Jeep Commander Longitude: 5 razões para comprar e 5 motivos para pensar bem


Nada como pegar a estrada para ganhar intimidade com um carro. Foi o que fiz com o Jeep Commander Longitude (R$ 228.790), a versão de entrada do SUV de sete lugares. Desci a serra em direção à cidade de Maresias (SP), no litoral norte paulista, para aproveitar um fim de semana após semanas agitadas com muitos lançamentos de carros.
Foi minha segunda oportunidade de fazer este mesmo trajeto com o Commander. No ano passado, peguei estrada com a versão diesel (lembro bem, pois recebi uma multa). Agora, chegou a hora de ver como a versão com motor 1.3 turbo flex se comporta — com mais atenção aos radares, claro.
Estas são as cinco razões pelas quais vale a pena comprar Jeep Commander, e outras cinco características que deixaram a desejar no SUV. Tudo pronto? Pé na estrada!
Razões para comprar
1 – Bom pacote de equipamentos
Jeep Commander Longitude 2026 tem tudo que você precisa, mesmo sendo o modelo de entrada
Cauê Lira/Autoesporte
O Commander Longitude é o modelo de entrada e custa R$ 228.790. No entanto, engana-se quem deduz que este Jeep tem poucos equipamentos para ficar mais em conta, pois seu pacote de equipamentos é muito bom.
O pacote Adas inclui controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa, alerta de colisão frontal e detector de fadiga, mas não oferece sensor de ponto cego. Este aparece como item de série a partir do Commander Limited, que parte de R$ 255.690. Ah, e ele oferece seis airbags, com pares de bolsas frontais (obrigatórios), laterais e de cortina.
Cabine é bem montada e esbanja qualidade na escolha dos materiais
Cauê Lira/Autoesporte
A lista segue com tampa do porta-malas com abertura elétrica, central multimídia de 10,2 polegadas (com Android Auto e Apple CarPlay sem fio), ar-condicionado de duas zonas, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, faróis com acendimento automático. Notei a ausência do carregador de celular por indução, embora a característica não tenha atrapalhado a viagem graças à conexão por cabo.
Além do farto pacote de equipamentos, o Jeep Commander ainda se revela um carro bem montado, com acabamento mais próximo ao de modelos de luxo em comparação com o Compass. Há ampla variedade de materiais e texturas nesta cabine bem montada.
2 – O espaço interno é amplo
Espaço traseiro é adquado, embora o túnel central alto torne a viagem desconfortável para quem vai no meio
Cauê Lira/Autoesporte
Sem entrar no mérito da terceira fileira — pois ali, inevitavelmente, carros que não pertencem ao segmento de luxo serão apertados —, o Commander tem bom aproveitamento em sua cabine.
Este Jeep tem 4,76 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,68 m de altura e 2,79 m de distância entre-eixos. Com o banco dianteiro ajustado para mim (tenho 1,85 m de altura), acomodo-me na segunda fileira e me deparo com uma ampla folga de espaço entre meus joelhos e o assento frontal.
O túnel central é alto, o que atrapalha a acomodação dos pés do ocupante central. Todavia, dá para viajar com cinco pessoas no Jeep Commander sem que ninguém tenha os seus meniscos esmagados. Na terceira fileira, em uma configuração que ocupa os sete lugares, só crianças se acomodam com conforto por causa do assoalho alto.
3 – Porta-malas enorme
Por conta do assoalho plano quando a terceira fileira está rebatida, o Commander tem excelente espaço interno
Cauê Lira/Autoesporte
Quando o Commander passou por uma renovação na linha 2026, a Jeep aproveitou para encerrar a produção do modelo de cinco lugares. Desde então, o SUV é oferecido exclusivamente com sete lugares.
Com a terceira fileira rebatida, o assoalho do Commander fica totalmente plano e revela excelentes 661 litros de capacidade no porta-malas. É uma consequência direta do estepe acoplado à região inferior traseira do carro, exposto pelo lado de fora.
Mesmo os motoristas que não precisam utilizar os sete assentos podem aproveitar este amplo espaço do Commander, que se revela um carro pensado para quem viaja bastante. Com todos os assentos em uso, sobram modestos 233 litros do assoalho até o teto, cabendo, no máximo, uma ou duas mochilas pequenas.
4 – Oferece a praticidade da partida remota
Dá para ligar o Commander pelo lado de fora, o que funciona bem em dias quentes
Cauê Lira/Autoesporte
Dei sorte de pegar um fim de semana de muito sol em Maresias, mas só quem tem um carro preto sabe o quanto a cabine fica quente — ainda mais com bancos de couro. Isso não foi um problema durante a viagem com o Commander, pois usei e abusei da partida remota pela chave.
Minha hospedagem não tinha vaga coberta e, desde cedo, precisei dar a ignição remota para que o ar-condicionado refrescasse a cabine. Caso contrário, seria insalubre encarar o passeio. Também utilizei este acionamento após curtir a tarde na praia para garantir que a temperatura não estivesse tão alta lá dentro. Seria um sonho se todos os carros tivessem isso….
5 – Tem bons preços de revisões
Até o seu Commander chegar a 60 mil km, você gastará menos que os donos de outros carros de 7 lugares
Cauê Lira/Autoesporte
Quem adquirir o Jeep Commander Longitude terá o SUV de sete lugares com as revisões mais baratas do Brasil. Até o modelo completar 60 mil km ou cinco anos de uso, o proprietário terá de fazer cinco revisões ao preço de R$ 5.268. Veja os valores cobrados em cada visita:
R$ 857 (1 ano/12 mil km)
R$ 971 (2 anos/24 mil km)
R$ 822 (3 anos/36 mil km)
R$ 1.005 (4 anos/48 mil km)
R$ 1.613 (5 anos/60 mil km)
Total: R$ 5.268
Neste mesmo período, o dono de um Chevrolet Trailblazer gastará R$ 7.736 pelas revisões. No caso do Mitsubishi Pajero Sport, que acabou de sair de linha, seriam R$ 10.155. Mas é bom ficar esperto, pois o site da Jeep descreve que os valores podem ser diferentes entre as concessionárias.
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Motivos para pensar bem
1 – O desempenho não surpreende
O Commander parece pesado para um motor 1.3 turbo flex como este
Cauê Lira/Autoesporte
Chegou a hora de falar do motor 1.3 turbo flex de quatro cilindros, que desenvolve 176 cv de potência e 27,5 kgfm de torque, com câmbio automático de seis marchas. É o mesmo propulsor que equipa o Commander desde que foi lançado, mas este passou por uma recalibração em 2025 para atender às novas regras de emissões do Proconve L8, ficando menos potente. Antes, era capaz de entregar 185 cv com etanol.
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Se antes o Commander acelerava de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos, agora precisa de 10,3 s, conforme dados de fábrica. Não chega a ser um descenso tão notável ao volante, mas o motor precisa se esforçar bastante, mesmo com duas pessoas a bordo, para subir uma serra. É um raro momento em que o som externo invade a cabine por conta da vibração.
Nas ultrapassagens, a resposta imediata do câmbio chama mais atenção que o desempenho do próprio motor. Inclusive, ele tem paddle-shifters que tornam as reduções ainda mais imediatas. Mas parece que falta um “empurrãozinho elétrico” — e, felizmente, ele não vai demorar para chegar.
A partir deste ano, o Commander receberá um novo sistema híbrido leve (MHEV) de 48 volts. Um pequeno motor elétrico vai fornecer energia mecânica e elétrica, que tanto gera torque adicional para o motor térmico, como pode carregar a bateria adicional de íon-lítio. Talvez, com este conjunto mais robusto, o Commander tenha um desempenho mais aceso.
Quanto ao resto do conjunto mecânico, gostei do acerto da suspensão independente nos dois eixos. A cidade de Maresias tem muitos trechos de paralelepípedos e ruas que sequer foram asfaltadas. Neste cenário, o Commander não tomou conhecimento dos desafios e garantiu um trajeto tranquilo. A impressão ao volante é muito robusta.
2 – Desvalorização acima da média
O Jeep Commander Longitude perde 17,1% de seu valor no período de um ano. É uma das principais queixas dos proprietários nos grupos de WhatsApp e fóruns de internet. De acordo com os indicadores da Tabela Fipe, o preço médio após a depreciação passa a ser de R$ 189.583.
Para um carro que sai da concessionária por R$ 228.790, representa uma queda vertiginosa no valor de revenda. No entanto, o Commander tem versões que desvalorizam ainda mais, como a Overland, a mais equipada com motor 1.3 turbo flex. Neste caso, perde-se 19% do valor.
3 – Sensor de estacionamento é muito sensível
Existem cenários em que o sensor de estacionamento do Commander mais atrapalha do que ajuda
Cauê Lira/Autoesporte
Dirigir o Commander na cidade é conviver com um show de alertas. Basta um motociclista passar ao seu lado para que um alerta sonoro seja emitido. Ao estacionar, a sensibilidade pode deixar o motorista confuso sobre quão próximo está do obstáculo.
Por sorte, o botão para desativar o alerta do sensor de estacionamento está bem localizado no painel. Só assim para dirigir um carro tão sensível em uma cidade tão movimentada quanto a capital paulista. É algo a ser aprimorado para a linha 2027.
4 – Consumo
Depreciação é uma das maiores reclamações dos donos do Jeep
Cauê Lira/Autoesporte
Segundo o Inmetro, o Jeep Commander pode marcar 6,9 km/l na cidade e 8,3 km/l na estrada com etanol, além de 10 km/l na cidade e 11,5 km/l na estrada com gasolina. Rodei com ambos os combustíveis e não cheguei aos números declarados.
Com gasolina, o melhor resultado que obtive no computador de bordo foi de 8,5 km/l no trânsito intenso. Antes de subir a serra, com o tanque quase na reserva, abasteci com etanol no único posto com bandeira na região, em Boiçucanga (SP). Foi então que o consumo despencou para 7 km/l, embora seja perfeitamente normal um carro beber mais ao encarar aclives.
Este novo sistema híbrido leve promete fazer bem ao Commander se proporcionar a força extra que o motor precisa, reduzindo o seu esforço e, consequentemente, o consumo de combustível.
5 – Não tem saída de ventilação na terceira fileira
Saída de ar-condicionado da segunda fileira também precisa dar conta dos dois assentos extras lá no fundo do SUV
Cauê Lira/Autoesporte
Abordamos nos tópicos anteriores que somente crianças pequenas se acomodam bem na última fileira de bancos. Já os adultos de menor porte conseguem encarar viagens rápidas, ainda que no aperto. Mesmo assim, o Commander deveria ter passagens de ar que direcionassem a circulação para quem viaja lá atrás.
Diversos carros de sete lugares trazem saídas extras de ventilação para a terceira fileira, mas o Commander ficou devendo neste aspecto. O jeito é torcer para que as saídas da segunda fileira consigam refrigerar toda a cabine.
Jeep Commander Longitude 1.3 2026
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