonamento com os vidros das janelas abertos. Onde há fortes redemoinhos, o vidro é fixo; onde a passagem é tranquila, ele abre.
Vidros do Subaru SVX traziam tecnologia inovadora para reduzir arrasto provocado pelo vento
Autoesporte/Acervo MIAU
Se você correr a mão por toda a área envidraçada, verá que ela dá a volta completa no carro, escondendo as colunas. A estrutura da carroçaria é extremamente rígida, com as colunas, seus apoios e as travessas do teto e da parede corta-fogo feitos em peças estampadas fechadas, formando tubos.
Quase todas as chapas metálicas são galvanizadas dos dois lados, e a carroçaria incorpora para-choques, para-lamas traseiros, tampa do porta-malas e as metades inferiores das portas, em compostos plásticos. Esses compostos estão embaixo do carro também, como no tanque de gasolina, moldado na forma do banco traseiro, quase como um berço dele.
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Giorgio Giugiaro, responsável pelo desenho do protótipo original, definiu um carro 2+2 que dá a impressão de ser muito mais longo, largo e baixo do que é na realidade. Os 4,625 m de comprimento, 1,77 m de largura e 1,30 m de altura não são extraordinários: há muitos carros por aí, inclusive japoneses, que são maiores do que o SVX em alguma ou todas essas dimensões. Visualmente, porém, ele engana – inclusive de dentro.
Visual do Subaru SVX é assinado por Giorgio Giugiaro e privilegia a aerodinâmica
Autoesporte/Acervo MIAU
Abre-se a porta (enorme como em todo duas portas), e entra-se no SVX com mais facilidade do que se espera de um carro (aparentemente) tão baixo. O interior todo em couro preto (opcional) faz o carro desaparecer no escuro, mas dá uma sensação de luxo e qualidade que só esse material consegue. O ajuste do banco do motorista é elétrico, o do passageiro da frente mecânico. O volante tem ajuste de distância e de altura, quatro raios, revestimento em couro, aro grosso e excelente pega. Único senão: a mínima faixa de toque para a buzina, que a torna difícil de operar.
O quadro de instrumentos é corretíssimo. Do lado esquerdo, em cima, há um perfil do carro com avisos de trava do diferencial central e eventual superaquecimento do óleo da transmissão automática; abaixo, marcador de temperatura do motor.
Dois grandes mostradores centrais: tacômetro com faixa vermelha a 7.000 giros e velocímetro graduado até 260 km/h com dois odômetros. À direita, planta baixa do carro com aviso de porta(s) aberta(s) e funcionamento do pisca-alerta. Sob esses instrumentos, uma fila de luzes-espia: direção (falha eletrônica), óleo, bateria, motor, Power e Econ (aviso de qual programa está operacional), Manual (comando manual da caixa), lâmpadas de freio, nível do fluido de freios e condição do sistema ABS.
Subaru SVX tinha interior bem acabado e mostradores de fácil leitura
Divulgação
Sobre o painel, na base do para-brisa, um sensor ajuda a comandar o sistema de controle climático (não é apenas um aparelho de ar-condicionado). No console central, os comandos desse sistema são extremamente bem distribuídos e autoexplicativos; à esquerda um grande botão transparente permite escolher a temperatura interna desejada e saber a temperatura ambiente externa. Logo abaixo, uma barrinha de plástico dá acesso ao sistema de som, escondido sob uma tampa.
Atrás da alavanca seletora convencional da transmissão automática está a melhor e mais lógica alavanca de freio de mão jamais colocada em um automóvel, digna da mais urgente cópia pelos concorrentes. A pedaleira (que inclui um pedal morto para o pé esquerdo) é correta.
Os bancos, apesar de seu revestimento em couro, firmam bem seus ocupantes, mesmo nas curvas mais fortes. Ponto fraco ergonômico (tem de haver algum!) é a posição recuada demais da trava das portas.
Motor boxer do Subaru SVX entrega bons 230 cv
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Se tudo é bom na frente, atrás as coisas são menos perfeitas. O carro está corretamente classificado como um 2+2: há falta de espaço para cabeça e pernas, restringindo seu uso (com conforto) a crianças de até uns 10 anos. Em compensação, há cintos de três pontos. A visibilidade é excelente para a frente e razoável para trás, apesar do spoiler sobre a tampa do porta-malas. Para os lados o problema fica por conta daquela definição estilística de vidro dentro de vidro: você tem de se acostumar à faixa metálica que os une.
Os 230 cv a 5.600 rpm e os 31,5 mkgf a 4,800 rpm do seu motor deveriam levar o SVX a acelerações, retomadas e máximas fortíssimas. O problema, porém, é o peso: nada menos de 1.615 kg, virtualmente o mesmo de um Galaxie. Isso faz com que as acelerações e retomadas sejam apenas muito boas, em vez de excelentes.
Tração integral dá ao Subaru SVX boa aderncia
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O SVX sai relativamente devagar no primeiro segundo, uma sensação reforçada pela tração integral, que não permite que os pneus “cantem”. Logo depois a aceleração torna-se mais forte, com o motor roncando feliz após os 4.000 giros; daí para frente e até os 7.200 giros, quando a transmissão passa à marcha superior, é tudo uma festa. 0 a 100 km/h em em 9,3 s; 400 metros em 16,6 s e o quilômetro de arrancada em 31 s (fechando a 180 km/h) são marcas respeitáveis.
A caixa automática é controlada pelo mesmo sistema eletrônico que comanda o motor. Nas mudanças, a potência é momentaneamente reduzida para evitar trancos e aumentar a vida útil da caixa – talvez por isso as respostas ao kick-down não sejam tão rápidas. A tração permanente é simplesmente ótima – e não só no molhado ou na lama. Nas curvas fortes no seco, ela inicialmente mantém a mesma distribuição de torque que nas retas: 35% nas rodas dianteiras e 65% nas traseiras. Se a traseira começar a sair, ela trava o diferencial central e passa 50% do torque a cada eixo.
O carro é muito áspero em buracos e obstáculos de baixa amplitude (rasos), mas firme e inesperadamente absorvente nos mais severos. A suspensão, que trabalha com subchassi na frente e atrás, não deixa a carroçaria inclinar demais e mantém as rodas sempre aderentes ao solo. Os quatro freios a disco ventilados são resistentes e potentes, porém o servo poderia ser maior. O ABS de quatro canais também envia sinais à tração integral, mantendo tudo sob controle em situações difíceis.
Em resumo, o Subaru SVX é um automóvel que se torna mais exótico e fascinante a cada quilômetro, mas não é para qualquer um. Para quem entende e gosta, está na medida certa.
Resultado dos testes – Subaru SVX
Ficha técnica – Subaru SVX
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