Senna testou kart para Autoesporte antes de chegar a Fórmula 1; relembre

Muito antes da Fórmula 1 e da fama, Ayrton Senna fez um teste para Autoesporte e mostrou suas credenciais, andando de lado Praticamente todo mundo sabe que Ayrton Senna começou sua carreira no kart. E também que Autoesporte sempre teve grande tradição na cobertura jornalística do automobilismo – a revista nasceu em 1964 falando exclusivamente sobre competições, das mais variadas categorias. O que quase ninguém sabe é que esses dois mundos se encontraram há 45 anos, em 1979, muito antes, portanto, da fama do piloto e de qualquer sonho de chegar à Fórmula 1.
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Senna era frequentador assíduo das páginas da revista desde o início de sua carreira. Os leitores podiam ter uma ideia do que viria pela frente nas coberturas das provas de kart, onde já ficava evidente uma das marcas registradas do piloto, o perfeccionismo técnico. Na edição 166, de agosto de 1978, reportagem de AE apontava: “Ayrton Senna dominou totalmente a categoria 100 cm3 do Campeonato Brasileiro de Kart disputado em Tarumã (RS). Ele já vinha se preparando há um mês: experimentou seis chassis, doze tipos de pneus e vários motores até chegar ao conjunto ideal”.
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Algumas edições depois e o destaque já vinha para o título: “Senna sem adversários”, estampava a manchete de matéria sobre a etapa do brasileiro de kart em Uberlândia (MG). “Ayrton pulou na frente assim que foi dada a largada e na segunda volta já havia aberto diferença de 7,86s para o segundo colocado”, constatava, espantado, o repórter Antonio Carlos Cechinatto em sua reportagem.
Senna era destaque das coberturas de kart feitas por Autoesporte desde o início de sua carreira
Divulgação
Senna e Autoesporte
Mas o ápice dessa relação aconteceu na edição 174, de abril de 1979. Ayrton Senna, já campeão sul-americano, testou com exclusividade para a Autoesporte um protótipo de kart com câmbio, novidade no Brasil. O motor era Yamaha de 50 cm3 e a transmissão manual de cinco marchas, como as de moto, com acionamento por meio de uma alavanca instalada logo atrás do lado direito do volante. A primeira marcha era engatada pra trás, enquanto as demais entravam para a frente, de forma sequencial.
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Senna mostrou ali que já era o Senna que o mundo conheceria anos depois: reclamou do engate e das relações de marcha, para ele muito longas, fazendo com que o motor caísse de giro nas trocas. Na pista andou de lado com o kart, com direito a usar apenas a mão esquerda no volante, tendo a outra no câmbio.
Em 1979, Ayrton Senna testou protótipo de kart com câmbio para a edição 174 da Revista Autoesporte
Autoesporte/Acervo MIAU
Talvez por uma ligação afetiva, em 1988, já piloto da McLaren na F1, Ayrton Senna concedeu entrevista exclusiva para apenas uma publicação entre 170 pedidos que recebeu após o GP Brasil (sendo mais de 100 de revistas estrangeiras): Autoesporte. A conversa foi publicada na edição 276, de março daquele ano. O traço genioso de sua personalidade apareceu quando os repórteres lhe perguntaram sobre as chances de Nelson Piquet naquela temporada de F1: “Não estou nem um pouco interessado”, respondeu, sem rodeios – a rivalidade entre os dois brasileiros então andava nas alturas.
Ayrton Senna concedeu entrevista exclusiva para a edição 276 de Autoesporte, um dia depois do GP Brasil de 1988
Autoesporte/Acervo MIAU
Senna ainda concederia mais uma entrevista exclusiva para Autoesporte, em dezembro de 1989, dois meses depois da fatídica batida com Alain Prost no GP do Japão, que lhe custou as chances de lutar pelo bicampeonato devido a uma polêmica desqualificação. Mais uma vez o piloto não poupou palavras:
“Após a corrida ele [Prost] veio me pedir desculpas, lamentando que tivesse terminado daquela maneira. Deu vontade de bater na cara dele, mandei ele sumir da minha frente”.
Na mesma conversa, publicada na edição 296, outra paulada: “Os interesses políticos e econômicos têm um peso cada vez maior [na F1], o que leva à deslealdade. Estou tranquilo, durmo bem, o que acredito não ser o caso de muita gente, de dentro e de fora da pista…”
Assim era Ayrton Senna, genial e genioso, como definiu com perfeição Wagner Gonzalez, correspondente de Autoesporte em Londres, na edição 348, de maio de 1994, trinta anos atrás – assim como o trágico acidente que ceifou a vida do tricampeão.
No mesmo ano da morte de Senna, Wagner Gonzalez, correspondente de Autoesporte, definiu o piloto como “genial e genioso” na edição 348 da revista
Divulgação
Por sinal a revista e o piloto tiveram mais uma conexão direta: na primeira metade dos anos 80 o empresário de Senna, Armando Botelho, morava exatamente em frente à antiga sede da revista, na Rua Brasílio Machado, em São Paulo. Aparecia sempre para tomar um café, e em todas as oportunidades repetia exatamente a mesma frase, feito um mantra: “Ayrton é o maior piloto do mundo”. Sábias palavras…
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