Stellantis aposta na inovação e eletrificação da frota nacional


Desde sua criação, a Stellantis é líder no mercado automotivo no Brasil e na América do Sul. Em 2024, anunciou um investimento de R$ 32 bilhões na região — destinado, principalmente, ao desenvolvimento da tecnologia Bio-Hybrid, recém-lançada no Fiat Pulse, Fiat Fastback, Peugeot 208 e 2008, que equipará futuros modelos da companhia, sendo pilar em sua estratégia de descarbonização.
O italiano Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis América do Sul, está à frente da empresa na região desde 2023, liderando as marcas Fiat, Jeep, Ram, Peugeot, Citroën e Abarth — e prepara o lançamento da Leapmotor, com foco em carros eletrificados. Também responsável global da Stellantis Pro One, unidade de veículos comerciais, ele fala do atual momento e dos desafios futuros da companhia na região.
Como você avalia o desempenho da Stellantis na América do Sul?
Desde 2021, quando a Stellantis foi criada, somos líderes na região e fechamos o primeiro semestre de 2025 com 23,5% de participação. No Brasil, o share é de 30,1%, e a Fiat Strada é o modelo mais vendido. Na Argentina, o Peugeot 208 e o Fiat Cronos estão no topo das vendas, enquanto Ram, Jeep e Citroën são muito competitivas em seus segmentos. Em comparação com 2024, aumentamos a produção no Brasil em 18%, enquanto as exportações cresceram 93%.
Qual a importância do investimento de R$ 32 bilhões na América do Sul?
Somos a empresa do setor que mais investe no Brasil e na América do Sul, evidenciando nosso compromisso com soluções inovadoras e com o desenvolvimento econômico e social.
Os investimentos divulgados impulsionarão o lançamento de novos produtos, o desenvolvimento das novas tecnologias Bio-Hybrid, tecnologias inovadoras de descarbonização em toda a cadeia de suprimentos automotivos e novas oportunidades estratégicas de negócios.
A tecnologia Bio-Hybrid combina eletrificação com etanol, um combustível de baixo carbono. Essa solução permitirá diferentes níveis de hibridização, incluindo modelos 100% elétricos, que serão incorporados aos novos veículos desenvolvidos e produzidos no país.
Como foi a receptividade dos clientes ao Pulse e Fastback com essa tecnologia?
Tem sido excelente. Atingimos o objetivo de democratizar as tecnologias híbridas no mercado. No acumulado do ano, a Fiat é líder no segmento de SUVs híbridos, com mais de 20 mil unidades emplacadas.
Qual a importância desse movimento frente à transição energética global?
A sociedade apresenta novas demandas, e vivemos o maior período de transformação da indústria automotiva global. Reconhecemos a urgência da descarbonização e, por isso, avançamos para uma matriz de múltiplas propulsões, que aproveita o etanol e outras fontes renováveis de energia do Brasil para oferecer produtos alinhados à realidade e às expectativas dos consumidores.
Pode contar mais sobre o projeto de descarbonização?
Para descarbonização do “berço ao túmulo”, temos que considerar desde a extração dos minerais, sua transformação em matéria-prima, passando pelo desenvolvimento de produto, fornecedores, manufatura, produto final, concessionárias e usuário. No fim da vida útil do veículo, temos processos de remanufatura, reparo, reuso e reciclagem dos componentes: é a economia circular, fundamental para o processo de descarbonização.
E o que pode dizer sobre o segundo passo da tecnologia Bio-Hybrid da Stellantis, com os híbridos da Peugeot?
Com o lançamento do Novo 208 T200 Hybrid e do Novo 2008 T200 Hybrid, reafirmamos nosso protagonismo em inovação e tecnologia na região. Esses veículos contribuem para a descarbonização da mobilidade, fortalecem a nacionalização da eletrificação e impulsionam o setor automotivo.
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Divulgação
Quais os desafios de estar à frente de um grupo com tantas marcas — e, por outro lado, quais as vantagens?
É um desafio enorme. A diversidade nos permite adotar diferentes tecnologias de acordo com o perfil de cada marca, criando uma ótima sinergia entre os nossos times. Nosso portfólio é completo e atende aos desejos dos clientes em todos os segmentos. A Citroën apresentou diversas novidades, como as versões Dark Edition e XTR.
Quais os seus diferenciais?
Desde seu lançamento, o Citroën Basalt acelerou a presença da marca no mercado. Ele é o SUV coupé e o SUV turbo mais acessível do Brasil, e sua nova versão topo de linha, a Dark Edition, combina visual escurecido com um toque de sofisticação e esportividade. Já para o C3, hatch com atitude SUV, e o Aircross, único SUV compacto de até sete lugares, resgatamos a icônica versão XTR, com apelo aventureiro, unindo acessibilidade, robustez e conforto.
Quais são as expectativas para a Ram Dakota? Por que resgatar este nome?
A Ram Dakota Nightfall Concept foi apresentada em agosto e antecipa a inédita picape média que chegará ao Brasil em 2026. O modelo reforçará a estratégia da Ram na região, que alcançou um novo patamar após o sucesso da Rampage. Quanto ao nome, não poderia ser diferente: Dakota carrega a expertise de quem sabe fazer picapes.
Neste ano também lançamos as novas Ram 2500 e Ram 3500, as picapes diesel mais potentes do Brasil, com 436 cv, além de uma série limitada, a Rampage R/T NFL Edition, primeiro carro da história feito em parceria com a liga profissional de futebol americano, uma das competições esportivas mais populares do mundo.
Qual a chave do sucesso da Jeep, que celebra dez anos de produção no Brasil?
A capacidade off-road, alta performance e tecnologia fizeram a Jeep ser sinônimo de categoria, além de ser a marca que mais vendeu SUVs na última década no país, sendo responsável por 25% do crescimento desse segmento nos últimos dez anos. A Jeep também já superou a marca de 1 milhão de SUVs vendidos no Brasil, ou seja, uma referência no mercado.
Para comemorar os dez anos de produção, lançamos a série especial do Renegade, afinal, ele foi o grande protagonista nessa revolução do segmento SUV no Brasil, juntamente com o sucesso de vendas do Compass entre os médios e do Commander, entre os SUVs de sete lugares. E essa gama de sucesso será completada com o Avenger, que terá produção nacional a partir de 2026.
A Leapmotor irá comercializar os modelos B10 e C10 ainda em 2025?
Os SUVs eletrificados Leapmotor, que serão lançados em breve, complementam nossa estratégia de eletrificação. A marca chegará ao Brasil com o protagonismo da tecnologia REEV, um novo passo que permitirá ao consumidor desfrutar de uma experiência elétrica sem depender da infraestrutura. Eles estarão disponíveis nas principais cidades do Brasil, apoiados por nossa ampla capilaridade e sólida estrutura comercial e pós-venda.
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